

     Apresenta:


     Eles comearam um jogo de amor e seduo. Mas tero que estabelecer algumas regras...
Quando a diretora de comerciais Brooke Gordon tem uma meta, ningum consegue impedi-la de conseguir o que quer. Nem mesmo Parks Jones. O famoso astro de beisebol
ter de se ajustar aos critrios de Brooke caso queira completar a srie de comerciais para a qual foi contratado. Mas, mesmo antes das gravaes,  impossvel resistir
ao estilo dela. Decidido a conquista-la, ele no sabe o grande desafio que ter de enfrentar. Pois, para Brooke, homem algum, mesmo sexy, sedutor e irresistvel
como Parks, ser capaz de doma-la. Ou ser que ele tem alguns trunfos no jogo da paixo?


NORA ROBERTS

REGRAS DO JOGO





Traduo
Ligia Chab





HARLEQUIN
BOOKS
2008




Digitalizao Eve Dallas
Reviso Milli Knupp



     PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES II B.V./S..r.l.
     Todos os direitos reservados. Proibidos a reproduo, o armazenamento ou a transmisso, no todo ou em parte.
     Todos os personagens desta obra so fictcios. Qualquer semelhana com pessoas vivas ou mortas  mera coincidncia.
     Ttulo original: RULES OF THE GAME Copyright (c) 1984 by Nora Roberts
     Originalmente publicado em 1984 por Silhouette Intimate Moments
     Arte-final de capa: Isabelle Paiva
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Captulo Um


     - Um atleta. Maravilhoso. - Brooke tomou um grande gole do caf preto e forte, recostou-se em sua cadeira de couro macio e fez uma careta. - Adoro isso.
     - No precisa ser sarcstica - retornou Claire suavemente. - Se de Marco quer usar um atleta para as propagandas, por que voc deveria objetar? - Ela olhou
distraidamente para o volumoso anel de ouro em sua mo direita. - Afinal de contas - continuou com sua voz seca -, voc vai dirigir grande parte dos comerciais.
     Brooke enviou a Claire um olhar caracterstico. Olhos acinzentados diretos e intransigentes penetraram os olhos azuis suaves da mulher mais velha. Um dos grandes
talentos de Brooke, e sua maior arma, era a habilidade de encarar qualquer pessoa, desde um presidente corporativo at um ator temperamental. Desenvolvera tal talento
cedo, como uma defesa contra sua prpria insegurana, e a partir de ento o refinara para transform-lo numa arte. Era uma arte, contudo, que no impressionava Claire
Thorton. Aos 49 anos, ela era dona de uma companhia multimilionria, a qual comeara com inteligncia e coragem. Por quase um quarto de sculo, vinha administrando
as coisas do seu jeito, e pretendia continuar fazendo isso.
     Conhecia Brooke havia dez anos... desde que Brooke tinha 18 anos e conseguira um emprego na Thorton Productions. Ento, assistira  escalada de Brooke, de contra-regra
a iluminadora, de iluminadora a assistente de camera, e da para diretora, Claire nunca se arrependera do impulso que a fizera dar a Brooke seu primeiro comercial
de 15 segundos.
     A intuio tinha sido a base para o sucesso de Claire com a Thorton Productions, e, intuitivamente, sentira o grande talento de Brooke Gordon. Alm disso, Claire
a conhecia, a entendia, como poucas pessoas o faziam. Talvez porque compartilhassem duas caractersticas bsicas: ambio e independncia.
     Aps um momento, Brooke desistiu com um suspiro.
     - Um atleta - murmurou novamente enquanto olhava ao redor de seu escritrio.
     Era uma sala pequena, as paredes cor de mbar claro alinhadas com fotografias de dzias de seus comerciais. Havia um sof de dois lugares - revestido em tecido
de veludo marrom confortvel o bastante para no encorajar visitas longas. A poltrona com o encosto acolchoado fora comprada em um bazar, juntamente com uma mesinha
de centro que se inclinava levemente para a esquerda.
     Brooke estava sentada atrs de uma mesa velha e riscada, que possua uma gaveta que no fechava direito. Sobre a mesa, havia pilhas de papis, uma luminria
e diversas canetas descartveis e lpis quebrados. As canetas e lpis estavam dentro de um vaso Sevres. Atrs dela,  janela, uma arcea morria aos poucos em um
lindo pote de cermica trabalhada.
     -        Ora, Claire, por que eles no podem conseguir um ator? - Brooke ergueu as mos em seu tpico gesto teatral, depois baixou o queixo sobre elas. - Voc
sabe como  tentar conseguir que esportistas e astros de rock digam uma fala sem que parea artificial demais? - Com um murmrio desgostoso que no dava espao para
comentrio, empurrou a pilha de papis para um monte semi-ordenado. -- Uma ligao para um agente de talentos e eu poderia ter cerca de cem atores qualificados aparecendo
aqui, loucos pelo trabalho.
     Pacientemente, Claire tirou um fio de algodo da manga de seu blazer de linho cor-de-rosa.
     - Voc sabe que as vendas aumentam se a propaganda  feita por um nome reconhecvel ou por um rosto familiar.
     - Nome reconhecvel? - Brooke jogou a cabea para trs. - Quem j ouviu falar de Parks Jones? Nome ridculo - murmurou para si mesma.
     - Todos os fs de beisebol no pas. - O sorriso brando disse a Brooke que era intil discutir. Conseqentemente, preparou-se para discutir mais.
     - Ns estamos vendendo roupas, no o Louisvil-le Sluggers.
     - Oito Gold Gloves - continuou Claire. - Uma mdia de 325 rebatidas por ano. Liderando a liga em RBIs nesta temporada. Jones esteve na terceira base no All-Star
por oito temporadas consecutivas.
     Brooke estreitou os olhos.
     -        Como voc sabe tanta coisa? No acompanha beisebol.
     -        Fao a minha lio de casa. - Um sorriso frio tocou a boca arredondada e perfeita de Claire. Ela nunca fizera uma plstica facial, mas era religiosa
em relao s suas visitas ao consultrio da cosmetloga Elizabeth Arden. -  por isso que sou uma produtora de sucesso. Agora,  melhor voc fazer a sua. - Ela
se levantou preguiosamente. - No faa nenhum plano. Tenho ingressos para o jogo desta noite. Os Kings contra os Valiants.
     -        Quem?
     -        Faa sua lio de casa - aconselhou Claire antes de sair e fechar a porta do escritrio.
     Com um suspiro exasperado, Brooke girou sua cadeira, de modo que pudesse ficar de frente para a vista de Los Angeles: prdios altos, vidros brilhando e trnsito
congestionado. Ela tivera outras vistas de Los Angeles durante a escalada em sua carreira, mas haviam sido mais perto do nvel da rua. Agora, olhava a cidade do
20a andar. A distncia significava sucesso, mas Brooke no refletiu muito sobre a questo, pois isso a teria encorajado a pensar no passado... algo que evitava meticulosamente.
     Reclinando-se na grande cadeira, brincou com a ponta de sua trana. Seus cabelos eram ruivos, com mechas douradas que pintores tentavam imortalizar. Eram longos,
espessos e rebeldes. Brooke era feminina o bastante para no querer cort-los por questo de praticidade, e preferia usar uma trana grossa durante as horas de trabalho.
Uma trana que caa nas costas de uma blusa de seda e passava do cs de sua cala jeans surrada.
     Seus olhos, enquanto ponderava as palavras de Claire, estavam pensativos. Eles possuam ris acinzentadas, plpebras longas, e eram cercados por clios do mesmo
tom claro dos cabelos. Raramente pensava em escurec-los. Sua pele era levemente rosada e delicada, e exigia tanto cuidado quanto os cabelos, mas a fragilidade acabava
ali. O nariz era pequeno e arrebitado, a boca grande, o queixo vigoroso. Era um rosto instvel... lindo em um momento, austero no momento seguinte, mas sempre autoritrio.
Ela usava uma leve camada de batom cor-de-rosa, brincos de bijuteria e uma gota de um perfume de 200 dlares o grama.
     Pensou sobre a conta de Marco: jeans de grife, roupas esportes exclusivas e couro italiano macio. Uma vez que eles haviam decidido estender a propaganda para
alm das pginas brilhantes de revistas de moda, para a televiso. Chegaram  Thorton Productions e, conseqentemente, a ela. Era um bom contrato de dois anos com
um oramento que daria a Brooke todo o espao artstico que pudesse desejar. Disse a si mesma que merecia isso. Havia trs prmios Clio na prateleira  sua esquerda.
     Nada mal, pensou ela, para uma mulher de 28 anos que entrara na Thorton Productions com um diploma de ensino mdio, uma boa lbia e mos suadas. E U$ 12,53
no bolso, lembrou, e ento reprimiu o pensamento. Se quisesse a conta de Marco... e queria... simplesmente teria de fazer o jogador de beisebol trabalhar. Irritada,
virou a cadeira novamente para a mesa. Pegando o telefone, apertou dois botes.
     - Consiga-me tudo que temos sobre Parks Jones - ordenou Brooke enquanto afastava papis de seu caminho. - E pergunte para a Sra. Thorton a que horas devo apanh-la
esta noite.

     A menos de seis quarteires de distncia, Parks Jones enfiou as mos nos bolsos e fez uma careta para seu empresrio.
     -        Como deixei voc me convencer a fazer isso? Lee Dutton deu um sorriso que revelou dentes levemente tortos e muito charme.
     - Voc confia em mim.
     - Meu primeiro erro. - Parks estudou Lee, uma figura no muito humilde e amigvel, com uma considervel calvcie, expresso severa e enervantes olhos pretos.
Sim, confiava nele, pensou Parks, at mesmo gostava do homem, mas... - Eu no sou modelo, Lee. Sou um jogador de beisebol.
     - Voc no vai atuar como modelo - corrigiu Lee. Quando uniu as mos, o sol brilhou na pulseira de seu relgio suo. - Voc vai "dar credibilidade". Jogadores
de beisebol fazem isso desde a primeira lmina de barbear.
     Parks bufou, depois andou ao redor do escritrio organizado, com design oriental.
     -        Esta no  uma propaganda de barbeadores, e no vou "dar credibilidade" a uma luva de beisebol. So roupas, pelo amor de Deus. Vou me sentir um idiota.
     Mas no vai parecer um, pensou Lee quando pegou uma cigarrilha fragrante. Acendendo-a, estudou Parks por sobre a chama. O corpo longo e esbelto era perfeito
para a grife de Marco... assim como os cabelos louros e a inconfundvel aparncia californiana. O rosto magro e bronzeado, olhos azuis escuros e cabelos encaracolados
j haviam tornado Parks o favorito de fs do sexo feminino, enquanto seu jeito amigvel e relaxado angariara a simpatia dos homens. Ele era talentoso, bonito e elegante.
Em resumo, concluiu Lee, Parks possua um dom natural. E o fato de ser inteligente s vezes podia ser tanto uma desvantagem quanto uma vantagem...
     -        Parks, voc  bom - disse Lee com um suspiro que ambos sabiam ser calculado. - Tambm tem 33 anos. Quanto tempo mais vai jogar beisebol?
     Parks respondeu com um olhar. Lee sabia de sua promessa de se aposentar aos 35 anos.
     -        O que isso tem a ver?
     - H muitos jogadores, jogadores excepcionais, que caem no esquecimento quando saem do campo de beisebol pela ltima vez. Voc precisa pensar no futuro.
     - Eu pensei no futuro - Parks o relembrou. - Maui... pescar, dormir ao sol, paquerar mulheres.
     Aquilo duraria umas seis semanas, calculou Lee, mas ficou sabiamente em silncio.
     - Lee. - Parks sentou-se em uma cadeira vermelha chinesa e estendeu as pernas  frente. - No preciso do dinheiro. Ento, por que vou trabalhar este inverno
em vez de ficar deitado na praia?
     - Porque vai ser bom para voc - comeou Lee. -  bom para o jogo. A campanha vai realar a imagem do beisebol. E - acrescentou com um de seus sorrisos travessos
- ... porque voc assinou um contrato.
     - Vou treinar mais um pouco no basto - murmurou Parks quando se levantou. No momento em que chegou  porta, virou-se com um suspeito sorriso amigvel. - Uma
coisa: se eu fizer papel de tolo, vou quebrar as patas daquele seu cavalo Tang.

     Brooke passou pelos portes controlados eletronicamente. Ento, virou o carro para o caminho alinhado por rododentros que levava  manso de Claire. Secretamente,
considerava a casa um lindo anacronismo. Era grande, branca, com diversos nveis e repleta de pilares. Brooke gostava de imaginar dois guardas de capacete preto, 
rifles nos ombros, ladeando as portas duplas entalhadas. A propriedade pertencera originalmente a um discreto dolo do cinema, que supostamente decorara as paredes 
dos cmodos com tecidos de seda e cetim em cores pastis. Quinze anos atrs, Claire a comprara de um magnata dos perfumes, e ento redecorara a casa com sua prpria 
paixo por arte oriental.
     Brooke pisou no freio de seu Datsun, parando com um solavanco diante dos degraus brancos de mrmore. Ela dirigia em duas velocidades: parar e andar. Descendo 
do carro, inalou os aromas exticos de jasmim e baunilha do jardim antes de subir a escada em seu modo relaxado de andar, que era uma combinao de pernas longas 
e mente em constante reflexo. Em uma multido, tal modo de andar fazia homens virarem as cabeas, mas Brooke no notava nem se importava.
     Ela bateu ligeiramente  porta. Ento, impaciente, girou a maaneta. Encontrando-a destrancada, entrou no hall verde-menta espaoso e gritou:
     - Claire! Voc est pronta? Estou morrendo de fome. - Uma mulher pequena num uniforme cinza alinhado saiu de uma porta  esquerda. - Ol, Billings.
     -        Brooke lhe sorriu e jogou a trana sobre um dos ombros. - Onde est Claire? No tive energia para procur-la neste labirinto.
     - Ela est se vestindo, Srta. Gordon. - A governanta falou com um sotaque britnico, respondendo ao sorriso de Brooke com um aceno de cabea. - Descer em breve. 
Gostaria de um drinque?
     - Apenas gua mineral, est quente l fora. - Brooke seguiu a governanta para a sala de estar, ento se sentou em um sof. - Ela lhe contou aonde ns vamos?
     - A um jogo de beisebol, senhorita? - Billings colocou gelo num copo e adicionou gua com gs.
     -        Quer limo?
     -        S um respingo. Vamos l, Billings. - O tom de Brooke se tornou conspiratrio. - O que voc acha?
     Meticulosamente, Billings espremeu limo na gua com gs. Fora governanta de lorde e lady Westbrook em Devon, antes de receber uma oferta alta de Claire Thorton. 
Ao aceitar a posio, jurara nunca se tornar americanizada. Edna Billings possua seus padres, mas quase nunca era capaz de resistir a responder a Brooke. Uma garota 
desobediente, tinha pensado uma dcada atrs, e a opinio permanecia inalterada. Talvez por isso Billings gostasse tanto dela.
     -        Eu prefiro crquete - disse ela suavemente.
     -        Um jogo muito mais civilizado. - Entregou o copo a Brooke.
     -        Voc pode imaginar Claire sentada numa arquibancada? - perguntou Brooke. - Cercada por gritos, fs suados, assistindo a um bando de homens balanando 
uma pequena bola e correndo em crculos?
     - Se eu no estiver enganada - comeou Billin-gs devagar -, o jogo envolve um pouco mais do que isso.
     - Claro, RBIs e ERAs, e putouts e shutouts. - Brooke respirou profundamente. - O que  um squee-zeplay, afinal?
     - No tenho a menor idia.
     - Tanto faz. - Brooke deu de ombros e bebeu um pouco da Perrier. - Claire ps na cabea que assistir este homem jogando vai me dar alguma inspirao.
     
     - Ela passou a ponta do dedo sobre a jarra vermelha.
     - O que realmente preciso  de uma refeio.
     -        Voc pode comprar um cachorro-quente e uma cerveja no parque - anunciou Claire, entrando na sala.
     Olhando para cima, Brooke teve um acesso de riso. Claire estava imaculadamente vestida em cala de linho e blusa bordada, com sapatos baixos de couro de jacar.
     - Voc est indo a um jogo de beisebol - Brooke a relembrou -, no para um museu. E detesto cerveja.
     - Uma pena. - Abrindo sua bolsa de couro de jacar, Claire verificou os contedos antes de fech-la novamente. - Vamos, ento. No queremos perder nada. Boa 
noite, Billings.
     Bebendo o resto de sua gua, Brooke se levantou e se apressou atrs de Claire.
     -        Vamos parar para comer no caminho - sugeriu ela. - No  como perder o primeiro ato da pera, e no pude almoar. - Tentou seu olhar de rf desamparada. 
- Voc sabe como fico mal-humorada se perco uma refeio.
     -        Vamos ter de comear a coloc-la na frente da cmera, Brooke. Voc est ficando cada vez melhor.
     - Franzindo o cenho de leve para o Datsun rebaixado, Claire manobrou para entrar. Tambm sabia que a obsesso de Brooke por refeies regulares vinha de sua 
adolescncia pobre. - Dois cachorros-quentes
     - sugeriu, sabiamente prendendo seu cinto de segurana. - Leva 45 minutos para chegar ao estdio. - Claire balanou os cabelos castanhos com mechas grisalhas. 
- Isso significa que voc nos levar at l em aproximadamente 25 minutos.
     Brooke praguejou e engatou a primeira marcha. Em pouco mais de trinta minutos, estava procurando uma vaga do lado de fora do Estdio Kings.
     -        ... e o garoto foi perfeito na primeira tomada.
     -        Brooke continuou alegremente, desviando de carros com a determinao de um toureiro. - Os dois atores adultos se atrapalharam, e a mesa caiu, ento 
foram necessrias 14 tomadas, mas a criana acertou todas as vezes. - Ela deu um grito animado quando avistou uma vaga, entrou nela, quase batendo num outro carro, 
ento parou com um solavanco. - Quero que voc d uma olhada no filme antes que seja editado.
     - O que voc tem em mente? - Com alguma dificuldade, Claire desceu do carro, espremendo-se entre o Datsun e o carro parado poucos centmetros ao lado.
     - Voc est escalando o elenco para aquele filme de tev, Famlia em declnio. - Brooke bateu sua porta e se encostou contra o cap. - No acho que v querer 
procurar mais para o papel de Buddy. O garoto  bom, muito, muito bom.
     -        Vou dar uma olhada.
     Juntas, elas seguiram a multido em direo ao estdio. Havia um cheiro de asfalto quente, ar pesado e humanidade mida... Los Angeles em agosto. Acima delas, 
o cu estava escurecendo, de modo que as luzes do estdio enviavam um brilho branco nebuloso. Do lado de dentro, elas passaram pelas barracas que vendiam amendoins, 
fotos e programas. Brooke podia sentir o aroma de pipoca e carne grelhada, o cheiro forte de cerveja. Seu estmago respondeu de acordo.
     -        Voc sabe para aonde est indo? - perguntou.
     -        Sempre sei para aonde estou indo - replicou Claire, virando num corredor que descia uma inclinao.
     Elas emergiram para encontrar o estdio brilhante como a luz do dia, e abarrotado de corpos. Havia o contnuo murmurinho de milhes de vozes sobre apitos e 
msica de rock suave. Vendedores ambulantes carregavam bandejas de comida e bebida penduradas nos ombros. Excitao. Brooke podia sentir a eletricidade daquilo vindo 
em ondas. Instantaneamente, sua prpria apatia desapareceu, para ser substituda por uma vida curiosidade. Pessoas eram a sua obsesso, e l estavam elas, milhares 
delas, unidas em um crculo ao redor de um campo de grama verde e terra marrom.
     Alguma coisa alm de fome comeou a mexer com
     ela.
     -        Olhe para isso, Claire - murmurou Brooke. -  sempre cheio assim?
     - Os Kings esto tendo uma temporada de vitrias. Eles lideram suas ligas por trs jogos, tm dois arremessadores com potencial de ganhar vinte jogos, e um 
jogador de terceira base que fez 378 rebatidas no ano. - Ela arqueou a sobrancelha e olhou para Brooke. - Eu lhe disse para fazer seu dever de casa.
     - Hm-humm... - Mas Brooke estava prestando ateno no povo. - Quem so estas pessoas? De onde elas vm? Para aonde vo depois que o jogo acaba?
     Havia dois homens idosos, empoleirados sobre as cadeiras, as mos entre os joelhos, enquanto discutiam sobre o jogo que ainda nem tinha comeado. Oh, que festa 
para um camera man. pensou Brooke, avistando um garotinho de cinco anos com o bon dos Kings, olhando para dois fs abraados. Ela desceu os degraus lentamente atrs 
de Claire, deixando seus olhos gravarem tudo. Gostava do tamanho do estdio, do barulho, do cheiro de umidade, da multido se esbarrando, das cores. Bandeiras brancas 
e azul-marinho dos Kings eram abanadas, crianas comiam algodo-doce cor-de-rosa. Um adolescente fazia charme para uma bonita loura  sua frente, que fingia estar 
interessada.
     Abruptamente, Brooke parou, colocando uma das mos sobre o ombro de Claire.
     -        Aquele no  Brighton Boyd?
     Claire olhou para a esquerda e viu o ator vencedor do Oscar comendo amendoins de um saco de papel.
     -        Sim. Vamos ver agora, esta  a nossa fileira. - Ela entrou, ento ergueu a mo amigvel para o ator antes de se sentar. - Este lugar  muito bom - 
observou Claire assentindo, satisfeita. - Estamos bem perto da terceira base aqui.
     Ainda olhando para tudo ao mesmo tempo, Brooke se acomodou na cadeira. O Coliseu em Roma, pensou, devia ter proporcionado a mesma sensao na poca dos gladiadores. 
Se ela fosse fazer uma propaganda sobre beisebol, no seria sobre o jogo, mas sobre a multido. Um giro geral da cmera... com um som baixo, que gradualmente aumentava 
de volume enquanto a cmera se aproximava. Ento, bamm\ Volume total, efeito total. Clich ou no, aquilo era essencialmente americano.
     - Aqui est, querida. - Claire a tirou dos pensamentos, entregando-lhe um cachorro-quente. - Por minha conta.
     - Obrigada. - Aps uma boa mordida, Brooke continuou, com a boca cheia. - Quem faz as propagandas do time, Claire?
     - Apenas concentre-se na terceira base - aconselhou Claire enquanto dava um gole na cerveja.
     - Sim, mas... - A multido gritou quando o time da casa entrou no campo. Brooke observou os homens assumirem suas posies, vestidos de branco, com bons azul-marinhos 
e meias de beisebol. Eles no pareciam tolos, pensou enquanto os fs continuavam vibrando. Em vez disso, pareciam heris. Ela focou no homem da terceira base.
     Parks estava de costas quando chutou um pouco de terra ao redor da base. Mas Brooke no se esforou para ver o rosto dele. No momento, no precisava disso.,, 
o corpo era o bastante. Calculou l,86m, um pouco surpresa pela altura. No mais do que 75 quilos... porm no magro. Ela inclinou os cotovelos na grade de proteo, 
descansando o queixo nas mos.
     Ele  esbelto, pensou. Exibir bem as roupas. Parks abaixou-se para uma bola rebatida, ento a devolveu para o interbases. Por um instante, os pensamentos de 
Brooke se dispersaram. Alguma coisa se introduziu em sua anlise profissional, e ela rapidamente reprimiu. O jeito como ele se movia, pensou. Como um gato? No. 
Brooke meneou a cabea. No, ele era todo msculo.
     Ela esperou, inconscientemente prendendo a respirao quando ele recebeu uma outra bola rebatida. Ele se movia de forma relaxada, aparentemente sem esforo, 
mas ela sentia um controle rgido quando ele andava, se abaixava, se inclinava. Eram movimentos flexveis... dos ps, pernas, quadris e braos. Um danarino possua 
o mesmo tipo de flexibilidade perfeita depois de praticar uma rotina bsica por anos. Se pudesse mant-lo em movimento, pensou Brooke, no importaria se Parks no 
pudesse dizer seu prprio nome diante da cmera.
     Havia uma sexualidade inesperada em cada gesto. Estava l quando ele erguia o corpo, preguiosamente querendo receber uma bola. Poderia dar certo, afinal de 
contas, refletiu ela, enquanto seus olhos percorriam o corpo atltico, estudavam os cachos louros que saam pelas laterais do bon. Poderia...
     Ento ele se virou. Brooke encontrou-se olhando fixamente para o rosto dele. Era longo e esbelto como o corpo, lembrando um pouco os gladiadores sobre os quais 
pensara mais cedo. Porque Parks estava concentrado, a boca carnuda e bonita se encontrava sria. Os olhos, quase do mesmo tom do bon azul-marinho que os integrantes 
do time usavam, estavam pensativos. Ele parecia feroz, quase um guerreiro, definitivamente perigoso. Qualquer coisa que ela tivesse esperado, no tinha sido aquele 
rosto incrivelmente sexy, ou sua reao a isso.
     Algum o chamou da arquibancada. Abruptamente, ele sorriu, transformando-se em um homem acessvel e amigvel com um charme todo especial. Os msculos de Brooke 
relaxaram.
     -        O que voc acha dele?
     Um pouco atordoada, Brooke se recostou na cadeira e distraidamente mordeu seu cachorro-quente.
     - Pode dar certo - murmurou ela. - Ele se move com flexibilidade.
     - Pelo que ouvi falar - disse Claire secamente -, voc ainda no viu nada.
     Como sempre, Claire estava certa. Na primeira entrada, Parks mergulhou para pegar a bola na linha da terceira base para a ltima eliminao. Ento rebateu a 
quarta, uma rebatida simples para o campo esquerdo, que ele estendeu para uma dupla. Parks jogava, pensou Brooke, com o entusiasmo de uma criana e com a incrvel 
determinao de um veterano. Ela no precisava entender nada sobre o jogo para saber que a combinao era imbatvel.
     Em movimento, era um prazer observ-lo. Relaxada agora, impressionada por suas primeiras impresses, Brooke comeou a considerar as hipteses. Se a voz de Parks 
seria to boa quanto todo o resto. Bem... isso ainda seria descoberto. Aps comer um outro cachorro-quente, ela reassumiu sua posio inclinando-se contra a grade. 
Os Kings estavam ganhando de 2 a 1 na quinta entrada. A multido estava frentica. Brooke decidiu que usaria algumas cenas de ao de Parks em cmera lenta.
     O ar estava quente e parado no campo de beisebol. Uma brisa espordica fazia as bandeiras balanarem e refrescava os espectadores que estavam nas arquibancadas 
altas, porm abaixo, sob as luzes, o ar estava denso. Parks sentia o suor escorrer por suas costas enquanto se posicionava no gramado do campo interno. Hernandez, 
o arremessador, estava atrasado em relao ao rebatedor. Parks sabia que Rathers era um rebatedor forte que puxava para a esquerda. Ele se plantou atrs da base 
e esperou. Viu o arremesso, uma bola rpida na altura da cintura, ouviu o estalo do basto. Naquele milsimo de segundo, tinha duas escolhas: pegar a bola que vinha 
em sua direo com fora total, ou acabar com um furo no peito. Ele pegou, e sentiu a vibrao de poder percorrer seu corpo antes de ouvir os gritos da multido.
     Uma pegada rotineira, diria a maioria das pessoas. Parks estava surpreso que a bola no o tivesse carregado para fora do estdio.
     - Ainda resta algum couro em sua luva? - perguntou o interbases enquanto eles voltavam para o banco. Parks lhe deu um sorriso antes de estudar rapidamente a 
multido nos assentos. Seus olhos encontraram os de Brooke, surpreendendo a ambos.
     Em reao, Parks diminuiu o ritmo levemente. Aquele era um rosto, pensou, que um homem poderia ver todos os dias. Ela parecia um pouco com uma aristocrata do 
sculo XVIII, com cabelos longos e espessos, e pele rosada de uma inglesa. Ele sentiu o estmago se contrair instantaneamente. Aquele rosto exalava sexo proibido 
e maravilhoso. Mas os olhos... Parks no deixou de fit-los por um momento sequer enquanto se aproximava do banco. Os olhos eram acinzentados e diretos como uma 
flecha. Ela o encarou de volta, sem piscar ou enrubescer, no sorrindo como a maioria das fs teria feito, ou desviando o olhar quando eram tmidas. Ela apenas o 
encarava, pensou Parks, como se o estivesse dissecando. Com uma onda simultnea de irritao e curiosidade, entrou no banco.
     Pensou sobre ela enquanto estava sentado no banco. Ali, a atmosfera estava tensa. Cada jogo era importante agora, se quisessem manter a liderana da liga. Parks 
sofria uma presso pessoal para tentar atingir uma mdia de quatrocentas rebatidas por ano. Isso era algo em que se esforava para no pensar, mas era constantemente 
lembrado do fato pela imprensa. Observou o rebatedor de largada ser posto para fora e pensou sobre a ruiva na arquibancada atrs da terceira base.
     Por que ela o olhara daquele jeito? Como se estivesse imaginando como ele ficaria numa caixa de trofu. Praguejando baixinho, Parks se levantou e colocou seu 
capacete de rebatedor. Era melhor tirar a mente da mulher da arquibancada e se concentrar no jogo. O ritmo de Hernandez estava diminuindo, e os Kings precisavam 
de algumas corridas para garantir.
     O segundo rebatedor bateu raso para a direita e ganhou a primeira base. Parks foi se posicionar no crculo. Estendeu os braos sobre a cabea, as mos apoiadas 
no taco. Sentia-se relaxado, aquecido e pronto. Sem poder resistir, desviou os olhos para a esquerda. No podia ver Brooke claramente daquela distncia, mas ainda 
sentia que ela o olhava. Uma nova onda de irritao o assolou. Quando o terceiro rebatedor foi eliminado com uma bola pega no ar, Parks se aproximou da rea da caixa.
     Qual era o problema dela, afinal?, perguntou-se enquanto treinava um movimento de rebatida. Teria sido mais simples se ele pudesse rotul-la como uma tpica 
f de beisebol, mas no havia nada tpico no rosto dela... ou naqueles olhos. Plantando os ps no cho, ele se agachou na posio e esperou pelo arremesso. Veio 
com altura e suavidade. Parks rebateu um instante antes de a bola cair.
     Friamente, saiu da caixa e ajustou o capacete antes de assumir sua posio novamente. A bola seguinte errou o canto e igualou a contagem. A pacincia era a 
essncia do talento de Parks. Ele podia esperar, mesmo sob presso, pelo arremesso que queria. Ento, esperou, pegando uma outra bola e um strike. A multido estava 
gritando, suplicando por uma rebatida vlida, mas ele se concentrou no arremessador.
     A bola veio para ele, a 1 50 quilmetros por hora, mas Parks j tinha calculado isso. E era exatamente o que queria. Ele girou, batendo em cheio na bola. Soube 
no momento em que ouviu o estalo. Assim como o arremessador, que viu seu segundo strike voar para fora do campo.
     Parks percorreu as bases enquanto a multido vibrava. Reconheceu o tapinha nas costas do treinador da primeira base com um sorriso rpido. Ele jamais perdera 
seu prazer infantil em rebater bolas longas. Quando rodeou a segunda base, automaticamente procurou por Brooke. Ela estava sentada, o queixo apoiado na grade de 
proteo, enquanto a multido saltava e gritava ao seu redor. L estava a mesma calma intensidade nos olhos acinzentados... nenhum brilho de congratulao, nenhum 
prazer. Irritado, Parks tentou encar-la enquanto contornava a terceira base. Os olhos dela no desviaram quando ele se virou para o completar. Ele cruzou a home 
plate excitado pela corrida e furioso com uma desconhecida.
     - Isso no  maravilhoso? - Claire sorriu para Brooke. - Este  o 36u home run de Parks nesta temporada. Um jovem muito talentoso. - Ela sinalizou para um vendedor 
ambulante a fim de comprar outra bebida. - Ele estava olhando para voc.
     - H-h. - Brooke no estava disposta a admitir que sua pulsao acelerara com cada contato visual. Conhecia o tipo dele... bonito, bem-sucedido e sem corao. 
Encontrava-os todos os dias. - Ele vai ficar bem na cmera.
     Claire riu com o prazer confortvel de uma mulher se aproximando dos cinqenta anos.
     -        Ele ficaria bem em qualquer lugar.
     Em resposta, Brooke deu de ombros quando o jogo foi para sua stima entrada. Ela no prestou ateno ao placar ou aos outros jogadores enquanto observava Parks 
com intensidade. Continuou com os braos sobre a grade, o queixo nas mos, os ps com botas cruzados. Havia alguma coisa nele, pensou, algo alm dos bvios atrativos 
fsicos, da sexualidade bsica. Eram aqueles movimentos relaxados encobrindo a disciplina. Era isso que ela queria capturar. A combinao faria mais do que vender 
as roupas de Marco. Iria triplicar as vendas. Tudo que tinha de fazer era guiar Parks Jones e faz-lo seguir os passos.
     Brooke o faria balanar um taco de beisebol em roupas de esporte imaculadamente sofisticadas... talvez andar a cavalo na praia, em jeans de Marco. Cenas atlticas. 
Ele era perfeito para isso. E se ela pudesse convenc-lo, Parks faria algumas cenas com mulheres. No queria os olhares usuais de adorao ou reconhecimento, mas 
alguma coisa diferente e divertida. Se os roteiristas pudessem criar isso, e se Jones fosse capaz de aceitar qualquer tipo de instruo. Recusando-se a pensar negativamente, 
Brooke disse a si mesma que conseguiria aquilo. Dentro de um ano, todas as mulheres desejariam Parks Jones, e todos os homens o invejariam.
     A bola foi rebatida alta e estava fazendo uma curva para fora. Parks correu atrs dela, chegando  arquibancada quando a bola caiu no meio da multido, quatro 
fileiras para trs. Brooke encontrou-se cara a cara com ele, perto o bastante para sentir o leve aroma almiscarado do suor, que escorria pela lateral do rosto bonito. 
Os olhos deles se encontraram de novo, mas ela no se moveu, em parte porque estava interessada, em parte porque estava paralisada. Apenas transparecia de seus olhos 
um pouco de curiosidade. Atrs deles, houve gritos de triunfo quando algum agarrou a bola fora como um trofu.
     Furioso, ele olhou para ela.
     -        Seu nome? - perguntou em voz baixa.
     Ele tinha aquela expresso feroz e perigosa no rosto novamente. Brooke esforou-se para falar com calma:
     -        Brooke.
     -        O nome inteiro - murmurou Parks, pressionado pelo tempo e irado consigo mesmo. Observou uma sobrancelha fina se erguer e descobriu-se querendo tirar 
Brooke dali.
     -        Gordon - replicou ela suavemente. - O jogo acabou?
     Parks estreitou os olhos antes de se afastar. Brooke o ouviu falar baixinho:
     -        Est s comeando.
     
     
     
   Captulo Dois
     
     
     Brooke estivera esperando o telefonema. Afinal de contas, ele sabia seu nome completo, e seu nome estava na lista telefnica. Mas no esperava que fosse acontecer 
s 6h 15 da manh de um domingo.
     Grogue de sono, ela tateou em busca do telefone, conseguindo pegar o sem fio enquanto a base caa pesadamente no cho.
     - Al... - murmurou sem abrir os olhos.
     - Brooke Gordon?
     -        Hmm... - Ela se deitou de novo no travesseiro. - Sim...
     -        Aqui  Parks Jones.
     Instantaneamente alerta, Brooke abriu os olhos. A luz estava suave e fraca com o amanhecer, e alguns pssaros comeavam a cantar. Ela tateou para achar o despertador 
de corda ao lado da cama, e fez uma careta quando viu que horas eram. Reprimindo uma torrente de ofensas, manteve a voz suave e sonolenta.
     -        Quem?
     Parks mudou o telefone para a outra mo e franziu o cenho.
     -        Parks Jones, terceira base. O jogo dos Kings da outra noite.
     Brooke bocejou, afofando o travesseiro sem pressa.
     - Oh - foi tudo que ela disse, mas um sorriso travesso curvou-lhe os lbios.
     - Oua. Quero ver voc. Ns vamos voar de volta depois do jogo em Nova York esta tarde. Que tal um jantar? - Por que ele estava fazendo isso?, perguntou a si 
mesmo enquanto andava de um lado para o outro no pequeno quarto de hotel. E por que, em nome de Deus, no estava fazendo aquilo com um pouco mais de estilo?
     - Jantar - repetiu Brooke sem demonstrar interesse, enquanto sua mente trabalhava com rapidez. No era tpico de Parks esperar que uma mulher no tivesse planos 
que no pudessem ser alterados para sa-tisfaz-lo? Seu primeiro instinto foi recusar friamente... mas seu senso de ridculo a venceu.
     - Bem - comeou ela, e fez uma pausa. - Talvez. A que horas?
     - Apanho voc s nove - respondeu Parks, ignorando o "talvez". Se no conseguia tirar uma mulher da cabea por trs dias, descobriria por qu. - Tenho o endereo.
     - Tudo bem, Sparks, s nove.
     -        Parks - corrigiu ele, seco, e desligou. Deitando-se novamente no travesseiro, Brooke comeou a rir.
     Ainda estava de excelente humor quando se arrumou para a noite. Entretanto, pensou que era uma pena que o arquivo que lera sobre Parks no contivesse um pouco 
mais do que todas aquelas estatsticas de beisebol. Alguns detalhes pessoais teriam lhe dado mais vantagens. O que Parks Jones teria a dizer se soubesse que estava 
levando sua futura diretora para jantar?, perguntou-se. De alguma forma, Brooke no achava que ficaria muito satisfeito quando soubesse que ela omitira aquela pequena 
informao. Mas o cenrio todo era bom demais para perder. E havia o fato de que ele tocara alguma coisa em seu interior, da qual ela queria se livrar antes que 
comeassem a trabalhar juntos.
     Enrolada numa toalha de banho, Brooke ponderou sobre que roupa usaria. No saa muito com homens. Escolha prpria. Experincias anteriores influenciaram sua 
atitude em relao aos homens. Se eram bonitos e charmosos, Brooke fugia deles.
     Tinha somente 17 anos quando conhecera o primeiro garoto bonito e charmoso. Ele tinha 22, e acabara de sair da faculdade. Quando fora ao restaurante em que 
ela trabalhava, Clark fora simptico e generoso com uma gorjeta. Tudo comeara com um cinema uma ou duas noites por semana, ento um piquenique no parque durante 
a tarde. O fato de ele no estar trabalhando no perturbara Brooke na poca. Ele dizia querer esperar o vero acabar antes de procurar um emprego.
     A famlia de Clark era de Boston, conhecida e requintada. O requinte, ele havia explicado com um humor insolente que a fascinara, queria dizer que eles possuam 
muitas heranas, mas pouco dinheiro imediato. A famlia tinha planos para ele, sobre os quais Clark se sentia indiferente graas s despreocupaes tpicas da juventude. 
Mencionava a famlia de vez em quando, avs, irms, com um humor que falava de uma intimidade que Brooke invejava quase dolorosamente. Clark podia zombar deles, 
ela percebia, porque era um deles.
     Ele alegava necessitar de um pouco de liberdade, alguns meses para relaxar depois do regime rgido da faculdade. Queria entrar em contato com o mundo real antes 
de escolher a carreira perfeita.
     Jovem e carente de afeto, Brooke absorvera tudo que ele lhe dizia, acreditado em cada palavra. Ele a encantara com uma instruo que ela sempre tinha desejado, 
mas nunca fora capaz de ter. Elogiava-a, dizendo-lhe que era linda e doce, ento a beijava como se estivesse sendo sincero. Houvera tardes na praia com pranchas 
de surfe alugadas, e Brooke mal notava que pagava por elas. E quando ela lhe entregara sua inocncia com um misto de excitao, vergonha e medo, Clark parecera satisfeito 
com isso. Rira do seu jeito embaraado e ingnuo e fora gentil. Na poca, Brooke achara que nunca tinha sido to feliz.
     Quando Clark sugerira que morassem juntos, Brooke concordara de imediato, querendo cozinhar e limpar para ele, ansiando em acordar e dormir ao seu lado. O fato 
de que seu salrio miservel e gorjetas sustentavam a ambos no passava por sua mente. Clark falava de casamento da mesma forma que falava de trabalho: vagamente. 
Eram coisas para o futuro, algo muito prtico que pessoas apaixonadas no deviam se preocupar tanto. Brooke concordara, feliz e otimista com o que acreditava ser 
seu primeiro lar de verdade. Um dia, eles teriam filhos, pensava. Meninos com o rosto bonito de Clark, meninas com os enormes olhos castanhos dele. Crianas com 
avs em Boston, que sempre saberiam quem eram seus pais e onde ficava seu lar.
     Por trs meses, Brooke trabalhara arduamente, guardando parte de seu salrio para um futuro do qual Clark sempre falava, enquanto ele perseguia o que chamava 
de "seus estudos", e sistematicamente rejeitava todos os empregos anunciados no jornal, alegando que no eram adequados. Brooke s podia concordar. Para ela, Clark 
era inteligente demais para um trabalho manual, importante demais para uma posio comum. Quando o emprego certo aparecesse, sabia que ele aceitaria, e ento escalaria 
at o topo em sua carreira.
     As vezes, ele parecia impaciente, mal-humorado. Como sempre tivera de roubar sua prpria privacidade, Brooke o deixara ter a dele. E quando ele saa de seus 
momentos privados, sempre se encontrava cheio de energia e planos. Vamos aqui, vamos ali. No, hoje. O dia seguinte era sempre muito distante para Clark. Para Brooke, 
pela primeira vez em 17 anos, o hoje era especial. Tinha alguma coisa... algum... que lhe pertencia.
     Enquanto isso, trabalhava por longas horas, cozinhava para ele e guardava suas gorjetas num pequeno pote de remdios em uma prateleira da cozinha.
     Uma noite, Brooke tinha ido para casa depois de um longo turno, para descobrir que Clark partira, levando consigo seu pequeno aparelho de televiso branco-e-preto, 
sua coleo de discos, e seu pote de remdios. Um bilhete estava em seu lugar:
     Brooke,
     Recebi um telefonema de casa. Meus pais esto me pressionando... eu no sabia que a presso comearia to cedo. Eu deveria ter lhe dito antes, mas suponho que 
pensei que isso acabaria passando. Uma velha tradio familiar... uma unio com minha prima em terceiro grau, como em matrimnio. Nossa, isso parece arcaico, mas 
 como minha famlia funciona. Shelley  uma boa garota, o pai dela tem uma conexo com o meu. Eu e Shelley somos noivos h alguns anos, mas ela ainda est em Smith, 
ento isso no parecia importante. De qualquerforma, vou entrar para os negcios da famlia dela. Executivo jnior com uma possibilidade de me tornar vice-presidente 
em cinco anos, ou algo assim. No h como lutar contra famlia, dinheiro e a praticidade meticulosa da Nova Inglaterra, querida, especialmente quando eles continuam 
me lembrando de que sou o herdeiro. Quero que saiba que nesses ltimos meses tive mais espao para respirar do que j tive em muito tempo e, suponho, do que terei 
em um tempo ainda mais longo.
     Sinto muito sobre a tev e as coisas, mas eu no tinha dinheiro para a passagem area, e no era o momento certo para dizer aos meus pais que gastei todas as 
minhas economias. Vou lhe pagar de volta assim que puder.
     Continuo desejando que as coisas fossem diferentes, mas fui encostado contra a parede. Voc foi maravilhosa, Brooke, realmente maravilhosa. Seja feliz.
     Clark
     
     Brooke tinha lido a carta duas vezes antes que todas as palavras fossem registradas. Ele partira. Suas coisas materiais no haviam importado, mas ele sim. Clark 
fora embora, e ela estava sozinha... novamente... porque no tinha se formado em Smith, nem possua uma famlia em Boston, ou um pai que pudesse oferecer um bom 
emprego a algum que ela amasse, de modo que Clark a escolhesse. Ningum nunca a escolhera.
     Brooke chorara at que no houvesse mais lgrimas, incapaz de acreditar que seus sonhos, sua confiana e seu futuro tinham sido destrudos em um instante.
     Ento crescera rapidamente, reprimindo seu idealismo. Nunca mais seria usada. Nunca mais competiria com mulheres que possuam todas as vantagens. E no trabalharia 
como uma escrava num pequeno restaurante, a fim de ganhar o bastante para viver num apartamento de um quarto com pintura descascada.
     Ela rasgara o bilhete em pequenos pedacinhos, depois lavara o rosto com gua gelada at que todos os traos de lgrimas desaparecessem.
     Andando pelas caladas com todo o dinheiro que sobrara em seu bolso, Brooke viu-se diante da Thor-ton Productions. Havia entrado com uma atitude agressiva, 
de maneira hostil, passando pela recepcionista e entrando no departamento de pessoal. Sara de l com um emprego novo, no ganhando muito mais do que ganhava atendendo 
mesas, mas com uma nova ambio. Subiria na vida. Uma coisa que a traio de Clark lhe ensinara era que podia depender apenas de uma pessoa: ela mesma. Ningum mais 
ganharia sua confiana ou a faria chorar novamente.
     Dez anos mais tarde, Brooke tirou um vestido preto e justo do armrio. Era um traje altamente sofisticado que comprara principalmente para os eventos sociais 
que faziam parte de sua profisso. Ela tocou a seda e assentiu. O vestido era perfeito para sua noite com Parks Jones.
     
     Enquanto dirigia pelas montanhosas ruas de Los Angeles, Parks considerou suas aes. Pela primeira vez em sua carreira, tinha permitido que uma mulher o distrasse 
durante um jogo. E aquela nem mesmo tentara! Pela primeira vez, havia telefonado para uma estranha de uma distncia de cinco mil quilmetros a fim de marcar um encontro, 
e ela nem mesmo sabia quem ele era. Pela primeira vez, estava planejando sair com uma mulher que o deixara totalmente furioso sem ter dito mais do que algumas palavras. 
E se no fosse pela viagem profissional na noite seguinte  do jogo no Estdio Kings, teria ligado para Brooke antes. Procurara pelo nmero dela no aeroporto em 
seu caminho para pegar o avio que o levaria a Nova York.
     Trocou de marcha na subida ao fazer uma curva. Durante todo o vo para casa, tinha pensado sobre Brooke Gordon, tentando classific-la. Modelo ou atriz, conclura. 
Ela possua o rosto para isso... no era realmente linda, mas, com certeza, nica. A voz lembrava um rouco sussurro. E Brooke no soara muito feliz ao telefone naquela 
manh, recordou com expresso pensativa quando pisou no acelerador. No havia lei que dizia que o crebro precisava combinar com uma aparncia intrigante, mas alguma 
coisa nos olhos dela naquela noite... Parks reprimiu o sentimento que tinha estudado, pesado e calculado.
     Um coelho surgiu  sua frente e parou, hipnotizado pelos faris do carro. Parks freou, desviou e praguejou quando o animal correu de volta para a margem da 
estrada. Tinha uma fraqueza por pequenos animais que seu pai nunca entendera. Mas, at a, seu pai havia entendido muito menos sobre um garoto que escolhera jogar 
beisebol em vez de assumir uma lucrativa posio de poder na Parkinson Chemicals.
     Parks diminuiu a velocidade para verificar sua localizao, ento virou na estrada escura que levava  pequena propriedade cercada por rvores. Gostou do lugar 
instantaneamente... o isolamento, o som melodioso dos grilos. Era um pequeno pedao de terra a 35 minutos de Los Angeles. Talvez ela no fosse to pouco inteligente, 
afinal. Ele parou seu MG conversvel atrs do Datsun de Brooke e olhou ao redor.
     O gramado precisava ser aparado, mas s tinha a acrescentar ao charme rural da casa. Era uma estrutura pequena, com muitos vidros e uma varanda circular. Ele 
ouviu o barulho de gua do riacho estreito que corria atrs da casa. Havia um aroma de vero... de flores cuja fragrncia forte no podia identificar, e uma aura 
inexplicvel de paz. Encontrou-se desejando que no tivesse de dirigir de volta para um restaurante lotado e com luzes brilhantes. Ao longe, um cachorro comeou 
a latir freneticamente, enviando ecos para enfatizar a vastido. Parks desceu do carro, perguntando-se que tipo de mulher escolheria uma casa distante dos confortos 
da cidade.
     Havia uma aldrava antiga de lato no formato da cabea de um porco do lado direito da porta. Aquilo o fez sorrir quando bateu. No momento em que ela abriu a 
porta, Parks esqueceu todas as dvidas que o perseguiram durante o trajeto pelas montanhas. Desta vez, achou que ela parecia uma feiticeira sedutora... a pele clara 
em contraste com um vestido preto, um amuleto pesado de prata entre os seios. Os cabelos estavam puxados para trs das tmporas com dois pentes, e caam de maneira 
selvagem at os quadris. Os olhos possuam a cor de fumaa, as plpebras estavam escurecidas por alguma maquiagem brilhante e sutil. Ela no usava batom. Ele sentiu 
um perfume que o fez pensar em harns do leste da ndia, seda branca e roucas risadas femininas.
     - Ol. - Brooke estendeu a mo. Foi necessria muita fora de vontade para completar o gesto casual. Como ela poderia saber que seu corao dispararia com a 
viso dele? Aquilo era tolice, porque j tinha imaginado como Parks ficaria em roupas sofisticadas. Precisava fazer isso se planejava film-lo. Mas de alguma maneira, 
ele parecia mais alto e mais esbelto, at mesmo mais msculo de cala e palet... e, de alguma forma, o rosto era ainda mais atraente na parca luz sombreada da varanda 
da frente. Seus planos de convid-lo para um drinque foram cancelados. Quanto antes estivessem no meio de uma multido, melhor.
     - Estou faminta - disse ela quando dedos fortes se fecharam sobre os seus. - Vamos? - Sem esperar resposta, saiu e fechou a porta.
     Parks a conduziu para o carro, ento se virou. De saltos, Brooke ficava quase da sua altura.
     - Quer que eu suba a capota?
     - No. - Brooke abriu a porta de seu lado. - Gosto do ar fresco.
     Ela se recostou e fechou os olhos, enquanto ele ligava o motor e comeava a voltar em direo  cidade. Parks dirigia rapidamente, mas com o controle estudado 
que Brooke sentira nele desde o comeo. Uma vez que velocidade era uma de suas fraquezas, ela relaxou e aproveitou.
     -        O que voc estava fazendo no jogo na outra noite?
     Brooke sentiu o sorriso curvar seus lbios, mas respondeu suavemente:
     - Uma amiga tinha alguns ingressos. Pensou que eu pudesse achar interessante.
     - Interessante? - Parks meneou a cabea com a palavra. - E voc achou?
     - Oh, sim, apesar de ter esperado que fosse ser tedioso.
     - No notei nenhum entusiasmo particular de sua parte - comentou ele, lembrando-se do olhar calmo e direto. - Pelo que recordo, voc no se moveu durante as 
nove entradas.
     - No precisei - retornou ela. - Voc j estava fazendo o bastante.
     Parks lhe enviou um olhar rpido.
     -        Por que voc estava me olhando fixamente? Brooke considerou por um momento, ento optou
     pela verdade:
     -        Eu estava admirando seu corpo. - Ela se virou com um meio-sorriso. O vento soprou os cabelos no seu rosto, mas Brooke no se incomodou em afast-los. 
-  um corpo muito bonito.
     -        Obrigado. - Ela viu um brilho de humor nos olhos dele que a agradou. - Foi por isso que concordou em jantar comigo?
     Brooke sorriu mais amplamente.
     - No, apenas gosto de comer. Por que voc me convidou?
     - Gostei do seu rosto. E no  todo dia que uma mulher me olha como se fosse me emoldurar e me pendurar na parede.
     - Verdade? - Ela lhe deu uma piscadela inocente. - Pensei que isso fosse algo muito tpico em sua profisso.
     - Talvez. - Ele tirou os olhos da estrada tempo o bastante para encontrar os dela. - Mas voc no  tpica, ?
     Brooke arqueou uma sobrancelha. Sabia que ele lhe dera o que ela considerava o maior elogio de todos?
     - Talvez no - murmurou. - Por que pensa assim?
     - Porque, Brooke Gordon, tambm no sou tpico. - Ele saiu da rea coberta de rvores e entrou na estrada. Brooke decidiu que era melhor ter cuidado.
     O restaurante era grego, com comida picante, aromas exticos e violinos. No momento em que Parks lhe serviu um segundo copo de ouzo, Brooke ouviu um garom 
com um avental respingado de gordura cantar vigorosamente enquanto servia souvlaki. Como sempre, a atmosfera mexeu com ela. Envolvida, assistiu e absorveu tudo ao 
redor, enquanto conseguia comer uma refeio saudvel.
     - No que est pensando? - Parks quis saber. Ela o fitou, desconcertada pela intensidade do olhar dele. Olhos que seduziam com suavidade.
     - Que este  um lugar alegre - disse ela. - O tipo que parece ser administrado por uma famlia feliz. Momma e Pappa na cozinha, mexendo em molhos, uma filha 
grvida cortando vegetais enquanto o marido serve no bar. Tio Stefos atende mesas.
     A imagem formada o fez sorrir.
     - Voc vem de uma famlia grande? Imediatamente, a luz desapareceu dos olhos dela.
     - No.
     Sentindo uma barreira, Parks a contornou.
     -        O que acontece quando a filha tem o beb?
     -        Ela o coloca num bero no canto e fatia mais vegetais. - Brooke cortou um pedao de po na metade e deu uma mordida.
     -        Muito eficiente.
     - Uma mulher bem-sucedida tem de ser. Recostando-se, Parks girou seu drinque no copo.
     - Voc  uma mulher bem-sucedida?
     - Sim.
     Ele inclinou a cabea, observando a luz da vela brincar na pele dela.
     -        Em qu?
     Brooke deu um gole de seu drinque, apreciando o jogo.
     -        No que fao. Voc  um homem bem-sucedido?
     -        No momento, sim. - Parks deu um sorriso... um que dava um ar jovial ao seu rosto. - Jogar beisebol  uma profisso instvel. Uma bola pega uma trajetria 
errada... o arremessador manda algumas perto de voc... No se pode prever quando uma queda vai comear ou parar. Ou pior, por qu.
     Aquilo se parecia um pouco com a vida para ela.
     - E voc tem muitas quedas?
     - Uma j  demais. - Dando de ombros, ele colocou o copo sobre a mesa novamente. - J tive mais do que uma.
     Com sua primeira curiosidade genuna, Brooke se inclinou  frente.
     - O que voc faz para sair de uma?
     - Troco tacos, troco a posio dos tacos. - Ele deu de ombros de novo. - Mudo de dieta, rezo. Tento o celibato.
     Ela riu, um som quente e delicioso.
     - O que funciona melhor?
     - Um bom ataque. - Ele tambm se inclinou  frente. - Quer ver um?
     Quando a sobrancelha dela se arqueou, ele ergueu um dos dedos para tra-la. Brooke sentiu um tremor interno pelo corpo todo.
     - Acho que passo.
     - De onde voc ? - murmurou ele, a ponta do dedo descendo pelo rosto e traando a linha do maxilar. Sabia que a pele de Brooke seria macia assim.
     - De nenhum lugar em particular. - Brooke estendeu a mo para pegar o copo, mas ele a cobriu com a sua.
     - Todo mundo vem de algum lugar.
     - No - discordou ela. A mo dele era mais firme do que Brooke imaginara, os dedos mais fortes. E o toque era gentil. - Nem todo mundo.
     Pelo tom de voz, Parks percebeu que ela estava falando a verdade, e Brooke viu isso. Ele roou um polegar no pulso delicado, descobrindo a pulsao firme ali, 
apesar de acelerada.
     -- Fale-me sobre voc.
     - O que quer saber?
     - Tudo.
     Brooke riu, mas foi totalmente sincera quando respondeu:
     - No conto tudo para qualquer pessoa.
     - O que voc faz?
     - Sobre o qu?
     Ele deveria estar exasperado, mas se pegou sorrindo.
     -        Sobre o trabalho, para comear.
     - Oh, eu fao propagandas - replicou ela em tom leve, sabendo que ele concluiria que ela trabalhava diante das cameras. O jogo continha um aspecto travesso 
que a agradava.
     - Tambm farei isso em breve - disse ele com uma careta rpida. - Voc gosta?
     -        Eu no faria se no gostasse.
     Parks lhe enviou um olhar atento, ento assentiu.
     -        No, voc no faria.
     - Voc no parece muito ansioso para tentar fazer comerciais - comentou Brooke, tirando a mo da dele. O contato prolongado com Parks, ela descobriu, dificultava 
sua concentrao, e a concentrao lhe era vital.
     - No quando tenho de recitar algumas falas tolas e usar roupas de outras pessoas. - Preguiosamente, ele brincou com uma mecha dos cabelos dela, en-rolando-a 
no dedo, enquanto continuava fitando-lhe os olhos. - Seu rosto  fascinante, mais encantador do que lindo. Quando a vi no estdio, pensei que voc parecia uma mulher 
do sculo XVIII. O tipo que tem uma fila de amantes ansiosos.
     Com um murmrio baixo de humor, Brooke se inclinou para mais perto.
     -        Este foi o primeiro ataque, Sr. Jones?
     O aroma feminino parecia ter se intensificado pelo calor da vela. Ele se perguntou se cada homem no restaurante no estava ciente do perfume... e dela.
     -        No. - Seus dedos se apertaram brevemente, quase como um aviso, nos cabelos ruivos. - Quando eu fizer o meu primeiro, voc no precisar perguntar.
     Instintivamente, Brooke se afastou, mas seus olhos permaneceram calmos, a voz continuou suave.
     -  justo. - Definitivamente, ela o colocaria num filme com mulheres, decidiu. Morenas ardentes, para contrastar. - Voc monta? - perguntou abruptamente.
     - Monto?
     - Cavalos.
     - Sim - respondeu ele com uma risada curiosa. - Por qu?
     - Apenas curiosidade. E quanto a vo livre em asa-delta?
     A expresso de Parks se tornou mais intrigada do que divertida.
     -        Isso  proibido no meu contrato, assim como esquiar ou correr de carro. - Ele no confiou no trao de humor nos olhos dela. - Posso saber que jogo 
voc est fazendo?
     - No. Podemos comer a sobremesa? - Brooke lhe deu um sorriso brilhante, deixando-o ainda mais desconfiado.
     - Claro. - Observando-a, Parks sinalizou para o garom.
     Trinta minutos depois, eles atravessaram o estacionamento para o carro dele.
     - Voc sempre come assim? - quis saber Parks.
     - Sempre que tenho a chance. - Brooke se acomodou no assento do passageiro, ento estendeu os braos acima da cabea num movimento preguioso e inconscientemente 
sensual. Ningum que no tivesse trabalhado num restaurante poderia apreciar totalmente comer em um. Ela gostara da comida... e da noite. Talvez, pensou, tivesse 
gostado de estar com Parks porque haviam passado trs horas juntos e ainda no se conheciam. O mistrio adicionava uma pitada de tempero.
     Em poucos meses, eles iriam se conhecer bem. Um diretor no tinha escolha seno penetrar o mundo interno de um ator, e era o que Parks seria, gostasse disso 
ou no. Por enquanto, Brooke escolheu aproveitar o momento, o mistrio e a breve companhia de um homem atraente.
     Quando Parks se sentou ao seu lado, inclinou-se para lhe segurar o queixo na mo. Ela lhe encontrou os olhos serenamente, e com aquele toque de humor que estava 
comeando a frustr-lo.
     -        Voc vai me contar quem ?
     Estranho, pensou Brooke, que ele tivesse o mesmo entendimento da noite que ela.
     -        Ainda no decidi - disse Brooke com sinceridade.
     -        Vou v-la novamente?
     Ela lhe deu um sorriso enigmtico.
     -        Sim.
     Cuidadoso com o sorriso e com a rpida concordncia dela, Parks ligou o motor.
     No gostava de saber que ela estava brincando com ele... no mais do que gostava de saber que teria de voltar para mais. Conhecia uma variedade de mulheres... 
desde as frias sofisticadas at as tietes pegajosas. Havia inmeras diferenas entre os extremos, mas Brooke Gordon no parecia se encaixar em nenhuma delas. Possua 
uma sexualidade esnobe, assim como uma vulnerabilidade suave. Embora seu primeiro instinto tivesse sido lev-la para a cama, agora se descobria querendo mais. Queria 
remover as camadas da personalidade de Brooke e estud-las, uma a uma, at que a entendesse completamente. Fazer amor com ela seria apenas parte da descoberta.
     Eles fizeram o trajeto de carro em silncio, enquanto uma msica suave tocava no rdio. Brooke estava com a cabea inclinada para trs, olhando para as estrelas, 
sabendo que aquela era a primeira vez em meses que relaxava num encontro amoroso, e no queria analisar o motivo. Parks no achava necessrio quebrar o silncio 
confortvel com conversa, assim como no achava necessrio dar aquelas indiretas previsveis de como gostaria de acabar a noite. Ela sabia que no haveria uma luta 
fsica no acostamento da estrada, ou uma discusso embaraosa quando chegassem  porta de sua casa. Parks era seguro, decidiu e fechou os olhos. Parecia que tudo 
daria muito certo, afinal de contas. Seus pensamentos comearam a ir para sua agenda do dia seguinte.
     O movimento do carro a acordou, ou melhor, a falta do movimento. Brooke abriu os olhos para encontrar o MG parado dentro de sua propriedade, o motor desligado. 
Virando a cabea, viu Parks relaxado no assento, observando-a.
     - Voc dirige muito bem - murmurou ela. - Geralmente no confio o suficiente em ningum para adormecer num carro.
     Ele havia gostado dos momentos de quietude enquanto a observava dormir. A pele de Brooke parecia etrea  luz da lua, extremamente clara, com um leve rubor 
nas faces. O vento desembaraara os cabelos ruivos, de modo que Parks sabia como eles ficariam espalhados sobre um travesseiro aps uma noite de paixo ardente. 
Mais cedo ou mais tarde veria aquilo, determinou-se. Depois que suas mos os acariciassem.
     - Desta vez  voc quem est me olhando fixamente - assinalou Brooke.
     E ele sorriu. No o sorriso que ela passara a esperar, mas um sorriso lento e perturbado, que lhe deixava os olhos escuros e perigosos.
     - Suponho que ambos teremos de nos acostumar com isso.
     Inclinando-se, ele abriu a porta. Brooke no enrijeceu ou mudou de posio quando Parks roou o corpo contra o seu, mas simplesmente observou. Como se, pensou 
Parks, ela estivesse considerando suas palavras com muito cuidado. timo, concluiu quando saiu do carro. Desta vez Brooke teria alguma coisa na qual pensar.
     - Gosto deste lugar. - Parks no a tocou enquanto percorriam o caminho que levava  casa, embora Brooke tivesse esperado que ele lhe pegasse o brao ou a mo. 
- Tive uma casa em Malibu uma vez.
     - No mais?
     - O lugar ficou muito movimentado. - Ele deu de ombros enquanto subiam os degraus da varanda. Os passos de ambos ecoavam na noite. - Se vou viver fora da cidade, 
quero um lugar onde no tropeo no vizinho o tempo todo.
     - No tenho este problema aqui. - Ao redor deles, a rea verde estava escura e silenciosa. Havia apenas o som do riacho e a msica dos grilos incansveis. - 
H um casal que mora a quatrocentos metros daquele lado. - Brooke gesticulou para o leste. - Recm-casados que se conheceram num seriado de televiso. - Encostando-se 
contra a porta, ela sorriu. - No temos nenhum problema em ficar longe do caminho um do outro - acrescentou com um suspiro, sentindo-se relaxada e com sono. - Obrigada 
pelo jantar. - Quando ofereceu uma das mos, perguntou-se se ele aceitaria ou ignoraria e a beijaria. Esperava que a ltima opo acontecesse, at mesmo se perguntou 
com curiosidade, como seria sentir a presso dos lbios dele nos seus.
     Parks sabia o que ela esperava, e os lbios de Brooke, como tinham feito desde o comeo, o tentaram. Mas achou que era hora de ela ter alguma coisa inesperada.
     Pegando-lhe a mo, inclinou-se  frente. Viu nos olhos acinzentados que Brooke aceitaria seu beijo com prazer. Em vez disso, tocou os lbios no rosto dela.
     Com o roar da boca aberta de Parks sobre sua pele, Brooke apertou-lhe os dedos. Geralmente, via beijos e abraos de forma distante, como se por trs de uma 
cmera, imaginando, sem paixo, como a cena ficaria no filme. Agora no via nada, mas sentia. Ondas turbulentas de desejo pareciam percorrer sua pele, embora ele 
no a tocasse... Apenas a mo forte cobrindo a sua, os lbios quentes na sua face.
     Vagarosamente, observando-lhe os olhos ardentes, Parks foi para a outra face, movendo os lbios com a mesma leveza, como uma pena. Brooke sentiu as ondas aumentarem, 
at que estavam ecoando em sua cabea. Ouviu um gemido baixo, inconsciente de que vinha de si mesma. Quando o desejo a dominou, virou a boca, procurando pela dele, 
mas Parks subiu por sua pele, beijando-lhe as plpebras, de modo que se fechassem. Enfeitiada, ela permitiu que ele viajasse pelo seu rosto, deixando seus lbios 
tremendo em antecipao, sem serem satisfeitos. Brooke testou a respirao quente de Parks em seus lbios, sentiu o calor deles quando passavam perto, mas a boca 
sensual desceu para seu queixo, tocando-o provocativamente com a lngua.
     Os dedos de Brooke se afrouxaram nos dele. Rendio lhe era algo desconhecido, e ela no reconheceu o sentimento. Parks percebeu quando lhe prendeu o lbulo 
entre os dentes. Seu corpo estava pulsando, doendo de vontade de pressionar-se contra ela e sentir a suavidade especial que somente as mulheres possuam. Contra 
seu rosto, os cabelos exuberantes de Brooke eram to sedosos quanto a pele, assim como to fragrantes. Foi necessrio extremo controle para impedir que suas mos 
mergulhassem naqueles cabelos, para no tomar aquela boca que esperava desejosamente pela sua. Ele lhe traou a orelha com a lngua e a sentiu tremer. Lentamente, 
roou beijos na testa e nas sobrancelhas delicadas enquanto seguia para a outra orelha. Mordiscou-a de levinho, deixando a lngua deslizar sobre a pele sedosa, at 
ouvi-la gemer novamente.
     Ainda assim, evitou a boca de Brooke, pressionando os lbios na pulsao do pescoo elegante, lutando contra a vontade de descer mais, sentir, provar o gosto 
da curva sutil dos seios abaixo da seda preta. A pulsao dela estava acelerada, assim como a respirao. Do alto das montanhas, um coiote uivou para a lua.
     Uma excitao atordoante o inundou. Poderia t-la agora... sentir aquele corpo longo e flexvel sob o seu, perder-se naqueles cabelos selvagens e maravilhosos. 
Mas no teria tudo dela. Necessitava de mais tempo para isso.
     -        Parks. - Brooke sussurrou o nome com voz rouca, excitando-o ainda mais. - Beije-me.
     Gentilmente, ele pressionou os lbios no ombro dela.
     -        Estou fazendo isso.
     A boca de Brooke parecia estar em chamas. Pensara entender desejo, o sentira muitas vezes no passado. Mas jamais tinha conhecido um desejo como aquele.
     -        Beije de verdade.
     Ele se afastou o bastante para lhe ver os olhos. No havia luz neles agora. Estavam opacos de desejo. Os lbios estavam entreabertos num convite, a respirao 
ofegante. Parks se inclinou para mais perto, mas manteve os lbios a centmetros dos dela.
     - Da prxima vez - murmurou suavemente.
     Virando-se, deixou-a perplexa e esperando.
     
     
     
   Captulo Trs
     
     
     - Certo, Linda, tente parecer como se estivesse gostando disso. - Brooke deu uma olhada para seu diretor de iluminao e recebeu um gesto de cabea como resposta, 
assentindo. - E.J., filme de baixo para cima, comeando pelos ps... demore-se nas pernas.
     E.J. deu um sorriso brilhante, os dentes brancos contrastando com a pele morena.
     - Com prazer - disse ele afavelmente, e focou sua cmera nas unhas pintadas de cor-de-rosa da atriz.
     - Est muito calor - reclamou Linda, mexendo na tira de seu biquni minsculo. Ela estava estendida sobre uma toalha na areia... esbelta, loura e linda, com 
um rico bronzeado que venderia um bronzeador popular. Tudo que Linda precisava fazer era parecer exuberante e preguiosa, e falar que tinha um bronzeado Paradisaco. 
O biquni faria o resto.
     - No transpire - ordenou Brooke. - Sua pele tem de parecer brilhante, no molhada. Quando filmarmos, conte at seis, ento levante seu joelho direito... devagar. 
Depois conte at 12 e respire fundo, passe sua mo direita pelos cabelos. Diga a sua fala olhando diretamente para a cmera e pense em sexo.
     - Dane-se o sexo. Estou fritando.
     -        Ento vamos fazer isso numa nica tomada. Tudo bem. Velocidade. Rodando, e... ao!
     E.J. moveu a cmera dos dedos dos ps pintados, subindo pelas pernas longas e delgadas, passando pelos quadris arredondados, barriga dourada e seios pequenos. 
Fechou a cmera no rosto de Linda... boca carnuda, dentes claros e olhos azuis... ento voltou para foc-la por inteiro.
     - Tenho um bronzeado Paradisaco - declarou Linda.
     - Corta. - Brooke passou uma das mos sobre a testa. Embora ainda fosse de manh, a praia estava muito quente. Pensou que podia sentir a areia queimando atravs 
da sola de seus tnis. - Vamos colocar um pouco de vida nisso - sugeriu. - Voc tem de vender o produto com uma nica fala e com seu corpo.
     - Por que voc no tenta? - questionou Linda, deitando-se de costas.
     - Porque voc est sendo paga e eu no - replicou Brooke e cerrou os dentes. Sabia que no podia perder o controle, especialmente com Linda. O problema era 
que, desde sua noite com Parks, estava nervosa e impaciente. Respirando fundo, lembrou a si mesma que sua vida pessoal, se  que Parks Jones fazia parte dela, no 
poderia interferir com seu trabalho. Deu alguns passos e se abaixou ao lado da modelo zangada. - Linda, sei que est um calor insuportvel aqui hoje, mas trabalho 
 trabalho. Voc  profissional ou no estaria aqui.
     - Voc sabe quo arduamente trabalhei no meu bronzeado para conseguir fazer esta propaganda de quinta categoria?
     Brooke deu-lhe um tapinha no ombro, demonstrando empatia, compreenso e autoridade, tudo ao mesmo tempo.
     -        Bem, ento vamos tornar esta propaganda um clssico.
     Passava do meio-dia quando conseguiram guardar o equipamento. E.J. foi para a caamba da caminhonete que usava e pegou dois drinques de uma geladeira porttil.
     - Aqui est, chefe.
     - Obrigada. - Brooke pressionou a garrafa fria contra a testa antes de girar a tampa. - O que havia com Linda hoje? - perguntou. - Ela pode ser um problema, 
mas nunca foi to difcil tirar uma fala dela antes.
     - Brigou com o namorado na semana passada - E.J. a informou antes de dar um grande gole em seu refrigerante de uva.
     Sorrindo, Brooke sentou-se sobre a porta traseira aberta da caminhonete.
     - Alguma coisa que voc no saiba, E.J.?
     - Nada. - Ele se apoiou no carro ao seu lado, um dos poucos funcionrios da Thorton que no era cauteloso com a "Tigresa", como Brooke era apelidada. - Voc 
vai quela festa chique dos de Marco esta noite?
     - Sim. - Ela deu um sorriso lento e estreitou os olhos de uma maneira que nada tinha a ver com o brilho ofuscante do sol. A festa seria sua chance de se vingar 
um pouco de Parks. Ainda podia se lembrar de como ficara parada na varanda, tremendo  luz da lua depois que o barulho do motor dele desaparecera.
     -        Vai ser excitante trabalhar com Parks Jones.
     -        E.J. bebeu o resto do refrigerante de um gole s.
     -        O homem tem a melhor luva da liga e um taco que j no vai lascar nunca. Conseguiu mais dois RBIs on-! tem  noite.
     Brooke inclinou-se  frente e fez uma careta.
     -        Bom para ele.
     -        Voc no gosta de beisebol? - E.J. sorriu, jogando a garrafa vazia na caamba da caminhonete.
     -        No.
     --  preciso ter um pouco de esprito de equipe
     -        murmurou ele e lhe apertou o joelho de maneira !  amigvel. -- Quanto melhor ele se sair, melhor ser a nossa campanha. E se ele entrar na World Series.
     - Se ele entrar na World Series - interrompeu Brooke -, teremos de esperar at outubro antes de comear a filmar.
     - Bem - E.J. coou o queixo -, isso  o show business.
     Brooke tentou olh-lo com seriedade, ento riu e se levantou.
     - Vamos voltar. Tenho uma filmagem no estdio esta tarde. Quer que eu dirija?
     - No. - E.J. fechou a porta traseira da caminhonete e se dirigiu para o assento do motorista.
     -        Gosto de viver.
     - Voc  to medroso, E.J!
     - Sei disso - concordou ele  alegremente.
     -        Tenho certo receio de viajar na velocidade da luz.
     -        Depois de colocar os culos de lentes espelhadas no rosto, ligou a caminhonete, que falhou de maneira temperamental enquanto ele murmurava para o carro.
     
     -        Por que no compra um carro novo? - perguntou Brooke. - Voc ganha um bom salrio.
     Ele bateu no painel da caminhonete quando o motor pegou.
     -        Lealdade. Venho rodando com esta queridinha h sete anos. Ela ainda estar por aqui quando aquela sua mquina exibida estiver caindo aos pedaos.
     Brooke deu de ombros e inclinou a cabea para trs para beber o resto de seu drinque. E.J. era seu nico subordinado com quem ousava ter alguma intimidade, 
o que era provavelmente a razo pela qual ela no apenas permitia, como gostava dele por isso. Tambm o considerava o melhor homem com uma cmera na Costa Oeste. 
Ele vinha de So Francisco, onde o pai era diretor de um colgio, e a me possua um salo de beleza popular. Ela os encontrara uma vez, e se perguntara como duas 
pessoas to meticulosas haviam criado um homem to espontneo e sem regras, com um gosto para mulheres voluptuosas e filmes de oramento barato.
     Mas ento, pensou Brooke, ela nunca fora capaz de entender famlias. Sempre as via com perplexidade e nostalgia, como somente uma pessoa do lado de fora podia 
entender por completo. Acomodando-se no assento remendado, comeou a planejar sua estratgia para a sesso da tarde.
     - Eu soube que voc foi a um jogo dos Kings uma noite dessas. - E.J. percebeu o olhar rpido e penetrante dela, e comeou a assobiar sem afinao.
     - E da?
     - Encontrei Brighton Boyd numa festa algumas noites atrs. Trabalhei com ele em um especial de tev no ano passado. Bom sujeito.
     Brooke lembrou-se de ter visto o ator sentado perto dela e de Claire no estdio. Colocou sua garrafa vazia no cho j cheio de lixo.
     - E da? - repetiu friamente.
     - Um grande torcedor dos Kings - continuou E.J., aumentando tanto o volume do rdio que tinha de gritar sobre o som de rock. - Falou freneticamente sobre o 
homer de Jones... num arremesso de dois strikes. O homem rebate incrivelmente quando os corredores esto na base. - Enquanto Brooke permanecia silenciosa, E.J. batia 
as mos no volante ao ritmo da msica no rdio. Havia o brilho de ouro de um anel em seus dedos longos e morenos. - Brighton disse que Jones olhou para voc como 
um homem que foi atingido com um taco de beisebol. Este  Brighton, com seu estilo prprio de frasear as coisas.
     - Hmm - Brooke comeou a achar o cenrio do lado de fora da janela fascinante.
     - Disse que ele foi direto para o seu assento, atrs de uma bola que saiu do campo. E falou alguma coisa com voc.
     Brooke virou a cabea e olhou para os culos espelhados de E.J.
     - Voc est me sondando, E.J.?
     - Como se fosse possvel tirar alguma coisa de voc, Brooke. Com toda sua astcia...
     Sem poder evitar, ela riu. Sabia que se no fizesse nenhum comentrio apenas causaria a especulao que gostaria de evitar. Em vez disso, estendeu as pernas 
 frente e tratou o assunto com leveza.
     - Ele s queria saber meu nome.
     - E?
     - 
     - E nada.
     - Para aonde voc foi com ele? Brooke franziu o cenho de leve.
     - Eu no disse que fui a algum lugar com ele.
     -        Ele no pediu seu nome porque estava fazendo um recenseamento.
     Brooke lhe deu um olhar frio e arrogante, que teria desencorajado qualquer outra pessoa.
     - Voc parece uma velha fofoqueira, E.J.
     - Sim. Vocs saram para jantar?
     - Exatamente - admitiu ela com um suspiro resignado. - E isso  tudo.
     - Ele no  to inteligente quanto parece ser, ento. - E.J. sorriu. - Ou talvez ele tenha achado estranho sobre comear alguma coisa com uma mulher que vai 
dirigi-lo.
     - Ele no sabia - Brooke se ouviu falando anres que pudesse se conter.
     - Oh?
     - No contei a ele.
     - Ooooh... - Desta vez, a slaba foi prolongada e irnica.
     - No achei que fosse necessrio - disse ela, irritada. - Foi um encontro estritamente social, que me deu a oportunidade de planejar a melhor maneira de film-lo.
     - H-h.
     Ela se virou no assento e cruzou os braos.
     - Cale a boca e dirija, E.J.
     - Claro, chefe.
     -- Por mim, ele pode pegar aquela Gold Glove e aquele basto e...
     E.J. assentiu com um gesto de cabea, divertindo-se.
     - Voc  quem sabe.
     - Ele  arrogante, frio e no tem considerao.
     - Deve ter sido uma noite e tanto - observou EJ.
     - No quero falar sobre isso. - Brooke chutou a garrafa vazia no cho.
     - Tudo bem - disse ele amavelmente.
     - Ele  aquele tipo de homem - continuou ela - que acha que as mulheres esto esperando para cair aos seus ps, apenas porque  razoavelmente atraente, bem-sucedido 
e com inteligncia mediana.
     - Para algum que ganhou uma bolsa de estudos em Oxford - disse E.J. enquanto diminua a velocidade para pegar uma sada.
     - O qu?!
     - Ele ganhou uma bolsa em Oxford. Perplexa, Brooke abriu a boca. E a fechou com fora.
     - No  verdade.
     E.J. deu de ombros com prazer.
     - Bem,  isso que foi dito no Sports View. Supostamente, este  o motivo principal pelo qual ele no comeou a jogar beisebol profissionalmente at estar com 
22 anos.
     - Provavelmente  apenas um exagero publicitrio - murmurou ela, mas sabia que no acreditava nisso. Permaneceu silenciosa e pensativa durante o resto do trajeto 
para o estdio.
     
     O palacete De Marco na Califrnia era deslumbrante. Brooke decidiu que a propriedade tinha a dupla habilidade de fazer a manso de Claire parecer simples e 
discreta. Era enorme, ofuscantemente branca com dois ptios internos. Um deles continha uma piscina em forma de gruta, completa, com uma cachoeira em miniatura, 
o outro era um jardim coberto, com aromas ricos e exticos.
     Quando Brooke chegou, pde ouvir o som de harpas misturado com conversas. Pessoas estavam espalhadas pela casa, saindo ao ar livre e agrupadas em cantos. Passando 
pelo salo em tom dourado, ela sentiu o aroma de perfumes caros misturados e comida temperada. Havia o brilho de diamantes, o farfalhar de sedas e flashes de peles 
bronzeadas e bem-cuidadas.
     Brooke ouviu retalhos de conversas enquanto andava e procurava pelo buf principal.
     - Mas querida, ele simplesmente no pode continuar fazendo o seriado. Voc o viu em Ma Maison a semana passada?
     - Ele vai cantar. Depois daquele fiasco na Inglaterra, est louco para retornar a Hollywood.
     - Ele nunca se lembra de uma fala, nem que voc o alimente com o texto por via intravenosa.
     - Deixe-a com a pessoa responsvel pelas roupas da filmagem.
     -        Minha querida, voc j viu um vestido assim?. Hollywood, pensou Brooke com indiferena enquanto se servia do que restara do pat.
     -        Eu sabia que a encontraria aqui.
     Brooke virou a cabea enquanto espetava uma fatia de rosbife.
     -        Ol, Claire - conseguiu falar com a boca cheia. - Festa boa.
     - Suponho que sim, uma vez que voc sempre as julga pelo cardpio. - Claire a estudou longamente. Brooke usava um macaco de camura, suave e macio, com um 
cinto azul-acinzentado grosso na cintura. Ela tranara os cabelos nas tmporas e os puxara para trs, deixando as mechas longas carem nas costas, e algumas sobre 
as orelhas. Porque estivera distrada enquanto se arrumava, negligenciara a maquiagem e apenas se lembrara de escurecer os olhos. Como resultado, eles dominavam 
seu rosto plido e de feies fortes.
     - Como voc pode usar as roupas mais estranhas e ainda ficar maravilhosa?
     Brooke sorriu e engoliu em seco.
     -        Eu gosto da sua - disse ela, notando que Claire estava, como sempre, vestida com estilo num traje de voai azul-claro. - O que eles tm para beber neste 
lugar?
     Com um suspiro, Claire gesticulou para um garom de uniforme vermelho que passava e escolheu duas taas de champanhe.
     - Tente se comportar. Os de Marco so muito antiquados.
     - Serei uma honra para a companhia - prometeu Brooke e ergueu uma das mos, acenando em reconhecimento para um comediante que dirigira no comercial de um carro. 
- Voc acha que posso conseguir um prato?
     - Coma mais tarde. O empresrio do Sr. Jones est aqui. Quero que voc o conhea.
     - Detesto falar com empresrios de estmago vazio. Droga! Ali est Vera. Eu deveria saber que ela estaria aqui.
     Brooke respondeu ao sorriso gelado da modelo de cabelos cor de mel, que era a personificao atual da aparncia americana. O caminho das duas se cruzara mais 
do que uma vez, profissional e socialmente, e a antipatia mtua fora imediata.
     - Guarde suas garras - aconselhou Claire. - De Marco vai us-la.
     - No comigo - disse Brooke imediatamente. - Aceito o jogador de beisebol, Claire, mas uma outra pessoa ter de frear Vera. No gosto do meu veneno em pequenas 
doses.
     - Ns discutiremos isso - murmurou Claire, ento sorriu. - Lee, estvamos justamente procurando por voc. Lee Dutton, esta  Brooke Gordon. Ela vai dirigir 
Parks. - Ela colocou a mo maternal no brao de Brooke. - Minha melhor diretora.
     Brooke arqueou uma sobrancelha irnica. Claire era sempre muito generosa com elogios em pblico... e sovina atrs de portas fechadas.
     -        Ol, Sr. Dutton.
     Sua mo foi apertada com fora, mas ligeiramente. Distrada, Brooke flexionou os dedos enquanto o estudava. Ele era mais baixo que ela, e mais rechonchudo, 
com cabelos ralos e impressionantes olhos pretos. Uma criatura de primeiras impresses, ela gostou dele imediatamente.
     - Um brinde a um relacionamento longo e de sucesso - anunciou Lee, e bateu a taa contra a dela de maneira exuberante. - Parks est ansioso para comear.
     - Est? - Brooke sorriu, lembrando-se da descrio de Parks sobre sua aventura em comerciais. - Tambm estamos ansiosas para t-lo conosco.
     Claire lhe lanou um breve olhar de aviso enquanto enganchava o brao no de Lee.
     - E onde ele est? Brooke e eu estamos ansiosas para conhec-lo.
     - Ele tem dificuldade em se livrar das mulheres. - Lee deu um sorriso orgulhoso e apologtico de um tio coruja. Mas os olhos em Brooke eram perspicazes.
     - Que embaraoso para ele... - murmurou ela, com a boca dentro do copo. - Mas suponho que ele consiga viver com isso.
     - Brooke, voc realmente deve experimentar o pat. - Claire sorriu-lhe atravs de dentes cerrados.
     - J experimentei - replicou Brooke com facilidade. - Conte-me mais sobre Parks, Sr. Dutton. No imagina como sou f dele.
     -        Oh, voc acompanha jogos de beisebol? Brooke inclinou sua taa novamente.
     - Bem, estvamos no estdio algumas semanas atrs, no , Claire?
     - E verdade. - Claire no se incomodou em tentar encarar Brooke desta vez, mas voltou-se para Lee. - Voc vai a muitos jogos?
     - No o bastante - admitiu ele, sabendo que um jogo estava prestes a acontecer. - Mas, por acaso, tenho alguns ingressos para o jogo de domingo - acrescentou, 
fazendo uma anotao mental para conseguir alguns. - Eu adoraria levar vocs duas.
     Antes que Brooke pudesse abrir a boca, Claire a puniu sutilmente.
     -        No h nada de que gostaramos mais.
     Ele viu a rpida expresso mal-humorada de Brooke antes que ela suavizasse as feies.
     
     -        Bem, l est Parks agora. - Lee o chamou em voz alta, fazendo cabeas se virarem antes que as conversas retornassem.
     A primeira reao de Parks quando viu Brooke parada ao lado de seu empresrio, e da mulher que conhecia como a dona de Thorton Productions, foi de surpresa. 
Ento experimentou a mesma onda de desejo que sentira nas outras duas ocasies em que a vira. Havia propositadamente deixado os dias passarem antes de contat-la 
de novo, esperando que o poder do desejo diminusse. Uma olhada para ela o informou de que no tinha funcionado.
     Aparentemente sem pressa, passou pela multido, parando para trocar algumas palavras quando algum lhe tocou o brao, depois se afastando com gentileza. Ele 
aprendera, desde cedo, como evitar ser encurralado em uma ocasio social. Em menos de dois minutos, estava parado diante de Brooke.
     Muito bem, pensou Brooke. Ela respondeu ao sorriso de Parks cautelosamente, perguntando-se como seria a reao dele quando fossem apresentados. Sentiu um pequeno 
desconforto, mas o reprimiu. Afinal de contas, tinha sido ele quem a acordara de madrugada e a convidara para sair.
     - Parks, quero que conhea Claire Thorton, a pessoa que vai produzir seus comerciais. - Lee colocou uma das mos sobre a de Claire, num gesto inconscientemente 
possessivo, notado apenas por Parks e Brooke. Parks achou aquilo divertido, Brooke achou irritante.
     - Muito prazer, Sra. Thorton. - Ele queria dizer que tinha esperado uma mulher mal-humorada pelo que lera a seu respeito profissionalmente, e no uma mulher 
atraente de feies suaves e olhos azuis-claros. Em vez disso, sorriu e aceitou a mo de Claire.
     - Estamos ansiosas para trabalhar com voc. Eu estava justamente dizendo ao Sr. Dutton o quanto Brooke e eu apreciamos o seu jogo contra os Valiants, algumas 
semanas atrs. - Lembrando que ele perguntara o nome de Brooke no estdio, Claire esperou pela reao.
     - Oh? - ento aquela era a amiga dela, pensou ele, virando-se para Brooke. Com um rosto to nico, concluiu, deveria fazer muitas propagandas paraThor-ton. 
- Ol novamente.
     - Ol - Brooke descobriu que sua mo estava sendo reivindicada e a estendeu. Dando um gole apressado no champanhe, esperou a bomba cair.
     - Claire me garante que a Srta. Gordon  a melhor - disse Lee para Parks. - Uma vez que vocs vo trabalhar juntos, provavelmente querem se conhecer melhor.
     - Ns vamos? - Parks deslizou o polegar ao longo da palma de Brooke.
     - Eu s poderia colocar a minha melhor diretora num projeto dessa importncia - murmurou Claire, observando-os de perto.
     Brooke sentiu o polegar interromper sua carcia casual, ento os dedos dele se apertaram. No houve mudana no rosto de Parks. Para conter um gemido de dor, 
ela engoliu o resto do champanhe.
     -        Ento voc dirige propagandas - disse ele suavemente.
     - Sim. - Ela tentou liberar a mo, mas ele a apertou ainda mais.
     - Fascinante. - Casualmente, Parks tirou o copo vazio da outra mo dela. - Com licena. - Brooke se descobriu sendo arrastada atravs da multido de jias e 
sedas. Imediatamente, acelerou os passos, de modo que parecesse estar andando com ele, em vez de sendo conduzida.
     - Solte-me - sussurrou ela, sorrindo e gesticulando com a cabea para um outro diretor. - Voc est quebrando a minha mo.
     - Considere isso uma prvia do que est por vir. - Parks a puxou, passando pelas portas francesas, esperando encontrar um lugar tranqilo. Havia uma banda formada 
por trs pessoas no jardim, tocando msica suave e romntica. Pelo menos uma dzia de casais estava danando. Parks praguejou, mas, antes que pudesse lev-la para 
um lugar mais privado do jardim, ouviu algum chamar o nome dela. Imediatamente, a puxou para seus braos.
     O contato com o peito slido dele roubou o flego de Brooke, o brao forte ao redor de sua cintura a impediu de respirar. Ignorando o pequeno gemido de choque 
dela, Parks comeou a balanar o corpo ao ritmo da msica.
     -        Apenas acene para ele - ordenou contra o ouvido de Brooke. - No quero ser interrompido por nenhuma conversa ftil.
     Querendo respirar novamente, Brooke obedeceu. J estava planejando sua vingana. Quando o aperto dele se afrouxou um pouco, ela respirou fundo, e exalou o ar 
com raiva.
     - Seu... No pense que pode me arrastar por a s porque  o heri americano deste ano. S vou aceitar uma vez, e s vou lhe avisar uma vez. Nunca mais me agarre 
desse jeito. - Brooke pisou no p dele com fora e foi recompensada por uma nova perda de flego.
     - Voc dana divinamente, Srta. Gordon - sussurrou Parks em seu ouvido. Mordiscou-lhe o lbulo no muito gentilmente. Entre fria e dor, Brooke sentiu um frio 
na barriga. Oh, no, pensou, ficando tensa. No novamente. A banda mudou para um ritmo mais agitado, mas ele continuou abraando-a e danando.
     - Voc ter de dar muitas explicaes quando eu desmaiar por falta de oxignio - ela conseguiu dizer. Quem diria que aquele corpo esbelto seria to rgido, 
ou os braos flexveis to fortes?
     - Voc no vai desmaiar - murmurou ele, lentamente conduzindo-a para a extremidade do jardim. - E  voc quem precisa dar explicaes.
     Ela foi liberada abruptamente, mas, antes que pudesse respirar, ele a estava puxando atravs de um grupo de ps de azalia.
     -        Oua, seu tolo... - E ento ela estava no meio de luzes brilhantes e risadas. Sem pausar, Parks a levou para o centro do parou e para o ptio adjacente.
     No havia msica ali, exceto o som da gua caindo na gruta, e somente alguns casais mais concentrados em si mesmos do que em um homem puxando uma mulher furiosa. 
Parks a arrastou para perto da piscina e para as sombras atrs de um muro alto. Brooke foi efetivamente prensada entre ele e as pedras lisas.
     -        Ento voc gosta de fazer jogos - murmurou Parks.
     Pela primeira vez, ela foi capaz de levantar o rosto e fit-lo. Os olhos de Brooke brilhavam  luz da lua.
     - No sei do que voc est falando.
     - No?
     Ela esperara que ele ficasse irritado, mas no uma fria to ardente. Uma fria que estava nos olhos, nas linhas rgidas do rosto, na postura ereta do corpo. 
Quando Brooke sentiu seu corao acelerar desconfortavelmente, apenas se tornou mais defensiva.
     -        Voc tomou todas as iniciativas - acusou ela. - Exigiu que eu lhe desse meu nome. Ligou para mim s seis horas da manh e me convidou para sair. Tudo 
que fiz foi deixar Claire me arrastar para um jogo de beisebol.
     Ela fez uma tentativa de empurr-lo e viu-se pressionada contra o muro por uma das mos dele firme em seu peito.
     -        Voc estava me avaliando - disse ele lentamente. - No jogo, no jantar. Diga-me, como eu me sa?
     Brooke colocou uma das mos sobre o pulso dele, a fim de afastar-lhe a mo de seu peito, e ficou surpresa quando Parks permitiu. Ela comeou um discurso descuidado, 
que sabia que o irritaria.
     -        Voc se move mais como um danarino do que como um atleta... isso ser um fator positivo no filme. Sua constituio fsica  boa, e vai vender roupas. 
Voc pode ser charmoso s vezes, e seu rosto  atraente sem ser bonito. Um rosto que poderia vender qualquer coisa. Possui certa sexualidade que atrairia mulheres 
que gostam disso nos homens. Elas so o alvo principal, uma vez que o sexo feminino ainda  a maioria que compra roupas de grife.
     O tom de voz dela fora estudado para irritar. Mesmo assim, Parks no pde evitar sentir-se enfurecido.
     -        Eu ganho uma classificao?
     - Naturalmente. - As palavras ditas entre dentes deram um imenso prazer a Brooke. Aquilo era uma pequena vingana pela cena na varanda, mas era um pagamento, 
de qualquer forma. - Seu quociente de popularidade est bom no momento. Deve aumentar depois que a primeira propaganda for ao ar. Claire parece pensar que se voc 
for para a World Series e fizer alguma coisa extraordinria, poderia ajudar.
     - Verei o que posso fazer - disse ele secamente. - Agora, por que voc no me contou quem era?
     -        Eu contei.
     Parks se inclinou para mais perto. Ela sentiu o aroma picante da colnia sobre o cheiro de folhas de vero molhadas.
     - No, voc no contou.
     - Eu lhe disse que fazia propagandas.
     - Sabendo que eu concluiria que voc era atriz.
     - Suas concluses so problemas seus. - Brooke falou e deu de ombros. - Eu nunca disse que era atriz. - Ela ouviu a risada abafada de uma mulher  distncia 
e o barulho da gua na piscina ao seu lado. As vantagens, pensou, no estavam a seu favor no momento. - No vejo que diferena isso faz.
     - No gosto de jogos - disse Parks, de maneira precisa -, a menos que eu conhea os jogadores.
     -        Ento no vamos jogar - retrucou Brooke. - Seu trabalho  fazer o que eu lhe disser... Nem mais, nem menos.
     Parks controlou uma onda de fria e assentiu.
     - Na filmagem. - Ele pegou os cabelos na cintura de Brooke e os deixou deslizar atravs de seus dedos. - E fora dela?
     - E fora, nada. - Brooke colocou mais nfase na ltima palavra do que pretendera. O que mostrava uma fraqueza que podia apenas esperar que ele no notasse.
     - No. - Parks deu um passo  frente, de modo que ela teve de inclinar a cabea para manter os olhos no nvel dos dele. - No acho que gosto dessas regras. 
Vamos tentar as minhas.
     Brooke estava pronta desta vez para se esquivar do ataque aos seus sentidos. No permitiria que ele a seduzisse, que a fizesse tremer com aqueles beijos leves 
e provocativos em sua pele. Com o olhar frio e duro, desafiou-o a tentar.
     Ele retornou o olhar enquanto os segundos se arrastavam. Ela viu o brilho de desafio nos olhos de Parks, mas no viu a leve curva dos lbios. Homem algum jamais 
fora capaz de sustentar seu olhar por tanto tempo. Pela primeira vez em anos, sentiu uma fraqueza em sua defesa principal.
     Ento, ele fez o que vinha querendo fazer desde o momento em que a vira. Entrelaou as mos nos cabelos ruivos exuberantes, deslizando-as ao longo dos fios 
macios antes de pux-la contra si. Eles se entreolharam por mais um momento, mesmo enquanto Parks abaixava os lbios e saboreava os dela.
     A viso de Brooke nublou. Ela se esforou para recuperar o foco, para se concentrar no sentido visual a fim de impedir que os outros fossem vencidos. Lutou 
para no sentir o ardor dos lbios dele, a mordida rpida e quase violenta de dentes que a tentariam a entreabrir os lbios. No queria ouvir seu prprio gemido 
indefeso. Ento a lngua dele estava provocando, incitando a sua a responder, numa seduo totalmente diferente dos toques gentis da primeira vez. Brooke lutou contra 
ele, mas seus movimentos apenas causaram mais calor com a frico de seu corpo contra o de Parks.
     Gradualmente, a caracterstica do beijo mudou. A presso rude tornou-se doce. Ele lhe mordiscou a boca como se a estivesse saboreando, com gentileza, embora 
os braos continuassem a prend-la com fora. Brooke perdeu at mesmo a viso nublada, e sua determinao para resistir desapareceu.
     Parks sentiu a mudana, a sbita docilidade dela. Aquela rendio o excitou. Brooke no era uma mulher que abrisse mo do controle facilmente. Entretanto, nas 
duas vezes em que ele a abraara, tinha conseguido faz-la se render. Com gentileza, de sbito percebeu-se ciente de que a raiva havia esvara de seu corpo e sua 
boca. Era a gentileza que a seduzia, enquanto a fora encontraria apenas uma fora contrria. Agora ele no queria pensar... nem por um momento. Queria apenas se 
perder naquele corpo suave, no aroma delicioso que emanava dela, e no sabor ardente da boca maravilhosa. Tudo isso fazia parte da seduo feminina, apenas intensificada 
pela rendio de Brooke.
     Ela sentiu o peso de seus prprios membros, a pulsao insistente entre as coxas, antes que os msculos relaxassem. Correspondeu ao beijo com paixo, desejando 
mais daquela mgica que a dana gentil de lnguas e dentes proporcionava. As mos msculas comearam a explorar seu corpo, sentindo-a por sobre o tecido macio. Ao 
senti-lo abrir o zper estreito que corria de seu pescoo at a cintura, Brooke se forou a protestar:
     -        No... - As palavras saram com a respirao ofegante quando os dedos dele deslizaram ao longo de sua pele.
     Parks lhe segurou os cabelos em uma das mos, inclinando-lhe a cabea para trs, de modo que seus olhares se encontrassem novamente.
     -        Preciso tocar voc. - Observando-a, ele deslizou os dedos sobre os seios, pausando brevemente em um dos mamilos enrijecidos, antes de descer a mo 
para o abdome reto e trmulo. - Um dia, vou tocar voc inteirinha - murmurou. - Centmetro por centmetro. Vou sentir sua pele esquentar sob as minhas mos. - Os 
dedos retornaram aos seios de Brooke, arrepiando-lhe a pele no caminho. - Vou observar seu rosto quando fizer amor com voc.
     Abaixando-se, ele lhe tocou os lbios com os seus novamente, saboreando a respirao entrecortada de Brooke em sua boca. Muito lentamente, subiu o zper, deixando 
seus dedos roarem ao longo da pele delicada. Posicionou as mos nas costas dela at que os corpos de ambos se unissem de novo.
     -        Beije-me, Brooke. - Ele roou o nariz contra o dela. - Beije de verdade.
     Com o corpo formigando pelos toques de Parks, excitada pelas palavras sussurradas, ela o beijou. Sua lngua procurou a dele, sedenta pelos sabores que j se 
haviam infiltrado nela. Ele esperou pelas exigncias de Brooke, pela excitao, sentindo-as crescer enquanto o corpo dela ficava tenso contra o seu. Com um gemido 
de prazer, Brooke entrelaou os dedos nos cabelos dele, querendo traz-lo para mais perto. Quando Partes soube que seu controle estava no fim, a afastou. Conhecera 
mais sobre ela, mas no o bastante. Ainda no. E no esqueceria que tinha algumas contas a acertar com Brooke.
     -        Quando eu estiver diante da cmera,  o seu jogo, as suas regras. - Ele lhe segurou o queixo na mo, perguntando-se quantas vezes seria capaz de se 
afastar dela quando seu corpo estava doendo de vontade de toc-la. - Quando no - continuou -, as regras so minhas.
     Brooke respirou profundamente.
     -        Eu no fao jogos.
     Parks sorriu, deslizando a ponta do dedo sobre a boca inchada de Brooke.
     - Todos fazem - corrigiu ele. - Alguns fazem disso uma carreira, e nem todos esto num campo de beisebol. - Abaixando a mo, deu um passo atrs. - Ns dois 
temos um trabalho a fazer. Talvez no estejamos muito empolgados com isso no momento, mas tenho a impresso de que no vai fazer muita diferena em quo bem voc 
trabalha.
     - No - concordou Brooke brevemente. - No vai. Posso detest-lo e ainda assim faz-lo parecer magnfico na tela.
     Ele sorriu.
     -        Ou me fazer parecer um tolo, se isso for conveniente para voc.
     Brooke no pde evitar um pequeno sorriso.
     - Voc  muito perspicaz.
     - Mas voc no vai fazer isso porque  profissional. Qualquer coisa que acontea entre ns pessoalmente no vai mudar seu modo de dirigir o comercial.
     - Farei o meu trabalho - declarou Brooke quando o rodeou. - E nada vai nos acontecer pessoalmente. - Ela olhou para cima quando uma amigvel mo repousou sobre 
seu ombro.
     - Suponho que teremos de esperar para ver quanto a isso. - Parks lhe deu um outro sorriso amigvel. - Voc j comeu?
     Brooke franziu o cenho, desconfiada.
     -        No.
     Ele lhe apertou o ombro de maneira fraternal.
     -        Vou pegar um prato para voc.
     
     
     
   Captulo Quatro
     
     
     Brooke no podia acreditar que estava passando uma linda tarde de domingo num jogo de beisebol. O mais peculiar era que estava gostando disso. Tinha total cincia 
de que estava sendo punida pelas observaes levemente sarcsticas que fizera na festa dos de Marco, mas, aps as primeiras entradas, descobriu que Billin-gs estava 
certa. Havia um pouco mais no jogo do que balanar um basto e correr em crculos.
     Durante o primeiro jogo, Brooke estivera muito envolvida pela atmosfera, pelas pessoas, e ento por suas primeiras impresses de Parks. Agora, abria a mente 
para o jogo em si e apreciava. Sendo uma sobrevivente, sempre que se deparava com alguma coisa que no queria fazer, simplesmente se condicionava a querer fazer 
aquilo. No tinha pacincia com pessoas que se permitiam sofrer quando era to simples virar a situao a seu favor. Se no fosse possvel se divertir, ela podia 
aprender. O fato de estar fazendo ambas as coisas a satisfazia.
     O jogo tinha mais sutileza do que percebera, e mais estratgia. Brooke nunca deixava de se sentir intrigada por estratgias. Tornou-se bvio que havia variveis 
para a competio, dzias delas, e um pouco de sorte contrabalanando com habilidade. Em um jogo como aquele, a sorte no podia ser negligenciada. Isso a atraa, 
porque sempre considerara a sorte um aspecto to vital para as vitrias quanto o talento, independentemente de qual fosse o jogo.
     E havia certos aspectos da tarde, alm das jogadas e strikes, que aumentavam seu interesse.
     A multido no estava menos entusiasmada ou menos barulhenta que no primeiro jogo que Brooke assistira no Estdio Kings. Para dizer a verdade, refletiu, o povo 
parecia ainda mais animado... at mesmo um tanto enlouquecido. Ela imaginou se os gritos e assobios deles assumiam um tom de delrio porque o jogo estava empatado 
em lai desde a primeira entrada. Lee dizia que aquilo era um exemplo de bom jogo defensivo.
     Lee Dutton era um outro aspecto da tarde que a intrigava. Ele parecia  primeira vista um homem inteligente e desalinhado, com um fraco sotaque do Brooklyn. 
Usava uma camisa de golfe e cala xadrez, o que apenas acentuava seu aspecto robusto. Brooke o teria considerado um homem de meia-idade de boa aparncia, se no 
fosse pelos intensos olhos negros. Gostava de Lee... com uma pequena reserva: ele parecia estranhamente interessado em Claire.
     Ocorreu a Brooke que ele encontrava muitas ocasies para tocar... as mos macias de Claire, o ombro arredondado, at mesmo o joelho coberto por gabar-dine. 
O que Brooke achava mais interessante era que Claire no bloqueava as tentativas de avano de Lee, como de costume, com um sorriso gelado ou uma palavra sarcstica 
dita educadamente. Pelo que Brooke podia ver, Claire parecia estar apreciando aquilo... ou talvez estivesse fingindo no notar por causa da importncia da conta 
de Marco e de Parks Jones. Qualquer que fosse o caso, Brooke determinou-se a ficar de olho na amiga e no empresrio. No era incomum para uma mulher que se aproximava 
dos cinqenta anos ser ingnua em relao aos homens e, conseqentemente, suscetvel.
     Para ser sincera, Brooke tinha de admitir que gostava de assistir Parks jogar. No havia dvida de que ele se sentia  vontade no campo, os olhos sombreados 
por um bon, luva na mo. Assim como se sentira  vontade, ela lembrou, na festa sofisticada no palacete dos de Marco. Parks no parecera deslocado no meio dos ricos 
e ostentosos, sorvendo champanhe de boa qualidade ou lidando com conversas tpicas de tais eventos. E por que ficaria?, perguntou-se. Depois do ltimo encontro deles, 
Brooke se empenhara em descobrir mais sobre ele.
     Parks vinha de uma famlia prspera. Muito prspera. A Parkinson Chemicals era um conglomerado multimilionrio de terceira gerao, que lidava com tudo, de 
aspirinas a combustvel de foguetes. Ele nascera com um bero de ouro  sua espera em casa e uma gorda carteira de aes  sua espera na corretora de valores. Suas 
duas irms tinham se casado bem, uma com um dono de restaurante, que fora seu scio no negcio antes de se tornar seu marido, e a outra com um vice-presidente das 
empresas Parkinson, que trabalhava na filial de Dallas. Mas o herdeiro dos Parkinson, o homem que continuaria o velho nome da famlia, se apaixonara pelo beisebol.
     Uma paixo que no diminura durante seus estudos com bolsa na Universidade de Oxford, mas que fora apenas adiada. Ao se formar, Parks fora diretamente para 
o campo de treinamento dos Kings, pelos quais fora contratado. Brooke se perguntava como a famlia dele se sentira a respeito disso. Depois de menos de um ano de 
experincia no segundo time, fora escalado nos grandes campeonatos. E ali permanecera por uma dcada.
     Portanto, Parks no jogava pelo dinheiro, pensou Brooke, mas porque gostava do jogo. Talvez por isso jogasse com tanto estilo e firmeza.
     Ela lembrou tambm das impresses que tivera dele na festa dos de Marco: charmoso, depois rude, depois casualmente amigvel. E nada daquilo, concluiu, era uma 
representao. Acima de tudo, Parks Jones estava sempre no controle, dentro ou fora do campo. Brooke respeitava isso, se identificava com isso, ao mesmo tempo em 
que no podia deixar de imaginar como os dois lidariam com a necessidade de estar no comando quando comeassem a trabalhar juntos. No mnimo, pensou enquanto mordia 
um pedao de gelo, aquela seria uma associao interessante.
     Brooke o observou, parado em cima da linha da segunda base enquanto o time oponente tirava um arremessador do campo. Parks comeara a stima entrada com uma 
rebatida simples de largada, ento avanado para a segunda quando o prximo rebatedor chegou  primeira. Brooke podia sentir a adrenalina da multido pulsando. Enquanto 
isso, Parks falava preguiosamente com o segunda base.
     - Se eles conseguirem essa -- Lee estava dizendo -, os Kings ganharo a diviso. - Ele deslizou a mo sobre a de Claire. - Ns precisamos dessas corridas.
     - Por que eles trocaram de arremessador? - perguntou Brooke, pensando no quanto ficaria furiosa se algum a tirasse de seu trabalho antes que este fosse terminado.
     - H dois em campo e ningum fora. - Lee deu-lhe um sorriso paternal. - Mitchell estava diminuindo o ritmo. Na ltima entrada ele levou duas bases por bolas, 
e s foi salvo de ter corridas anotadas por aquele arremesso que o campista central fez para a home. - Enfiando a mo no bolso da camisa, tirou um charuto de um 
fino tubo protetor. - Acho que voc vai ver os Kings irem para o aquecimento na oitava entrada.
     - Eu no trocaria um camera man no meio de uma filmagem - murmurou Brooke.
     - Voc faria isso, se ele no pudesse mais fazer foco - contra argumentou Lee, sorrindo.
     Com uma risada, Brooke enfiou a mo no saco de amendoim que ele lhe ofereceu.
     -        Sim, suponho que sim.
     A estratgia se provou bem-sucedida, quando o re-lief man - o que fora substitudo - eliminou os trs rebatedores seguintes, deixando Parles e os companheiros 
de seu time em base. As pessoas vaiaram, xingaram o rbitro e repreenderam os rebatedores.
     -        Ora, eis o esprito esportivo - comentou Brooke, olhando por sobre o ombro quando algum chamou o rebatedor, que terminou a entrada sendo posto para 
fora, de idiota... e de outros nomes bem menos gentis.
     Lee deu uma risada quando passou o brao casualmente ao redor dos ombros de Claire.
     -        Voc deveria ouvi-los quando estamos perdendo, garota.
     O olhar intrigado que Brooke deu a Claire com o gesto foi retribudo com suavidade.
     -        O entusiasmo vem de todas as formas - observou Claire. Com um sorriso para Lee, acomodou-se contra ele para assistir a prxima entrada.
     Definitivamente um casal estranho, pensou Brooke, assumindo sua posio habitual com os cotovelos na grade. Parks no olhou em sua direo. Olhara-a apenas 
uma vez... no comeo do jogo, quando havia entrado no campo. O olhar fora longo e direto antes que ele se virasse, e, desde ento, era como se nem mesmo soubesse 
de sua presena l. Ela detestava admitir que aquilo a irritava, detestava admitir que teria gostado de travar uma silenciosa batalha de contatos visuais. Parks 
era o primeiro homem com quem Brooke queria brigar, embora j tivesse brigado com muitos desde seu primeiro encontro ingnuo dez anos antes. Havia alguma coisa excitante 
no jogo mental, particularmente porque Parks possua uma mente que ela tanto invejava quanto admirava.
     Lee estava certo, pois os Kings foram para a rea de aquecimento quando o primeiro arremessador da entrada entregou duas bases por bolas com um homem fora. 
Brooke sentou-se na beirada do assento para assistir Parks durante o intervalo. O que ele pensava quando estava ali?, se perguntou.
     Deus, o que eu no daria por um banho frio e uma cerveja gelada, pensou Parks enquanto o sol esquentava sua nuca. Esperara a troca de arremessadores e estava 
satisfeito com a escolha. Ripley fazia bem o que um arremessador reserva estava l para fazer: lanar a bola com fora e rapidez. Ele deu uma olhada aparentemente 
preguiosa em direo ao corredor na segunda base. Aquilo podia ser um problema, refletiu, fazendo uma rpida reviso mental das estatsticas de seu oponente. A 
habilidade de reter e evocar fatos sempre fora natural para Parks. E isso no acontecia apenas em relao ao beisebol. Basicamente, esquecia somente o que queria 
esquecer. O resto era armazenado na memria, esperando at que ele precisasse convoc-la. O truque havia, alternadamente, fascinado e enfurecido sua famlia e amigos, 
de modo que Parks geralmente mantinha isso em segredo. No momento, podia se lembrar da mdia de corridas de Ripley, da proporo de vitrias e derrotas, do nmero 
de rebatidas do homem que esperava para entrar na caixa do rebatedor e do aroma do perfume de Brooke.
     No esquecera de que ela estava sentada a poucos metros de distncia. A conscincia da presena de Brooke lhe causava um calor interno... uma sensao no muito 
prazerosa. Era mais como uma presso insistente, como o calor do sol em sua nuca. E mais uma razo pela qual ele desejava um banho frio. Observando Ripley fazer 
seus arremessos de aquecimento para o receptor, Parks se permitiu imaginar como seria despi-la... vagarosamente...  luz do dia, momentos antes que o corpo dela 
relaxasse em rendio, para depois pulsar pela excitao. Logo, prometeu a si mesmo, ento se forou a tirar Brooke da mente quando o rebatedor foi para a base principal.
     Ripley fez o primeiro arremesso... forte e reto. Parks sabia que Ripley no usava arremessos sofisticados, apenas a bola rpida e a curva. Ou ele superava os 
rebatedores, ou, com a chegada de arremessadores destros, Parks ficaria muito ocupado. Deu um outro passo atrs, posicionando-se no gramado por instinto. Notou que 
o corredor estava na liderana quando o rebatedor recebeu o prximo arremesso. O corredor estava quase na terceira base antes que a falta fosse dada. Ripley olhou 
rapidamente para a segunda base, deslizou os olhos para a primeira e lanou a prxima bola.
     A rebatida foi forte, quicando alto na terra diante da terceira base. No houve como pensar, apenas agir. Parks saltou, conseguindo agarrar a bola bem a tempo. 
O corredor estava pulando de cabea para a terceira base. Parks sequer teve tempo de admirar a coragem dele antes de tocar a base, eliminando o corredor. Ouviu o 
rbitro da terceira base gritar "Fora" enquanto saltava sobre o corredor e arremessava para a primeira-base.
     Enquanto a multido enlouquecia, Brooke permaneceu sentada e assistindo. Nem mesmo notou que Lee dera um exuberante beijo em Claire. A queimada dupla que levara 
apenas alguns segundos, a impressionara. Tambm ficara desconcertada ao descobrir que sua pulsao estava acelerada. Se fechasse os olhos, ainda podia ouvir os gritos 
da torcida, sentir o cheiro de cerveja e ver, em cmera lenta, os movimentos fortes e flexveis do corpo de Parks. Ela no precisava de um replay para visualizar 
a extenso e o movimento dos msculos. Sabia que um jogador de beisebol precisava ser rpido e gil, mas quantos deles possuam aquela graa de danarino? Brooke 
pegou-se fazendo uma anotao mental para levar uma cmera no prximo jogo... e percebeu que j tinha decidido voltar. Era Parks, perguntou-se, ou o beisebol que 
a estava atraindo de volta?
     - Ele  demais, no ? - Lee se inclinou sobre Claire para dar um tapinha nas costas de Brooke.
     - Demais - concordou Brooke. Ento, virou a cabea para olh-lo. - Este foi um jogo de rotina?
     Lee bufou.
     - Para quem consegue controlar a tenso.
     - Ele consegue?
     Enquanto fumava o charuto, Lee pareceu considerar. Deu a Brooke um olhar longo e firme.
     - No campo - declarou, assentindo com um gesto de cabea -, Parks  um dos homens mais controlados e disciplinados que conheo.  claro... - acrescentou com 
seu sorriso rpido. - Eu lido com muitos atores.
     - Que Deus os abenoe - disse Claire, e cruzou suas pernas curtas e delgadas. - Creio que todos esperamos que Parks se dedique a... essa carreira alternativa 
com a mesma energia que mostra no beisebol.
     - Se Parks tiver dez por cento desta habilidade - Brooke gesticulou em direo ao campo - na frente da cmera, serei capaz de trabalhar com ele.
     - Acho que voc ficar surpresa com o que Parks  capaz de fazer - comentou Lee secamente.
     Dando de ombros, Brooke se inclinou sobre a grade novamente.
     -        Vamos ver se ele sabe ser dirigido.
     Brooke esperou, com a tenso da multido a contagi-la, quando o jogo foi para a segunda metade da nona entrada ainda empatado em 1 a 1. Nenhum dos times parecia 
capaz de quebrar a defesa do outro. Deveria ter sido chato, pensou ela, at mesmo tedioso, mas estava na beirada do assento, com o corao disparado. Queria que 
eles vencessem. Sentindo-se surpresa e culpada ao mesmo tempo, Brooke conteve a tempo um xingamento ao rbitro da base do rebate-dor por gritar o terceiro strike 
no rebatedor de largada.  apenas a atmosfera, disse a si mesma, franzindo o cenho. Sempre absorvera demais a atmosfera ao seu redor. Mas, quando o segundo rebatedor 
subiu, ela se pegou agarrando a grade de proteo, torcendo para que ele conseguisse uma rebatida vlida.
     - Podemos ter entradas extras - comentou Lee.
     - S h um eliminado - disse Brooke, no se dando ao trabalho de se virar. Ela no viu o sorriso rpido que Lee deu a Claire.
     Em um arremesso com um homem na segunda base e um outro na terceira, o rebatedor acertou uma rebatida alta no centro, que aterrissou um pouco alm da segunda 
base. Ao redor de Brooke, os fs ficaram frenticos. Ele podia ter feito um home run pela maneira como o pblico estava reagindo, pensou ela, tentando ignorar sua 
prpria pulsao acelerada. Desta vez, Brooke no disse nada quando o arremessador foi eliminado. Como eles agentavam a tenso?, perguntou-se, observando os jogadores 
aparentemente relaxados enquanto o novo reserva se aquecia. Corredores conversavam preguiosamente com seus oponentes. Ela pensou que, se estivesse em uma competio, 
no seria to amigvel com o inimigo.
     A multido se acomodou em um sussurro que se transformava num grito conjunto com cada arremesso feito. O rebatedor bateu uma bola com tanta fora que Brooke 
ficou impressionada com a velocidade com que o campista direito a devolveu para o campo.
     O rebatedor estava contente com uma rebatida simples, mas o corredor percorrera a distncia para a terceira base com o tipo de velocidade enrgica que Brooke 
admirava.
     Agora, a multido no se aquietava, mas continuava gritando de uma maneira que ecoava e reverberava quando Parks entrou para rebater. A presso, pensou Brooke, 
devia ser quase insuportvel. Todavia, nada transparecia no rosto dele, exceto aquele tipo perigoso de concentrao que ela vira uma ou duas vezes antes. Ela engoliu 
em seco, ciente de que seu corao estava batendo na garganta. Ridculo, disse a si mesma, ento se rendeu.
     - Vamos l! - exclamou ela. - Isola essa!
     Ele deixou passar o primeiro arremesso, uma curva lenta fora da zona de strike. A respirao que Brooke estava prendendo foi exalada de maneira trmula. A bola 
seguinte foi rebatida para fora e acertou forte a janela da tribuna de imprensa. Brooke mordeu o lbio inferior e praguejou em silncio. Parks friamente ergueu uma 
das mos para pedir tempo e se abaixou para amarrar o sapato. O estdio ecoava com o nome dele. Como se estivesse surdo para os gritos, ele voltou  caixa para assumir 
sua posio.
     
     E rebateu alto e forte. Brooke tinha certeza de que aquela era uma repetio do desempenho de Parks no primeiro jogo que ela assistira, ento viu a bola comear 
a cair perto da cerca.
     - Ele vai fazer um tag up! - ela ouviu Lee gritando quando o campista central pegou oflyde Parks na zona de ateno. Antes que Brooke pudesse praguejar, os 
fs estavam gritando, no em fria, mas em deleite. No momento em que o corredor cruzou a base principal, os jogadores do banco dos Kings entraram no campo.
     - Mas Parks est fora - disse Brooke, indignada.
     - Oflyde sacrifcio anotou a corrida - explicou Lee.
     Brooke lhe deu um olhar presunoso.
     -        Eu notei. - Apenas porque estudara algumas regras bsicas do beisebol. - Mas no me parece justo que Parks esteja fora.
     Rindo, Lee lhe deu um tapinha na cabea.
     - Ele ganhou outro RBI e a efmera gratido de um estdio cheio de torcedores dos Kings. Parks rebateu uma de trs hoje. A mdia dele no vai cair muito.
     - Brooke no pensa muito em regras - comentou Claire, erguendo-se.
     - Porque elas geralmente so feitas por pessoas que no tm a menor idia do que esto fazendo. - Um tanto irritada consigo mesma por ter se envolvido tanto, 
ela se levantou, pendurando a bolsa de lona sobre um dos ombros.
     - No sei se Parks concordaria com voc - disse Lee. - Ele viveu seguindo regras durante a maior parte de sua vida. Isso se torna um hbito.
     
     - Cada um tem seu jeito - murmurou ela casualmente. Perguntou-se se Lee sabia que Parks tambm era um homem que podia seduzir e quase despir uma mulher atrs 
da frgil cobertura de um muro de pedra no meio de uma agitada festa de Hollywood. Parecia-lhe que Parks era mais um homem que fazia suas prprias regras.
     - Por que no descemos para o vestirio e damos os parabns a ele? - Alegremente, ele enganchou os braos em Claire e Brooke, conduzindo-as atravs da multido 
ainda a comemorar.
     Lee seguiu para o refugio sagrado do estdio com uma combinao de segurana e poder. Havia reprteres em abundncia, carregando microfones, cmeras e blocos 
de papel. Cada um deles atormentava ou elogiava um atleta suado, numa tentativa de conseguir um comentrio. Na rea reservada, Brooke considerou o barulho to alto 
quanto fora no estdio aberto. Portas de armrios batiam, gritos reverberavam, risadas soavam num tipo de alvio eufrico. Cada homem sabia que a tenso retornaria 
muito em breve durante os jogos seguintes. Saboreariam a vitria do momento em sua totalidade.
     -        Sim, se eu no tivesse salvado Biggs de um erro na stima entrada - o primeira base falou para um reprter, com humor seco -, o jogo poderia ter sido 
totalmente diferente.
     Biggs, o interbases, revidou jogando uma toalha mida num companheiro de equipe.
     - Snyder no consegue pegar uma bola a menos que ela caia em sua luva. O time  que o faz parecer bom.
     -        Eu salvei Parks de 53 erros nesta temporada - replicou Snyder suavemente, tirando a toalha suada do rosto. - Suponho que a fora dele persiste. O problema 
 que alguns dos rebatedores so to bons que continuam acertando a bola direto na luva de Parks. Se voc assistir ao tape do jogo de hoje, vai ver que mira fantstica 
eles tm. - Algum jogou um balde de gua na cabea dele, mas Snyder continuou sem quebrar o ritmo: - Voc deve notar quo bem eu mando a bola na luva do campista 
direito. Isso exige mais prtica.
     Brooke avistou Parks, cercado por reprteres. O uniforme dele estava sujo, manchado de poeira, e o rosto no estava muito melhor. As manchas escuras sob os 
olhos lhe davam um aspecto levemente rude. Sem o bon, os cabelos cacheados pareciam escurecidos pelo suor. Mas o corpo e o rosto estavam relaxados. Um sorriso brincava 
nos lbios enquanto ele falava. Aquela intensidade de guerreiro desaparecera dos olhos escuros, notou ela, como se nunca tivesse existido. Brooke poderia ter jurado 
que Parks era incapaz de qualquer forma de brutalidade. Entretanto, era capaz, lembrou, e no seria sbio esquecer-se disso.
     -        Com apenas quatro jogos pela frente na temporada regular - declarou Parks -, ficarei satisfeito em encerrar o ano com a mdia de 387.
     - Se voc bater 500 nestes ltimos jogos... Parks deu um sorriso brando para o reprter.
     - Teremos de ver quanto a isso.
     -        Um efeitinho para fora hoje e aquele fly de sacrifcio teria sido um home run para vencer o jogo.
     - Acontece.
     - O que foi o arremesso?
     - Bola curva, por dentro - respondeu ele com facilidade. - Um tanto alta.
     - Voc estava tentando um four-bagger, Parks? Ele sorriu novamente, a expresso mudando apenas de leve quando avistou Brooke.
     - Com um eliminado e corredores nos cantos, eu s quis manter a bola acima do solo. Qualquer bola para o fundo e o Kinjinsky anota... a menos que ele queira 
o Prmio P-de-chumbo.
     - Prmio P-de-chumbo?
     - Pergunte ao Snyder - sugeriu Parks. - Ele  o detentor atual. - Com outro sorriso, Parks efetivamente se afastou. - Lee. - Ele assentiu para seu empresrio 
enquanto deslizava um dedo casual ao longo do brao de Brooke. Ela sentiu as ondas de choque a percorrerem, e por pouco no se afastou num sobressalto. - Sra. Thorton. 
 um prazer v-la novamente. - Seu nico cumprimento para Brooke foi um sorriso lento quando lhe pegou as pontas dos cabelos entre o polegar e o indicador. Mais 
uma vez, ela pensou que era sbio lembrar que ele no era to seguro quanto parecia.
     - Um jogo fantstico, Parks - anunciou Lee. - Voc nos proporcionou uma tarde de divertimento.
     - Nos esforamos para agradar - murmurou ele, ainda olhando para Brooke.
     - Claire e eu vamos sair para jantar. Talvez voc e Brooke queiram nos acompanhar, o que acham?
     Antes que Brooke pudesse registrar a surpresa com o fato de que Claire ia sair com Lee Dutton ou formular uma desculpa para evitar o jantar a quatro, Parks 
falou:
     - Desculpe. Brooke e eu temos planos. Virando a cabea, ela estreitou os olhos para Parks.
     - No me recordo de termos feito plano algum. Sorrindo, ele lhe puxou os cabelos de brincadeira.
     
     - Voc precisa aprender a anotar as coisas. Por que no espera? Estarei do lado de fora em meia hora. - Sem lhe dar chance de protestar, Parks saiu em direo 
aos chuveiros.
     - Que audcia! - murmurou Brooke, apenas para receber uma discreta, porm forte, cotovelada de Claire.
     - Uma pena que voc no possa ir conosco, querida - disse ela docemente. - Mas voc no gosta de comida chinesa. E Lee vai me mostrar sua coleo primeiro.
     - Coleo? - Brooke repetiu inexpressivamente enquanto era conduzida por um corredor estreito.
     - Temos uma paixo em comum. - Claire deu a Lee um sorriso rpido e, surpreendentemente, tpico de quem estava flertando. - Por arte oriental. Voc pode achar 
o caminho de volta para a arquibancada?
     - No sou uma idiota completa - murmurou Brooke, dando a Lee um olhar ctico.
     - Bem, ento vejo voc na segunda-feira. - Casualmente, Claire encaixou a mo no brao volumoso de Lee.
     - Divirta-se, criana - Lee falou por sobre o ombro enquanto Claire o conduzia para longe.
     - Muito obrigada. - Enfiando as mos nos bolsos, Brooke comeou a fazer o caminho de volta para a arquibancada diante da terceira base. - Muito obrigada - repetiu 
e olhou para o campo vazio.
     Havia o pessoal da limpeza, removendo a sujeira dos assentos e arredores com produtos de limpeza pesados, mas, a no ser por isso, a enorme rea aberta estava 
deserta. Achando isso estranhamente agradvel, Brooke notou que sua irritao desaparecia. Uma hora antes, a atmosfera estivera viva, vibrando com a torcida de milhares 
de pessoas. Agora, estava serena, sem mais que um pequeno trao da multido, o odor dos corpos que permaneciam no ar, restos de pipoca, alguns copos de papelo. 
Ela se reclinou contra a cadeira, mais interessada no estdio vazio do que no campo vazio.
     Quando fora construdo?, perguntou-se. Quantas geraes se comprimiram nos assentos e corredores para assistir a jogos? Quantos gales de cerveja viajaram ao 
longo das fileiras da arquibancada? Ela deu uma risadinha, achando graa de seus prprios devaneios bobos. Quando um jogador se aposentava, ia l para assistir e 
recordar? Brooke achava que Parks iria. O jogo, concluiu, entraria no sangue. Nem mesmo ela havia sido imune a isso... ou, pensou com ironia, a ele.
     Brooke inclinou a cabea, deixando os cabelos carem para trs. As sombras se alongavam, mas o calor ainda era mido e intenso como no meio da tarde. Ela no 
se importava... detestava sentir frio. Por hbito, estreitou os olhos e se permitiu visualizar como abordaria o estdio num filme. Vazio, pensou, com o eco dos torcedores, 
o som da bola raspando no taco, uma bandeira esquecida para flutuar na brisa. Usaria os trabalhadores de manuteno, recolhendo caixas de pipoca, copos e sacos. 
Poderia dar o ttulo de Reflexo tardia, e no seria anunciado se o time da casa deixara o campo derrotado ou vitorioso. O importante seria o aspecto de perpetuao 
do jogo, as pessoas que o jogavam e as pessoas que o assistiam.
     Brooke sentiu a presena de Parks antes de ouvi-lo... apenas um instante, mas o bastante para tir-la de seus pensamentos e levar seus olhos em direo a ele 
e a cena que estivera imaginando desapareceu de sua mente. Ningum nunca tivera o poder de fazer isso com ela. O fato de Parks possuir tal poder a desnorteava quase 
tanto quanto a enfurecia. Para Brooke, seu trabalho era a nica estabilidade de sua vida... nada nem ningum tinha a permisso de alterar aquilo. Na defensiva, endireitou 
a coluna, encontrando-lhe o olhar com firmeza enquanto ele caminhava em sua direo com aqueles passos longos e relaxados, que mascaravam mais de uma dcada de treinamento.
     Brooke esperava que ele a cumprimentasse com alguma observao perspicaz. Estava preparada para isso. Considerou que Parks poderia cumpriment-la de maneira 
casual, como se a mentira que dissera no vestirio tivesse sido a mais pura verdade. Estava preparada para isso, tambm.
     No estava preparada para que Parks viesse em sua direo, enterrasse as mos em seus cabelos e lhe desse um beijo longo, ardente e possessivo, enviando ondas 
de prazer por todo seu corpo. Um prazer que subjugou a surpresa, antes que esta fosse verdadeiramente capaz de se fazer presente. A boca de Parks pressionou contra 
a sua num comando absoluto, que mal escondia um trao de desespero. Foi a esse desespero, mais do que  autoridade, que Brooke se pegou respondendo. Sua necessidade 
de ser desejada era forte... algo que sempre considerara sua maior fraqueza. E estava fraca agora. Com o aroma extico da pele de Parks penetrando seus sentidos, 
o gosto nico da boca e da lngua, a sensao dos cabelos midos do banho em seus dedos.
     Lentamente, Parks se afastou, esperando que as plpebras pesadas de Brooke se abrissem. Embora os olhos dele no desviassem dos seus, Brooke sentiu como se 
estivesse sendo observada dos ps  cabea.
     -        Quero voc. - Ele falou calmamente, embora a fora do olhar estivesse de volta.
     -        Eu sei.
     Parks deslizou uma das mos pelos cabelos dela, desde o topo at as pontas.
     -        E terei voc.
     Firmando-se um pouco, Brooke saiu dos braos dele.
     -        Isso eu j no sei.
     Sorrindo, ele continuou a lhe acariciar os cabelos.
     -        No sabe?
     - No - replicou ela, com tanta firmeza que Parks arqueou uma sobrancelha. Ento considerou.
     - Bem, suponho que convenc-la pode ser uma experincia agradvel.
     Brooke inclinou a cabea para liberar seus cabelos dos dedos insistentes de Parks.
     - Por que mentiu para Lee sobre ns termos planos para esta noite?
     - Porque passei nove longas entradas pensando em fazer amor com voc.
     Mais uma vez, ele dizia aquilo calmamente, sem nada alm de um pequeno sorriso nos lbios, mas Brooke percebeu que Parks falava muito srio.
     - Bem, voc  bastante direto.
     - Voc prefere as coisas assim, no ?
     - Sim - concordou ela, recostando-se novamente. - Ento, deixe-me fazer o mesmo com voc. Vamos trabalhar juntos por diversos meses num projeto muito grande, 
que envolve um nmero de pessoas. Sou boa no meu trabalho e pretendo fazer com que voc seja bom no seu.
     - Eda?
     Brooke piscou com o tom divertido dele, mas continuou:
     - Da que envolvimentos pessoais interferem no julgamento profissional. Como sua diretora, no tenho inteno de me tornar sua amante, por mais breve que seja 
o perodo.
     - Breve? - repetiu Parks, estudando-a. - Sempre planeja a durao de seus relacionamentos de antemo? Acho - continuou devagar -, que voc  mais romntica 
que isso.
     - No me importo com o que voc acha, contanto que entenda - respondeu ela.
     - Eu entendo - concordou Parks, comeando a compreender. - Voc est se esquivando do assunto.
     -  claro que no! - A raiva surgiu, sendo refletida em sua postura, nos olhos e na voz. - Estou lhe dizendo diretamente que no estou interessada. Se isso 
fere o seu ego,  uma pena.
     Parks segurou-lhe o brao quando ela se levantou e tentou passar por ele.
     - Sabe - comeou num tom cuidadoso que falava de uma raiva emergindo -, voc me enfurece. No consigo me lembrar da ltima vez em que uma mulher me afetou dessa 
maneira.
     - Isso no me surpreende - Brooke desvencilhou o brao da mo dele. - Voc esteve ocupado demais devastando as mulheres com seu charme.
     - E voc tem medo demais de ser rejeitada para ter qualquer tipo de relacionamento.
     Brooke emitiu um som rpido e involuntrio, como se tivesse sido atacada. Com as faces plidas, olhos escuros, encarou-o antes de empurr-lo de lado e subir 
a escada correndo. Parks a alcanou antes que ela chegasse  metade do caminho. Apesar de gir-la com firmeza para faz-la encar-lo, seu toque foi gentil.
     - Golpe baixo? - murmurou ele, sentindo compaixo e culpa ao mesmo tempo. No era comum perder o controle a ponto de dizer algo pelo que tivesse de se desculpar. 
Com olhos secos e magoados, Brooke o fitou. - Desculpe.
     - Apenas me solte.
     - Brooke. - Ele queria pux-la para seus braos e confort-la, mas sabia que ela no aceitaria. - Sinto muito. No tenho o hbito de magoar as mulheres.
     Aquilo no era charme, mas sinceridade. Aps um momento, ela suspirou longamente.
     - Tudo bem. Costumo ser menos magoada do que isso.
     - Podemos nos desarmar... ao menos pelo resto do dia? - O quanto a magoara?, Parks se perguntou. E quanto tempo levaria para ganhar sua confiana?
     - Talvez - retornou Brooke cautelosamente.
     -        Que tal um jantar?
     Ela respondeu com um sorriso antes que se desse conta.
     - Meu ponto fraco.
     - Vamos comear por a, ento. O que voc acha de tacos?
     Ela permitiu que Parks lhe pegasse a mo.
     -        Quem paga?
     
     Eles se sentaram ao ar livre em uma movimentada franquia de fast-food, com pequenas mesas de metal e bancos desconfortveis. Barulhos do trnsito e sons de 
rdios de carros os rodeavam. Ela relaxava toda vez que comia, notou Parks, imaginando se Brooke tinha cincia de que baixava a guarda naqueles momentos. Ele achava 
que no. Sentia o mesmo tipo de relaxamento quando se sentava em um restaurante elegante, com vinho e comida extica, ou em uma pequena lanchonete suja, com tacos 
simples e refrigerantes em copos de papel. Depois de lhe passar um outro guardanapo, Parks decidiu sondar casualmente.
     - Voc cresceu na Califrnia?
     - No. - Brooke bebeu refrigerante pelo canudinho. - Voc, sim.
     - Mais ou menos. - Lembrando-se de como ela era habilidosa em evadir-se ou mudar de assunto, Parks persistiu: - Por que se mudou para Los Angeles?
     - O clima  quente - replicou ela de imediato. -  uma cidade agitada.
     - Mas voc mora a quilmetros da cidade, no meio do nada.
     -        Gosto de ter privacidade. Como sua famlia se sentiu quando voc escolheu beisebol, em vez de trabalhar na Parkinson Chemicals?
     Ele sorriu um pouco, gostando da batalha por controle.
     -        Ficaram surpresos. Apesar de eu ter dito a eles por anos o que pretendia fazer. Todavia, meu pai ainda acredita que seja uma fase. O que sua famlia 
acha sobre voc dirigir propagandas?
     Brooke colocou o copo sobre a mesa.
     -        No tenho famlia.
     Alguma coisa no tom dela o avisou de que aquele era um assunto delicado.
     - Onde cresceu?
     - Aqui e ali. - Rapidamente, Brooke comeou a enfiar guardanapos usados dentro dos copos vazios. Parks lhe segurou a mo antes que ela pudesse se levantar.
     - Orfanatos?
     Com olhos escuros de raiva, Brooke o encarou.
     - Por que voc est pressionando?
     - Porque quero saber quem voc  - disse ele suavemente. - Podemos ser amigos antes de nos tornarmos amantes.
     - Solte minha mo.
     Em vez de fazer isso, Parks lhe lanou um olhar curioso.
     - Eu a deixo nervosa?
     - Voc me deixa furiosa - replicou ela, esquivando-se de uma verdade com outra. - No consigo ficar ao seu lado por mais de dez minutos sem me irritar.
     Parks sorriu.
     - Conheo a sensao. Ainda assim,  estimulante
     - No quero ser estimulada - disse Brooke cal mamente. - Quero conforto.
     Com meia risada, ele lhe virou a mo, roando os lbios de leve sobre a palma.
     - Acho que no - murmurou ele, observando a reao dela por sobre as mos unidas dos dois. - Voce  muito cheia de vida para se contentar com o confortvel.
     - Voc no me conhece.
     - Este  exatamente o meu ponto. - Ele se inclinou um pouco para mais perto. - Quem  voc?
     -        O que fiz de mim mesma. Parks assentiu.
     -        Vejo uma mulher forte e independente, com muita energia e ambio. Tambm vejo uma mulher que escolhe um lugar tranqilo e isolado para morar, que 
sabe rir com sinceridade, que perdoa com a mesma rapidez com que se zanga. - Enquanto falava, Parks observou as sobrancelhas de Brooke baixarem. Ela no estava mais 
furiosa, mas pensativa e cautelosa. Ele se sentiu um pouco como um homem tentando ganhar a confiana de um pombo que pode voar a qualquer momento ou escolher se 
aninhar na palma de sua mo. - Ela atrai o meu interesse.
     Aps um momento, Brooke exalou o ar longamente. Talvez, se lhe contasse um pouco sobre si mesma, considerou, ele no se aprofundaria no assunto.
     -        Minha me no era casada - comeou. - Eu soube que, depois de seis meses, ela ficou cansada de carregar um beb para todo lado e me abandonou com uma 
irm. No lembro muito da minha tia. Eu tinha seis anos quando ela me entregou ao servio social. O que me recordo bem  de ter passado fome e frio. Fui para meu 
primeiro lar adotivo. - Brooke deu de ombros e afastou o lixo sobre a mesa. - No era to ruim. Fiquei l por pouco mais de um ano antes de ser mandada para o prximo. 
Vivi em cinco lares adotivos ao todo entre 6 e 17 anos. Alguns eram melhores que outros, mas nunca senti que pertencia a lugar algum. Muito disso deve ter sido culpa 
minha.
     Brooke suspirou. No gostava de lembrar.
     - Nem todos os pais adotivos aceitam crianas por dinheiro. Alguns... a maioria deles - emendou ela -, so pessoas muito amveis e gentis. Nunca senti que fazia 
parte de uma famlia, porque sempre soube que seria temporrio, que meu irmo ou irm do momento eram reais, e eu era... transitria. Como resultado, eu era difcil. 
Talvez desafiasse as pessoas da casa em que estava no momento a me aceitarem... por quem eu era. No por pena, por obrigao social ou pelos dlares extras que minha 
permanncia com eles lhes traria. Nos meus dois ltimos anos do ensino mdio, vivi em uma fazenda em Ohio com um casal amvel, cujo filho angelical puxava meus cabelos 
quando a me virava as costas. - Brooke fez uma careta. - Parti assim que me formei no ensino mdio. Trabalhei como garonete em diversos lugares do pas. Demorei 
quatro meses para chegar a Los Angeles. - Ela encontrou o olhar calmo e firme de Parks e subitamente se incendiou. - No sinta pena de mim.
     Aquele seria o maior insulto, pensou ele, pegando-lhe a mo rgida na sua.
     - Eu no estava com pena. Estava me perguntando quantas pessoas teriam coragem de tentar fazer sua prpria vida aos 17 anos, e quantas teriam a fora para realmente 
conseguir. Nesta mesma idade, eu queria brilhar nos campos de treinamento na Flrida. Em vez disso, estava num avio a caminho da faculdade.
     - Porque voc tinha uma obrigao - respondeu Brooke. - Eu no. Se tivesse tido a chance de fazer faculdade... - ela parou. - De qualquer forma, ambos temos 
uma dcada em nossas carreiras.
     - E voc pode ter muitas outras se quiser - apontou Parks. - Eu no. Apenas mais uma temporada.
     - Por qu? - ela quis saber. - Voc vai estar com...
     - Trinta e cinco anos - completou ele com um sorriso amargo. - Prometi a mim mesmo, dez anos atrs, que era quando eu pararia. No h muitos de ns capazes 
de jogar depois dos 40, como Mays.
     - Sim,  bvio que voc joga como um homem velho - retornou Brooke secamente.
     -        Pretendo parar antes que isso acontea. Pegando um canudinho, ela comeou a dobr-lo enquanto o estudava.
     - Parar enquanto est ganhando?
     - Essa  a idia.
     Isso Brooke podia entender.
     - Desistir com metade de sua vida pela frente incomoda voc?
     - Pretendo fazer alguma coisa com a segunda metade da vida, mas s vezes isso me incomoda. Outras, penso em todas as noites livres de vero que terei. Voc 
gosta de praia?
     - No vou com freqncia, mas gosto. - Ela pensou sobre a propaganda longa e quente que tinha acabado de filmar. - Com excees ocasionais - acrescentou.
     - Tenho uma casa em Maui. - Inesperadamente, ele se inclinou, acariciando-lhe o rosto com dedos suaves e inegavelmente possessivos. - Vou lev-la l um dia. 
- Parks meneou a cabea quando Brooke comeou a falar. - No discuta, ns fazemos muito isso. Vamos dar uma volta de carro.
     - Parks - comeou ela quando se levantou -, falei srio sobre no querer envolvimento.
     - Sim, eu sei. - Ento, ele a beijou demoradamente, enquanto ela estava em p, com as mos cheias de pratos e xcaras de papel.
   
   
     
   Captulo Cinco
     
     
     Fazia trs dias que Brooke no tinha notcias de Parles. Estava ciente de que a ltima seqncia de quatro jogos da temporada regular seria fora da cidade. 
Sabia tambm, pelo que dissera a si mesma ser simplesmente uma olhada casual na seo de esportes do jornal, que Parks conseguira mais trs RBIs nos primeiros dois 
jogos. Enquanto isso, ela estava ocupada com os storyboards das primeiras propagandas dele.
     A ordem era para que o primeiro comercial de trinta segundos fosse filmado antes dos play offi... a fim de tirar proveito da exposio de Parks na competio. 
Isso deixava Brooke com pouco tempo para se preparar, com uma programao j exigente de filmagens em estdio e locao, reunies de pr-produo e edio. Mas o 
desafio, como a comida, lhe era vital.
     Fechada em seu escritrio, com meia hora de sobra antes de ir para o estdio, Brooke leu o roteiro final para a primeira propaganda da de Marco. Casualmente 
inteligente, pensou, aprovando. Tinha o mnimo de dilogo e uma persuaso gentil.... Parks na base do re-batedor, rebatendo, vestido com roupas esporte e elegantes 
da grife de Marco, a cena se dissolvendo lentamente para a prxima, com ele vestido no mesmo traje, saindo de um Rolls com uma morena provocante nos braos.
     - Roupas para qualquer ocasio... e qualquer lugar - murmurou Brooke. A minutagem fora checada e rechecada. O udio, exceto pela fala de Parles em voice-over, 
j estava sendo gravado. Tudo que precisava fazer era conduzi-lo ao longo dos passos. O sucesso para vender o produto dependia de sua habilidade e do charme dele. 
Era justo, pensou, e pegou a xcara de caf frio quando uma batida soou  porta. - Sim? - Brooke voltou para a primeira pgina, dando uma olhada rpida nos ngulos 
de cmera.
     - Entrega para voc, Brooke. - A recepcionista colocou uma longa caixa branca de uma floricultura sobre sua mesa abarrotada. - Jenkins pediu que eu a avisasse 
que o trabalho de Lardner foi editado. Voc pode querer checar.
     - Certo, obrigada. - Curiosa, Brooke franziu o cenho por sobre o topo do roteiro, fitando a caixa de flores. Ocasionalmente, recebia um telefonema de agradecimento 
ou uma carta de um cliente particularmente satisfeito com uma propaganda... mas no flores. Se bem que houvera o ator da propaganda de carro esporte no ano anterior, 
lembrou. O que estava na terceira esposa... Ele ora divertia, ora irritava Brooke, mandando-lhe buqus de rosas toda semana. Mas seis meses tinham se passado desde 
que ela o convencera de que estava perdendo tempo e dinheiro.
     Era mais provvel que as flores fossem uma das brincadeiras de E.J., considerou. Provavelmente acharia algumas dzias de pernas de sapo no interior da caixa. 
No querendo estragar a brincadeira de ningum, Brooke desatou a fita e abriu a tampa.
     Havia buqus de hibisco. Ptalas cor-de-rosa, orvalhadas e fragrantes, quase at a borda. Aps o primeiro gemido de surpresa, Brooke colocou as mos na caixa, 
cativada pela sensao e pelo aroma puramente feminino. Seu escritrio de repente cheirava como uma ilha tropical: um aroma inebriante, extico e muito romntico. 
Com um som de prazer, ela encheu as mos com as flores, levando-as ao rosto para sentir de perto seu aroma. Em contraste com o forte aroma, as ptalas pareciam impossivelmente 
frgeis. Um pequeno carto branco caiu sobre sua mesa.
     Devolvendo as flores  caixa, Brooke pegou o envelope e o abriu.
     
     "Pensei em sua pele."
     No havia mais nada, mas ela sabia. Tremeu. Ento, censurou a si mesma por agir como uma adolescente apaixonada. Mas leu a frase trs vezes. Ningum jamais 
fora capaz de afet-la to profundamente com algo to simples. Embora Parks estivesse a quilmetros de distncia, ela quase podia sentir os dedos longos e fortes 
percorrendo seu rosto. A sensao de calor e a onda de desejo lhe diziam que no escaparia dele... que, na verdade, jamais quisera isso. Sem se dar tempo para afundar 
em dvidas e medos, Brooke pegou o telefone.
     - Ponha Parks Jones na linha - falou rapidamente. - Tente Lee Dutton, ele certamente tem o nmero. - Antes que pudesse mudar de idia, ela desligou, enterrando 
as mos nas flores novamente.
     Como era possvel que ele soubesse exatamente como conquist-la?, perguntou-se, e descobriu, naquele momento, que no se importava. Era o bastante ser cortejada 
de modo romntico... romntico e com estilo. Erguendo uma nica flor, Brooke passou-a pelo rosto. Era macia e mida contra sua pele... como fora o primeiro beijo 
de Parks. O telefone a tirou de suas fantasias.
     -        Sim?
     - Parks Jones na linha dois. Voc tem dez minutos antes de precisarem de voc no estdio.
     - Tudo bem. Traga-me um vaso com gua, por favor. - Ela olhou para a caixa de novo. - Dois vasos. - Ainda com a flor na mo, Brooke apertou o boto da linha 
dois. - Parks?
     - Sim. Ol, Brooke.
     - Obrigada.
     - De nada.
     Ela hesitou. Ento, disse a primeira coisa que lhe veio  cabea.
     -        Sinto-me como uma adolescente que acabou de receber seu primeiro ramo de flores.
     Deitado de costas na cama, ele riu.
     -        Eu gostaria de ver voc com algumas dessas flores nos cabelos.
     Experimentalmente, ela colocou uma sobre a orelha. No muito profissional, pensou com um suspiro, e alegrou-se com o aroma.
     -        Tenho uma filmagem no estdio em alguns minutos. Acho que as luzes no fariam muito bem s flores.
     - Voc tem seu lado prtico, no , Brooke? - Parks flexionou o ombro levemente dolorido e fechou os olhos.
     - Se necessrio - murmurou ela, mas no conseguiu colocar a flor de volta na caixa. - Como voc est? Eu no tinha certeza de que estaria a.
     - Cheguei faz uma meia hora. Eles nos venceram por 5 a 2.
     - Oh -- ela franziu o cenho, incerta do que deveria dizer. - Sinto muito.
     - No peguei o ritmo no jogo. Isso vai passar.
     -        Antes dos play-offi, acrescentou ele silenciosamente. - Pensei em voc, talvez demais.
     Brooke sentiu uma estranha onda de prazer que era difcil dissimular.
     -        Eu no gostaria de ser responsvel por uma m fase, particularmente quando me lembro de alguns dos remdios. - A risada dele pareceu fraca e exausta.
     -        Voc est cansado?
     - Um pouco. Voc pensaria que, com a liga fechada, ns deslancharamos nesta ltima seqncia de jogos. Ontem  noite, foram 11 entradas.
     - Eu sei. - Ela poderia ter mordido a lngua. - Vi as manchetes no jornal - acrescentou rapidamente.
     -        Vou deix-lo dormir ento. Eu s queria agradecer. A admisso descuidada de Brooke o fez sorrir, mas
     Parks no se deu ao trabalho de abrir os olhos. Com eles fechados, no tinha problema em visualizar o rosto dela.
     - Verei voc quando voltar?
     -  claro. Vamos filmar o primeiro segmento na sexta-feira, ento...
     -        Brooke - interrompeu ele em tom baixo, mas com firmeza. - Verei voc quando eu voltar?
     Ela hesitou, ento olhou para os hibiscos brancos e cor-de-rosa em cima de sua mesa.
     -        Sim - ouviu-se dizendo. Pressionando a flor no rosto, suspirou. - Acho que vou cometer um erro muito grande.
     -        timo. At sexta.
     
     O truque para ser uma boa diretora, Brooke sempre acreditara, era ser precisa sem ser muito tcnica, rpida sem perder a compaixo, e depois se dividir em diversas 
pequenas partes, de modo que voc pudesse estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Aquele era um talento que ela desenvolvera cedo... no trabalho... sem o treinamento 
formal de muitos de seus colegas. Talvez porque tivesse trabalhado tanto em outros aspectos da filmagem, desde fazer a minutagem de um roteiro at ajustar as luzes 
e o som, Brooke era altamente precisa. Nada escapava aos seus olhos. Por saber que atores freqentemente trabalhavam em excesso e eram inseguros, ela nunca perdera 
sua compaixo por eles, mesmo quando estava furiosa por uma fala repetidamente errada. Sua experincia anterior como garonete lhe ensinara a se mover rpido o bastante 
para praticamente estar em dois lugares ao mesmo tempo.
     Em set ou em um estdio, ela possua total autoconfiana. Seu controle geralmente no era questionado, porque acontecia de modo natural. Nunca pensava sobre 
estar no controle ou sentia a necessidade de lembrar os outros disso. Simplesmente estava no controle.
     Com uma cpia do roteiro em uma das mos, ela supervisionou os ajustes finais nas luzes e rebatedores. Estar na homeplate, Brooke notara imediatamente, era 
totalmente diferente de estar na arquibancada. Era como estar numa ilha, em meio a montanhas de arquibancada, com a alta muralha verde rodeando o fundo do campo. 
A distncia da base at a cerca parecia ainda mais formidvel dali. Brooke imaginou como era possvel que homens com tacos nas mos rebatessem to freqentemente 
uma bola em movimento por sobre aquele ltimo obstculo.
     Podia sentir o cheiro da grama recm-cortada, o aroma da terra que secara ao sol e a colnia exageradamente forte de E.J.
     - Mea a luz de novo - ela ordenou ao diretor de iluminao ao olhar para as nuvens pesadas no cu. - Quero uma tarde ensolarada.
     - Sem problemas. - As luzes foram focadas no momento em que Brooke ia at a cmera um para checar as sombras na base do campo.
     Parks se demorou do lado de fora do campo por um momento, observando-a. Esta era uma mulher diferente daquela que levara para comer tacos... diferente da que 
estivera em seus braos na festa dos de Marco. Os cabelos estavam presos numa longa trana, e no soltos, fazendo-a parecer uma cigana como ele estava acostumado. 
Ela usava jeans desbotado, uma camiseta lisa amarela, tnis empoeirados e brincos de safira.
     Mas no era o estilo dos cabelos ou a roupa que denotava a diferena. Era a segurana. Parks j notara isso, mas sempre discreta, sem se mostrar por completo. 
Agora, Brooke a revelava nos gestos, nas ordens, enquanto homens e mulheres se esforavam para lhe dar exatamente o que queria. Ningum a questionava. E, considerou 
ele, era bastante bvio que Brooke no teria permitido isso.
     Fazendo uma careta, Parks puxou a manga da camisa de seda que usava. Quem jogaria bola com um traje daqueles?, perguntou-se, olhando para a cala bege de tecido 
macio. As regras deste jogo eram dela, lembrou a si mesmo. Ento, entrou no campo iluminado.
     -        Bigelow, prenda aqueles cabos antes que algum quebre uma perna. Libby, veja se pode conseguir um pouco de gua gelada. Vamos precisar. Certo, onde 
est... - Virando-se naquele momento, Brooke avistou Parks. - Oh, a est voc. - Se ela sentiu algum prazer pessoal ao v-lo, escondeu bem, pensou Parks com ironia 
enquanto Brooke se virava para dar uma ordem a seu assistente. - Quero que voc fique parado na home pate, para checarmos a iluminao e os enquadramentos.
     Sem uma palavra, ele obedeceu. Era melhor se acostumar com aquilo, disse a si mesmo. Voc est condenado a ser garoto propaganda das roupas de outra pessoa 
pelos prximos dois anos. Parks ps as mos nos bolsos, xingou Lee rapidamente e foi para a caixa do rebatedor. Algum colocou um fotmetro ao lado de seu rosto.
     - Vocs vo derrotar os Valiants nos play-offs? - perguntou o assistente de iluminao.
     - Este  o plano - replicou Parks com facilidade.
     
     - Apostei cinqenta dlares nisso. Desta vez, Parks sorriu.
     - Tentarei manter isso em mente.
     - Detrick. - Brooke se aproximava, e gesticulou com a cabea para que o tcnico. - Certo, esta  a parte fcil - comeou. - Sem dilogo, e voc vai fazer o 
que sabe fazer melhor.
     - E o que ?
     Brooke arqueou uma das sobrancelhas com a pergunta irnica, mas continuou suavemente:
     - Rebater. Uma vez que o treinador dos arremessadores concordou em lhe jogar algumas, voc deve se sentir confortvel.
     - J ficou na base sem capacete? - protestou ele.
     - No combinaria com a roupa - disse ela docemente. Ento, o estudou com lentido deliberada... os olhos subindo, descendo, e subindo novamente.
     -        E est bonita em voc.
     - Gosto da sua, tambm. - O sorriso de Parks foi rpido e perigoso. - Vou querer soltar seus cabelos.
     - Maquiagem! - chamou ela abruptamente.
     -        Ponham pancake nele para a pele no brilhar.
     - Espere um minuto - comeou Parks, habilidosamente segurando o pulso da mulher com o pancake.
     - Voc no pode aparecer transpirando na cmera - murmurou Brooke, satisfeita com a reao dele.
     - Tudo que quero que faa  o que geralmente faz quando est de uniforme. Assuma sua posio normal - continuou ela. - Balance o basto algumas vezes, para 
sentir o peso. Depois que rebater a bola, quero um daqueles seus sorrisos antes de jogar o basto de lado.
     -        Que sorrisos? - Relutantemente, Parks liberou o pulso da maquiadora e deixou-a lhe aplicar o p.
     Com humor danando nos olhos, Brooke lhe deu um sorriso especialmente doce.
     -        Um daqueles sorrisos de garoto de praia. Rpido, mostrando muito os dentes, enrugando os cantos dos olhos.
     Ele os estreitou perigosamente.
     - Voc vai me pagar por isso.
     - Tente tomar o mnimo de strikes - continuou ela alegremente. - Cada strike  uma tomada. Voc no precisa rebater a bola para fora do campo, apenas fingir 
que est fazendo isso. Entendeu?
     - Sim, entendi. - Irritado, Parks cumprimentou o treinador dos arremessadores com um gesto de cabea quando ele passou.
     - Voc est uma gracinha, Jones.
     - Apenas tente jogar a bola perto da base - retorquiu Parks. - Vou receber um taco? - perguntou para Brooke. - Ou apenas finjo?
     Como resposta, Brooke se virou e gritou para seu assistente:
     - Traga o taco, E.J. Voc est pronto? S filme... sem travellings, sem panormicas, sem closes. Lembre-se, estamos vendendo roupas.
     - Isto  alumnio.
     Distrada, Brooke virou-se para Parks.
     - O qu?
     - Este taco  de alumnio.
     No momento em que ele o ergueu, Brooke automaticamente o pegou.
     - , parece. - Quando ela fez meno de lhe devolver o basto, ele meneou a cabea.
     - Eu uso de madeira. Com 5,8 cm de dimetro.
     Ela conteve o impulso de dar uma resposta atravessada. Se estava acostumada com alguma coisa, era com gnios fortes.
     -         Pegue para o Sr. Jones o taco de sua preferncia - Brooke falou para seu assistente, lhe jogando o primeiro. - Mais alguma coisa?
     Por um momento, ele a olhou de modo penetrante.
     -        Todos a obedecem imediatamente?
     - Com certeza. Mantenha isso em mente pelas prximas horas e no teremos problemas.
     O olhar dele se tornou ainda mais penetrante.
     - Enquanto as cmeras estiverem ligadas - retornou Parks numa voz que somente ela pudesse ouvir.
     Virando-se, Brooke andou para se posicionar atrs da cmera. Automaticamente, E.J. deu um passo atrs de modo que ela pudesse checar o enquadramento por si 
mesma. Com as sobrancelhas unidas, Brooke olhou para Parks atravs das lentes enquanto seu assistente entregava a ele um outro basto.
     -        Muito bem. Parks, pode assumir sua posio?
     - Ela franziu o cenho ainda mais quando ele se inclinou levemente sobre a base, os ps plantados no cho, joelhos dobrados, ombros alinhados em direo ao monte 
do arremessador. A expresso de Brooke relaxou. - timo - decidiu, afastando-se para que E.J. pudesse tomar o seu lugar.
     - Aposto dez dlares que ele rebate uma bola para o centro esquerdo.
     Brooke assentiu, aceitando a aposta.
     - Parks, quando eu falar "ao", quero que assuma sua posio novamente e balance o basto para sentir o peso. Mantenha os olhos no arremesso... E no olhe 
para a cmera. Esquea que estamos aqui.
     -        Com o primeiro sorriso sincero que Parks via naquela manh, Brooke virou-se para o treinador.
     -        Est pronto, Sr. Friedman?
     -        Pronto, querida. Tentarei no acert-lo com a bola, Jones.
     Parks deu uma risada.
     -        Apenas veja se consegue jogar na zona de strike.
     -        Ele apontou sua cabea desprotegida. - E mande baixa.
     Brooke deu uma ltima olhada ao redor, assegurando-se de que todos estavam em posio.
     -         Vamos comear. Prontos? - Ela ergueu uma das mos, esperando o mais absoluto silncio. - Rodando, e... ao.
     Ela observou Parks se abaixar na posio e balanar o basto relaxadamente duas vezes. A seda azul profunda da camisa dele ficou bem na luz, acentuando os msculos 
que encobria. Mos nos quadris, Brooke contou os segundos e esperou. Parks equilibrou seu peso quando a bola veio em sua direo, retesou os msculos e no rebateu. 
A bola foi para trs dele sem ser rebatida.
     -        Nada bom. - Brooke controlou a necessidade de praguejar. - Corta. - Lutando contra sua irritao, aproximou-se dele. - Algum problema, Parks?
     - Foi bola. Fora da zona de strike.
     - Mentira! - gritou Friedman do montculo.
     -        Foi no canto!
     Imediatamente, a equipe de filmagem se dividiu, argumentando a favor do rebatedor ou do arremessador. Ignorando-os no momento, Brooke se concentrou em Parks.
     -        No  um jogo de verdade, voc s precisa rebater a bola. Pode notar - continuou ela, gesticulando atrs de si - que no h campistas, nem fs, nem 
imprensa.
     Parks enterrou a ponta do taco na terra, e inclinou-se sobre ele.
     -        Voc quer que eu rebata um arremesso ruim? Brooke fitou os incrveis olhos azuis.
     -        A qualidade do arremesso  insignificante - explicou ela enquanto a discusso continuava atrs deles. - Apenas rebata a bola.
     Dando de ombros, ele ergueu o basto novamente.
     -        Voc  a chefe... no momento.
     Ele a olhou longamente, com uma expresso desafiadora, antes que Brooke se virasse para sua equipe.
     -        Tomada dois! - anunciou ela, efetivamente cortando a discusso.
     Desta vez, Parks rebateu, mas mandou a bola fora, prximo  terceira base. Sem olhar para E.J., Brooke estendeu uma das mos.
     -        Tempo? - perguntou enquanto uma nota de dez dlares pousava em sua mo.
     Parks notou uma pequena morena com um cronmetro e uma prancheta.
     - Doze segundos e meio, Brooke.
     - Bom. Certo, vamos prosseguir.
     - Esta vai depois da cerca - declarou E.J. em tom baixo para Brooke. - Aposta dez?
     - Tomada trs - ordenou Brooke, assentindo com um gesto de cabea. - Rodando, e... ao! - Um sorriso satisfeito tocou-lhe os lbios enquanto estudava Parles. 
Ou ele estava entrando no esprito da coisa, ou seu prprio esprito competitivo o estava motivando. De qualquer forma, funcionava para ela. A expresso no rosto 
dele quando se abaixou sobre a base era exatamente a que Brooke queria... o olhar intenso que revelava audcia. Uma pena que no pudesse trabalhar em close, pensou, 
ento esqueceu o pensamento quando Parks rebateu com fora total.
     Poder. A palavra lhe veio espontaneamente quando ele bateu na bola. Brooke viu o instante em que a camisa se esticou sobre os ombros largos, delineando os msculos 
das coxas grossas sob o tecido caro e macio. No era necessrio seguir a bola para saber onde tinha ido. Ela sabia que o sorriso no rosto de Parks no tinha nada 
a ver com suas ordens. Era um sorriso de puro prazer. Brooke manteve o filme rodando enquanto os olhos dele acompanhavam a bola que saa do campo. Ainda sorrindo, 
virou-se para ela, depois deu de ombros de maneira apologtica.
     Ela deveria ter ficado zangada por ele ter olhado para a cmera apesar de suas ordens, mas o movimento e a expresso estavam perfeitos. No momento em que enfiou 
a mo no bolso para pegar os dez dlares de E.J., decidiu aproveit-los.
     -        Corta.
     Aplausos espontneos se seguiram com alguns assobios.
     -        Bom arremesso, Friedman - comentou Parks. O treinador jogou outra bola no ar.
     -        S estou fazendo voc ficar bem no filme, Jones. Os arremessadores dos Valiants no sero to amigveis.
     Brooke passou o dorso da mo sobre a testa suada.
     - Quero mais algumas tomadas, por favor. Qual foi o tempo desta?
     - Catorze segundos.
     - Certo. A luz est mudando, fotometre de novo. Sr. Friedman, eu gostaria de mais algumas tomadas.
     - Como quiser, querida.
     - Parks, preciso de uma rebatida forte como da ltima vez. No importa para onde a bola v, olhe para o alto e para o fundo... E no esquea o sorriso.
     Apoiando o basto sobre o ombro, ele murmurou:
     - No, senhora. Brooke o ignorou e se virou.
     - Luz?
     O tcnico terminou os ajustes e assentiu.
     -        Pronto.
     Apesar de ter considerado a terceira tomada quase perfeita, Brooke filmou mais trs. Editado, aquele segmento da propaganda ficaria com 12 segundos e meio. 
O fato de ter levado apenas trs horas entre preparao e filmagem mostrava que ela seguia um cronograma apertado.
     -        Conclumos aqui. Obrigada - acrescentou Brooke enquanto aceitava um copo de gua gelada de seu assistente. - Vamos montar o equipamento na frente do 
restaurante em... - ela consultou o relgio... - duas horas. Fred, verifique novamente o Rolls e a atriz. E.J., eu mesma levarei o filme para editar. - Enquanto 
falava, andou at o montculo. - Sr.
     Friedman, obrigada. - Com um sorriso, estendeu a mo.
     Ele recebeu um aperto de mo firme e um olhar suave.
     -        Foi um prazer. - Com uma risada, guardou uma bola extra dentro da luva. - Sabe, na minha poca, jogadores de beisebol faziam propaganda de lminas 
de barbear e cerveja. Ns assinvamos bastes e luvas. - Ele deu uma olhada para Parks, que estava autografando uma bola para um tcnico. - Nenhum estilista sofisticado 
nos pedia para vestir suas roupas.
     Brooke desviou os olhos para Parks. Ele estava rindo agora, meneando a cabea para E.J., enquanto o cameraman contava alguma vantagem. As roupas casuais e elegantes 
combinavam com ele, assim como o basto de madeira escura em sua mo.
     -        Detestaria que ele soubesse que eu disse isso, Sr. Friedman - comentou Brooke, voltando-se para o treinador -, mas Parks  um talento nato.
     Com uma risada alta, Friedman bateu nas costas dela.
     - Ele no vai ouvir isso de mim, querida. A ltima coisa de que meus arremessadores precisam  de um terceira base com um ego inflado. Mais uma coisa - acrescentou 
ele antes que Brooke se virasse. - Observei a maneira como voc comanda as coisas. - Friedman lhe deu um sorriso expansivo. - Voc daria uma treinadora e tanto.
     - Obrigada. - Contente com o elogio, Brooke se encaminhou para a base... e para Parks. - Voc foi muito bem.
     Ele olhou para a mo estendida dela com divertimento, mas aceitou-a.
     -        Para um principiante? - questionou.
     Quando ela comeou a remover a mo, Parks a segurou com firmeza, deslizando a ponta de um dedo no interior do pulso delicado. Teve a satisfao de sentir a 
pulsao de Brooke acelerar.
     - No esperava nenhum problema, uma vez que voc estava interpretando a si mesmo. - Atrs dela, tcnicos apagavam luzes e recolhiam cabos. Brooke ouviu E.J. 
descrevendo a nova moa com quem estava saindo em termos exagerados. Usando toda sua fora de vontade, ela se concentrou nos rudos do fundo em vez de na sensao 
dos dedos de Parks percorrendo sua pele. - A prxima cena deve ser bastante fcil. Iremos ao local e filmaremos esta tarde. Se voc tiver alguma pergunta...
     - Apenas uma - interrompeu Parks. - Venha aqui um minuto. - Sem esperar concordncia, ele a levou em direo ao banco, entrou e passou pela porta que levava 
aos vestirios.
     - Qual  o problema, Parks? - Brooke quis saber. - Preciso editar antes da prxima filmagem.
     - Terminamos aqui por enquanto?
     Com um suspiro impaciente, ela gesticulou para o equipamento sendo empacotado.
     - Obviamente.
     - timo. - Pressionando-lhe as costas contra a parede, Parks lhe cobriu os lbios com os seus.
     Foi um beijo possessivo, com um toque de violncia. As frustraes das ltimas horas se infiltraram no beijo, enquanto ele finalmente as liberava. Havia a irritao 
de desej-la... de ter sido incapaz de toc-la por dias por causa da distncia fsica, e ento estar perto, mas no ter permisso para isso. Havia a exasperao 
pela maneira fria e profissional com que Brooke o tratara enquanto ele lutava contra o desejo. E havia a fria por ter sido colocado em posio de receber ordens 
de uma mulher que dominava seus pensamentos e lhe negava o corpo.
     Entretanto, o fato de pressionar seu corpo contra a suavidade do de Brooke era mais perturbador do que tranqilizador. Ela o preenchia, o aroma extico, o sabor 
de mulher em sua boca, a pele sedosa sobre os ossos fortes e acentuados do rosto. Quase desesperado, Parks pressionou-a mais, aprofundando o beijo. No seria o nico 
a se envolver. Encontraria aquele lugar secreto que a abriria para ele, de modo que pudesse t-la, por fim... corpo e mente. Para fazer isso, precisava de controle... 
sobre si mesmo e sobre Brooke. A fora dela a transformava em um desafio... o desejo a transformava em uma necessidade.
     -        Ei, Brooke, quer uma carona para... Ops. - E.J. ps a cabea dentro do banco... e se retirou. Ento os lbios de Parks liberaram os de Brooke, e ela 
pde ouvir o cmera assobiando alegremente enquanto se afastava. Furiosa por ter perdido completamente a noo de tempo e espao, Brooke empurrou o peito de Parks.
     - Solte-me!
     - Por qu?
     Aparentemente, o olhar gelado dela mais o divertia do que magoava.
     - Nunca mais faa uma coisa dessas quando eu estiver trabalhando - exclamou ela, empurrando-o uma segunda vez quando ele bloqueou a sada.
     - Eu perguntei se havamos terminado por enquanto - ele a relembrou, e a pressionou contra a parede novamente.
     - Quando estamos no trabalho - disse ela - eu sou a diretora, voc  o produto. - Ele estreitou os olhos com a escolha de palavras, mas Brooke continuou, com 
todo o vigor: - Voc vai fazer exatamente o que lhe disser para fazer.
     - A cmera no est rodando, Brooke.
     - No quero minha equipe especulando, espalhando fofocas que possam minar minha autoridade e credibilidade.
     A prpria raiva de Parks cresceu, em par com o desejo. Quando ela o desafiava, s o excitava ainda mais.
     -        Voc no est com mais medo porque gosta quando eu a toco? No fica furiosa porque, quando a beijo, na verdade no d a mnima para quem est no controle? 
- Ele baixou a cabea, de modo que seus lbios ficassem a poucos centmetros dos dela. - Aceitei suas ordens durante toda a manh, Srta. Gordon. Agora  a minha 
vez.
     O olhar penetrante de Brooke no vacilou enquanto as palavras eram sussurradas ante seus lbios. Com a ponta da lngua, Parks os percorreu, apreciando o gosto 
e a paixo reprimida de Brooke. O desejo de ambos se mesclava, pairava no ar... Os dois sentiam isso, e tentavam domin-lo. Contudo, perceberam que o desejo os venceria.
     
     Os lbios de Parks roaram os de Brooke, sem presso ou fora, desafiando-a a exigir que ele parasse, desafiando-a a resistir aos prprios desejos. Os olhos 
de ambos permaneceram abertos, se entreolhando fixamente. Olhos que escureceram quando a paixo os incitou  rendio.
     - Temos outra filmagem esta tarde - Brooke conseguiu falar, lutando para manter a voz firme.
     - Quando estivermos filmando, farei o que voc mandar. - Ele a beijou rpida e intensamente. - Esta noite - acrescentou, contendo seu prprio sangue quente 
-, veremos...
   
   
   
   Captulo Seis
     
     
     Brooke escolheu filmar na calmaria do fim da tarde, usando filtros adequados para o horrio, em vez de competir com o trnsito da noite. Era uma cena rpida, 
relativamente simples e de muito requinte. O Rolls champanhe pararia em frente ao luxuoso restaurante. Parks desceria, vestindo o mesmo traje, mas usando uma jaqueta... 
j lavada e passada pela manh... e ofereceria a mo  morena elegante. Ela sairia do carro, mostrando bastante as longas pernas, e daria um olhar para Parks antes 
de unir o brao ao dele. A cena ento desapareceria com a voz de Parks em voice-over, declarando o lema da campanha: "De Marco. Para o homem que chega aonde quer."
     O visual permaneceria no ar por mais 12 segundos, de modo que, combinado com o segmento do estdio, a introduo e a frase no final, a propaganda ficaria com 
cerca de trinta segundos.
     - Quero uma tomada longa do Rolls, E.J. Foque em Parks quando ele descer do carro. No queremos perder o impacto de ele estar usando o mesmo traje com que jogou 
beisebol. No fique obcecado com a moa - acrescentou ela, enviando-lhe um olhar significativo.
     -        Quem, eu? - puxando um bon dos Kings do bolso de trs, ofereceu-o a Brooke. - Quer us-lo? Esprito de equipe.
     Colocando uma das mos sobre os quadris, Brooke olhou-o sem qualquer mudana de expresso. Com uma risada breve, E.J. ps o bon, ajeitando-o em seu penteado 
afro.
     -        Certo, chefe. Estou pronto quando voc estiver.
     Como de hbito, Brooke checou de novo o enquadramento e ajuz antes de dar o sinal para a primeira tomada. O Rolls parou suavemente no meio-fio. Brooke tocou 
a msica de fundo na cabea, tentando avaliar como ela encaixaria. No momento certo, Parks saiu, virando-se e oferecendo a mo para a morena ainda no interior do 
carro. Franzindo o cenho, Brooke deixou a cena rodar. No estava bom. Percebeu imediatamente o porqu, mas aproveitou os poucos segundos at o corte para pensar 
numa forma de abord-lo.
     Com um gesto, indicou que queria falar com ele enquanto o motorista dava r no Rolls para a prxima tomada. Pondo a mo sobre o brao dele, afastou-o dos tcnicos.
     - Parks, voc precisa relaxar. - Como lidar com atores nervosos lhe era natural, a voz e as maneiras de Brooke se mostravam acentuadamente distintas da sesso 
da manh. Parks notou isso, e se irritou de qualquer maneira.
     - No sei o que voc quer dizer.
     Ela o conduziu para longe de onde uns poucos pedestres interessados matavam tempo perto da barreira de proteo.
     - Nmero um - comeou ela: - voc est  zendo propaganda de um bom produto. Tente acreditar nele.
     - Se eu no achasse que o produto  bom, na estaria fazendo isso - retorquiu ele, franzindo o cenho por sobre o ombro dela para a parafernlia de luzes.
     - Mas voc no est confortvel. - Quando Brooke lhe deu um tapinha de incentivo nas costas, Parks fez uma careta. - Se insistir em parecer um tolo, isso ir 
transparecer. Espere - ordenou ela quando ele fez meno de comear a falar. - Esta manh voc se sentiu mais  vontade... no estdio, com um taco em sua mo. Aps 
alguns minutos, comeou entrar no clima.  isso que quero que faa agora.
     - Escuta, Brooke, eu no sou ator...
     - Quem est lhe pedindo para representar? - interrompeu ela. - Deus me livre disso. - Sabia que o insultara, ento temperou o comentrio com um sorriso. - Oua, 
voc  um vencedor, andando pela cidade num Rolls com chofer e com uma linda mulher. Tudo que quero que faa  se divertir e parecer satisfeito consigo mesmo. Voc 
pode fazer isso, Parks. Relaxe.
     - Eu gostaria de saber como voc se sentiria se algum lhe mandasse apanhar uma rebatida reta com vinte mil pessoas assistindo.
     Brooke sorriu novamente e tentou no pensar sobre os minutos que estavam perdendo.
     - Voc faz isso rotineiramente - apontou ela -, porque se concentra em seu trabalho e esquece a multido ao redor.
     - E diferente - murmurou ele.
     - S se voc permitir que seja. Mostre aquele olhar de satisfao de quando rebateu a bola esta manh. Finja, Parks. - Brooke endireitou o colarinho da camisa 
dele. -- Isso  bom para voc.
     - Sabia que Nina tem o QI de um ovo cozido?
     - Nina?
     -        Meu par. Brooke suspirou.
     -        Pare de ser to temperamental. Ningum est lhe pedindo que se case com ela.
     Parks abriu a boca... e fechou novamente. Ningum jamais o acusara de ser temperamental. Jamais tinha sido temperamental. Se seu empresrio lhe dissesse para 
deixar passar uma bola com um homem na terceira base e outro na primeira, ele deixaria. Se o treinador na terceira base lhe mandasse roubar a home plate, ele roubaria. 
No porque era malevel, mas porque, se possua um contrato com uma equipe, seguia as regras. Isso no significava que tinha de gostar delas. Praguejando baixinho, 
Parks passou uma das mos pelos cabelos e admitiu que no estava to irritado com as ordens naquele caso, mas com quem as dava. Mas as luzes e cmeras logo seriam 
desligadas...
     -        Tudo bem, vamos fazer de novo. - Ele deu a Brooke aquele sorriso lento, em que ela j aprendera a no confiar, antes de andar em direo ao Rolls. 
Desconfiada da concordncia rpida, Brooke se virou e foi para o lado de E.J.
     Parks no lhe deu mais motivos para reclamar, embora eles tivessem passado mais duas horas filmando o segmento. Brooke descobriu que tinha mais problemas com 
a atriz... e com alguns fs que reconheceram
     Parks... do que com ele. Foram necessrias trs tomadas antes de conseguir fazer Nina entender que no queria brilho e adorao, mas elegncia e indiferena. 
Brooke queria o contraste, e fez todos repetirem aqueles 12 segundos at estar certa de que conseguira.
     Ento houve o problema de duas fs que passaram pela barreira de proteo a fim de conseguir um autgrafo de Parks... enquanto a cmera ainda estava rodando. 
Parks lhes deu o autgrafo, e, embora Brooke tivesse se irritado com a interrupo, notou que ele dispensara as fs com o charme de um diplomata. Com raiva, ela 
teve de admitir que no teria feito melhor.
     -        Terminamos - anunciou Brooke, arqueando as costas. Estava de p havia mais de oito horas, tendo comido apenas meio sanduche no intervalo entre os 
segmentos. Estava contente com o trabalho do dia, satisfeita com o progresso e a avidez de Parks. - Vocs podem se separar - disse para os membros da equipe.
     -        Bom trabalho, E. J. Programei a edio e dublagem para amanh. Se voc quiser ver o que vamos fazer com seu filme, pode aparecer.
     -        Amanh  sbado.
     -        Sim. - Ela tirou a aba do bon de beisebol do rosto dele. - Vamos comear a trabalhar s dez. Nina -        Brooke pegou a mo delgada e suave da atriz. 
- Voc foi adorvel, obrigada. Fred, certifique-se de devolver o Rolls inteiro, ou vai se ver com a Claire. Bigelow, qual  o nome do garoto novo? - Ela gesticulou 
a cabea para um tcnico jovem, que estava ocupado empacotando as luzes.
     -        Silbey?
     Assentindo com um gesto de cabea, Brooke tomou nota do nome mentalmente.
     - Ele  bom - afirmou brevemente. Voltou-se para Parks. - Bem, voc superou esta primeira etapa. Vamos dublar sua voz amanh. Alguma cicatriz?
     - Nenhuma visvel.
     - Talvez eu no devesse lhe dizer que esta cena foi a mais fcil da programao.
     Ele reagiu brandamente ao humor nos olhos dela.
     - Talvez no devesse.
     - Onde est o seu carro?
     -        No estacionamento do estdio. Franzindo o cenho, Brooke consultou o relgio.
     - Eu lhe dou uma carona at l. - Ela brincou com a idia de ir at Thorton primeiro, para dar uma olhada rpida no filme, e a descartou. Seria melhor ver a 
cena pela manh, quando estivesse descansada. - Preciso ligar para Claire... Mas bem... - ela deu de ombros. - Isso pode esperar. Algum problema? - perguntou para 
a equipe em geral.
     - Amanh  sbado. - E.J. declarou outra vez, de modo aflito, enquanto guardava seu equipamento. - Brooke, voc no me d uma folga.
     - Voc no precisa ir - ela o relembrou, sabendo que ele iria. - Boa noite. - Com Parks a seu lado, Brooke comeou a descer a rua.
     -  um hbito seu trabalhar nos finais de semana? - perguntou ele, notando que, aps um dia longo e agitado, ela ainda andava como se tivesse compromissos urgentes.
     -        Quando  necessrio. Estamos correndo com isso para poder ir ao ar durante os play-offs e a World Series. - Ela o fitou. - E melhor que voc chegue 
l.
     -        Ainda andando, comeou a mexer na bolsa.
     -        Vou tentar lhe fazer esse favor. Quer que eu dirija?
     Com as chaves em uma das mos, Brooke olhou para cima, surpresa.
     - Voc andou conversando com E.J.? Ele arqueou as sobrancelhas.
     - No. Por qu?
     - Nada. - Descartando o pensamento, Brooke parou ao lado de seu carro. - Por que voc quer di-rigir?
     - Ocorre-me que tive de ficar em p na frente daquela cmera estpida o dia inteiro, mas voc no pra h mais de oito horas. Este  um trabalho rduo.
     - Sou uma mulher forte - respondeu ela, com uma intonao defensiva na voz.
     - Sim. - Ele roou os dedos sobre o rosto dela.
     -        De ferro.
     - Ento. Agora entre no carro - murmurou Brooke. Aps contornar o capo, posicionou-se ao volante, batendo a porta s de leve. - Vai demorar um pouco para atravessar 
a cidade com esse trnsito.
     - No estou com pressa. - Parks se acomodou confortavelmente ao seu lado. - Voc sabe cozinhar?
     Na hora de ligar o carro, ela franziu o cenho.
     - Eu sei o qu?!
     - Cozinhar, entende? - Ele imitou o ato de mexer uma panela.
     Brooke riu, saindo para o trnsito com um entusiasmo que o fez se encolher.
     - E claro que sei cozinhar.
     - Que tal a sua casa?
     Brooke passou por um semforo amarelo.
     - O que tem a minha casa? - perguntou cautelosamente.
     - Para jantarmos. - Ele a viu mudar para a terceira marcha ao ultrapassar um Porsche. - Depois de eu ter alimentado voc algumas vezes, isso me parece justo.
     - Quer que eu cozinhe para voc?
     Desta vez, Parks riu. Ela brigaria com ele at o fim.
     -        Sim. E depois vou fazer amor com voc. Brooke ps o p no freio, parando o carro a centmetros de um outro pra-choque.
     - Oh, verdade?
     - Oh, verdade - repetiu ele, encontrando-lhe os olhos estreitos da mesma maneira. - Ns dois acabamos de bater o carto no trabalho. Novo jogo. - Parks tocou-lhe 
a ponta da trana. - Novas regras.
     - E se eu tiver objees?
     - Por que no conversamos sobre isso em algum lugar tranqilo? - Com o polegar, ele lhe traou os lbios. - Voc no est com medo, est?
     A provocao foi o bastante. Quando o sinal abriu, Brooke pisou fundo no acelerador, dirigindo pelo trnsito de Los Angeles com uma determinao furiosa.
     - Voc sabe que dirige como uma louca? - comentou Parks.
     - Sim. 
     Apesar da mulher furiosa ao seu lado, quando Brooke entrou em sua propriedade, Parks sentiu a mesma tranqilidade freando diante da casa de modo sbito da primeira 
vez em que vira o lugar. Havia o cheiro de outono no ar... aquela fragrncia extica caracterstica das florestas, que jamais era sentida em Los Angeles. Algumas 
das folhas tinham se tornado avermelhadas ou alaranjadas, competindo com o verde costumeiro da Califrnia. As sombras das rvores se refletiam nos vidros das janelas 
enquanto o sol baixava no cu. Ao longo da base da casa, as flores haviam crescido livres e de forma selvagem. Se aquilo fora intencional ou por falta de tempo, 
ele no sabia, mas o jardim revolto era maravilhoso, e combinava perfeitamente com o lugar solitrio nas montanhas.
     Sem uma palavra, Brooke saiu pelo seu lado do carro. Num passo mais preguioso, Parks a seguiu. Ela estava furiosa, notou Parks com um sorriso satisfeito. Melhor 
ainda. No queria uma conquista fcil. Desde o momento em que a conhecera, vinha aguardando ansiosamente a luta, quase tanto quanto esperava o resultado. Mas jamais 
tivera a menor dvida de qual seria ele. Quando havia tanto atrito, e tantas fascas entre um homem e uma mulher, eles se tornavam inimigos ou amantes... e Parks 
no pretendia ser inimigo de Brooke.
     Ainda mantendo silncio absoluto, Brooke enfiou a chave na fechadura e abriu a porta. Do lado de dentro, deixou que a seguisse, se assim ele escolhesse.
     A Jamua chamou a ateno de Parks primeiro. Era feita de pedra larga, dominando uma das paredes. A parte interna era de lato brilhante, apesar de amassada 
e obviamente velha. Uma outra parede era toda de vidro, comeando de cada lado da porta e subindo at o teto. Observando aquilo, ele no sentiu uma perda de privacidade, 
mas uma sensao bsica de segurana. Virando-se devagar, estudou o resto do cmodo principal.
     Um sof longo sem braos se estendia diante da lareira, coberto com dzias de almofadas. Em vez de uma mesa na frente do sof, havia uma grande almofada redonda. 
Ao redor desse ponto focal, algumas cadeiras estavam espalhadas. Todas as cores eram serenas... bege, amarelo-claro, marrom-claro... realadas por toques surpreendentes 
de penas brilhantes de pavo em uma urna de lato, uma manta de l vermelha jogada sobre o espaldar de uma cadeira, os tons vvidos no tapete sobre o piso de tbuas.
     Uma prateleira fora construda na parede leste. Ignorando o olhar de Brooke, Parks andou at l. Uma pequena borboleta de cristal brilhava num arco-ris de 
cores enquanto a luz batia ali. Havia um conjunto de xcaras que Brooke comprara em um de seus passeios por bazares, juntamente com um urso gordo e sorridente. Parks 
notou uma pea de cermica Wedgwood ao lado de um macaco cor-de-rosa segurando chocalhos. Eles tocaram alegremente quando ele apertou um boto. Com uma risada rpida, 
desligou-o novamente. Havia outros tesouros espalhados ao acaso na sala de estar, alguns inestimveis, outros nada alm de uma extravagncia de uma loja de departamentos.
     Acima de sua cabea, o corredor do segundo andar tinha a extenso da casa. Nenhum espao fechado, notou ele. Comeou a pensar que a casa em si lhe contaria 
mais sobre Brooke do que ela estava disposta a fazer. A necessidade de liberdade de movimentos, o gosto ecltico, a combinao de cores neutras e berrantes. Ocorreu-lhe 
que tudo que ela possua fora adquirido durante os ltimos dez anos. Mas quanto do passado Brooke levara consigo?
     Desconfortvel com o silncio de Parles, enquanto ele pesquisava sua casa, Brooke foi at uma pequena cristaleira de canto pegar uma garrafa.
     - Sinta-se  vontade para fazer um tour - disse ela abruptamente. - Eu vou tomar um drinque.
     - O que voc for beber est bom para mim - replicou ele com irritante amabilidade. - Pode me mostrar a casa mais tarde. - Parks decidiu ficar  vontade, sentando-se 
no sof baixo e longo. Recostando-se, olhou para a lareira, observando, pelas cinzas, que Brooke fazia bom uso dela. - Um fogo seria bom - disse casualmente. - Voc 
tem madeira?
     - L fora. - De forma descorts, ela colocou um copo debaixo do nariz dele.
     - Obrigado. - Depois de aceitar o copo, Parks lhe segurou a mo. - Sente-se - convidou com um prazer que a enervou at a alma. - Voc ficou de p o dia inteiro.
     - Estou bem - comeou Brooke, ento emitiu um gemido de surpresa quando Parks a puxou para seu lado. Percebendo que deveria estar preparada para o movimento, 
apesar da descontrao exterior dele, aquilo apenas a deixou ainda mais nervosa. - Quem voc pensa que , entrando aqui, esperando que eu lhe faa o jantar e caia 
na cama com voc. Se...
     - Com fome? - interrompeu Parks. Ela lhe lanou um olhar fulminante.
     - No.
     Dando de ombros, ele passou o brao por trs dela, colocando os ps sobre a almofada redonda.
     - Voc geralmente fica mal-humorada quando est com fome.
     - Eu no estou mal-humorada! -- exclamou Brooke. - E no estou com fome.
     -        Msica?
     Brooke respirou profundamente. Como ele ousava se sentar ali e agir como se ela fosse sua visita?
     -        No.
     - Voc deveria relaxar. - Com dedos firmes, ele comeou a lhe massagear a nuca.
     - Estou perfeitamente relaxada. - Ela empurrou a mo de Parks, perturbada pela sensao de calor percorrendo sua coluna.
     - Brooke - Parks ps seu copo no cho, e se virou para fit-la. - Quando voc me ligou alguns dias atrs, aceitou o que sabia que aconteceria entre ns.
     - Eu disse que nos veramos - corrigiu ela, e comeou a se levantar. Parks segurou-lhe a nuca e a manteve no lugar.
     - Sabendo o que me ver significava - murmurou ele. Estudou a fria nos olhos de Brooke por um momento, ento baixou os olhos para lhe focar a boca. - Voc poderia 
ter se recusado a me deixar vir aqui esta noite... mas no se recusou. - Lentamente, ergueu os olhos e a fitou com tanta intensidade que o corao de Brooke descompassou. 
- Vai dizer que no me quer?
     Ela no podia se lembrar da ltima vez em que sentira a necessidade de quebrar um contato visual. Precisou de toda sua fora de vontade para no faz-lo.
     - Eu... eu no tenho que lhe dizer nada. Lembre-se de que este  o meu tempo, a minha casa. E...
     - Do que voc tem medo?
     Enquanto ele observava, a confuso nos olhos de Brooke voltou a se transformar em fria.
     - No tenho medo de nada.
     - De fazer amor comigo - continuou Parks, baixinho -, ou com qualquer pessoa?
     Um rubor de raiva subiu s faces de Brooke quando ela se levantou do sof. Sentia uma combinao de fria, mgoa e medo que no experimentava havia mais de 
uma dcada. Ele no tinha o direito de deix-la insegura novamente, nenhum direito de faz-la duvidar de si mesma como mulher. Inclinando a cabea, Brooke o encarou.
     -        Voc quer fazer amor? - disse com irritao. - Tudo bem. - Virando-se, se dirigiu  escada que levava ao segundo andar. Na metade do caminho, enviou-lhe 
um olhar zangado por sobre o ombro. - Voc no vem? - perguntou, e continuou subindo sem esperar resposta.
     A fria a conduziu para o corredor e para seu quarto, onde parou no centro. Seu olhar foi para a cama, mas ela o desviou rapidamente quando ouviu o som dos 
passos de Parks se aproximando. Era tudo muito simples, disse a si mesma. Eles iriam para cama e resolveriam aquela atrao ou animosidade, ou o que quer que precisassem 
extravasar. Isso acalmaria a atmosfera. Enviou a Parks um olhar mortal quando ele entrou no quarto. O medo a assolou mais uma vez. Em defesa, Brooke comeou a se 
despir apressadamente.
     Parks quase pediu que ela parasse, mas calmamente seguiu o exemplo. Brooke estava tremendo e no sabia, observou ele. Por um momento, eles jogariam do jeito 
dela. Como na primeira noite em que a levara para sair, Parks sabia o que Brooke esperava. Apesar da vontade que sentia de confort-la, estava ciente de que o conforto 
seria recusado. Nem mesmo a olhou quando ela derrubou a camiseta sobre uma pilha de roupas no cho. Mas notou que havia alguns de seus hibiscos sobre a cmoda do 
quarto.
     Nua, Brooke se aproximou da cama e tirou a colcha. Cabea erguida, sobrancelhas arqueadas, voltou-se para ele.
     - Ento?
     Parks a olhou. A onda aguda de desejo o fez ficar rgido e lutar por controle. Brooke tinha o corpo longo, suavemente arredondado, com a pele frgil, que parecia 
feita de porcelana. A postura orgulhosa e quase desafiadora era apenas acentuada pela fragilidade... at que algum lhe fitasse os olhos. Tempestuosos, eles o desafiavam 
a fazer o prximo movimento.
     Parks se perguntou se ela sabia o quanto era vulnervel e jurou proteg-la, mesmo planejando conquist-la. Sem pressa, se aproximou at que estivessem frente 
a frente. Embora os olhos de Brooke no se desviassem dos seus, Parks viu quando ela engoliu em seco antes de se virar em direo  cama. Ele segurou sua trana, 
forando-a a se virar. A fria nos olhos de Brooke poderia ter esfriado o desejo da maioria dos homens. Parks sorriu,  vontade com aquilo.
     -        Desta vez - murmurou quando comeou a desfazer a trana - eu dirijo.
     Brooke permaneceu rgida enquanto ele lentamente soltava seus cabelos. Sua pele formigava, como se esperando pelo toque... mas Parks no a tocava. Deliberadamente, 
prolongou a tarefa de desfazer a trana, tocando-a com mos preguiosas, at que Brooke achou que explodiria. Quando terminou, ele espalhou os cabelos espessos sobre 
os ombros delgados como se aquela fosse a nica tarefa que faria na noite.
     -        So fabulosos - murmurou Parks, absorto na textura, na maneira como a luz do sol poente lanava reflexos dourados sobre os cabelos vermelhos. Erguendo 
uma mecha do ombro dela, enterrou o nariz ali, querendo absorver a fragrncia. Brooke sentiu os joelhos enfraquecerem, os msculos relaxarem. Ele a tocaria em algum 
momento ou no?
     Ela manteve os olhos no rosto dele, tentando evitar a perigosa fascinao perante a pele bronzeada do peito largo, os plos dourados e o conjunto de msculos 
que vira de relance nos ombros nus de Parks. Se permitisse a si mesma olhar, seria capaz de se impedir de tocar? Mas quando notou a fina corrente de ouro ao redor 
do pescoo, a curiosidade a fez seguir a corrente at o pequeno pingente de ouro que estava pendurado ali. Por causa disso, no o viu mudar levemente de posio 
para pressionar os lbios contra a curva de seu ombro. O toque foi to sensual que a fez saltar para trs, mesmo que as mos fortes lhe segurassem a cintura.
     -        Relaxe. - Dedos passeavam gentilmente por sua pele. Lbios quentes a tocavam enquanto ele murmurava as palavras: - No a levarei a nenhum lugar aonde 
voc no queira ir. - Vagarosamente, ele lhe deu diversos beijinhos suaves no ombro, e seguiu para o pescoo. As pontas dos dedos msculos deslizaram por seus quadris, 
subindo ento, numa carcia leve, incapaz de satisfazer, mas apenas excitar. Parks sabia o que fazia com ela... Brooke sabia que sua reao no era segredo. Numa 
ltima tentativa de controle, pressionou as mos contra o peito dele, arqueando-se para trs.
     Parks ainda lhe segurava a cintura, mas no fez nenhuma tentativa para pux-la de volta. Sob o desejo nos olhos dele, Brooke percebeu o brilho de humor.
     - Quer que eu pare? - perguntou ele suavemente. Havia um trao de desafio na pergunta. Brooke percebeu de repente que, no importando qual fosse sua resposta, 
perderia.
     - Voc pararia? - murmurou, lutando contra a vontade de deslizar as pontas subitamente sensveis de seus dedos pelo peito nu de Parks.
     Ele deu um sorriso lento e perigoso.
     -        Por que no me pede para parar e descobre? - Quando ela abriu a boca para responder, Parks a cobriu com a sua. O beijo foi suave e profundo, do tipo 
no qual Brooke sabia que uma mulher podia se afogar. Teve apenas a vaga percepo de que suas mos subiram a partir do peito dele e se uniram atrs do pescoo, apenas 
uma leve conscincia de que seu corpo estava se derretendo contra o de Parks. Ento estava caindo... ou talvez se afogando... at que pde sentir os lenis frios 
sob as costas e o peso msculo sobre seu corpo.
     No questionou como seu corpo parecia ter se tornado suave. Apenas se deleitou na estranha liberdade de movimento e espao. As mos dele eram to seguras, to 
sem pressa... como se Parks desejasse e esperasse por seu total relaxamento. Com uma carcia hbil, um estratgico roar de lbios, ele a estava libertando de cada 
restrio que impusera a si mesma. Aquele prazer era abundante, fluente. Ela se entregou, no mais se importando com o que precisava dar a fim de receber. Leve, 
impotente, pde somente suspirar quando a lngua de Parks iniciou uma jornada preguiosa por seu corpo.
     O toque da lngua em seu mamilo fez seu corao acelerar, lhe provocou um frio na barriga. Aquele era um prazer agudo, atordoante, que, ento, desapareceu, 
deixando-a zonza enquanto ele continuava trilhando seu caminho sensual.
     As mos grandes no paravam, se movendo sobre ela gentilmente, quase como mgica, de modo que Brooke era incapaz de identificar a fonte do deleite. Parecia 
irradiar-se por todo o seu ser, tranqilizando, prometendo, seduzindo. Parks pegou um dos mamilos entre os dentes, causando uma onda de calor que se espalhou do 
centro de Brooke at as pontas de seus dedos. No momento em que ela gemeu e se arqueou, ele mudou os movimentos. Roou os dedos pelo interior de suas coxas, quase 
distraidamente, esquentando-lhe a pele, e a deixando esfriar. Enquanto gelo e fogo a percorriam, o som do prprio gemido ecoou em sua cabea.
     O tremor comeou, como o efeito de uma droga passando. E a sensao... insuportvel, maravilhosa. Brooke no se sentia mais tranqila, mas abalada, palpitante 
de excitao, e o prazer se tornou um tormento intenso. Subitamente, seus dedos mergulharam nos cabelos sedosos dele, enquanto tentava pux-lo mais para junto de 
si.
     -        Faa amor comigo - exigiu ela quando a respirao comeou a entrecortar.
     Parks continuou com as mesmas carcias enlouquecedoras.
     - Oh, j estou fazendo - murmurou ele.
     - Agora. - Brooke estendeu os braos apenas para ter seus pulsos presos. Parks ergueu a cabea para que seus olhares se encontrassem. Mesmo em meio  nuvem 
de paixo, ela podia ver a intensa concentrao dele... aquele olhar feroz de guerreiro.
     - No  to simples assim. - Ele podia sentir a pulsao dela sob seus dedos, mas no lhe daria apenas um momento rpido de prazer. Quando a preenchesse, Brooke 
jamais esqueceria. Cobriu-lhe a boca com a sua, no muito gentilmente. - Estou apenas comeando.
     Ainda lhe segurando os pulsos, Parks iniciou mais uma jornada pelo corpo magnfico, apenas com a boca. No momento em que lhe capturou o seio novamente, provando-o 
na umidade quente de sua boca, ela pde somente se contorcer sob o corpo forte num movimento incontido que nada tinha a ver com qualquer desejo de escapar. Ele deixara 
de lado a pacincia, substituindo-a por uma exigncia que s seria satisfeita com uma coisa. Parecia se alimentar de sua pele, mordiscando, lambendo at que Brooke 
se visse alucinada por um desejo reprimido por tanto tempo. Parecia que ele provaria, apenas saborearia, por horas, satisfazendo uma avidez que ela era incapaz de 
recusar.
     O calor a dominava, a enervava. Sua pele tremia e transpirava. Desde o vale entre os seios at a curva sutil dos quadris, Parks traou uma linha ardente de 
beijos at sentir as mos dela se afrouxarem e a pulsao disparar violentamente.
     Quando a lngua a tocou onde tanto ansiava por ser tocada, Brooke estremeceu convulsivamente, gritando com o primeiro pico de delrio. Mas ele era implacvel. 
Enquanto ela lutava para respirar, as mos poderosas comearam outra jornada possessiva.
     Com suas mos livres, Brooke lhe agarrou os ombros, mal percebendo a tenso dos msculos poderosos. No havia parte de seu corpo que Parks tivesse deixado de 
explorar em sua determinao de possu-la por inteiro. A rendio dela se transformou em agilidade e impulso. Nenhum dos dois sabia que a verdadeira rendio de 
Brooke acontecia quando ela comeava suas prprias exigncias.
     Suas mos deslizaram freneticamente sobre ele, tocando todos os lugares que podia alcanar, enquanto se contorcia, querendo saborear... a boca de Parks, os 
ombros, a linha forte do maxilar. Ele achou que o aroma dela se intensificava cada vez mais, at dominar todos os seus sentidos, enfraquecendo-o e fortalecendo -o 
ao mesmo tempo. A pele de Brooke estava mida e quente onde quer que sua boca tocasse, invocando-lhe uma outra imagem tentadora de seda branca e paixo proibida. 
Murmrios roucos e respirao acelerada quebravam o silncio da noite.
     Parks no estava mais pensando, nem ela. Haviam entrado num lugar onde pensamentos eram apenas sensaes, uma ansiedade aguda, doce e ardente. Enquanto o beijava 
com desespero, Brooke tremeu.
     E ento ele estava em seu interior, to rapidamente que ela enterrou as unhas nos ombros largos em choque e prazer. Fundiram os corpos, os coraes, as almas, 
enquanto todas as sensaes se concentravam em uma s.
     
     
     
     
     
     
   Captulo Sete
     
     
     Brooke se deleitou na sensao segura de calor e suavidade. Enquanto estava meio dormindo, meio acordada, pensou que fosse inverno, e que dormia sob uma colcha 
grossa e macia. No havia necessidade de levantar, de enfrentar o frio. Podia ficar deitada l por todo um preguioso dia e no fazer nada. Sentia-se completamente 
em paz, livre e sem energia, mas de uma maneira prazerosa. Querendo aproveitar mais as sensaes, tentou sair do estado sonolento.
     No era inverno, mas outono. No havia colcha. Apenas lenis emaranhados que cobriam metade de seu corpo nu enquanto ela se aninhava no corpo de Parks. Alerta 
agora, Brooke se lembrou de tudo... a primeira revelao do ato de amor, a surpresa de ter aberto sua porta secreta sem hesitao, as horas de paixo que se seguiram. 
Houvera pouca conversa, uma vez que a urgncia em dar e receber tirara o controle de ambos. Repetidas vezes, da satisfao completa se reacendera o desejo, um desejo 
exigente, at que haviam adormecido aconchegados um nos braos do outro.
     Agora, Brooke conseguia se recordar de sua prpria sede insacivel, da energia e da fora sem limites que a preenchera. Lembrou-se tambm da habilidade de
     Parks em despertar-lhe a excitao com calma... e de como lhe destrura a pacincia com uma capacidade que nem sabia possuir. Mas, alm da paixo e do prazer, 
Brooke se lembrou de uma coisa vital. Precisara dele. Isso era algo a que vinha se recusando havia anos. Precisar significava depender, e depender significava ser 
vulnervel. E uma mulher vulnervel sempre sairia magoada.
     A noite j havia passado e o dia comeava a nascer. Na luz acinzentada, o rosto de Parks estava relaxado, a centmetros do seu, de modo que a respirao quente 
dele soprava em seu rosto. O brao forte estava ao seu redor, os dedos mergulhados em seus cabelos, como se, mesmo dormindo, ele precisasse toc-la. Brooke o circulou 
com o brao, para prend-lo mais junto a si. Eles tinham dormido, mesmo que por poucas horas, numa pose clssica de possuir e ser possudo. Mas quem estava possuindo 
e quem estava sendo possudo?, pensou, confusa.
     Com um suspiro, fechou os olhos. No ter essa resposta era perigoso. Os momentos que passara sem se importar colocavam em risco a independncia com a qual sempre 
contara.
     Era hora de pensar novamente antes que fosse tarde demais, antes que as emoes a dominassem... aquelas emoes perigosas que a faziam querer se aninhar mais 
no calor de Parks. Se quisesse impedir que o desejo que sentia por ele crescesse alm de seu controle, tinha de fazer isso agora.
     Brooke se movimentou numa tentativa de separar seu corpo do dele. Parks apertou o abrao e apenas a aconchegou ainda mais.
     -        No - murmurou ele sem abrir os olhos. Com movimentos vagarosos e sonolentos, deslizou a mo por toda a extenso das costas nuas de Brooke. -  muito 
cedo para levantar.
     Brooke sentiu os seios comprimidos contra o peito largo, sentiu o calorzinho em seu ventre comear a se espalhar. Os lbios de Parks estavam perto... perto 
demais. A necessidade de permanecer na segurana daqueles braos era to forte que a assustava. Mais uma vez, tentou se movimentar, e novamente Parks a puxou de 
volta.
     -        Parks - disse, e foi silenciada pelos lbios dele.
     Disse a si mesma para lutar contra o beijo profundo e almiscarado da manh, mas no o fez. Disse a si mesma para resistir aos dedos gentis brincando em suas 
costas, mas no conseguiu. O amanhecer acinzentado de repente assumiu uma tonalidade rosada. O ar pareceu se tornar mais denso. Enquanto ele a tocava, a pele de 
Brooke tremia para ser tocada novamente. No!, seu crebro gritou. No deixe isso acontecer! Mas Brooke j estava sucumbindo, e rapidamente. Emitiu um som de protesto 
que se tornou um gemido de prazer.
     Parks se movimentou de modo que seus corpos ficassem frente a frente. Enterrando o rosto nos cabelos exuberantes, estendeu uma das mos para acarici-la. A 
curva suave na lateral do seio, a linha firme das costelas e a cintura estreita, os quadris arredondados e a longa extenso da coxa... Podia sentir a luta interna, 
o desejo de Brooke a separ-la do que tinha comeado a acontecer entre eles desde o primeiro olhar. Sua rpida onda de raiva veio mesclada com uma mgoa inesperada.
     - J est arrependida? - Erguendo a cabea, ele a fitou. Os olhos dela eram escuros, repletos de paixo. A respirao estava irregular. Mas Parks sabia que 
Brooke lutava consigo mesma tanto quanto lutava contra ele. As mos suaves estavam em seus ombros, prontas para empurr-lo.
     - Isso no  sbio - murmurou ela.
     - No? - Controlando a raiva, ignorando a mgoa, Parks lhe afastou os cabelos do rosto. - Por qu?
     Brooke encontrou-lhe os olhos, porque evit-los seria admitir a derrota.
     - No  o que eu quero.
     - Vamos ser precisos. - A voz dele era calma, os olhos firmes. - No  o que voc deseja querer.
     - Tudo bem. - Ela tremeu quando o dedo de Parks traou sua orelha. - No  o que eu desejo querer. Tenho de ser prtica. Vamos trabalhar juntos por um bom tempo. 
Mais precisamente, voc vai trabalhar para mim. Uma relao profissional slida no ser possvel se formos amantes.
     - Ns somos amantes - assinalou ele, casualmente se movimentando de modo que a frico de seu corpo a fizesse tremer um pouco.
     - Isso no ser possvel - continuou Brooke, concentrando-se em manter a voz firme - se continuarmos sendo amantes.
     Inclinando a cabea, Parks sorriu.
     - Por qu?
     - Porque... - Brooke sabia por qu. Tinha uma dzia de razes lgicas, mas nenhum pensamento firme seria capaz de se formar em sua mente enquanto ele lhe dava 
um beijo leve e amigvel nos lbios.
     -        Deixe-me ser prtico por um minuto - disse Parks aps outro beijo rpido. - Com que freqncia voc se permite alguma diverso?
     Brooke uniu as sobrancelhas em confuso.
     -        O que voc quer dizer?
     - Voc pode trabalhar oito, 12 horas por dia - continuou ele. - Pode gostar de seu trabalho, ser excelente no que faz, mas ainda precisa jogar frisbee de vez 
em quando.
     - Frisbee? - Aquilo provocou uma risada que o fez rir, tambm. As mos em seus ombros relaxaram. - Do qu voc est falando?
     - Diverso, Brooke. Uma sensao ridcula, preguiosa, como andar de roda-gigante. Todas essas coisas que fazem o trabalho valer a pena.
     Ela teve a desconfortvel sensao de que estava sendo habilmente conduzida para longe do assunto em questo.
     - O que as rodas-gigantes tm a ver com voc e eu fazendo amor?
     - Voc j teve um namorado antes? - Parks a sentiu enrijecer, mas continuou: - No quero dizer algum com quem voc dormia, mas algum com quem compartilhava 
seu tempo. No estou lhe pedindo nada mais do que isso. - Enquanto falava, soube que aquilo no seria verdade por muito tempo. Iria pedir mais, e ela resistiria 
a cada passo do caminho. Mas Parks levava sua vida jogando para ganhar. - Jogue frisbee comigo, Brooke. Surfe algumas ondas. Vamos ver aonde isso vai nos levar.
     Olhando-o, ela pde sentir a resistncia se derretendo. Antes que pudesse evitar, uma de suas mos se erguera do ombro dele para lhe tirar uma mecha de cabelo 
da testa.
     -        Voc faz isso parecer to simples - murmurou ela.
     -        Simples no. - Ele lhe pegou a outra mo e a beijou. - Nem mesmo diverso  sempre simples. Eu quero voc... aqui. - E os olhos de Parks voltaram para 
os dela. - Nua, quente, desafiando-me a excit-la. Quero lev-la para passear de carro com os seus cabelos esvoaando ao vento. Quero v-la tomar chuva e rir. - 
Ele lhe deu beijinhos suaves no rosto, e se deteve nos lbios para sabore-los longa e profundamente. - Quero estar com voc, mas no acho que ser simples.
     Deitando-se de costas, Parks aninhou a cabea de Brooke em seu peito, permitindo que ela descansasse e pensasse enquanto lhe acariciava os cabelos. Aquelas 
palavras tocaram em pontos vulnerveis, que Brooke no podia proteger. Era forte o bastante, perguntou-se, para tentar fazer as coisas do jeito dele sem perder o 
controle? Diverso, pensou. Sim, eles poderiam se divertir juntos. Tinha de admitir que Parks a desafiava, e que ela passara a gostar at mesmo do atrito. O que 
ele dissera uma vez? Que eles podiam ser amigos antes de ser amantes. Estranho, refletiu, que ambas as coisas tivessem acontecido quase sem que percebesse. Apenas 
o incmodo medo de j estar com medo de perd-lo a impedia de relaxar completamente.
     -        No posso me dar ao luxo de me apaixonar por voc - murmurou Brooke.
     Um modo estranho de colocar aquilo, refletiu Parks enquanto lhe continuava acariciando os cabelos.
     -        Regra nmero um - comeou ele. - Parte A no v se apaixonar por mim.
     Brooke lhe deu um soco no ombro.
     - Pare de me fazer soar ridcula.
     - Vou tentar - concordou ele amigavelmente.
     - Diverso - murmurou ela, meio que para si mesma.
     - Uma palavra simples que significa alegria, esporte ou recreao - recitou Parks num tom suavemente didtico.
     Com uma risada, Brooke levantou a cabea.
     -        Tudo bem. Vou comprar o frisbee - disse ela antes de levar seus lbios aos dele.
     Parks segurou-lhe a nuca com a mo.
     -        Ainda  muito cedo para levantar.
     A risada de Brooke foi abafada por outro encontro de lbios.
     -        No estou com sono.
     Com um suspiro relutante, ele fechou os olhos.
     - Atuar - disse com voz rouca - esgota as energias de uma pessoa.
     - Ah... - Fingindo compaixo, Brooke lhe acariciou o rosto. - Suponho que seja melhor voc conservar a sua fora. - Ela lhe beijou o maxilar, depois o pescoo, 
e desceu para o peito. Seus dedos brincaram com a corrente de ouro que ele usava. - Para que  isso?
     Parks abriu um olho para fitar o pingente de ouro de cinco dlares.
     - Sorte - ele fechou os olhos novamente. - Minha tia me deu quando fui para o campo de treinamento na Flrida. Ela disse ao meu pai que ele era... - Parks procurou 
se lembrar da frase exata. - Um velho tolo e teimoso que pensava em grficos e frmulas. Ento, ela me deu o pingente de ouro e me aconselhou a lutar pelo que eu 
queria.
     Brooke virou o crculo brilhante na mo. Ento ele tambm carregava um pequeno pedao de seu passado consigo, pensou.
     - Superstio? - perguntou, largando a corrente e pressionando os lbios no peito dele.
     - Sorte no tem nada a ver com superstio - corrigiu Parks, adorando a sensao dos lbios quentes em sua pele.
     - Entendo. - Ela roou as unhas de leve na lateral do corpo dele, e o ouviu respirar fundo. - Voc sempre usa isto?
     - Hmm... - Brooke provocou-lhe o mamilo com a lngua, arrancando-lhe um gemido baixo e involuntrio. Uma sensao de poder a percorreu... leve, libertadora. 
As mos fortes estavam enterradas em seus cabelos novamente, procurando pela carne abaixo. Brooke deslizou o corpo para baixo, causando em ambos uma onda poderosa 
de prazer.
     O aroma de Parks estava diferente, descobriu, enquanto traava uma linha de beijos sobre a pele quente. Diferente, percebeu, porque seu prprio aroma se misturara 
com o dele durante a noite. Aquilo era intimidade, to tangvel quanto o ato de amor em si.
     Enquanto o poder a inebriava, ela ousou. O corpo dele era forte e msculo sob o seu, com sabor de virilidade. A pele era dourada na luz da manh. As mos que 
deslizavam sobre suas costas eram firmes e quentes. Como o homem, o corpo era disciplinado, produto daquela estranha combinao de mordomias e exigncias que fazia 
parte da vida de qualquer atleta. Brooke roou os lbios sobre o abdome reto e rgido e sentiu os msculos firmes tremerem. Sob suas mos suaves, pde sentir a fora 
das coxas musculosas.
     Saber da fora fsica de Parks a excitava. Com toques leves e carcias, Brooke podia faz-lo ofegar como se tivesse corrido uma maratona. Com beijos suaves 
como pena, podia fazer o poderoso atleta tremer com uma fraqueza interior que apenas ela percebia. Apesar de no compreender inteiramente, Brooke sabia que lhe dera 
algo mais do que seu corpo na noite anterior, algo mais complexo do que rendio ou paixo. Sem sequer saber qual era o presente, queria que Parks lhe oferecesse 
o mesmo.
     Vagarosamente, apreciando cada movimento do corpo dele sob o seu, saboreando cada gosto diferente, ela subiu at lhe tocar os lbios com os seus de maneira 
vida. Como a boca de Parks era suave... Que sabor maravilhoso possua... Brooke a saboreou em sua lngua, sentindo-a intensamente, at que um prazer estonteante 
a envolveu. Sabendo que perderia aquele fiapo de controle, afastou-se da boca dele e mergulhou no pescoo de Parks.
     Sentiu a vibrao do gemido contra seus lbios, mas no pde ouvi-lo. As batidas de seu prprio corao ecoavam em sua cabea at que todos os seus sentidos 
estivessem confusos. Era de manh... Como ela podia sentir aquele ardente prazer noturno? Se o estava seduzindo, como podia estar to completamente seduzida? Pressionou 
o corpo contra o de Parks, acompanhando o ritmo lento que ele estabelecia enquanto o tocava em beijos atormentadores ao longo da pele. O calor que a percorria parecia 
apenas se somar aos delrios de poder, e, ainda assim, no era o bastante. Continuava procurando por algo to nebuloso que no tinha certeza de que reconheceria 
quando a encontrasse. E o desejo, ondas poderosas de desejo, estavam levando a tudo, exceto ao arrefecimento de sua busca pela completude.
     Parks lhe segurou os cabelos em uma das mos para erguer a cabea. Ela teve apenas um vislumbre do rosto dele, os olhos semicerrados, porm escuros e mais intensos 
do que Brooke jamais vira, antes que ele a beijasse com loucura. E todo e qualquer controle, toda a fora de vontade de Brooke, desapareceu.
     - Brooke... - Mos fortes estavam em seus quadris, encoraj ando-a. - Agora. - A exigncia foi feita com voz rouca e em tom de urgncia. Ela resistiu, se esforando 
para respirar, lutando para manter distante alguma parte de si mesma. - Eu preciso de voc - murmurou ele antes que os lbios dos dois se encontrassem novamente. 
- Preciso de voc...
     Ento, o que Brooke procurava foi esclarecido... por um mgico momento. Ela precisava dele, e sabia agora que era recproco. Aquilo era o bastante... e talvez 
tudo. Com um gemido trmulo de alvio e alegria, se entregou.
     
     As 9h55, Claire entrou na sala de edio. Nenhum dos editores, nem EJ. ficou surpreso em encontrar a dona da Thorton Productions trabalhando num sbado de manh. 
Qualquer um que tivesse trabalhado na Thorton por mais de uma semana sabia que Claire no era uma figura decorativa, mas uma entidade a ser considerada. Ela usava 
um de seus trajes elegantes, da cor de framboesa, e cheirava a uma ponta de perfume francs.
     - Dave, Lila, E.J. - Claire cumprimentou os trs com um gesto de cabea antes de se dirigir  cafeteira. Funcionrios mais novos poderiam ter se apressado em 
atender a chefe, mas os mais antigos e de cargos maiores sabiam que isso no era necessrio.
     - Eu mesmo fiz o caf, Sra. Thorton - disse E.J. enquanto ela se servia. - No vai sentir o gosto de cido de bateria do caf desses dois.
     - Obrigada, E.J. - murmurou ela secamente. S o aroma do caf j a reanimava. Claire o inalou, dizendo a si mesma que apenas um tolo acreditaria que ela podia 
danar at s trs da manh e funcionar no dia seguinte. Oh, mas como era bom se sentir tola novamente, pensou com um sorriso lento. - Eu soube que a filmagem foi 
bem, sem grandes problemas.
     - Suave como seda - declarou E.J. - Espere at ver Parles rebatendo a bola por sobre a cerca. - Ele sorriu com a lembrana. - Ganhei dez dlares de Brooke com 
aquela rebatida. - Sua memria seletiva lhe permitiu esquecer que apenas recuperara seus prprios dez dlares.
     Claire se acomodou em sua cadeira com um suspiro baixinho.
     - Brooke j chegou?
     - Eu no a vi. - EJ. comeou a assobiar, enquanto se recordava de Brooke deixando o local de filmagem com Parks. Acostumada com o jeito dele, Claire apenas 
arqueou uma sobrancelha.
     - Voc est pronto, Dave?
     - Pronto para rodar o filme, Sra. Thorton. Quer ver desde o comeo?
     - Em um momento. - Enquanto Claire consultava seu relgio, ouviu a voz de Brooke no corredor:
     - ...Contanto que voc entenda que no vai decidir nada sobre o que ser cortado e o que permanecer.
     - Posso ter algum comentrio inteligente a fazer.
     - Parks, estou falando srio.
     A risada grave dele chegou  sala de edio bem  frente de Brooke.
     - Bom dia - disse ela para o grupo. - Caf quente?
     - O especial do EJ. - respondeu Claire, observando Brooke por sobre a borda de sua caneca enquanto bebia. Ela parecia diferente, pensou, e desviou os olhos 
para Parks. E ali estava a razo, concluiu com um pequeno sorriso. - Bom dia, Parks.
     A expresso de Claire permaneceu suave e amigvel, mas ele identificou os pensamentos dela. Assentindo com um gesto de cabea, reconheceu-os.
     -        Ol, Claire - disse ele, abandonando a formalidade enquanto pegava uma xcara. - Espero que no se importe que eu participe desta reunio. - Pegando 
o bule de caf, serviu um para Brooke e outro para si mesmo. - Brooke tem algumas reservas.
     - Amadores - declarou Brooke enquanto pegava o bule do leite - tm uma tendncia a ser um p no...
     - Bem, tenho certeza de que estamos todos encantados com a presena de Parks aqui - interrompeu Claire, a voz acima da risada de E.J. - Passe o filme, Dave. 
Vamos ver o que temos.
     Com a ordem, ele apertou uma srie de botes no grande painel de controle  sua frente. Parks assistiu a si mesmo aparecer simultaneamente em trs monitores. 
Podia ouvir a voz de Brooke fora da cmera e o pequeno homem com a claquete anunciando a cena e a tomada.
     -        Foi a terceira tomada que deu certo - anunciou Brooke quando se sentou sobre o brao da cadeira de Claire. - Nosso astro no gostou do primeiro arremesso.
     Sua observao foi recompensada com um sorriso de Parks e uma exclamao suave de Claire.
     - A iluminao est muito boa. - Claire estudou a segunda tomada com olhos estreitos.
     - O rapaz novo, Silbey. Ele tem estilo. E as roupas favorecem isso. - Brooke tomou um gole do caf enquanto gesticulava com a mo livre. - Observe quando Parks 
se prepara para a rebatida... Sim. - Ela assentiu em aprovao. - Movimentos bons, nenhuma restrio aparente. Ele parece  vontade, eficiente, sexy. - Concentrada 
na tela, Brooke no notou o olhar que Parks lhe enviou. - Esta  a que quero usar. - Ela esperou silenciosamente, assistindo ao replay do home run de Parks. Os balanos, 
a concentrao, a conexo e a finalizao, o sorriso satisfeito e o dar de ombros.
     - Quero manter o final da cena - continuou Brooke. - O movimento que ele faz com os ombros. Isso vende toda a idia. Essa ousadia natural tem seu prprio atrativo. 
- Ele engasgou com o caf, mas ela o ignorou. - Do meu ponto de vista, este segmento est bem definido. Quanto ao prximo, no tenho tanta certeza. Vai ser eficaz...
     Segurando a caneca em ambas as mos, Parks sentou. Por duas horas, assistiu a si mesmo nas telas dos monitores, ouviu as pessoas o avaliando, dissecando, julgando. 
Embora o fato de ser julgado o tivesse desconcertado no incio, descobriu que se ver filmado no lhe dava aquela sensao de idiotice que tivera como certa. Comeou 
a pensar que poderia se divertir um pouco naquele contrato de dois anos, afinal.
     Apesar de ter ouvido crticas, construtivas ou no, sobre si mesmo, incontveis vezes ao longo dos anos, de treinadores, comentaristas esportivos e outros jogadores, 
no conseguia ter o mesmo nvel de tolerncia ao ouvir Brooke falar de forma to casual sobre seu rosto e corpo, seus gestos e expresses. No geral, pensou, era 
como se ele fosse o produto para venda, no as roupas que usava.
     Eles correram o filme para a frente e para trs, enquanto Claire ouvia as idias e fazia comentrios ocasionais. Sim, teriam de trabalhar em doses na prxima 
filmagem. O rosto dele era muito bom. Seria interessante fazer mais trinta segundos com ao, a fim de explorar o jeito como Parks se movia, mostrando tanto a durabilidade 
das roupas quanto sua versatilidade; poderiam experimentar com um short de tenista se as pernas dele fossem minimamente boas.
     Quanto a isso, Parks enviou um olhar mortal a Brooke, desejando que ela contribusse com sua opinio pessoal. Ela percebeu o olhar, disfarou uma risada com 
um acesso de tosse. Por sobre a cabea de Claire, deu-lhe um sorriso inocente e uma inesperada e travessa piscadela. A rpida resposta do corpo de Parks o fez fit-la 
com uma careta. Ela estava vestida de modo desleixado, com cala larga e um suter, os cabelos puxados para trs e presos com um elstico de escritrio. Do outro 
lado da sala, ele podia sentir o aroma discreto e promissor do perfume de Brooke.
     - Gravamos a voice-over dele esta manh - disse ela para Claire. - Acho que voc vai gostar da voz, embora no faa idia de como ele vai se sair com dilogos. 
Voc tem a animao do logo, Lila?
     - Aqui. - Ela apertou uma srie de botes. No monitor agora estava o logotipo de Marco de um leo preto contra um fundo azul-claro. A linha caracterstica girou 
na tela lentamente at parar abaixo do gato. Permaneceu tempo o suficiente para causar seu impacto, sumiu.
     - Muito elegante - aprovou Brooke. - Ento est combinado? Terceira tomada do primeiro segmento, quinta do segundo.
     - Salvamos vocs de um monte de cortes - comentou E.J. enquanto brincava com um cigarro apagado. - Devem conseguir montar tudo de olhos fechados.
     - Eu apreciaria se vocs os mantivessem abertos - disse Claire e se levantou. - Informem-me quando estiver editado e dublado. E.J., um trabalho esplndido, 
como sempre.
     -        Obrigado, Sra. Thorton. Ela lhe entregou a xcara vazia.
     - No trabalho de cmera tambm - acrescentou. Os editores riram baixinho quando Claire se virou em direo  porta. - Parks, espero que no tenha achado essa 
reunio muito enfadonha.
     - Pelo contrrio. - Ele pensou nas discusses objetivas sobre sua anatomia. - Foi educativo.
     Ela lhe deu um sorriso sereno de perfeita compreenso.
     -        Brooke, no meu escritrio em dez minutos.
     -        Com uma idia lhe ocorrendo tardiamente, Claire consultou o relgio. - Oh, talvez voc queira almoar conosco, Parks.
     -        Eu adoraria, mas tenho algumas coisas para fazer.
     - Certo, ento. - Dando-lhe um tapinha no brao, ela sorriu novamente. - Muita sorte nos play-offi. - E partiu, deixando Brooke intrigada.
     - Agora eu provavelmente no vou almoar - murmurou ela. - Se voc tivesse aceitado, Claire teria feito reserva no Ma Maison.
     - Sinto muito. - Parks a conduziu para o corredor. - Aquela piscada significa que voc aprova as minhas pernas?
     -        Piscada? - Brooke o olhou inexpressivamente.
     -        No sei do qu voc est falando. Piscar durante uma sesso de edio no  nem um pouco profissional.
     Ele olhou para a porta que ela fechara.
     -        O jeito como voc falou de mim l dentro fez eu me sentir como se fosse o produto.
     Com uma risada, Brooke meneou a cabea.
     -        Parks, voc  o produto.
     Ele a encarou, surpreendendo-a com a expresso raivosa.
     -        No. Eu uso o produto.
     Brooke abriu a boca... e voltou a fech-la, com um suspiro cauteloso.
     -        Isso  realmente uma questo de ponto de vista - disse com cuidado. - Do seu ponto de vista, do ponto de vista de Marco, at mesmo dos consumidores, 
as roupas so o produto. Dos pontos de vista do produtor, diretor, cinenagrafista e assim por diante, voc  o produto tanto quanto as roupas que usa, porque temos 
de garantir que ambos vendero. Se no conseguirmos deix-lo bonito e convincente, o que voc est usando no vai vender.
     Ele viu a lgica, mas no se importou com isso.
     - No serei uma commodity.
     - Parks, voc  uma commodity toda vez que entra em campo. Isso no  nada diferente. - Exasperada, ela ergueu as duas mos. - Voc vende ingressos para os 
jogos dos Kings, cartes de beisebol e bons de campista. No seja to hipcrita sobre isso.
     - Primeiro eu era temperamental. Agora sou hipcrita - murmurou ele com desagrado. - Suponho que, no fim das contas,  tudo uma questo de olharmos para esta 
pequena... aventura de duas perspectivas diferentes.
     Brooke sentiu um leve medo percorr-la, e falou baixinho:
     -        Eu lhe disse que seria difcil. - Ele a estudou com intensidade, reconhecendo o escudo que ela j se preparava para erguer. Deslizou um dedo sobre 
o rosto de Brooke.
     -        E eu lhe disse que seria divertido. - Inclinando-se para mais perto, beijou-lhe os lbios de leve. - Ns dois estamos certos. Tenho algumas coisas 
para fazer. Posso encontr-la aqui mais tarde?
     Relaxando, Brooke disse a si mesma que havia imaginado o medo.
     -- Se voc quiser. Provavelmente ficarei ocupada at por volta das cinco.
     -- Tudo bem. Voc pode fazer aquele jantar que me prometeu ontem  noite.
     Brooke ergueu o queixo.
     - Nunca lhe prometi um jantar - corrigiu ela. - Mas talvez eu cozinhe.
     - Eu compro o vinho. - Parks sorriu-lhe antes de se virar.
     - Espere - aps um momento, ela o seguiu. - Voc est sem carro.
     Ele deu de ombros.
     - Pego um txi. - Parks a viu hesitar, e, ento, decidir.
     - No - disse ela abruptamente, enfiando a mo dentro da bolsa. - Voc pode usar o meu.
     Parks pegou as chaves, e a mo dela. Conhecia-a bem o bastante para saber que a oferta de emprestar o carro ou qualquer coisa que considerasse importante no 
era um gesto casual de Brooke.
     -        Muito obrigado.
     Ela enrubesceu, a primeira reao verdadeiramente envergonhada que ele notava em Brooke.
     -        De nada. - Rapidamente, ela removeu a mo e se virou. - Vejo voc s cinco - falou por sobre o ombro sem parar de andar.
     Brooke se sentia um tanto tola enquanto subia no elevador at o escritrio de Claire. Como podia ter enrubescido diante de um simples agradecimento pelo emprstimo 
de um carro? Olhou para cima, vendo os nmeros brilharem sobre a porta do elevador. Oh, ele a conhecia bem demais, percebeu. Bem demais, quando ela no lhe contara 
praticamente nada.
     Parks no sabia que ela ainda guardava a cpia de Little Women que sua segunda me adotiva lhe dera. No sabia que Brooke adorara aqueles pais temporrios e 
ficara arrasada quando um casamento fracassado a fizera ser colocada em um outro lar adotivo. No sabia sobre a menininha horrvel com quem ela compartilhara um 
quarto durante um tempo que ainda considerava o pior de sua vida. Ou sobre os Richardson, que a tinham tratado mais como uma empregada do que como uma filha. Ou 
sobre Clark.
     Com um suspiro, Brooke esfregou os dedos sobre a testa. No gostava de lembrar... no gostava de saber que seus sentimentos crescentes por Parks pareciam for-la 
a encarar o passado novamente. Oh, esquea, disse a si mesma, meneando a cabea. Aquilo era passado. E j teria muitos problemas para lidar com o presente.
     Mais firme, pisou no corredor largo e acarpetado do andar de Claire. A recepcionista, uma garota bonita com grandes dentes saudveis, endireitou a postura na 
cadeira com a aproximao de Brooke. Ela vinha trabalhando na cobertura havia dois anos, e ainda se sentia mais intimidada por Brooke do que por Claire.
     - Boa tarde, srta. Gordon.
     - Ol, Sheila. A sra. Thorton est me esperando.
     -        Sim, senhora. - Sheila no a teria contradito mesmo se sua vida dependesse disso.
     Inconsciente da impresso que causava, Brooke seguiu o corredor calmamente, passando por um conjunto de portas de vidro. Ali, duas secretrias, conhecidas como 
as "gmeas" apenas por causa das mesas idnticas, trabalhavam em seus computadores. O escritrio externo era enorme, altamente moderno e silencioso como uma catedral.
     - Srta. Gordon. - A primeira gmea sorriu, enquanto a segunda apertava o boto do interfone.
     - Ela est me esperando - disse Brooke, passando pelas duas e entrando na sala de Claire. A porta se abriu silenciosamente. Comeara a atravessar o carpete 
colorido quando percebeu que Claire estava dormindo  sua mesa. Totalmente perplexa, Brooke parou e olhou.
     A cadeira de Claire era de couro cinza com um espaldar alto. A mesa era de bano, brilhando sob pilhas de papis organizados. Os culos que Claire usava para 
leitura estavam soltos em sua mo. Havia uma "pintura erudita" chinesa em aquarela pendurada na parede  direita enquanto, atrs de Claire, o sol de Los Angeles 
se infiltrava pelas janelas de vidro. Incerta do que fazer, Brooke considerou partir to silenciosamente quanto entrara, mas resolveu que era melhor ficar. Andando 
at a poltrona de couro diante da mesa, se sentou. E ento, pigarreou baixinho. Os olhos de Claire se abriram.
     -        Bom dia - disse Brooke alegremente, e sorriu para a expresso confusa pouco caracterstica de Claire. - O sof  mais confortvel, se quer tirar uma 
soneca.
     - Eu s estava descansando os olhos.
     - H-h.
     Ignorando o comentrio, Claire pegou os papis que estivera lendo antes que a fadiga a derrubasse.
     - Queria que voc desse uma olhada no roteiro para a prxima filmagem de Marco.
     - Certo. - Brooke aceitou o roteiro automaticamente. - Claire, voc est bem?
     - No pareo bem?
     Decidindo interpret-la literalmente, Brooke a estudou. Exceto pelos olhos pesados, Claire parecia melhor do que nunca. Quase brilhando, refletiu.
     - Voc parece maravilhosa.
     - timo, ento. - Claire alisou os cabelos antes de unir as mos.
     - Voc dormiu bem ontem  noite? - insistiu Brooke.
     - Por acaso, fiquei na rua at tarde. Agora o roteiro.
     - Com Lee Dutton? - O pensamento passou por sua cabea e saiu de seus lbios antes que pudesse evitar. Claire lhe deu um sorriso tolerante.
     - Por acaso, sim.
     Brooke colocou o roteiro em cima da mesa.
     - Claire - comeou ela apenas para ser interrompida por uma batida  porta.
     - Seu almoo, Sra. Thorton. - Uma bandeja foi trazida num carrinho pela gmea nmero um.
     O aroma de rosbife fez Brooke se levantar.
     -        Claire, eu a julguei erroneamente. - Erguendo a cobertura de um prato quente, ela inalou. - Perdoe-me.
     -        Voc acha que eu a deixaria com fome? - Com uma risada, Claire se levantou para ir ao sof. - Brooke, querida, eu a conheo h muito tempo. Traga minha 
salada e meu caf, como uma boa menina.
     Mordendo a ponta de uma batata, Brooke obedeceu.
     - Claire, realmente quero falar com voc sobre Lee Dutton.
     -  claro. - Claire espetou uma fatia de rabanete. - Sente-se e coma, Brooke. Comer andando  ruim para a digesto.
     Com o prato na mo, Brooke se aproximou do sof. Colocou-o sobre a mesinha de centro, pegou meio sanduche de rosbife e comeou.
     - Claire, voc est mesmo namorando Lee Dutton?
     - Voc acha inapropriado algum da minha idade namorar, Brooke? Passe o sal.
     - No! - Frustrada, Brooke olhou para a mo estendida de Claire. Entregou-lhe o saleiro e deu uma mordida em seu sanduche. - No seja ridcula. Consigo v-la 
namorando todos os tipos de homens fabulosos. Tenho problemas em v-la saindo com Lee Dalton.
     - Por qu?
     Brooke movimentou os ombros desconfortavelmente. No fora assim que pretendera levar aquela conversa.
     -        Bem, ele  uma boa pessoa, e certamente inteligente, mas parece meio... - Brooke suspirou e tentou novamente. - Vamos colocar dessa maneira: consigo 
ver Lee Dalton na pista de boliche do bairro. No consigo imaginar voc l.
     - No - Claire comprimiu os lbios numa expresso pensativa. - Ns ainda no tentamos isso.
     - Claire! - Exasperada, Brooke se levantou e comeou a andar de um lado para o outro de novo. - Oua, no quero me meter na sua vida...
     - No? - o sorriso suave fez Brooke sentar-se pesadamente no sof.
     - Eu me importo com voc.
     Claire inclinou-se para lhe apertar a mo.
     -        Aprecio isso, Brooke, mas venho cuidando de mim mesma faz um longo tempo. J lidei at mesmo com alguns homens.
     Um pouco mais tranqila, Brooke recomeou a comer.
     - Suponho que se eu achasse que voc estava se envolvendo...
     - O que a faz pensar que no estou? - Com a expresso boquiaberta de Brooke, Claire riu.
     - Claire, voc est... est.... - Ela gesticulou, sem saber se deveria colocar os pensamentos em palavras.
     - Dormindo com ele? - finalizou Claire em sua voz calma e refinada. - Ainda no.
     - Ainda no - ecoou Brooke de forma entorpecida.
     - Bem, ele ainda no me convidou. - Claire comeu mais uma garfada de salada e mastigou, pensativa. - Achei que a esta altura ele j teria feito isso, mas Lee 
 muito conservador. Muito doce e antiquado. Isso  parte do que me atrai nele, que faz com que eu me sinta muito feminina. s vezes voc pode perder isso nessa 
nossa profisso.
     - Sim, eu sei. - Brooke pegou seu ch gelado e olhou para o copo. - Voc... est apaixonada por ele?
     - Acho que sim. - Claire se recostou contra o sof cinza e rosa. - S me apaixonei uma vez antes, realmente me apaixonei. Eu tinha a sua idade, talvez fosse 
um pouco mais nova. - O sorriso foi suave por um momento, um sorriso de menina. - Depois disso, nunca mais conheci ningum que me atrasse o bastante, com quem eu 
me sentisse  vontade, em quem confiasse, algum que me fizesse pensar em casamento.
     Brooke sorveu um gole generoso de seu ch. Pensou que entendia a colocao de Claire bem demais.
     - Voc est pensando em casamento?
     - Estou pensando que tenho quase cinqenta anos. Constru isso - ela gesticulou para indicar a Thorton -, tenho uma casa confortvel, um bom crculo de amigos 
e conhecidos, desafios o bastante para impedir que eu morra de tdio, e subitamente encontrei um homem que me fez ter vontade de ficar aninhada diante de uma lareira 
depois de um dia difcil. - Ela sorriu devagar e lindamente, e no foi um sorriso de menina. -  uma sensao boa - acrescentou, deixando seus olhos deslizarem por 
Brooke, que a observava de perto. - Eu detestaria que voc tivesse de esperar mais vinte anos para isso. Parks est muito mais do que um pouco atrado por voc.
     Pela terceira vez, Brooke se levantou para andar pela sala.
     - No nos conhecemos h muito tempo - comeou ela.
     - Voc  uma mulher que conhece a si mesma, Brooke.
     -        Sou? - Com um sorriso sarcstico, ela se virou. - Talvez eu realmente saiba o que penso, o que sinto. Mas no conheo Parks. E se eu me entregar demais? 
O que ir impedi-lo de ficar entediado e partir?
     Claire a encarou com firmeza.
     - No o compare, Brooke. No o julgue por todas aquelas velhas mgoas.
     - Oh, Claire. - Passando uma das mos pelos cabelos, Brooke andou para olhar pela janela. - Esta  a ltima coisa que quero fazer.
     - Qual  a primeira?
     - Sempre foi ter o que  meu. Ter o que  meu, de modo que ningum possa chegar de repente e dizer: "Ops, voc s pegou isso emprestado, hora de devolver." 
- Ela deu uma risadinha. -  bobagem, mas suponho que nunca me livrei realmente desse sentimento.
     - E por que deveria? - perguntou Claire. - Todas queremos o que  nosso. E, para conseguir isso, ns duas sabemos que precisamos assumir alguns riscos bsicos.
     -- Tenho medo de estar me apaixonando por ele - confessou Brooke baixinho. - E quanto mais me aproximo, mais medo sinto de que tudo desmorone. Tenho a sensao 
de que preciso dessa defesa... de que, se eu me apaixonar por Parks, ainda preciso manter um pouco do controle, um pouco do poder, para no sucumbir. Isso  loucura?
     -        No. Voc no  o tipo de mulher que se entrega completamente sem pedir nada em troca. Fez isso uma vez, mas era pouco mais que uma criana. Agora, 
 uma mulher que precisa de um homem forte, Brooke. Forte o bastante para tomar, e forte o bastante para no tomar tudo. - Ela sorriu quando Brooke virou-se para 
fit-la. - D um pouco de tempo a si mesma - aconselhou. - As coisas tm uma tendncia a se encaixar no lugar certo. - Tm?
     O sorriso de Claire se ampliou.
     -        s vezes, isso s leva vinte anos.
     Com uma risada, Brooke andou de volta para o sof.
     -        Muito obrigada.
     
     
     
   Captulo Oito
     
     
     Brooke estava sentada de pernas cruzadas sobre o macio tapete oriental na sala de televiso de Claire. Em algum momento durante a quarta entrada, desistira 
de tentar ficar sentada numa poltrona.  sua direita, Lee e Claire estavam aconchegados num sof de brocado de dois lugares. Billings havia se superado, preparando 
sua especialidade, um bife Wellington, e ficara silenciosamente ofendida quando Brooke fizera pouco mais do que brincar com a comida no prato. Apesar de censurar 
a si mesma por seu nervosismo, Brooke no fora capaz de fazer nada alm de se preocupar com o resultado dos jogos dos play-offi, desde que Parks viajara para o estdio 
dos Valiants.
     Ela conseguira ouvir parte do primeiro jogo da tarde pelo rdio, enquanto seguia de carro para uma locao. Um dos membros da equipe tinha levado um rdio porttil 
com fone de ouvido, e acompanhado os comentrios entre as tomadas da filmagem. Brooke sentira um imenso alvio quando os Kings ganharam o primeiro jogo, e frustrao 
e nervosismo quando perderam o segundo. Agora, assistia ao terceiro pela TV na pequena e elegante sala de Claire.
     -        Aquele homem foi eliminado na segunda base - disse Brooke, se retorcendo sobre o tapete azul desbotado. - Qualquer pessoa com dois olhos podia ver 
isso.
     Enquanto ela lanava seu ataque pessoal, um dirigente, um homem atarracado cujo rosto o fazia parecer um duende, discutia com o rbitro da segunda base. Se 
no estivesse to furiosa, Brooke poderia ter admirado os gestos teatrais enquanto ele se virava, erguia os olhos para o cu e apontava um dedo acusador para o rosto 
do rbitro. Mas este permaneceu impassvel, e a eliminao foi mantida. Com os Kings liderando por apenas um ponto, um corredor na segunda base com um eliminado 
no era boa coisa.
     Quando o prximo rebatedor mandou a bola por sobre a cerca e a pequena vantagem se inverteu, Brooke gemeu.
     - No consigo agentar isso - decidiu, batendo os punhos no tapete. - No consigo.
     - Brooke se envolveu com o jogo - murmurou Claire para Lee.
     - Eu notei. -- Ele lhe deu um beijo suave no rosto. - Seu aroma  maravilhoso.
     A sensao do sangue subindo e fazendo-a corar era prazerosa. Claire fora cortejada por sutis mestres no jogo do romance por mais de 25 anos, mas no se lembrava 
de ningum que a tivesse feito se sentir da maneira que Lee Dutton fazia. Se estivessem sozinhos, ela teria se aconchegado mais em Lee, mas, lembrando-se de Brooke, 
apenas segurou-lhe a mo.
     -        Tome um pouco de vinho, querida - falou para Brooke enquanto pegava a garrafa gelada a seu lado. -  bom para os nervos.
     Como estava suspirando de alvio quando o prximo rebatedor foi eliminado, Brooke no reconheceu o tom de provocao.
     - So trs fora - disse quando pegou o copo frio da mo de Claire.
     - Dois - corrigiu Lee.
     - S se voc acreditar em um rbitro mope - contradisse ela, dando um gole no vinho. Quando ouviu a risada de Lee, enviou um sorriso por sobre o ombro. - Pelo 
menos no o xinguei de algo pior.
     - Relaxe um pouco - aconselhou Lee, piscando para Claire quando ela lhe passou um copo.
     - Sabe, alguns dos jogadores... - comeou Brooke, ento parou subitamente no momento em que uma bola violenta foi rebatida em direo  terceira base. Ns de 
tenso se formaram em seu estmago instantaneamente. Parks mergulhou para o lado, estendendo o brao em direo  bola. Agarrou-a com a ponta da luva um instante 
antes que o corpo casse na grama artificial e spera. Brooke quase podia sentir ela mesma o impacto.
     - Ele conseguiu! - Lee agitou-se no sof e quase derrubou o vinho de Claire. - Olhem isso, olhem isso! Ele conseguiu! - repetiu, apontando as imagens de Parks 
erguendo a luva para mostrar a captura da bola enquanto ainda estava deitado de bruos. - Aquele filho da... - Detendo-se a tempo, pigarreou. - Parks  o melhor 
da liga com uma luva - resolveu.
     - De ambas as ligas! - Inclinou-se  frente e deu um tapinha amigvel nas costas de Brooke. - Parks o roubou, criana. Roubou a rebatida dele.
     Porque viu Parks se levantar e tirar a poeira da roupa, Brooke relaxou.
     - Quero ver isso no replay - murmurou ela. - Em cmera lenta.
     - Voc vai ver essa jogada uma dzia de vezes antes de a noite acabar - previu Lee. - E de novo no jornal das 11. Ei, olhem ali. - Sorrindo, ele gesticulou 
para a tev. -  isso que chamo de sincronia perfeita.
     Brooke voltou sua ateno  propaganda da de Marco. E claro que a vira uma dzia de vezes na sala de edio e outras tantas na tev. Ainda assim, a cada vez 
que assistia, procurava por falhas. Estudou mais uma vez o logo enquanto ouvia a voz clara de Parks.
     - Est perfeito - declarou com um sorriso. - Absolutamente perfeito.
     - Como est indo a prxima propaganda? - Lee perguntou a Claire.
     - Estamos apenas aguardando que Parks esteja disponvel. Esperamos gravar na semana que vem.
     Ele se recostou novamente, um dos braos ao redor de Claire.
     - Vou gostar de ver as propagandas durante a World Series.
     - Eles ainda precisam ganhar dois jogos - Brooke o relembrou. - Eles esto um ponto atrs neste, e...
     - O jogo s acaba quando termina - disse Lee suavemente.
     Brooke virou a cabea para olh-lo. Claire estava aconchegada nele, um copo de cristal em uma das mos. A barriga de Lee esticava-se contra os botes da camisa 
xadrez. O tornozelo de uma das pernas descansava sobre o joelho da outra, enquanto ele balanava o p num ritmo pessoal. De sbito, Brooke os viu como um casal perfeito.
     -        Gosto de voc, Lee - disse ela com um sorriso amplo. - Realmente gosto de voc.
     Ele piscou duas vezes, e seus lbios se curvaram de maneira hesitante.
     -        Bem... Obrigado, criana.
     Ela acabou de nos dar a sua bno, pensou Claire com uma risada secreta quando pegou a mo de Lee na sua.
     
     Brooke seguiu seu caminho em meio  multido no aeroporto com firme determinao. Alm do habitual trnsito confuso, havia torcedores, muitos torcedores, esperando 
para cumprimentar o time dos Kings, que chegaria em breve. Alguns carregavam placas, outros, bandeiras. Havia, notou ela com algum divertimento, um bom nmero de 
estudantes de Los Angeles que faltara  escola naquela manh, sem mencionar os que fugiram do trabalho. Aps a vitria da 12a entrada, Brooke achava mesmo que os 
jogadores mereciam um pouco de adulao. Tambm se perguntava se seria capaz de lutar para passar pela multido, de modo que Parks pudesse v-la. O impulso de surpreend-lo, 
percebeu, no fora prtico. O pai de um aluno que faltara  escola colocou o filho de aproximadamente oito anos sobre o ombro. Brooke sorriu. Talvez no fosse prtico, 
mas seria divertido.
     Erguendo os culos escuros para o topo da cabea, ela semicerrou os olhos contra o sol e esperou o avio aterrissar. Quando o avio no era mais um pontinho 
no cu e tomou forma, Brooke comeou a sentir os primeiros sinais de tenso. Mexeu nervosamente na bolsa, enquanto ficava parada, praticamente esmagada entre torcedores 
animados.
     Ele deve estar cansado, pensou, ouvindo as dzias de conversas ao seu redor. Parks provavelmente est ansioso para ir para casa e dormir umas 24 horas. Brooke 
correu uma das mos pelos cabelos. Eu deveria ter avisado que vinha. Mudou o peso do corpo para o outro p, segurou firme a barra de metal  frente e assistiu ao 
pouso do avio.
     No momento em que a porta se abriu, a algazarra comeou, aumentando quando o primeiro homem desceu do avio. Eles acenavam de volta, parecendo cansados e, de 
certa forma, vulnerveis sem seus uniformes. Homens, pensou ela. Simplesmente homens, sofrendo de jet-lag, e talvez alguma ressaca. Ento, Brooke sorriu, concluindo 
que gladiadores deveriam ter tido exatamente a mesma aparncia no dia seguinte ao de uma luta.
     Assim que o viu, Brooke se sentiu quente. Ao seu lado, uma adolescente agarrou sua companheira e gritou:
     - Oh, ali est Parks Jones! Ele ... lindooooo! Brooke engoliu uma risada ao pensar em como Parks reagiria quele adjetivo.
     -        Todas as vezes em que o vejo, meus joelhos ficam fracos. - A adolescente pressionou seu corpo jovem e flexvel contra a cerca. - Voc viu aquele comercial? 
Quando ele sorri,  como se estivesse olhando diretamente para mim. Eu quase morri.
     Apesar de no tirar os olhos de Parks, Brooke sorriu. Exatamente como planejei, pensou, satisfeita consigo mesma. Por que me sinto uma mulher esperando seu 
homem chegar da guerra?
     Apesar de seu olho de diretora verem um grupo de homens tensos e cansados, os fs viam heris. Eles os animavam. Alguns dos jogadores meramente acenavam e seguiam 
em frente, mas a maioria vinha at a cerca de proteo para trocar palavras, brincadeiras, um toque de mos. Brooke viu Parks andar em direo  barreira com um 
homem que ela reconheceu como Snyder, o primeira base. Imaginou, pela intensidade da discusso dos dois, se estavam traando estratgias de campo.
     - Seriam necessrias somente 25 ou 30 latas de creme de barbear para encher o armrio dele - insistiu Snyder.
     - Demora muito e evapora rpido demais - comentou Parks. - Voc precisa ser prtico, George.
     Snyder praguejou baixinho e ergueu uma das mos em resposta a um grito na multido.
     - Tem uma idia melhor?
     - Dixido de carbono - Parks observava atentamente a multido enquanto eles se aproximavam. - Rpido e eficiente.
     - Ei,  isso! - satisfeito, Snyder lhe deu um tapa nas costas. - Eu sabia que esse seu crebro servia para alguma coisa, Einstein.
     
     - E enquanto eu estiver ajudando voc com a mecnica da coisa, no vou encontrar meu armrio cheio de creme de barbear -- adicionou Parks.
     - Isso tambm - concordou Snyder. Ento seu sorriso se ampliou. - Est vendo esse pessoal? Fantstico!
     Parks comeou a concordar... E ento avistou uma nuvem brilhante de cabelos ruivos com toques dourados ao sol. A fadiga desapareceu num passe de mgica.
     -        Fantstico - murmurou ele, e andou diretamente para Brooke.
     A adolescente ao lado dela emitiu um gemido e agarrou o brao de sua amiga.
     -        Ele est vindo para c - conseguiu dizer num sussurro estrangulado. - Diretamente para c. Acho que vou morrer!
     Brooke inclinou o queixo, de modo que seus olhos ficassem no nvel dos de Parks quando ele parou do outro lado da cerca.
     - Ol! - A mo de Parks se fechou sobre a dela na barra de metal. O simples contato foi extremamente ntimo.
     - Ol! - Brooke sorriu lentamente, aceitando a onda de desejo e a sensao de proximidade sem questionar.
     - Posso pegar uma carona?
     - Quando quiser.
     Ele pressionou os lbios nos dedos ainda curvados sobre o metal.
     -        Encontre-me do lado de dentro. Preciso pegar minha bagagem.
     Pelo canto do olho, Brooke viu as duas adolescentes de queixo cado.
     - Incrvel a bola ontem  noite. Ele sorriu antes de se afastar.
     - Obrigado.
     Snyder o segurou pelo brao enquanto Brooke se perdia na multido a caminho da sada.
     -        Ei, isso  bem melhor do que pegar uma bola.
     - Fora de cogitao - disse Parles simplesmente, seguindo seu prprio caminho pela fila de torcedores e mos estendidas.
     - Ora, Parks, ns somos companheiros de time. Um por todos e todos por um.
     -        Pode esquecer.
     -        O problema com Parks - Snyder comeou a falar para um senhor idoso atrs da cerca -  que ele  egosta. Fao os arremessos dele parecerem bons. Eu 
 que tomo o tiro quando ele manda aquelas bolas assassinas. E o qu eu recebo em troca? - Ele enviou a Parks um sorriso esperanoso. - Voc poderia pelo menos me 
apresentar.
     Parks sorriu enquanto autografava um pedao de papel que uma f passara atravs da cerca.
     -        No.
     Ele levou quase meia hora para escapar da multido e chegar ao terminal. A impacincia o dominava. O simples toque de dedos do lado de fora abrira seu apetite 
para muito mais. Nunca antes se sentira solitrio viajando. Mesmo em dias chuvosos, mesmo muito longe de casa, sempre vivia cercado por pessoas que conhecia. As 
pessoas se tornavam to prximas como  uma famlia... prximas o bastante para que ele pudesse compartilhar inmeras noites ou optar por pass-las sozinho sem se 
sentir triste. No, ele jamais fora solitrio. At agora.
     Parks era incapaz de contar as vezes em que havia pensado nela nos ltimos quatro dias, mas sabia que tudo de repente entrara em foco de novo no momento em 
que a vira parada ali. E agora a avistava novamente.
     Brooke estava inclinada contra o pilar perto da esteira de bagagens, a sacola de viagem de Parks a seus ps. Sorriu, mas no mudou a postura corporal quando 
o viu. No queria que ele soubesse o quo loucamente seu corao estava disparado.
     -        Voc viaja com pouca bagagem - comentou ela.
     Ele lhe segurou o rosto na mo e, indiferente s pessoas ao redor, puxou-a para um beijo longo e apaixonado.
     -        Senti saudade - murmurou contra a boca de Brooke, ento a beijou novamente.
     Ainda havia vrios jogadores ociosos ao redor, que comearam um coro de aprovao.
     - Com licena. - Snyder deu um tapinha no ombro de Parks e sorriu sedutoramente para Brooke. - Acho que voc cometeu um engano. Eu sou George Snyder. Este  
o homem que cuida dos bastes e equipamentos de beisebol. - Ele deu um tapa carinhoso em Parks.
     - Prazer. - Brooke estendeu a mo, a qual foi apertada com fora e firmeza. - Uma pena aqueles dois strikeouts ontem  noite.
     Assobios soaram no ar quando Snyder fez u careta.
     - Na verdade, estou tentando fazer os Valiants baixarem a guarda.
     - Oh! - Divertida, Brooke lhe deu um sorriso amplo. - Voc foi bem convincente!
     - Desculpe, Snyder, hora de voc partir. - Parks sinalizou para dois companheiros de time, que alegremente engancharam seus braos nos de Snyder para afast-lo 
dali.
     - Ora, Jones, d uma folga! - Bem- humorado, Snyder se deixou ser conduzido. - Eu s quero discutir minha estratgia com ela.
     - Tchau, George. - Brooke acenou enquanto Parks se abaixava para pegar sua sacola.
     - Vamos sair daqui.
     Com os dedos entrelaados nos dele, Brooke no teve escolha seno segui-lo.
     - Parks, voc poderia ter me apresentado aos seus amigos.
     - Homens perigosos - declarou ele. - Todos eles.
     Com uma risada, ela apertou o passo para acompanh-lo.
     - Sim, deu para ver. Especialmente aquele com uma criana em cada brao.
     - H algumas excees.
     - Voc  uma delas?
     Parks a segurou ao redor da cintura e a puxou contra si.
     -        Claro.
     - Oh, timo. Quer ir para casa comigo e me contar sobre sua estratgia?
     - Esta  a melhor oferta que recebi hoje. - Depois de jogar sua sacola no banco de trs do carro de Brooke, Parks se acomodou no banco de passageiro. J acostumado 
ao jeito como ela dirigia, relaxou e comeou a contar sobre o dia anterior ao jogo. Brooke falou pouco, satisfeita em ouvir, satisfeita por ter conseguido tirar 
o dia de folga, de modo que pudessem passar algumas horas juntos. Sozinhos.
     - A propaganda foi ao ar durante todos os intervalos do jogo, sabia? - comentou ela enquanto saam da cidade.
     - Como ficou? - Parks recostou a cabea contra o assento. Deus, como era bom saber que no tinha de ir a lugar algum ou fazer qualquer coisa por 24 horas.
     - Fantstico. - Quando a estrada se alargou, ela pisou mais fundo no acelerador. - E ouvi isso da fonte.
     - Hmm?
     - Uma adolescente no meio da multido no aeroporto. - Com uma imitao quase perfeita, Brooke relatou os comentrios da garota. Viu a careta automtica de Parks 
ante o termo lindooooo, mas engoliu uma risada e continuou.
     -  bom saber que arraso com as garotas de 16 anos - disse ele secamente.
     - Voc ficaria surpreso com o poder de compra das garotas de 16 anos. - Com habilidade, ela fez as curvas necessrias para pegar a estrada mais estreita. - 
No de modo direto,  claro, mas indiretamente, atravs dos pais. E, uma vez que elas gostam que seus namorados as deixem de joelhos bambos tambm, iro pression-los 
a comprar jeans de Marco, assim como camisas, cintos e tudo o mais. - Jogando os cabelos para trs, olhou-o. - E voc tem um sorriso lindo.
     -        Sim - ele suspirou com modstia. - Eu tenho.
     Brooke parou na garagem de sua casa com uma deliberada freada abrupta, que o fez praguejar. Sabiamente saindo do carro antes que ele pudesse reclamar, ela foi 
direto para a porta da casa.
     -        S por isso - comeou Parks quando pegou sua sacola do banco de trs -, no vou dar o presente que comprei para voc.
      porta, Brooke se virou, seu sorriso se transformando numa expresso confusa.
     -        Voc comprou um presente?
     Como ela parecia uma criana que esperava receber uma caixa vazia embrulhada num papel brilhante, Parks tratou o assunto com leveza.
     -        Comprei. Mas estou considerando seriamente mant-lo comigo agora.
     - O que ?
     - Voc vai abrir a porta?
     Brooke deu de ombros, tentando fingir indiferena enquanto girava a chave.
     - A lareira est preparada - murmurou ela, entrando. - Por que no acende enquanto vou buscar um caf?
     - Certo. - Colocando a sacola no cho, Parks alongou os msculos tensos pela viagem. Com uma careta, pressionou os dedos nas costelas ainda doloridas pelo tombo 
na grama.
     Ela levara algumas de suas plantas para dentro, notou, vendo o vaso de znias sobre a mesa lateral do outro lado da sala. A mesa, observou, era Queen Anne. 
O vaso era de material fraco e barato. Sorrindo, foi at a lareira. O contraste combinava com Brooke: o elegante e o prtico.
     Parks acendeu um fsforo e colocou-o cuidadosamente sobre o papel enrolado embaixo dos gravetos. A madeira seca pegou fogo com um estalo. Ele inalou o cheiro 
que lhe trazia imagens do passado: noites aconchegantes na sala de visitas com sua famlia, acampamentos com seu tio e primos, fins de semana na Inglaterra na casa 
de um amigo de faculdade. Queria adicionar as memrias de Brooke deitada em seus braos diante do fogo enquanto faziam amor vagarosa e infinitamente.
     Quando a ouviu retornando, ele se levantou, virando-se para v-la entrando com uma garrafa e dois clices em uma bandeja.
     -        Pensei que talvez voc preferisse vinho. Sorrindo, Parks pegou a bandeja.
     - Sim. - Depois de coloc-la sobre a grande almofada redonda, ele ergueu a garrafa, examinando o rtulo com uma sobrancelha arqueada. - Isso  uma comemorao?
     - Uma pr-comemorao - corrigiu Brooke. - Espero que voc vena amanh. - Pegou as duas taas, erguendo-as. - E, se no vencer, teremos tomado o vinho de qualquer 
maneira.
     -        Parece justo. - Parks serviu o lquido dourado nas duas taas. Pegando uma das mos dela, uniu as bordas num brinde. - Ao jogo? - perguntou, com um 
sorriso lento.
     Brooke sentiu a excitao percorr-la e assentiu.
     -        Ao jogo - concordou e bebeu. Arregalou os olhos, mas permaneceu firme quando Parks se aproximou para lhe pegar uma mecha vermelha na mo.
     -        Vi seus cabelos  luz do sol - murmurou ele.
     - Mesmo no meio da multido do aeroporto, no sei o que eu teria feito se no fosse aquela cerca nos separando. - Deixou as mechas deslizarem pelos dedos.
     - Faz quatro longos dias, Brooke.
     Ela assentiu, pegando-lhe a mo e puxando-o para sentar no sof ao seu lado. As curvas do corpo de Brooke pareciam feitas para se encaixar naturalmente no dele.
     - Voc est tenso - murmurou ela baixinho.
     - Play-offi. - Parks a puxou para mais perto, sabendo que a tenso gradualmente diminuiria, antes de aumentar de novo no dia seguinte. - Talvez os sortu-dos 
sejam os jogadores que j esto cuidando de seus jardins em outubro.
     -        Mas voc no acha isso de verdade. Parks riu.
     -        No, no acho. Os play-offi nos deixam exaustos, quase a ponto de explodir, mas a World Series...
     -        Ele meneou a cabea. No queria deixar sua mente pensar to adiante. As regras eram vencer trs jogos de cinco, e eles ainda no haviam chegado l. 
Por enquanto, no queria pensar nisso, mas na mulher ao seu lado, na tarde tranqila e na longa noite pela frente. Achou que se lembraria dela daquela forma, um 
tanto pensativa, com o aroma de madeira queimando e flores de outono misturadas com o prprio perfume de Brooke. Sua mente vagou preguiosamente, de maneira agradvel, 
enquanto bebia o vinho gelado e observava as chamas danarem.
     -        Voc esteve ocupada?
     Brooke inclinou a cabea, concordando distraidamente. Tambm no queria pensar em trabalho.
     -        O de sempre - respondeu de forma vaga. - E.J. me convenceu a assistir um filme horroroso, em que o elenco se vestia em roupas mitolgicas e lanava 
fogo.
     - Olympian Revenge?
     - Tinha um drago de trs cabeas que falava.
     -         este mesmo. Eu o assisti na Filadlfia o ms passado, quando tivemos um cancelamento de jogo por causa da chuva.
     -        Vi o microfone em quadro trs vezes. Parks riu do desprezo profissional dela.
     - Ningum mais viu - ele lhe assegurou. - Estavam todos dormindo.
     - Inaptido grosseira me mantm acordada. - Brooke inclinou a cabea contra o ombro dele. Ocorreu-lhe o quanto sua casa parecera vazia nos ltimos dias, e como 
estava aconchegante novamente. Nunca sentira a necessidade de compartilhar sua casa antes. Na verdade, sempre tivera uma forte sensao de posse sobre o que lhe 
pertencia. Sentada em silncio no sof, percebeu que j havia comeado a abrir mo de sua privacidade, de bom grado e de forma totalmente inconsciente. Virando a 
cabea, estudou o perfil de Parks.
     -        Senti sua falta - confessou finalmente.
     Ele virou a cabea, tambm, de modo que os lbios de ambos estivessem muito perto, mas no se tocando.
     -        Esperei que sentisse. - Ento, movimentou-se para lhe roar o rosto com os lbios. Ela tremeu. Ainda no, disse Parks a si mesmo enquanto um calor 
interno o envolvia. Ainda no. - Talvez eu lhe d aquele presente, afinal de contas.
     Os lbios de Brooke se curvaram contra o pescoo dele.
     -        No acredito que voc tenha me trazido coisa alguma.
     Reconhecendo o truque, mas disposto a jogar, Parks se levantou.
     - Voc ter de se desculpar por isso - disse ele seriamente enquanto andava at sua sacola. Abriu o zper, ento vasculhou do lado de dentro. Quando endireitou 
o corpo novamente, tinha uma caixa branca nas mos. Brooke olhou para o pacote com curiosidade, mas quase com a mesma cautela que ele percebera poucos momentos antes 
de eles entrarem na casa.
     - O que ?
     - Abra e descubra - sugeriu Parks, pondo a caixa no colo dela.
     Brooke a virou, examinando a caixa branca, testando o peso. No estava acostumada a presentes espontneos, e durante o pouco tempo em que se conheciam, Parks 
j lhe dera dois.
     - Voc no precisava ter...
     - A gente precisa dar um presente de Natal para uma irm - disse ele suavemente, sentando-se ao seu lado. - Voc no  minha irm e no  Natal.
     Brooke franziu o cenho.
     - No sei ao certo se entendo a lgica disso - murmurou ela, ento abriu a tampa. Embrulhado em folhas de papel seda, havia um gordo hipoptamo fmea de cermica 
cor-de-rosa com bolinhas multicoloridas, clios longos e um sorriso sedutor. Com uma risada, Brooke o tirou para fora.
     - Ela  maravilhosa.
     - Ela me lembrou voc - comentou Parks, satisfeito com a risada e com o brilho de humor nos olhos de Brooke quando ela o fitou.
     - Verdade? - Brooke ergueu o hipoptamo novamente. - Bem, ela tem olhos encantadores. - Emocionada, alisou as laterais do objeto de cermica. - Ela  muito 
doce, Parks. O que o fez pensar nisso?
     - Pensei que isso combinaria com sua coleo de animais. - Vendo a expresso intrigada no rosto dela, Parks gesticulou em direo  prateleira que continha 
o macaco e o urso. - E tem aquele porco na porta da frente, a pequena lebre em seu quarto, a coruja de porcelana chinesa no peitoril da janela da cozinha.
     A compreenso veio devagar. Havia animais de tipos e materiais variados espalhados pela casa inteira. Ela os vinha colecionando havia anos sem ter a menor idia 
do que estava fazendo. Mas Parks vira. Pegando a ambos de surpresa, Brooke comeou a chorar.
     Atnito, depois alarmado, Parks a abraou, sem saber o que podia oferecer para confort-la. Contudo, vira muitas lgrimas de suas irms para saber que a lgica 
freqentemente no tinha nada a ver com o choro. Envergonhada, e incapaz de conter as lgrimas, Brooke escapou dos braos dele e se levantou.
     - No, no, por favor. D-me um minuto. Detesto fazer isso.
     Embora dissesse a si mesmo para respeitar os desejos dela, Parks a seguiu. Apesar da resistncia de Brooke, ele a puxou contra si.
     - No consigo suportar v-la fazer isso - murmurou. Ento, com uma ponta de impacincia, acrescentou: - Por que est chorando?
     - Voc vai pensar que sou uma idiota. Detesto ser idiota.
     - Brooke. - Com firmeza, ele colocou uma das mos sob o queixo dela e o ergueu. As lgrimas rolavam livremente pelo rosto. No conhecendo outro remdio, Parks 
a beijou... os lbios suaves, as faces molhadas, as plpebras midas. O que comeou com um esforo cego para oferecer conforto se transformou em paixo ardente.
     Ele pde sentir o desejo crescer em seu interior quando buscou a boca sensual novamente. Suas mos se moviam ao longo dos cabelos dela quase com desespero. 
E enquanto isso, Brooke tremia. Se de desejo ou pelos soluos, Parks no tinha mais certeza, conforme o beijo se aprofundava. Ela se abriu totalmente, lhe oferecendo 
alm do que ele podia se lembrar. As defesas de Brooke sucumbiram, lembrou a si mesmo, lutando contra a impacincia de satisfazer suas prprias necessidades rapidamente. 
Seus murmrios eram sussurrados, para tranqilizar, suas mos, gentis, acariciavam para excitar.
     Mesmo reconhecendo sua prpria vulnerabilidade, Brooke no resistiu. Queria mergulhar naquele mundo leve e nebuloso, onde cada momento parecia acontecer em 
cmera lenta. Queria sentir o calor atordoante que a deixava sem flego. Queria o contentamento tranqilo que a induziria ao sono e continuaria pela manh.
     Quando ele a deitou no cho, o cheiro de madeira queimando se tornou mais forte. Brooke podia ouvir os estalos das toras enquanto as chamas as consumiam. Os 
beijos longos e pacientes de Parks a faziam se sentir dividida... entre a realidade do tapete de l sob suas costas, a luz vermelha do fogo e do sol sobre suas plpebras 
fechadas e o mundo de sonhos que s os amantes entendiam. Enquanto sua mente flutuava, flertando com cada sensao separadamente, ele a despiu.
     Parks tomou infinito cuidado com os minsculos botes redondos de sua blusa, como se pudesse deixar que as estaes passassem do lado de fora das janelas altas. 
No havia tempo ali, nem inverno, nem primavera, somente um momento eterno. Brooke deslizou as mos por baixo da camisa dele, os dedos a percorr-lo, sentindo o 
calor e a fora. De maneira to paciente quanto Parks, ela ergueu o tecido da camisa, passou pelos ombros largos, depois a descartou.
     Pele contra pele, ficaram deitados diante do fogo, enquanto o sol se infiltrava pelas grandes janelas e os banhava. Os beijos eram cada vez mais longos, interrompidos 
apenas por suspiros e murmrios. Brooke provou o gosto de vinho na lngua dele e se sentiu inebriada.
     Lentamente, sem jamais lhe abandonar os lbios, Parks comeou a explorar o corpo que adorava. Pequenos arrepios a percorreram, seguindo o caminho das mos msculas. 
Sentindo o roar dos dedos contra a lateral do seio, Brooke gemeu, um som de puro prazer. Ele aprofundou o beijo, explorando gentilmente a pequena fraqueza, at 
conseguir o efeito total. Ela estava relaxada, entregue, totalmente sua. Ento, e somente ento, Parks deu aos prprios lbios a liberdade de lhe provar a pele novamente. 
O sabor era to marcante quanto o aroma feminino, e, de alguma forma, mais ertico.
     Com beijos midos e sensuais, Parks a saboreava, a hipnotizava. Ento, a rpida presso de seus dentes em algum ponto sensvel a fazia ofegar e se mexer. Os 
lbios dele suavizavam de novo, tranqilizando-a mais uma vez. Repetidamente, Parks a levou em direo ao fogo, guiando-a de volta para as nuvens, at Brooke no 
conseguir saber o que mais desejava.
     Ela o sentiu deslizar sua cala pelos quadris, enquanto continuava com aqueles beijos provocantes e atordoantes em seu abdome. Uma louca excitao a envolveu, 
tornando-a incapaz de fazer qualquer coisa alm de se mover quando ele exigia. A respirao de Parks era quente em seus pontos mais ntimos, fazendo com que os longos 
msculos de suas coxas tremessem, para, ento, relaxarem novamente.
     Ainda assim, a boca mscula continuava se movendo vagarosamente. As mos que j haviam descoberto cada ponto secreto de prazer continuavam a acariciar sem pressa, 
enlouquecendo-a. O poder que Brooke experimentara antes abalava todo seu corpo, mas a mente estava confusa demais para reconhec-lo. Sentia-se  beira do abismo, 
na corda-bamba do desejo, e queria continuar andando sobre ela tanto quanto queria mergulhar de cabea no mar selvagem abaixo. Ento, Parks estava sobre seu corpo 
de novo, os olhos fixos nos seus por um longo, longo momento, antes que os lbios sensuais descessem. Ele estava esperando, e ela entendeu. Com as bocas ainda unidas, 
Brooke o guiou para dentro de si.
     Seu gemido se derreteu dentro da boca de Parks, ardente e apaixonado. Embora ela o estivesse agarrando com uma sbita fora, ele se movimentava lentamente. 
Brooke se sentiu sendo preenchida, preenchida at o ponto desesperador da exploso. Em seguida, vieram os tremores convulsivos, at que ela pareceu deslizar de um 
caminho tranqilo para a torrente mais uma vez. Como uma nadadora presa na correnteza, foi levada de pico em pico enquanto Parks se movia com aquela tortuosa lentido. 
Brooke podia sentir a rigidez, o controle tenso nele, ouvir na respirao ofegante que combinava com a sua, enquanto ele prolongava o prazer e a agonia. Ento, Parks 
sussurrou alguma coisa, uma prece, um apelo, uma praga, e levou ambos a uma queda livre da corda.
     
     Devia ter dormido. Parks pensou que fechara os olhos somente por um instante, mas, quando os reabriu, a inclinao do sol estava diferente. Brooke estava ao 
seu lado, os cabelos longos envolvendo os dois. Os olhos estavam abertos e fitavam os seus. Ela o estivera observando por quase uma hora. Parks sorriu e levou os 
levou os lbios ao ombro delgado.
     -        Desculpe. Eu adormeci?
     - Por um tempinho. - Brooke enterrou o rosto no pescoo dele por um instante. Era como se Parks lhe tivesse despido a pele, expondo todos os seus pensamentos. 
No tinha muita certeza sobre o que deveria fazer em relao a isso. - Voc devia estar exausto.
     - No mais - disse ele com sinceridade. Sentia-se alerta, repleto de energia e... limpo. O ltimo pensamento o fez menear a cabea brevemente. Passou uma das 
mos ao longo do brao dela. - H uma coisa que quero lhe perguntar antes que eu... me distraia. - Apoiando-se sobre o cotovelo, fitou-a. - Por que estava chorando?
     Brooke deu de ombros e comeou a se afastar. Com mo firme, Parks a impediu. Podia sentir o esforo que ela fazia para escapar, mas percebeu que no podia mais 
permitir isso. Soubesse ou no, Brooke entregara-se por completo. Ele no a deixaria fugir mais.
     -        Brooke, no tente me afastar - murmurou calmamente. - No vai funcionar mais.
     Ela comeou a protestar, mas a expresso tranqila e firme nos olhos de Parks lhe disse que ele falava nada menos que a verdade. Porm, aquilo deveria ser um 
aviso de para onde seu corao a estava levando.
     -        Ter me dado um presente foi um gesto muito doce - disse ela finalmente. - No estou acostumada com gestos doces.
     Parks arqueou uma sobrancelha.
     -        Isso pode ter sido parte do motivo. E o resto? Com um suspiro, Brooke sentou-se. Desta vez, ele a deixou fazer isso.
     - Eu no tinha me dado conta de que estava colecionando. - Com ambas as mos, ela afastou os cabelos para trs e abraou os joelhos. - Reagi exageradamente 
quando voc apontou isso. Eu sempre quis um cachorro, um gato, um passarinho, qualquer animal quando era criana. No era vivel, dada a freqncia com que eu mudava 
de casa. - Brooke deu de ombros novamente, fazendo com que os cabelos desalinhados roassem em suas costas. - Foi um choque descobrir que eu ainda estava compensando.
     Parks sentiu uma onda de compaixo e a reprimiu. No havia maneira mais rpida de faz-la se afastar.
     - Voc tem sua prpria casa, sua prpria vida agora. Pode ter tudo que quiser. - Inclinando-se sobre ela, ele serviu mais vinho para ambos. - No precisa compensar. 
- Deu um gole, estudando-lhe o perfil.
     - No - concordou ela num murmrio. - No preciso.
     -        Que tipo de cachorro voc quer?
     Brooke girou o copo na mo, e, subitamente, riu.
     -        Algo bastante comum e domstico - disse ela, virando-se para lhe sorrir. - Totalmente domstico.
     - Inclinando-se, colocou uma das mos sobre o rosto dele. - Eu nem mesmo lhe agradeci.
     Parks considerou, assentindo solenemente enquanto tirava o copo da mo dela.
     - No, voc no me agradeceu. - Num movimento rpido, a fez rolar por cima dele. - Por que no me agradece agora?
     
     
     
   Captulo Nove
     
     
     Claire apareceu para dar sua aprovao final ao set. Nos fundos do estdio, serenamente indiferente s pilhas de equipamentos, luzes e sombras, havia o cenrio 
de uma sala de estar aconchegante. Um sof confortvel em tom marrom era iluminado enquanto os tcnicos faziam ajustes. Sobre uma mesa ao lado do sof, um abajur 
Tiffany aparentemente daria a iluminao suave e sexy que a equipe tentava alcanar. Claire andou ao redor de cabos e caixas para ver o cenrio de um novo ngulo.
     De bom gosto, concluiu. E eficaz. De Marco estava satisfeito com a primeira propaganda. To satisfeito, pensou ela com uma careta, que insistira para que sua 
namorada atual aparecesse naquela. Bem, esse era o show businnes, pensou enquanto consultava o relgio. Brooke havia reclamado repetidamente da escala-o do elenco. 
Ento, desistira de reclamar, dizendo que pelo menos de Marco no insistira para que escrevessem um dilogo para a moa.
     O segmento do estdio estava sendo filmado primeiro, apesar de aparecer no final da propaganda. Julgando pelo temperamento de Parks, Brooke decidira que provavelmente 
seria melhor comear pela parte mais difcil, de modo que o resto se tornasse mais fcil para ele. E, refletiu Claire enquanto olhava para o relgio, a sorte deles 
continuava. Os Kings jogariam a World Series na semana seguinte, dando s propagandas um impacto muito maior.
     Do lado de fora do estdio, um longo buf fora instalado no hall. E.J., o coordenador de produo e o assistente de cmera j se aproveitavam disso. Brooke 
estava no estdio, comendo um pedao de queijo enquanto supervisionava os detalhes finais.
     -        Que coisa, Bigelow, aquela luz est piscando de novo! Troque a lmpada ou consiga um outro abajur. Silbey, deixe-me ver que tipo de efeito temos com 
essa nova gelatina.
     Obedientemente, ele apertou um boto de modo que a luz filtrasse atravs da folha colorida e parecesse quente e ntima.
     -        Certo, nada mal. Som?
     A tcnica de som andou para baixo do microfone. Com uma expresso inocente, ela comeou a recitar uma quadrinha infantil com algumas variaes interessantes, 
fazendo uma reverncia ante  salva de palmas.
     -        Algum problema? - perguntou Claire, se aproximando e parando ao lado de Brooke.
     -        Resolvemos tudo. E do seu lado?
     - Tudo funcionando como deveria. - Distraidamente, ela endireitou a bainha da manga. - Vi de passagem a "senhora de Marco". Ela  deslumbrante.
     - Graas a Deus - Brooke falou. - De Marco vai aparecer?
     - No - Claire sorriu ante o tom resignado de Brooke. Ela detestava parentes, amigos e namorados perambulando pela filmagem. - Diz que Gina alega que ele a 
deixaria nervosa, mas no deixou dvida de que ela deve receber um tratamento de rainha.
     -        No vou morder - prometeu Brooke. - Parks ensaiou as falas comigo. Est bom... se ele no ficar desajeitado diante da cmera.
     -        Parks no parece ser desajeitado. Brooke sorriu.
     - No. E acho que ele est comeando a gostar, apesar da relutncia.
     - timo. Tenho um roteiro que quero que ele leia. - Numa escada acima da cabea delas, algum praguejou com irritao. As feies suaves de Claire no deram 
qualquer indicao de que ela tivesse ouvido. - H um papel, um pequeno papel, para o qual acho que Parks  perfeito.
     Brooke se virou para dar total ateno a Claire.
     -        Um filme? Ela assentiu.
     - Para a tev a cabo. No vamos fechar o elenco antes de um ms ou dois. Portanto, Parks tem muito tempo para pensar sobre isso. Eu gostaria que voc lesse 
tambm - acrescentou casualmente.
     - Claro. - Refletindo sobre a idia de Parks como ator, Brooke virou-se para dar outra instruo a algum da equipe.
     - Talvez voc queira dirigir. Brooke parou no meio da instruo.
     - O qu?!
     -        Sei que est feliz em dirigir propagandas - continuou Claire, como se Brooke no a estivesse olhando boquiaberta. - Sempre disse que gostava de criar 
algo rpido e intenso, mas este roteiro pode faz-la mudar de idia.
     - Claire. - Brooke poderia ter rido se no estivesse atnita. - Nunca dirigi nada mais complexo do que um comercial de sessenta segundos.
     - Como o vdeo promocional das sries que estreariam no outono, que voc filmou no ltimo vero? Trs grandes estrelas da tev me garantiram que voc era uma 
das melhores com quem j trabalharam - disse, secamente, de modo a mal poder ser considerado um elogio. - Venho querendo coloc-la nisso h muito tempo, mas no 
queria pressionar. - Claire lhe deu um tapinha na mo. - Ainda no quero pressionar, apenas leia o roteiro.
     Aps um momento, Brooke assentiu.
     - Tudo bem, vou ler.
     - Boa menina. Ah, a est Parks. - Os olhos dela o analizaram com discriminao profissional. - Minha nossa, ele veste as roupas maravilhosamente bem - murmurou.
     Parecia que o prprio Parks havia escolhido o suter de cashmere azul-claro e o jeans azul-acinzentado, vestindo-os de maneira casual. O fato de as roupas lhe 
carem perfeitamente no era to importante quanto o impacto que causavam... o estilo negligente, que no vinha do dinheiro, mas sim de uma classe natural.
     Isso ele possua, pensou Brooke. Sob o rosto atraente e corpo atltico, havia uma classe inata em Parks. Algo que nunca poderia ser ensinado. Ele segurava um 
copo de refrigerante em uma das mos, olhando sobre a borda enquanto estudava a sala.
     Parks achou o lugar apertado e aparentemente desorganizado, mas o pequeno cenrio estava ordenado, com um sof, mesa e abajur. Perguntou-se brevemente como 
algum podia trabalhar em meio a tantos cabos enrolados, enormes caixas pretas e diversos tipos de luzes. Ento viu Brooke. Ela podia, pensou com um sorriso. Simplesmente 
lidaria com o caos at que conseguisse exatamente o que queria. Podia ter chorado como uma criana em seus braos algumas noites antes, mas, quando estava no trabalho, 
era forte como uma leoa.
     Talvez, refletiu Parks, por isso mesmo tivesse se apaixonado por ela... e talvez por isso mesmo fosse manter esta pequena informao para si mesmo durante um 
tempo. Se ele quase entrara em pnico quando entendera os prprios sentimentos, Brooke sem dvida entraria. Ela ainda no estava pronta para confiar e se entregar 
sem restries.
     Brooke se aproximou, observando-o com olhos estreitos. Parks pensou, pouco  vontade, que ela era capaz de faz-lo se sentir como um manequim numa loja de departamentos 
quando o olhava daquela maneira. Era seu olhar de diretora, avaliando, procurando falhas, ponderando sobre os ngulos.
     - E ento? - perguntou ele finalmente.
     - Voc est maravilhoso. - Se Brooke tinha notado a leve irritao na voz dele, ignorou. Estendendo uma das mos, desalinhou-lhe um pouco os cabelos, e estudou 
o efeito. - Sim, muito bom. Nervoso?
     - No.
     O rosto dela se suavizou com um sorriso.
     -        No fique to srio, Parks. Isso no vai ajud-lo a entrar no clima. Agora... - Unindo o brao ao dele, Brooke comeou a lev-lo em direo ao cenrio.
     -        Voc sabe suas falas, mas teremos colas caso lhe d um branco. Portanto, no h com o qu se preocupar. O que queremos  aquele tipo de machismo implcito 
e despreocupado. Lembre-se de que este  o fim do segmento. Na primeira cena, voc est de uniforme no campo. Depois vem a cena no vestirio enquanto est trocando 
de roupa, e ento esta. Luzes suaves, uma dose de usque, uma linda mulher.
     - E devo tudo isso a de Marco - disse ele secamente.
     - A mulher, pelo menos - respondeu ela no mesmo tom frio. -  simplesmente uma afirmao de que as roupas combinam com a imagem de um homem. Espera-se que os 
homens sejam convencidos de que a grife de Marco  a certa para suas imagens. Sente-se ali. - Brooke gesticulou para um dos cantos do sof. - Fique naquela sua postura 
preguiosa quando estiver relaxando. Algo casual, mas no desleixado.
     Ele franziu o cenho, irritado por ela poder dissecar cada gesto seu e rotul-lo.
     -        Agora?
     -        Sim, por favor. - Brooke deu um passo atrs enquanto Parks se acomodava no sof. - Isso, bom... ponha o cotovelo um pouquinho mais para trs no brao 
do sof. Certo. - Ela sorriu novamente. -  isso que eu quero. Voc est ficando bom nisso, Parks.
     - Obrigado.
     - Vai falar diretamente para a cmera desta vez - avisou Brooke, gesticulando atrs de si, onde a cmera estava colocada sobre uma grua. - Fique calmo, relaxe. 
A garota vai chegar atrs de voc, inclinando-se quando lhe entrega o copo de usque. No olhe para ela, apenas toque-lhe a mo e continue falando. E sorria - acrescentou, 
consultando seu relgio. - Onde est a garota?
     Naquele momento, Gina entrou, alta e deleitosa, seguida por uma loura deslumbrante e dois homens de terno. Melhor do que na foto que de Marco enviara, percebeu 
Brooke, e a fotografia j havia sido impressionante. A mulher era jovem, mas no jovem demais. Tinha aproximadamente 25 anos, estimou Brooke, olhos grandes cor de 
ameixa e cabelos negros e brilhantes. O corpo era curvilneo, marcado por um vestido com um decote to avantajado que por pouco no fora impedido pela classificao 
do horrio. Ela no passaria despercebida na propaganda, pensou Brooke, observando Gina andar pelo estdio. A paixo vibrava em cada movimento. Desta vez, Brooke 
buscaria a mais pura sensualidade... pelos cinco segundos e meio em que Gina ficaria na tela. Para uma propaganda de trinta segundos, seria mais do que suficiente.
     Ignorando os murmrios de apreciao de sua equipe, Brooke aproximou-se para conhecer a namorada do cliente.
     - Ol. -- Ela estendeu a mo com um sorriso. - Sou Brooke Gordon. Vou dirigir voc.
     - Gina Minianti - disse ela numa voz rouca que fez Brooke se arrepender instantaneamente de no ter lhe dado falas.
     -        Estamos muito satisfeitos em t-la conosco, srta. Minianti. Tem alguma pergunta antes de comearmos?
     Gina deu um pequeno sorriso.
     - Come?
     - Se houver alguma coisa que voc no entenda... - comeou Brooke apenas para ser interrompida pela loura.
     - A signorina Minianti no fala ingls, srta. Gordon - disse ela rapidamente. - No foi informada?
     - Ela no... - Parando, Brooke olhou para o teto com uma careta. - Adorvel.
     - Sou a secretria pessoal do sr. de Marco. Ficarei feliz em traduzir.
     Brooke deu um olhar longo e irritado para a loura e se virou.
     - Aos seus lugares! - ordenou. - Vai ser um longo dia...
     - Um pequeno empecilho? - murmurou Parks quando ela passou por ele.
     - Cale a boca e sente-se, Parks.
     Segurando um sorriso, ele deu um passo  frente para pegar a mo de Gina.
     - Signorina - comeou, e chamou a ateno de Brooke ao continuar em italiano fluente. Sorrindo, Gina respondeu com animao, gesticulando livremente com sua 
outra mo.
     - Ela est empolgada - comentou Parks, sabendo que Brooke parara atrs dele.
     -  o que parece.
     - Ela sempre quis fazer um filme americano. - Ele falou com Gina novamente, alguma coisa que a fez jogar a cabea magnfica para trs e gargalhar com vontade. 
Virando-se, dispensou a loura com um giro do pulso e enganchou o brao no de Parks. Quando eles estavam de frente para ela, o californiano de cabelos castanhos claros 
e a italiana de cabelos negros, Brooke ficou impressionada com o contraste perfeito. Aqueles cinco segundos e meio de filme, pensou, iriam crepitar como uma floresta 
em chamas... e fazer um senhor merchandising para de Marco.
     - Voc parece falar italiano bem o bastante para ajud-la - comentou Brooke.
     - Aparentemente. - Ele sorriu de novo, notando que Brooke no estava com cime, mas apreciando, como se ele e Gina j estivessem em cena. - Ela gostaria que 
eu traduzisse.
     - Tudo bem, diga-lhe que vamos ensaiar uma vez para lhe mostrar o que ela precisa fazer. Ajustem as luzes! - Indo para o cenrio, Brooke esperou impacientemente 
que Gina e Parks a seguissem, enquanto ele traduzia as instrues de Brooke. - Sente-se, Parks, e diga a ela para observar com ateno. Vou comear com voc. - Parks 
se acomodou no sof como foi instrudo. - Faa tudo como se a cmera j estivesse rodando.
     Ele comeou, falando com facilidade, como se estivesse conversando com amigos em uma visita. Perfeito, pensou Brooke quando pegou o copo de usque e andou para 
a cmera atrs do sof. Inclinou-se para a frente, colocando o rosto perto do dele enquanto lhe oferecia o drinque. Sem olhar para a cmera, Parks aceitou, erguendo 
os dedos da outra mo para deslizar pelo dorso da de Brooke quando ela a colocou sobre seu ombro. Brooke endireitou o corpo devagar, saindo do alcance da cmera 
enquanto ele terminava a fala.
     -        Agora, pergunte a ela se entendeu o que precisa fazer - ordenou Brooke.
     Gina levantou a mo com elegncia  pergunta de Parks, silenciosamente comunicando: "E claro".
     - Vamos tentar uma vez. - Brooke foi para trs de E.J. e dos assistentes que moveriam a grua para os closes. - Silncio! - exigiu, efetivamente interrompendo 
alguns murmrios discretos. - Rodando... - a claquete foi exibida: Parks Jones para de Marco, cena trs, tomada um. Ela estreitou os olhos para Parks. - Ao.
     Ele foi bem o bastante na primeira tomada, mas Brooke achou que Parks ainda no se aquecera para aquilo. Gina seguiu as instrues, levando o copo, inclinando-se 
sobre ele sugestivamente. Ento... olhou para cima enquanto a cmera rodava.
     - Corta! Parks, explique a Gina que no pode olhar para a cmera, por favor. - Ela sorriu para a mulher, esperando comunicar pacincia e compreenso. Precisou 
muito das duas coisas quando chegaram  quinta tomada. Em vez de se tornar mais acostumada  cmera, Gina parecia cada vez mais nervosa. - Cinco minutos de intervalo 
- anunciou Brooke. As luzes foram apagadas, e a equipe comeou a se dirigir ao buf. Com outro sorriso, Brooke gesticulou para Gina se juntar a ela e Parks no sof. 
- Parks, diga-lhe que s precisa ser natural. Ela  linda, e os poucos segundos em que vai aparecer no filme causaro um impacto tremendo.
     
     Gina ouviu com as sobrancelhas unidas, ento sorriu para Brooke.
     - Grazie. - Pegando a mo de Parks, ela comeou um longo discurso emocional, desculpando-se por sua falta de jeito e requisitando por alguma coisa gelada para 
acalmar os nervos.
     - Tragam um suco de laranja para a signorina Minianti - exigiu Brooke. - Diga-lhe que no  desajeitada de maneira alguma - continuou diplomaticamente. - Ah, 
pea-lhe que imagine que vocs so amantes, e que, quando a cmera desligar...
     - J entendi - disse Parks com um sorriso. Quando falou com Gina novamente, ela riu, ento meneou a cabea antes de responder. - Ela falou que vai tentar imaginar 
isso - Parks traduziu para Brooke -, mas, se imaginar bem demais, Carlo cortar a minha cabea...
     - Temos de nos sacrificar pela nossa arte - replicou Brooke secamente. - Parks, ajudaria se voc colocasse um pouco mais de tempero nisso.
     - Tempero? - repetiu ele, arqueando uma sobrancelha.
     - Um homem que no se sente excitado com uma mulher como ela se insinuando sobre seu ombro precisa de uma transfuso. - Levantando-se, Brooke bateu-lhe no ombro. 
- Veja o que pode fazer.
     - Qualquer coisa pela arte - respondeu ele com um sorriso irnico.
     Quando EJ. se posicionou atrs da cmera novamente, Brooke foi para trs dele.
     -        Vamos ver se conseguimos uma cena boa desta vez - murmurou ela.
     - Chefe, posso fazer isso o dia todo. - Ele focou em Gina e suspirou. - Acho que morri e fui para o paraso.
     - De Marco vai cuidar disso se voc no tomar cuidado. Posies!
     Melhor, pensou ela. Sim, definitivamente melhor quando eles completaram a sexta tomada. Mas no perfeita. Ela instruiu Parles para pedir que Gina desse  cmera 
um olhar lnguido antes de sorrir de maneira sedutora para ele. A instruo perdeu alguma coisa na interpretao.
     - Corta! Pea-lhe para ficar ao lado da cmera e observar novamente. - Brooke assumiu o lugar de Gina, movendo-se para trs de Parks enquanto ele falava, pegando 
o copo de ch morno que imitava usque. Desta vez, quando Parks pegou o copo, levou a outra mo dela para seus lbios, pressionando ali um beijo suave sem quebrar 
o ritmo do dilogo. Brooke sentiu um arrepio subindo por seu brao e esqueceu de se afastar.
     - Apenas me pareceu natural - justificou Parks, entrelaando os dedos com os dela.
     Brooke pigarreou, ciente de que a equipe observava com vvido interesse.
     -        Tente assim, ento - murmurou ela de modo casual. Voltou para E.J., mas, quando se virou, os olhos de Parks ainda estavam sobre ela. Brooke meneou 
a cabea em frustrao. Conhecia aquele olhar. Lentamente, o significado claro como cristal, Parks sorriu.
     -        Posies! - ordenou ela em sua prpria defesa.
     
     Foram necessrias mais trs tomadas antes que Brooke conseguisse o que queria. Satisfeita consigo mesma, Gina deu dois beijos exuberantes em Parks, um em cada 
face, ento se aproximou de Brooke e murmurou alguma coisa. Olhando para Parks, Brooke viu aquele olhar divertido e aparentemente inocente no rosto dele.
     -         Apenas agradea - aconselhou ele.
     -        Obrigada - Brooke falou com obedincia quando Gina lhe pegou a mo e apertou-a, antes de partir com seus companheiros. - Pelo que eu estava agradecendo? 
- perguntou, usando a manga da camisa para secar o suor da testa.
     - Ela estava elogiando seu gosto.
     - Oh?
     - Falou que seu namorado  magnfico. Abaixando o brao, Brooke o olhou.
     - Verdade? - perguntou friamente.
     Parks sorriu, deu de ombros de maneira apologtica, ento saiu para ver se restara alguma coisa no buf.
     Com as mos nos quadris, Brooke o olhou se afastando. No lhe daria a satisfao de deixar seu prprio sorriso escapar.
     -        Locao em uma hora! - ordenou.
     
     Brooke estivera certa em pensar que a breve terceira cena do comercial seria a mais difcil de filmar. Filmou a segunda a seguir, levando luzes, equipamentos 
e equipe para o vestirio dos Kings. Claire conseguira, com um pouco de negociao, alguns dos melhores jogadores do time de Parks para fazer figurao. Uma vez 
que Brooke conseguiu faz-los ficar quietos de modo que parassem de acenar para cmera ou fazer anncios fictcios ao microfone, o trabalho comeou a funcionar. 
E funcionar bem.
     Por causa da relativa facilidade com que cada segmento progredia, Brooke achou sua dor de cabea crescente inexplicvel. Verdade, o vestirio estava barulhento 
entre as tomadas e, aps a primeira hora de muitos corpos sob luzes quentes, cheirava como um vestirio, mas aquela dor de cabea era pura tenso.
     No comeo, ela simplesmente a ignorou. Ento, quando isso se tornou impossvel, comeou a ficar irritada consigo mesma. No havia motivo para ficar tensa. Parks 
seguia bem as ordens, puxando o suter de cashmere sobre o peito nu para cada tomada. E cada vez que ele lhe sorria, Brooke sentia a dor de cabea aumentar.
     No momento em que a equipe se preparava para a cena no campo de beisebol, ela se convencera de que tudo estava sob controle. Era somente uma dor irritante, 
algo que resolveria com duas aspirinas quando chegasse em casa. Enquanto observava o tcnico de som trabalhar em um microfone, sentiu um brao musculoso deslizar 
por seus ombros.
     - Ol! - Snyder lhe sorriu, conseguindo um sorriso automtico em resposta. Ele era, pensou ela, to perigoso quanto um cocker spaniel.
     - Pronto para a prxima cena, George? Voc foi muito bem antes.  claro, no estar na cmera desta vez.
     -        Sim. Quero mencionar que voc est cometendo um grande erro usando Parks. Muito magro. - Ele flexionou um brao musculoso.
     Brooke assentiu em aprovao.
     - Lamento, mas no tenho nada a ver com a escolha do elenco.
     - Uma pena. Ei, agora que sou um astro, voc vai me buscar no aeroporto?
     - Esquea, Snyder. - Antes que Brooke pudesse responder, Kinjinsky se aproximou, um bon em uma das mos, um taco na outra. - Ela est fora de sua liga. - Ele 
sorriu para Brooke, gesticulando a cabea para o atleta de seu time. - Snyder  especialista em danarinas do ventre.
     - Mentira. - Snyder parecia um coroinha superdesenvolvido. - Tudo mentira.
     - Quando minha filha crescer - disse Kinjinsky suavemente - vou dar conselhos a respeito de homens como ele. - Andando para a base, jogou a bola no ar e a rebateu 
para o campo central.
     - Kinjinsky  o melhor do time com os bastes de treino - murmurou Snyder para Brooke. - Uma pena que tenha tantos problemas com uma bola arremessada para valer.
     - Pelo menos eu consigo correr da primeira  segunda base em menos de dois minutos e meio - devolveu Kinjinsky.
     Snyder, muito acostumado s zombarias de seu corredor de base, fingiu um olhar ofendido.
     -        Tenho um problema anatmico gentico - explicou para Brooke.
     - Oh... - Entrando na brincadeira, ela pareceu solidria. -  uma pena.
     - . Se chama p-de-chumbo - comentou Parks, chegando atrs dele.
     Ouvir a voz de Parks fez a dor de cabea que Brooke quase esquecera piorar de novo. Virou-se para encontr-lo observando-a com seus colegas de time com um sorriso 
preguiosamente divertido. Parks estava de uniforme completo, o branco reluzente que realava a pele dourada. O bon azul-marinho sombreava-lhe os olhos, dando-lhe 
uma aparncia arrogante. De maneira possessiva, estudou-a com cuidado. Desta vez, Brooke sentiu um friozinho na barriga, alm de um n na garganta.
     - S estou entretendo sua mulher - disse Snyder genialmente.
     - Brooke  dona de si mesma. - Mas havia alguma coisa inconfundivelmente possessiva na frase.
     Ouvindo aquilo, Snyder percebeu que havia algo mais profundo ali do que imaginara. Ento o raio finalmente atingira o homem de gelo, pensou. Snyder possua 
o talento para provocar sem piedade, e a natureza de um homem que cuidava de passarinhos com a asa quebrada.
     - Quando ela perceber o quanto fico bem na camera, voc vai perder seu trabalho.
     - De Marco no tem nenhuma linha de produtos para lutadores de sumo - replicou Parks.
     - Cavalheiros - Brooke falou, interrompendo-os. - A equipe est pronta. George, se voc puder assumir seu lugar na primeira base para dar a Parks seu alvo...
     - Ai! - Ele recuou. - Tente no tomar isso ao p da letra, Jones. No quero estar na lista dos incapacitados na prxima semana.
     - Microfone! - Brooke se aproximou de Kin-jinsky. -Acerte as bolas para Parks... Mas no facilite muito para ele, quero ver um pouco de esforo.
     Com um sorriso, Kinjinsky jogou outra bola para o alto.
     - Verei o que posso fazer. Assentindo, ela andou em direo  equipe.
     - Posies! Parks, alguma pergunta?
     -        Acho que posso lidar com isso. - Ele foi para a terceira base, automaticamente levantando um pouco de terra com o tnis.
     Ela olhou atravs das lentes, sentindo o corao acelerar mais uma vez quando focou em Parks. Inclinando o corpo sobre um dos quadris, ele lhe sorriu, Brooke 
se afastou, gesticulando para EJ.
     - Ei, chefe, voc est bem?
     - Sim, estou bem. Rode o filme.
     Foi perfeito. Brooke sabia que podia usar a primeira tomada sem problemas, mas optou por mais duas. Ambas foram timas. Kinjinsky bateu a bola para Parks com 
fora suficiente para faz-lo saltar antes de arremessar para Snyder na primeira base.
     - E a vencedora  a terceira tomada - anunciou EJ. quando Brooke declarou a sesso encerrada.
     - Sim. - Inconscientemente, ela levou a mo  nuca.
     - Ele no deveria nem ter conseguido pegar a bola - continuou E.J., observando Brooke enquanto comeava a guardar seu equipamento.
     - Ele parece ser bom em fazer o impossvel - murmurou ela.
     - Dor de cabea?
     - O qu?! - Olhando para baixo, ela encarou E.J. que a estudava intensamente. - No  nada. - Irritada, abaixou a mo. - Parks j estava conversando no montculo 
com seus dois companheiros de equipe. Tinha a mo enluvada sobre o quadril, rindo do mais novo conceito de Snyder para uma pea a pregar no time. - No  nada - 
repetiu num murmrio, pegando um dos refrigerantes da geladeira porttil.
     No podia ser nada, disse a si mesma quando abriu a garrafa e bebeu um gole prolongado. O que quer que estivesse acontecendo com seu corpo era apenas fruto 
da fadiga aps um longo dia de trabalho. Precisava de aspirina, uma refeio decente e oito horas de sono. Precisava ficar longe de Parks.
     No instante em que o pensamento apareceu, ela ficou furiosa. Ele no tem nada a ver com isso, disse a si mesma com fervor. Estou cansada, tenho trabalhado muito, 
eu... Notando o olhar especulativo de E.J., Brooke piscou.
     - Voc poderia ir embora logo? Ele deu um sorriso amplo.
     - Estou indo. Vou deixar o filme na edio. Assentindo com um breve movimento de cabea,
     Brooke foi at o montculo a fim de agradecer a Snyder e Kinjinsky. Ouviu parte da idia de Snyder, algo sobre sapos na rea de aquecimento, antes que Parks 
se voltasse para ela.
     - Como foi?
     - Muito bom. - Um calor percorria sua pele agora, fsico, tangvel. Ela deu sua ateno aos outros atletas. - Quero agradecer a vocs dois. Sem a ajuda de vocs, 
a filmagem no teria corrido to tranqilamente.
     Snyder apoiou o cotovelo no ombro de Kinjinsky.
     - Apenas se lembre de mim quando quiser algo mais do que um rostinho bonito em um desses comerciais.
     - Tudo bem, George.
     Parks esperou o resto da conversa transcorrer, adicionando comentrios com facilidade, embora sua concentrao estivesse toda em Brooke. Esperou at que os 
jogadores se despedissem e fossem para o vestirio para segurar o queixo de Brooke. De perto, com pacincia, examinou-a.
     -        O que h de errado?
     Ela deu um passo atrs, para interromper o toque.
     - Por que algo deveria estar errado? - perguntou. O toque dele a deixara nervosa e fizera sua cabea pulsar. - Deu tudo certo. Acho que voc vai ficar satisfeito 
quando o filme estiver editado. Com as duas propagandas no ar durante a World Series, no filmaremos mais at novembro. - Virando-se, notou que a maior parte dos 
membros da equipe j havia partido. Descobriu que queria estar longe antes que ela e Parks ficassem completamente sozinhos. - Tenho algumas coisas para fazer no 
escritrio, ento...
     - Brooke - ele a interrompeu -, por que voc est aborrecida?
     -        Eu no estou aborrecida! - Reprimindo a fria, voltou-se para ele. - Foi um longo dia, estou cansada. Isso  tudo.
     Lentamente, Parks meneou a cabea.
     - Tente de novo.
     - Deixe-me em paz - exclamou Brooke numa voz baixa e trmula, que informou a ambos quo perto ela estava de uma crise nervosa. - S me deixe em paz.
     Deixando a luva cair no cho, ele lhe segurou ambos os braos.
     -        Sem chance. Podemos conversar aqui, ou podemos ir para sua casa e discutir o assunto. Voc escolhe.
     Ela se afastou.
     - No h nada a discutir.
     - Tudo bem. Ento vamos jantar e ver um filme.
     - Eu lhe disse que tenho trabalho a fazer.
     - Sim. - Parks assentiu vagarosamente. - Voc mentiu.
     Uma raiva aguda preencheu os olhos de Brooke.
     - No preciso mentir, tudo que tenho de fazer  lhe dizer no.
     - Verdade - concordou ele, controlando seu temperamento. - Por que est zangada comigo? - A voz era calma, paciente. Os olhos no. O sol batia contra eles, 
acentuando a sexualidade feroz.
     - No estou zangada com voc! - ela quase gritou.
     - As pessoas geralmente gritam quando esto zangadas.
     - Eu no estou gritando - declarou Brooke, aumentando ainda mais o tom de voz.
     Curiosamente, Parks inclinou a cabea.
     - No? Ento o que est fazendo?
     - Tenho medo de estar me apaixonando por voc. - A expresso de Brooke se tornou cmicamente surpresa depois que as palavras saram. Olhou-o incrdula, ento 
cobriu a boca com uma das mos como se pudesse apagar as palavras.
     - Ah, ? - Ele no sorriu ao dar outro passo em direo a ela. Nem em finais de campeonato se lembrava de ter ficado to ansioso, mas, com o mximo de seu autocontrole, 
no deixou transparecer. - Isso  verdade?
     - No, eu... - Em defesa, ela olhou ao redor... apenas para descobrir que estava sozinha com ele. Sozinha no territrio de Parles. As arquibancadas se erguiam 
como muralhas para enclausur-los no campo de grama e terra. Brooke saiu do montculo. - No quero ficar aqui.
     Parks meramente acertou seu passo com o dela.
     - Por que o medo, Brooke? - Ele ergueu uma das mos para o rosto dela, fazendo-a parar. - Por que uma mulher como voc teria medo de se apaixonar?
     - Eu sei o que acontece - disse Brooke, com olhos escuros subitamente tempestuosos em contraste com a voz trmula.
     - Certo. Por que no me conta?
     - Eu vou parar de pensar. Vou parar de ser cuidadosa. - Ela deslizou a mo agitada pelos cabelos. - Vou me doar at perder a razo, e, quando acabar, no me 
restar nada.  sempre assim - sussurrou, pensando em todos os seus pais transitrios, pensando em Clark. - No vou permitir que isso acontea de novo. No posso 
me envolver com voc por diverso, Parks.
     Isso simplesmente no est funcionando. - Sem noo de rumo, Brooke se virara e comeara a andar rumo  terceira base. Parks sentiu o calor de seu pingente 
de ouro contra o peito e resolveu que aquilo era o destino. Sem pressa, seguiu-a. A terceira base era seu reino pessoal.
     -        Voc est envolvida comigo, esteja se divertindo com isso ou no.
     Ela lhe lanou um olhar penetrante. Aquele no era o homem calmo e sereno, mas o guerreiro. Brooke endireitou os ombros.
     -        Isso pode ser remediado.
     -        Tente - desafiou ele, calmamente segurando sua camisa na mo e puxando-a para si.
     Brooke inclinou a cabea para trs, furiosa, e talvez mais assustada do que jamais se sentira na vida.
     - No vou continuar saindo com voc. Se no pode trabalhar comigo, resolva isso com Claire.
     - Oh, eu posso trabalhar com voc - murmurou ele suavemente. - At posso mesmo aceitar ordens suas sem grandes problemas, porque voc  excelente no que faz. 
J lhe falei uma vez que seguiria suas regras enquanto a cmera estivesse ligada. - Parks olhou ao redor, silenciosamente declarando que no havia cmera desta vez. 
-  difcil combater um homem em seu prprio terreno, Brooke, especialmente um homem que est acostumado a vencer.
     - Eu no sou um trofu, Parks - disse ela com surpreendente firmeza.
     - No. - Com uma das mos ainda lhe segurando a camisa, ele tocou gentilmente o rosto de Brooke com a outra. - Trofus so conquistados por um time. Uma mulher 
 uma proposta particular. Intervalo da stima entrada, Brooke. Hora de respirar rapidamente antes que o jogo recomece. - A mo em seu rosto desceu para lhe segurar 
o pescoo. Ela se perguntou se ele podia sentir sua pulsao loucamente acelerada. Ento, Parks sorriu, aquele sorriso longo e perigoso que sempre a seduzia. - Eu 
estou apaixonado por voc.
     Ele falou to calmamente, com tanta simplicidade, que Brooke levou um momento para entender. Cada msculo de seu corpo enrijeceu.
     -        No faa isso.
     Parks arqueou uma sobrancelha.
     - No me apaixonar ou no contar?
     - Pare. - Ela ps as mos no peito dele numa tentativa de empurr-lo. - Isso no  brincadeira.
     - No, no . Do que tem mais medo? - perguntou ele, estudando-lhe o rosto plido. - De amar ou de ser amada?
     Brooke meneou a cabea. Tomara tanto cuidado para no cruzar aquela linha tnue, tanto cuidado para impedir que qualquer um a cruzasse. Claire fizera aquilo, 
e E.J., percebeu. Amava os dois. Mas era um tipo inteiramente diferente de amor. Aquilo a apavorava, a petrificava.
     -        Voc poderia me perguntar quando aconteceu. Eu no saberia responder - continuou Parks, massageando os msculos tensos do pescoo de Brooke. - No 
houve um aviso, nem sinos ou violinos tocando. Nem mesmo posso dizer que fui pego de surpresa porque notei que estava acontecendo. No tentei fugir ou evitar, tambm. 
- Meneou a cabea antes de levar os lbios aos dela. - Voc no pode fazer isso desaparecer, Brooke.
     O beijo a abalou at a alma. Foi forte, poderoso e exigente, sem o menor indcio de urgncia. Era como se Parks soubesse que ela no podia ir a lugar algum. 
Podia lutar contra ele, pensou Brooke. Ainda podia lutar contra ele. Mas a tenso se esvaa de seu corpo, preenchendo-a com uma sensao de liberdade que pensara 
jamais ser possvel alcanar. Algum a amava.
     Sentindo a mudana, Parks se afastou. No a ganharia com paixo. Suas necessidades eram profundas demais para se contentar com isso. E ento os braos de Brooke 
o envolveram, o rosto pressionado contra seu peito num gesto no de desejo, mas de confiana. Quem sabe o incio da verdadeira confiana.
     -        Fale - murmurou ela. - S diga.
     Parks a abraou apertado, acariciando-lhe os cabelos, enquanto uma brisa soprava no estdio vazio.
     -        Eu amo voc.
     Com um suspiro, Brooke ergueu a cabea e segurou-lhe o rosto nas mos.
     -        Eu amo voc, Parks - murmurou antes de tomar-lhe os lbios nos seus.
     
     
     
   Captulo Dez
     
     
     Vestirios tinham seu cheiro prprio. Suor, talco, unguento, o aroma levemente qumico de gua tratada de piscina, e a fragrncia dominante de caf. A mistura 
de odores era to presente em sua vida que Parks sequer notava ao vestir sua camisa de aquecimento. O que notava era a tenso. Isso era inescapvel. Mesmo a determinao 
de Snyder para pregar peas nos outros no era capaz de aliviar o nervosismo no vestirio naquela tarde. Quando um time passava meses junto... trabalhando, suando, 
vencendo e perdendo... rumo a um objetivo comum, nada seria capaz de acalmar seus nervos para enfrentar o stimo jogo da World Series.
     Se eles estivessem no embalo, o clima seria diferente. Todos os pequenos desconfortos tpicos do fim de uma temporada mal seriam notados: as pernas cansadas, 
as pequenas dores no corpo. Mas os Kings haviam perdido os dois ltimos jogos para os Herons. Um atleta profissional sabe que a habilidade no  o nico fator determinante 
em uma vitria. Estar no embalo, ter sorte, aproveitar as oportunidades, tudo conta.
     Mesmo se os Kings pudessem ter alegado estar em uma m fase, poderia ter havido um pouco mais de animao no vestirio. O fato era que os Herons jogaram melhor. 
O nmero de rebatidas entre os oponentes era quase o mesmo... mas os Herons haviam marcado pontos, enquanto os Kings desperdiaram muitas corridas. Agora chegava 
a ltima chance para ambos os times. Ento, quando acabasse, voltariam todos a suas vidas fora do calendrio da MLB.
     Parks olhou para Snyder, que estaria em seu barco fretado na Flrida na semana seguinte. Pescando e contando mentiras, ele dizia. Kinjinsky jogaria no inverno, 
em Porto Rico. Maizor, o primeiro arremessa-dor, se prepararia para ser pai pela primeira vez quando sua esposa desse  luz em novembro. Alguns iriam para o circuito 
de festas e entrevistas... dependendo do resultado daquele ltimo jogo. Outros pegariam empregos tranqilos at que fevereiro chegasse, e, com ele, os treinos da 
primavera.
     E Parks Jones faria propagandas, refletiu ele com uma pequena careta. Mas a idia no lhe parecia mais to tola quanto alguns meses atrs. Sentia certo prazer 
em atuar diante da cmera, embora Brooke no chamasse aquilo de prazer. Mas ele no estava muito satisfeito com a idia de outdoors que Lee inventara.
     Sorriu um pouco enquanto vestia as chuteiras. Um hype em torno de Parks Jones, dissera Brooke, alegando que aquilo era apenas parte do jogo. Ela estava certa, 
 claro, como geralmente estava sobre essas coisas. Mas Parks no achava que algum dia ficaria completamente confortvel com o jeito como Brooke era capaz de estud-lo 
com aqueles olhos calmos e descrev-lo com uma pequena quantidade de palavras bem escolhidas. Qualquer homem no ficaria desconcertado por ter se apaixonado por 
uma mulher que podia facilmente interpretar cada expresso, cada movimento ou cada palavra dita sem pensar? Admita, Jones, disse a si mesmo, voc poderia ter escolhido 
uma mulher mais fcil. Poderia, refletiu, mas no o fez. E, uma vez que Brooke Gordon era quem e o que ele queria, ela valia o esforo que era necessrio para conquist-la 
e continuar com ela. Parks no era to prepotente a ponto de acreditar que j tivera uma vitria definitiva.
     Sim, Brooke o amava, mas a confiana dela era algo muito tnue. Parecia esperar que ele fizesse um movimento, para apenas em seguida fazer o seu. E assim o 
jogo continuava. Era justo, decidiu. Ambos foram programados para competir. Ele no queria domin-la... queria? Franzindo o cenho, Parks puxou um bon de seu armrio 
e examinou-o cuidadosamente. Se tivesse de responder com honestidade, diria que no tinha certeza. Brooke ainda o desafiava, como fizera desde o primeiro momento. 
Agora, juntamente  sensao de desafio, havia tantas emoes que era difcil identific-las.
     Ele ficara zangado quando Brooke no mudara sua agenda de trabalho para voar para o leste durante os jogos no estdio dos Herons. E, quando se sentira zangado, 
ela havia se tornado fria. Seu trabalho, lhe dissera, no podia ser colocado de lado para satisfazer as necessidades dele, e nem mesmo as dela, no mais do que o 
de Parks podia. Apesar de entender, ele no gostara daquilo. Simplesmente a queria l, precisando saber que ela estaria na platia, de modo que pudesse olhar para 
cima e v-la. Quisera saber que Brooke estaria l quando o longo jogo terminasse. Puro egosmo, admitiu. Ambos possuam uma boa dose de egosmo.
     Com um sorriso amargo, deslizou uma das mos pelo taco. Ela lhe avisara que no seria fcil. Brooke conquistara a prpria independncia muito antes de ele entrar 
em sua vida. As circunstncias a haviam transformado na pessoa que era, embora ela ainda no tivesse esclarecido completamente que circunstncias foram essas. Todavia, 
tinha sido por aquela pessoa, a mulher forte, vulnervel, prtica e que gostava de privacidade, que Parks se apaixonara. Entretanto, s vezes mal conseguia conter 
a vontade de sacudi-la e dizer-lhe que fariam as coisas do seu jeito.
     Parks supunha que o que exemplificava a situao deles naquele ponto era o arranjo de moradia. Ele tinha praticamente se mudado para a casa dela, embora nenhum 
dos dois tivesse discutido o assunto. Mas Parks sabia que Brooke considerava a casa somente sua. Conseqentemente, estava morando com ela, mas no estavam morando 
juntos. Ele no sabia ao certo se sua pacincia duraria o tempo necessrio para transpor aquela ltima barreira... sem deixar um enorme buraco ao passar.
     Praguejando baixinho, pegou uma luva de rebate-dor no armrio, guardando-a em seu bolso traseiro. Se tivesse de usar um pouco de dinamite, usaria, decidiu.
     -        Ei, Jones! Aquecimento no campo interno.
     -        Certo. - Ele pegou sua luva e calou-a. Lidaria com Brooke, disse a si mesmo. Mas antes, havia um campeonato a vencer.
     Alternadamente praguejando e tamborilando os dedos no volante, Brooke atravessou o estacionamento  procura de uma vaga.
     -        Eu sabia que deveramos ter sado mais cedo
     -        murmurou ela. - Teremos sorte se encontrarmos uma vaga a um quilmetro do estdio.
     Recostando-se sobre o assento, E.J. interrompeu a msica que cantarolava para comentar:
     - Ainda faltam 15 minutos para o incio do jogo.
     - Quando algum lhe consegue um ingresso grtis - disse Brooke de modo preciso -, o mnimo que voc pode fazer  estar pronto quando vo apanh-lo. Uma vaga 
ali! - Ela acelerou e deslizou entre dois carros com centmetros de folga. Pisando no freio, olhou para seu companheiro. - Pode abrir os olhos agora, E.J. - disse 
secamente.
     Cautelosa, ainda que imediatamente, foi o que ele fez.
     -        Certo. - E.J. olhou para o carro ao seu lado.
     -        Agora, como samos?
     - Abra a porta e encolha a barriga - aconselhou ela, torcendo-se para conseguir sair de seu prprio lado. - E corra, certo? No quero perder a entrada deles 
no campo.
     - Notei que seu interesse em beisebol cresceu durante o vero, chefe. - Agradecendo por sua magreza, E.J. se espremeu para sair do Datsun.
     -  um jogo interessante.
     - Srio? - Juntando-se a Brooke, ele sorriu.
     - Cuidado, E.J., ainda estou com seu ingresso. Posso negoci-lo vinte vezes antes de chegarmos  porta.
     - Ora, Brooke, pode contar ao seu amigo o que j est nos jornais.
     Brooke fez uma careta, enfiando as mos nos bolsos. Houvera fotos de Parks com ela, notinhas perturbadoras e insinuaes em cada jornal que lia por mais de 
uma semana. Em Los Angeles, as fofocas se espalhavam rapidamente, e um magnfico jogador de beisebol e sua atraente diretora eram definitivamente alimento para fofoca.
     - Consegui at mesmo algumas informaes privilegiadas - continuou E.J., alegremente ignorando a expresso raivosa nos olhos de Brooke. - Os boatos dizem que 
talvez Parks assuma... h... o show business seriamente - disse, dando-lhe um outro sorriso.
     - Claire tem um papel para ele, se Parks quiser - replicou Brooke, esquivando-se do significado bvio daquilo. -  um papel pequeno, mas bom. Eu no quis ir 
fundo nisso com Parks at depois do campeonato. Ele j tem muita coisa na cabea.
     - Sim, eu diria que Parks tem tido algumas coisas na cabea j faz um tempo.
     - E.J. - disse ela em tom de censura quando lhe passou o ingresso.
     - Sabe - continuou ele, enquanto lutavam para passar entre a multido -, sempre me perguntei quando apareceria algum capaz de abalar um pouco essa sua frieza 
externa.
     - Srio?! - Ela no queria parecer estar se divertindo, e ps os culos escuros para esconder o humor em seus olhos. - E, aparentemente, voc pensa que algum 
conseguiu, certo?
     - Querida,  impossvel algum se aproximar de vocs dois sem sentir a paixo. Tenho pensado... - E.J. mexeu na frente da camisa, como se estivesse endireitando 
uma gravata. - Como seu melhor amigo e colega de trabalho, talvez eu deva perguntar as intenes do Sr. Jones.
     -        Experimente, E.J., e eu quebro todas as suas lentes. - Dividida entre divertimento e irritao, Brooke se acomodou em sua cadeira. - Sente-se e me 
compre um cachorro-quente.
     Ele sinalizou para o vendedor ambulante.
     - O que voc quer no cachorro-quente?
     - Completo.
     - Vamos, Brooke. - Ele pegou algumas notas no bolso, trocando-as por cachorros-quentes e refrigerantes. - De amigo para amigo, o quanto isso  srio?
     - Voc no vai desistir, vai?
     - Eu me importo.
     Brooke o fitou. Ele estava sorrindo, no o sorriso zombeteiro que ela via to freqentemente, mas um sorriso simples de amizade. Aquela era, talvez, a nica 
arma contra a qual Brooke no tinha defesa.
     - Estou apaixonada por ele - confessou baixinho. - Suponho que seja srio.
     - Muito srio - concordou ele. - Meus parabns.
     - E eu deveria me sentir como se estivesse andando  beira de um penhasco? - perguntou ela, apenas meio brincando.
     - No sei. - E.J. deu uma mordida considervel em seu cachorro-quente. - Nunca tive a experincia.
     - Nunca se apaixonou, E.J.? -- Recostando-se no assento, Brooke sorriu. - Voc?
     - No.  por isso que passo tanto tempo olhando para as mulheres. - Ele suspirou longamente. - Isso  um negcio complicado, Brooke.
     - Sim. - Ela lhe tirou o bon de beisebol e o golpeou com ele. - Aposto que . Agora cale a boca. Eles vo anunciar a escalao.
     Um negcio complicado, pensou Brooke novamente. Bem, EJ. no estava muito errado, mesmo que tivesse dito aquilo brincando. Procurar um amor era uma ocupao 
solitria da qual ela desistira... ou assim pensava anos atrs. Encontr-lo, mesmo sem ter procurado, era ainda mais complicado. Uma vez que o amor encontrava uma 
pessoa, permanecia, independentemente do quanto voc tentasse se livrar dele. Mas Brooke no estava tentando se livrar, refletiu. Estava apenas tentando entender 
como isso se encaixaria em sua vida e fazer alguns ajustes.
     -        Na terceira base, quarto rebatedor, nmero 29, Parks Jones!
     A multido j alvoroada se tornou frentica quando Parks entrou no campo para assumir seu lugar junto aos jogadores. Quando ele parou ao lado de Snyder, deixou 
os olhos vaguearem. E encontrou os de Brooke. Com um sorriso, inclinou o bon, como de costume. Era um gesto para o pblico, mas Brooke sabia que lhe fora dirigido 
pessoalmente. Era todo o reconhecimento que Parks lhe daria at que o jogo estivesse terminado. Era tudo que ela esperava.
     -        Vou bater mais do que voc hoje, Homem de Gelo - avisou Snyder, sorrindo para a multido. - Ento Brooke vai perceber o erro que cometeu.
     Parks no tirou os olhos dela.
     - Ela vai se casar comigo. Snyder ficou boquiaberto.
     - Est brincando! Bem, ei...
     - Ela s no sabe ainda - acrescentou Parks num murmrio. Cumprimentou o campista-direito, quinto rebatedor. - Mas vai saber.
     Brooke detectou uma mudana no sorriso de Parks, alguma coisa sutil, mas inconfundvel. Estreitando os olhos, tentou decifrar o que era.
     -        Ele est planejando alguma coisa - murmurou. EJ. aperfeioou a foto com sua pequena mquina fotogrfica.
     -        O qu?
     -        Nada. - Ela girou o refrigerante, chacoalhando os cubos de gelo. - Nada.
     Um famoso cantor de blues foi ao microfone para cantar o hino nacional. As duas linhas de atletas removeram seus bons. O pblico se levantou, em silncio pela 
ltima vez em mais de duas horas. A excitao era to tangvel que Brooke pensou que poderia estender a mo e agarrar um punhado. Uma excitao que aumentou cada 
vez mais, at explodir em gritos e assobios quando a ltima nota do hino foi tocada. Os Kings assumiram seus lugares no campo.
     Locutores esportivos gostam de dizer que o stimo jogo da World Series  o momento supremo do esporte, o maior teste de esforo da equipe e de cada jogador. 
Aquele no era exceo. Na primeira entrada, Brooke viu o campista-central dos Kings se estender  frente a fim de pegar uma bola e correr, depois se agarrar a ela 
quando o impulso o forou a dar uma cambalhota. Viu o interbases dos Herons parecer voar atrs de uma bola para agarrar uma rebatida. No fim da quarta entrada, os 
times tinham um ponto cada, ambos home runs.
     Brooke vira Parks guardar sua posio na terceira base, roubando, como Lee teria dito, duas rebatidas certeiras e iniciando uma dupla eliminao. Observando-o, 
ela percebeu que ele jogava aquela partida como jogava qualquer outra: com total concentrao, com firme determinao. Se estava nervoso, se o pensamento de que 
aquele era o jogo estivesse em algum lugar de sua mente, isso no transparecia. Quando entrou para rebater, ela se inclinou sobre a grade de proteo.
     Antes de entrar na caixa, Parks deslizou uma das mos de cima a baixo no taco, como se verificasse se no havia lascas. Ele estava esperando a calma, no a 
calma dos fs frenticos, mas uma calma interior. Em sua mente, podia ver Brooke inclinada sobre a grade, os cabelos caindo sobre os ombros, os olhos frios e diretos. 
O frio em sua barriga diminuiu.
     Quando parou na home plate, sua prioridade era avanar o corredor. Com Snyder na primeira base, ele teria que pr a bola muito alm do campo interno. E o arremesso 
deles seria cuidadoso. Nas duas vezes em que fora rebater, Parks fizera uma rebatida simples no espao entre a terceira base e o interbases.
     Parks assumiu sua postura e fitou diretamente os olhos do arremessador. Observou os movimentos, viu a bola vindo em sua direo e bateu. O arremesso foi fora 
da zona de strike. Bola um.
     Saindo da caixa, Parks bateu o taco contra os tnis para limp-los. Sim, eles seriam cuidadosos nos arremessos. Mas ele podia levar Snyder  segunda base to 
facilmente com uma base por bolas quanto com uma rebatida. O problema era que a segunda base no era uma posio que garantisse um ponto a Snyder.
     O segundo arremesso foi errado, baixo e para fora. Parks checou o sinal do treinador da terceira base. No permitiu que seus olhos seguissem na direo de onde 
Brooke estava sentada. Sabia que mesmo aquele breve contato destruiria sua concentrao.
     O arremesso seguinte veio em sua direo, quase lhe acertando a mo, e foi rebatido para fora. A multido exigiu uma rebatida vlida. Parks olhou para Snyder, 
que estava parado na base, antes entrar na caixa novamente.
     Esperando igualar a contagem, o arremessador tentou uma outra bola curva e rpida. Naquela frao de segundo, Parks jogou seu peso para a frente. Com pulsos 
retos e firmes, rebateu, girando os quadris juntamente com o basto. Teve a satisfao de ouvir a bola bater no basto antes que a multido estivesse em p, gritando.
     A bola passou voando sobre o campo central e, embora trs homens a perseguissem, nenhum deles chegou antes que ela casse na rea de terra no fim do campo, 
batendo alto no muro. Com a torcida gritando de todos os lados, Parks se contentou com uma corrida de duas bases. O suor escorria por suas costas, mas ele mal sentia. 
Pensou por um momento que, se tivesse puxado a bola um pouco para a direita, ela teria passado limpa, marcando dois. Ento parou de pensar nisso.
     Com Snyder na terceira base, ele no podia sair muito na frente, e se contentou em colocar apenas alguns centmetros entre si mesmo e a base. A chance de Farlo 
sacrificar para Snyder marcar era pequena. O campista externo podia mandar a bola para qualquer lugar do campo, mas no era um rebatedor de potncia. Parks se agachou, 
balanando os braos para manter os msculos relaxados.
     Farlo logo ficou para trs, rebatendo para fora dois arremessos e frustrando a multido. Parks simplesmente se recusou a pensar na possibilidade de ficar preso 
em uma base de novo. Os jogadores das bases os estavam pressionando, em busca daquela bola rasteira que poderia se transformar numa dupla eliminao.
     Parks viu o arremesso, avaliou-o como uma curva baixa e ficou tenso. Farlo sorriu e rebateu para o campo direito. Parks j estava correndo por instinto antes 
mesmo de mandar seus ps se moverem. O treinador da terceira base estava acenando para ele. Anos de treinamento fizeram Parks passar pela terceira base  toda, se 
lanando  home plate, sem hesitao ou questionamento. Viu o receptor se agachando, pronto para receber a bola, dando cobertura  home plate como uma parede humana. 
Lembrou-se de que o campista direito dos Herons era conhecido por sua fora e preciso antes de se jogar na base principal, deslizando com os ps e levantando muita 
poeira. Sentiu uma pontada de dor quando seu corpo colidiu com o do receptor, ouviu o forte sopro de ar de seu oponente na coliso e viu a pequena bola branca ser 
engolida pela luva.
     Eles eram uma confuso de membros entrelaados. A dor era mtua. O rbitro abriu os braos.
     -        Salvo!
     A multido enlouqueceu, estranhos abraaram estranhos, cervejas caram de copos. Brooke descobriu que E.J. a abraara para uma dana rpida. A cmera fotogrfica 
bateu no peito dela, mas Brooke levou diversos segundos para sentir isso.
     -        Meu homem! - gritou E.J., girando-a e a fazendo colidir com um homem  direita, que jogou sua caixa de pipocas no ar.
     No, pensou ela sem flego. Meu homem.
     Na plate, Parks no se concentrou no alvoroo da multido, mas em levar ar suficiente aos pulmes para se levantar novamente. O joelho do receptor batera forte 
em suas costelas. Levantando-se, espanou a sujeira de seu uniforme com as mos e se dirigiu ao banco, onde os membros de seu time o esperavam. Desta vez, permitiu 
que seus olhos a encontrassem. Brooke estava de p, os braos ainda ao redor de E.J. Mas o rosto se suavizou com um sorriso dedicado somente a ele.
     Tocando o bon, Parks desapareceu no banco. O treinador j tinha o antiinflamatrio em spray pronto para suas costelas.
     Parks j havia se esquecido de suas dores muito antes de assumir sua posio de defesa no incio da nona entrada. Os Herons diminuram a vantagem para um ponto 
com corridas hericas na stima entrada. Desde ento, ambos os times se mantiveram firmes na defesa. Mas agora Maizor estava encrencado.
     Com apenas um eliminado, ele tinha um corredor na segunda base e um rebatedor forte. Ele poderia faz-lo andar, considerou Parks enquanto o receptor levantava 
o capacete e ia em direo ao montculo para falar com o arremessador, Mas os Herons tinham mais rebatedores fortes na escalao, e alguns reservas que no podiam 
ser subestimados. Parks andou lentamente at o montculo, notando que Maizor estava tenso.
     - Vai peg-lo? - perguntou Parks enquanto o receptor mascava um chiclete do tamanho de uma bola de golfe.
     - Sim, Maizor vai cuidar dele, no vai?
     - Claro! - Maizor virou a bola na mo diversas vezes. - Ns todos queremos uma carona no novo carro esporte do Jones.
     Parks deu de ombros  meno do prmio oferecido ao melhor jogador da partida. Eles ainda precisavam pr mais dois para fora, e sabiam disso.
     -        Uma coisa. - Ele ajustou seu bon. - No o deixe rebater na minha direo.
     Maizor praguejou. Ento, sorriu, e relaxou visivelmente.
     -        Vamos jogar.
     Por sobre o ombro, Maizor olhou para o corredor na segunda base. Satisfeito porque a liderana dele no era to grande, arremessou a bola. Parks quase pde 
ouvir o vento quando o basto bateu, um pouco acima da bola. Kinjinsky falou, dizendo a ele para se acalmar e repetir o arremesso. Ele fez isso, mas desta vez o 
re-batedor o acertou em cheio.
     Como se um boto tivesse sido apertado, Parks foi para a bola, saltando de seu lado enquanto Kinjinsky se movia rapidamente para cobri-lo. Ele teve somente 
alguns instantes para julgar a velocidade e a altura. Enquanto sentia seu corpo cair na direo da bola, sentiu o corredor passar por ele em seu caminho para a terceira 
base. Caindo sobre os joelhos, Parks a pegou perto do solo. Sem perder tempo se levantando, jogou a bola em direo  terceira base. Kinjinsky a agarrou rapidamente 
e agentou firme quando o corredor deslizou na sua direo.
     - Ainda tentando fazer as jogadas fceis parecerem difceis? - comentou o interbases enquanto passavam um pelo outro. Ambos estavam cobertos de terra e suor. 
- Mais um, amigo, s mais um.
     Parks deixou o barulho ensurdecedor da multido penetrar seus sentidos enquanto se agachava na terceira base. Sua expresso era totalmente impassvel. O prximo 
corredor, que poderia empatar, estava na primeira base. No momento em que a contagem chegou a trs em base e dois fora, estar no campo era como estar no olho de 
um furaco. O barulho e a turbulncia da arquibancada os rodeavam. No campo, a tenso era silenciosa.
     Maizor arremessou para dentro, atrapalhando o re-batedor. A bola foi batida, tomando efeito para fora. Parks a perseguiu em direo aos assentos, correndo com 
velocidade total como se o muro no estivesse  sua frente. Ele podia peg-la, sabia que podia peg-la... se nenhum torcedor excitado estendesse o brao e a agarrasse 
antes.
     Com a mo livre, segurou na grade de proteo e ergueu a luva. Sentiu o impacto da bola e fechou o couro sobre ela. Enquanto as pessoas comeavam a gritar, 
se descobriu de frente para Brooke. A bola praticamente cara no colo dela.
     - Boa, campeo. - Inclinando-se, ela o beijou na boca.
     Ento, um dos jogadores o agarrou pela cintura, e o resto foi loucura.
     
     Parks teve mais champanhe jogado sobre si do que poderia ter bebido. O lquido se misturou ao suor e limpou um pouco da sujeira. Snyder se posicionara no topo 
de um armrio, e de l esvaziava duas garrafas de champanhe em qualquer um que estivesse  vista, inclusive reprteres e dirigentes da liga. Acusado de estar se 
exibindo, Parks foi atirado de roupa e tudo na banheira de hidromassagem. Agradecido, despiu-se e permaneceu ali mesmo, com meia garrafa de champanhe. Da banheira, 
deu suas entrevistas enquanto a gua combatia as dores de seu corpo e a confuso reinava ao seu redor.
     O arremesso para sua corrida dupla havia sido uma bola rpida por fora. Sim, seu mergulho para a home plate fora arriscado, considerando a fora do campista 
direito, mas ele sara com uma boa vantagem. Continuou respondendo perguntas, enquanto Snyder, em um uniforme ensopado de champanhe, era posto, de forma no muito 
gentil, na banheira com ele. Parks foi mais para baixo do chuveiro e bebeu o champanhe gelado direto da garrafa. Sim, a ruiva na arquibancada era Brooke Gordon, 
sua diretora nas propagandas da de Marco. Parks sorriu quando Snyder fez uma observao perspicaz para chamar a ateno dos reprteres. Companheiros de equipe podiam 
provocar um ao outro, mas se protegiam entre si.
     Parks fechou os olhos por um momento, apenas um momento. Queria lembrar o instante em que ela se inclinara  frente e levado os lbios aos seus. Tudo havia 
sido exaltado naquele segundo da vitria. Ele pensara ser capaz de ouvir cada grito vindo da multido. Tinha visto a luz do sol brilhando na pintura descascada da 
grade, sentido o calor quando sua mo se fechara ao redor da bola. Ento, vira os olhos de Brooke, fechados, suaves, lindos. A voz baixa, passando excitao, humor 
e amor, tudo em duas palavras. Quando ele lhe tocara os lbios, os de Brooke estavam quentes e macios, e, por um instante, isso tinha sido tudo que Parles sentira. 
Apenas a textura sedosa dos lbios dela. Nem mesmo ouvira o fim do jogo ser anunciado. Quando fora arrastado de volta para o campo pelos companheiros de time, Brooke 
simplesmente baixara o queixo sobre a grade e lhe sorrira. Mais tarde. Pensou ter ouvido o pensamento dela to claramente quanto se tivesse sido falado.
     Levou duas horas para que o ltimo reprter sasse. Os jogadores estavam se acalmando. A primeira comemorao da vitria acabara, sendo substituda por uma 
alegria calma que muito em breve se transformaria em nostalgia. O ano estava encerrado. No haveria mais treino no campo, treino de rebatidas, noites passadas em 
avies com jogos de cartas e roncos. Eles exerciam uma profisso em que o hoje acabava rapidamente, e o amanh exigia sempre todos os seus esforos. Agora, no existia 
um amanh, mas o ano seguinte.
     Alguns estavam sentados, conversando calmamente nos bancos no meio da desordem do vestirio, enquanto Parles se vestia. Ele olhou para um arremessa-dor substituto, 
um rapaz de aproximadamente 19 anos, completando seu primeiro ano de campeonato. Ele segurava suas caneleiras nas mos como se no pudesse partir sem elas. Parks 
guardou sua luva na sacola de lona e de repente se sentiu velho.
     - Como esto as costelas? - perguntou Kin-jinsky, pendurando a prpria sacola sobre o ombro.
     - Bem. - Parks gesticulou para o garoto no banco. - O garoto mal tem idade para votar.
     - Sim. - Kinjinsky, um homem maduro de 32 anos, sorriu. - Isso  terrvel, no ? - Os dois riram enquanto Parks fechava o armrio pela ltima vez naquele ano. 
- Vejo voc na primavera, Jones. Minha mulher est esperando por mim.
     Parks fechou o zper de sua sacola enquanto refletia sobre aquilo. Ele tambm tinha uma mulher, e levaria trinta minutos para chegar s montanhas.
     -        Ei, Parks. -- Snyder o alcanou antes que ele chegasse  porta. - Voc realmente vai se casar com ela?
     -        Assim que conseguir convenc-la disso. Snyder assentiu, no questionando aquela resposta.
     -        Ligue para mim quando marcar o casamento. Quero ser o padrinho.
     Com um sorriso, Parks estendeu a mo e apertou a de Snyder.
     -        Com certeza voc vai ser, George. - Ele foi para o corredor, fechando a porta do ginsio e da temporada.
     Quando emergiu do lado de fora, estava anoitecendo. Apenas alguns torcedores ainda permaneciam ali, mas Parks lhes deu autgrafos e o tempo que eles quiseram. 
Pensou preguiosamente sobre comprar uma outra garrafa de champanhe para si mesmo e para Brooke enquanto assinava seu nome num bon de beisebol de um menino de 12 
anos. Champanhe, um fogo queimando na lareira, velas. Parecia um bom cenrio para propor casamento. Seria naquela noite, porque no achava que podia perder.
     O estacionamento estava quase deserto. A iluminao enfraquecia conforme o crepsculo se aprofundava. Ento Parks a viu. Brooke estava sentada no capo do carro 
dele, iluminada por uma lmpada de segurana, os cabelos como centelhas de fogo ao redor do rosto delicado, mas de ossos fortes. O amor o arrebatou, um amor to 
possessivo que lhe tirou o flego. Exceto pelos lbios que se curvaram num sorriso, ela no se moveu. Percebeu ento que Brooke o estava observando havia algum tempo. 
Esforando-se para recuperar algum controle sobre seus msculos, continuou andando em sua direo.
     - Se eu soubesse que voc estava aqui fora, teria sado mais cedo. - Ele sentiu a dor em suas costelas novamente. No pelo ferimento, dessa vez, mas por uma 
necessidade com a qual ainda no se acostumara.
     - Pedi que EJ. levasse o meu carro. No me importei em esperar. - Aproximando-se, ela ps ambas as mos sobre os ombros dele. - Parabns.
     Deliberadamente, Parks colocou sua sacola de lona no asfalto e mergulhou as mos nos cabelos de Brooke. Eles se entreolharam brevemente, infinitamente, antes 
que ele abaixasse os lbios e tomasse o que necessitava.
     Suas emoes estavam mais sintonizadas do que tinha percebido. Todo o prazer da vitria, o desgaste que vinha de consegui-la, os resduos da excitao e tenso 
subiram  superfcie, aumentando de intensidade, depois lavados por um desejo que abrangia tudo. Brooke. Como ele poderia ter imaginado que ela passaria a ser tudo... 
todas as coisas? Um tanto nervoso pela intensidade de seus sentimentos, Parks se afastou. Um homem no podia vencer quando seus joelhos estavam tremendo. Deslizou 
uma das mos pelo rosto dela, querendo ver aquela expresso desejosa nos olhos de Brooke.
     -        Eu amo voc.
     Com as palavras dele, Brooke descansou a cabea contra o peito largo e respirou profundamente. Podia sentir o aroma de banho, uma fragrncia sutil de sabonete 
que falava de ginsios e vestirios habitados apenas por homens. Por alguma razo, aquilo a fez se sentir incrivelmente feminina. As luzes se tornaram mais fracas 
enquanto eles permaneciam abraados e em silncio.
     - Cansado demais para comemorar? - murmurou ela.
     - No. - Ele lhe beijou os cabelos.
     - timo. - Afastando-se, ela desceu do cap. - Vou lhe pagar o jantar, para comear. - Brooke abriu a porta de passageiro e sorriu. - Com fome?
     At aquele momento, Parks no percebera que estava faminto. O pouco que comera antes do jogo fora consumido pelo estresse.
     - Sim. Posso escolher o lugar?
     - O cu  o limite.
     
     Quinze minutos depois, Brooke olhava em volta, no colorido Paraso do Hambrguer.
     - Sabe - disse ela, estudando a placa luminosa no formato de um po com gergelim -, eu tinha me esquecido do seu gosto por comida de baixo valor nutritivo.
     - Cem por cento de carne bovina - declarou Parks, pegando um enorme sanduche com trs fatias de po recheado de carne e queijo.
     - Se voc acredita nisso, acredita em qualquer coisa.
     Sorrindo, ele lhe ofereceu uma batata frita.
     - Cnica.
     - Se voc me ofender, no vou ler a pgina de esportes para voc. - Ela ps a mo sobre o jornal dobrado que acabara de comprar. - A, no vai ouvir os elogios 
que a imprensa lhe fez. - Quando Parks deu de ombros, despreocupado, Brooke abriu o jornal. - Bem, eu quero ouvi-los. - Com uma das mos no milk-shake, comeou a 
ler. - Aqui... Oh. - Parou de repente e fez uma careta.
     - O que foi? - Parks se inclinou  frente. Na primeira pgina havia duas fotos, lado a lado. A primeira era de Parks pegando a bola dos assentos no momento 
final do jogo. A segunda era do beijo impulsivo de Brooke. A manchete dizia:
     "JONES MARCA PONTO... DUAS VEZES!"
     -        Simptico - decidiu ele -, considerando que no marquei ponto, peguei... uma bola alta. - Ele girou a cabea, lendo o artigo, que citava os pontos 
altos do jogo... crticas e elogios. - Hmmm... "E Jones acabou o jogo com uma corrida para a grade, pegando uma bola fora de Hennesey que caiu na arquibancada, em 
um dos melhores jogos da temporada.
     Como de costume, o melhor jogador fez o impossvel parecer rotina. Ele recebeu sua recompensa da sexy ruiva" - ele deu uma breve olhada para Brooke - "Brooke 
Gordon, uma diretora de propagandas bem-sucedida que tem sido vista com o jogador dentro e fora das filmagens."
     - Eu realmente detesto isso - disse Brooke com tanta veemncia que Parks a olhou em surpresa.
     - Detesta o qu?
     - Ter minha foto exposta dessa maneira. E esta... esta especulao infundada. E aquela matria no Times alguns dias atrs.
     - Aquela que disse que voc parecia uma cigana de cabelos vermelhos dourados com olhos cor de fumaa?
     - No tem graa, Parks. - Brooke empurrou o jornal de lado.
     -        Tambm no  trgico - apontou ele. -- Eles deveriam cuidar da prpria vida. Recostando-se, Parks mordeu uma batata.
     -        Voc provavelmente seria a primeira a me dizer que se expor ao pblico torna as pessoas propriedade pblica.
     Brooke fez uma careta, sabendo que aquelas tinham sido precisamente as suas palavras quando eles discutiram a questo dos outdoors.
     - Voc est exposto ao pblico - argumentou ela. - E assim que ganha a vida. Eu no. Trabalho atrs das cmeras e tenho direito  minha privacidade.
     - J ouviu falar em cumplicidade criminosa? - Ele sorriu antes que ela pudesse retorquir. Em vez de uma observao rude, Brooke suspirou longamente.
     - Pelo menos eles so precisos - acrescentou Parks.
     - J pensei em voc como uma cigana.
     Brooke pegou seu cheeseburger, franziu o cenho e deu uma mordida.
     -        Ainda no gosto disso - murmurou. - Eu acho... - Ela deu de ombros, incerta de quo tola ia parecer. - Sempre fui um pouco sensvel demais em relao 
 minha privacidade, e agora... o que est acontecendo entre ns  importante demais para que eu compartilhe com qualquer um que tenha cinqenta centavos para comprar 
um jornal.
     Parks se inclinou  frente de novo e lhe pegou a mo.
     -        Isso  bom - disse suavemente. - Isso  muito bom.
     O tom na voz dele despertou uma nova emoo em Brooke.
     -        No quero que nos escondamos como dois eremitas, Parks, mas tambm no quero que cada passo que dermos esteja no noticirio noturno.
     Com um pouco mais de indiferena do que estava sentindo no momento, ele deu de ombros e recomeou a comer.
     - Romance  notcia... Assim como divrcio, quando envolve celebridades.
     - Isso no vai diminuir com a campanha de Marco, nem se voc decidir aceitar aquele papel no filme. - Brooke pegou outra batata frita do saquinho e comeu. - 
Quanto mais famoso voc ficar, mais a imprensa o perseguir. Isso  enlouquecedor.
     - Posso cancelar meu contrato - sugeriu ele.
     - No seja ridculo.
     - H outra soluo - considerou Parks, obser-vando-a engolir a batata e pegar outra.
     - Qual?
     -        Poderamos nos casar. Quer mais sal na batata? Brooke o olhou fixamente, ento se esforou para encontrar a voz.
     -        O qu?!
     - Perguntei se voc quer mais sal na batata. - Ele lhe ofereceu um pequeno pacotinho de papel. - No - disse quando ela no respondeu nem se moveu. - Eu tambm 
disse que poderamos nos casar.
     - Casar... - ecoou Brooke tolamente. - Voc e eu?
     - A imprensa diminuiria a presso por um tempo. Pessoas casadas no so notcias to quentes quanto amantes.  a natureza humana. - Ele largou o sanduche no 
prato e se inclinou em direo a ela. - O que voc acha?
     - Acho que voc est louco - Brooke conseguiu responder num sussurro. - E no acho que isso tenha graa.
     Parks segurou-lhe o brao quando ela comeou a se levantar.
     -        No estou brincando.
     - Voc... voc quer se casar para que nossas fotos no saiam no jornal?
     - No ligo a mnima se nossas fotos saem no jornal ou no, voc liga.
     - Ento, voc quer casar para... para me aplacar. - Brooke parou de lutar contra o aperto dele em seu brao, mas seus olhos estavam repletos de fria.
     - Nunca tive nenhuma inteno de aplacar voc - respondeu Parks. - Eu no conseguiria aplac-la nem se dedicasse minha vida a isso. Quero me casar porque amo 
voc. Vou me casar com voc - corrigiu ele, subitamente zangado -, nem que eu tenha de arrast-la, chutando e gritando.
     -  mesmo?
     - Pode ter certeza de que sim.  melhor voc se acostumar com a idia.
     - Talvez eu no queira me casar. - Brooke empurrou a comida para o lado. - E a?
     - E uma pena. - Ele se recostou, olhando-a com a mesma expresso tempestuosa com que ela o fitava. - Eu quero me casar.
     - E acha que isso basta, no?
     - Basta para mim.
     Brooke cruzou os braos sobre o peito e o encarou.
     - Chutando e gritando.
     - Se  assim que voc quer...
     - Posso morder, tambm.
     - Eu tambm.
     O corao de Brooke batia descompassado, mas ela se deu conta de que no era por causa da raiva. No, no tinha nada a ver com raiva. Parks estava sentado l, 
do outro lado da mesa laminada, em frente  refeio dos sonhos de um garoto de 12 anos, dizendo-lhe que eles iriam se casar, quisesse ela ou no. Brooke descobriu, 
para seu prprio espanto, que gostava daquilo. Mas no ia facilitar as coisas para ele.
     -        Talvez ganhar a World Series tenha subido  sua cabea, Parks. Ser necessrio mais do que uma discusso com nimos alterados para fazer eu me casar 
com voc.
     - O que voc quer? - questionou ele. - Velas e msica suave? - Irritado por ter estragado seus prprios planos, inclinou-se sobre a mesa novamente e segurou-lhe 
as mos. - Voc no  o tipo de mulher que precisa de uma cena, Brooke. Sabe o quanto  fcil fazer uma, e quo pouco significa. O que voc quer, afinal?
     - Tomada dois - murmurou ela muito calmamente. - Voc sabe a sua motivao - comeou em sua voz fria de diretora -, mas, desta vez, suavize e tente um pouco 
de requinte. Pea, no informe - sugeriu, fitando-lhe os olhos.
     Parks sentiu a raiva, ou talvez tivesse sido medo, esvair-se dele. As mos que seguravam as de Brooke se tornaram mais gentis.
     -        Brooke - ele ergueu uma das mos e pressionou-lhe os dedos em seus lbios -, voc quer se casar comigo? - Sorriu por sobre as mos unidas de ambos. 
- Que tal assim?
     Brooke entrelaou os dedos nos dele.
     -        Perfeito.
     
     
     
   Captulo Onze
     
     
     O que ela estava fazendo? Em um pnico sbito, Brooke olhou-se no longo espelho. Como as coisas poderiam estar acontecendo to rapidamente e sado tanto de 
seu controle? Um ano atrs... no, seis meses atrs... no sabia da existncia de Parks Jones. Em aproximadamente uma hora, se casaria com ele. Comprometida. Para 
uma vida inteira. Para sempre.
     De algum lugar no fundo de seu crebro veio um chamado ao pnico, dizendo-lhe para fugir, e fugir rapidamente. Brooke no percebeu que movera at que um susto 
a fez voltar para o lugar.
     - Fique imvel, Srta. Gordon - ordenou Billings com firmeza. - H duas dzias desses botes minsculos. - Ela usou um tom de reclamao, embora, pessoalmente, 
achasse que a escolha de Brooke do vestido de seda cor de marfim, com seu corpete justo e saia rodada, fora inspirada. Um bom vestido tradicional de casamento, decidiu, 
no um daqueles conjuntos excntricos de cala e blusa, minissaia vermelha ou coisa assim. Billings continuou fechando a fileira de minsculos botes de prola nas 
costas. - Fique imvel agora - ordenou mais uma vez, quando Brooke se mexeu.
     -        Billings - murmurou Brooke com fraqueza -, realmente acho que vou ficar enjoada.
     A governanta olhou para o reflexo de Brooke. O rosto estava plido, os olhos enormes, mais escuros pelo leve toque de sombra cinza-azulada.
     -        Isso  puro nervosismo.
     -        Nervosismo - repetiu Brooke, arqueando as sobrancelhas. - Eu nunca fico nervosa. Isso  ridculo.
     A mulher inglesa sorriu por um momento enquanto Brooke endireitava os ombros.
     - Nervosismo, ansiedade, tenso... todas as mulheres sentem isso no dia de seu casamento.
     - Bem, eu no - declarou ela quando o frio na barriga voltou.
     Billings apenas fungou enquanto acabava de abotoar.
     -        Pronto, este  o ltimo.
     - Graas a Deus - murmurou Brooke, dirigindo-se para uma cadeira antes que Billings a alcanasse.
     - No, voc no vai sentar. No vai amassar esta saia.
     -        Billings, pelo amor de Deus...
     -        Uma mulher precisa sofrer de vez em quando. Em resposta, Brooke praguejou de maneira nada feminina. Arqueando uma sobrancelha, Billings pegou a escova 
de cabelos da cmoda.
     - Um belo jeito de uma noiva tmida falar.
     - No sou uma noiva tmida. - Brooke se afastou antes que Billings pudesse pente-la. - Tenho 28 anos - continuou, andando de um lado para o outro. - Devo estar 
louca, devo estar completamente louca.
     Nenhuma mulher s aceita se casar com um homem numa lanchonete de fast-food.
     -        Voc vai se casar no jardim da Sra. Thorton - corrigiu Billings. -- E est um dia lindo para isso.
     O tom prtico motivou Brooke a fazer uma careta.
     - E eu nunca deveria t-la deixado me convencer disso, tambm.
     - Hah! - A exclamao fez Brooke arquear as sobrancelhas. Billings gesticulou com a escova de modo ameaador. - Hah! - repetiu, efetivamente fechando a boca 
de Brooke. - Ningum a convence de nada. Voc  uma mulher difcil, teimosa e obcecada, e est tremendo na base porque h um homem difcil, teimoso e obcecado l 
embaixo que vai competir com voc.
     - Certamente no estou tremendo na base - corrigiu Brooke, insultada. Billings viu o leve rubor corar o rosto plido.
     
     - Est morrendo de medo. Brooke colocou as mos nos quadris.
     - Obviamente no tenho medo de Parks Jones.
     - Hah! - repetiu Billings enquanto puxava um banquinho. Subindo nele, comeou a escovar os cabelos de Brooke. - Voc provavelmente vai gaguejar e tremer no 
momento em que fizer os votos, exatamente como uma garotinha tola que no sabe direito o que quer.
     - Jamais gaguejei na vida. -- Enunciando cada palavra com preciso, Brooke olhou para o reflexo das duas no espelho. - E nada me faz tremer.
     - Veremos, certo? - Satisfeita consigo mesma, Billings fez um belo penteado nos cabelos de Brooke. Para prend-los no topo da cabea, usou uma coroa de hibiscos 
brancos e cor-de-rosa. Argumentara que lrios-do-vale ou botes de rosas seriam mais adequados, mas secretamente achou que as flores exticas estavam deslumbrantes.
     - Agora... Onde esto aquelas prolas adorveis que a Sra. Thorton lhe deu?
     - Ali. - Ainda irritada, Brooke apontou para a pequena caixa de jias que continha o presente de Claire.
     Eles deveriam ter fugido e se casado escondidos, como Parks sugerira, pensou. O que a fizera acreditar que queria toda aquela confuso que um casamento envolvia? 
O que a fizera pensar que queria se casar, em primeiro lugar? Quando seus nervos comearam a se exaltar novamente, percebeu o olhar irnico de Billings e levantou 
o queixo.
     - Bem, coloque - ordenou a governanta, segurando as prolas rosadas na mo. - Foi muito inteligente do Sr. Jones lhe mandar flores para combinar com elas.
     - Se voc gosta tanto dele assim, por que no se casa com Parks? - murmurou Brooke, prendendo os brincos com dedos que se recusavam a parar de tremer.
     - Suponho que voc j v fazer isso - disse Billings alegremente, engolindo um n de emoo na garganta. - Mesmo sem um vu e grinalda apropriados. - Queria 
muito dar um beijo no rosto de Brooke, mas sabia que isso enfraqueceria a ambas. - Vamos ento - disse em vez disso. - Est na hora.
     Eu ainda poderia desistir, pensou Brooke enquanto Billings a conduzia pelo corredor. Ainda h tempo. Ningum pode me obrigar a passar por isso. No h absolutamente 
nada que possa me fazer sair para aquele jardim. Qual era a frase?, perguntou-se. Casar com pressa, arrepender-se depois? Aquilo certamente estava sendo feito com 
pressa.
     Fazia somente quatro dias desde que Parks a pedira em casamento. Quatro dias. Talvez o pior erro tivesse sido contar a Claire. Deus, ela nunca vira algum se 
mover to rapidamente uma vez que uma deciso fora tomada. Brooke concluiu que devia ter ficado em estado de choque para deixar Claire envolv-la em planos e arranjos. 
Uma cerimnia ntima no jardim da casa dela, uma recepo com champanhe. Fugir para se casarem escondidos? Claire havia descartado a idia com um aceno de mo. Isso 
era coisa para adolescentes tolos. E um vestido de noiva no seria adorvel? Brooke se descobrira presa na armadilha. E agora ali estava.
     Mas no, corrigiu a si mesma enquanto ela e Billings chegavam  base da escada. Tudo que tinha de fazer era se virar e ir para a porta. Poderia entrar em seu 
carro e partir. Mas este seria o modo covarde. Endireitando os ombros, Brooke rejeitou a idia. No fugiria, apenas sairia e explicaria muito calmamente que mudara 
de idia. Sim, isso bastaria. Sinto muito, praticou mentalmente, mas decidi no me casar, afinal de contas. Estaria muito calma e muito firme.
     - Oh, Brooke, voc est maravilhosa. - E l estava Claire, vestida de seda azul, com lgrimas nos olhos.
     - Claire, eu...
     - Absolutamente maravilhosa. Eu gostaria que voc tivesse permitido a marcha nupcial.
     - No, eu...
     - No importa, contanto que voc esteja feliz.
     -        Claire deu-lhe um beijo carinhoso no rosto. - Isso no  tolice? Sinto-me exatamente como uma me. Imagine ter os primeiros sentimentos maternais na 
minha idade.
     - Oh, Claire.
     - No, no, eu no vou ficar sentimental e arruinar a minha maquiagem. - Fungando, ela se afastou.
     -        No  todo dia que sou madrinha de um casamento.
     - Claire, eu quero...
     - Eles esto esperando, sra. Thorton.
     - Sim, sim,  claro. - Apertando a mo de Brooke por um instante, ela saiu para o jardim.
     - Agora voc, srta. Gordon. - Brooke permaneceu parada onde estava, perguntando-se se o modo covarde no surtiria mais efeito. Billings colocou uma mo firme 
nas suas costas e a empurrou. Brooke se viu viu no jardim, olhando para Parks.
     Ele lhe pegou a mo e levou-a aos lbios. Ela notou os olhos de Parks, sorridentes, seguros. Estava vestido num terno cinza perolado, mais formal do que Brooke 
jamais o vira. Mas os olhos continham a mesma intensidade de quando ele esperava por um arremesso. Ela se viu andando com Parks para o meio do jardim, que era cercado 
de flores e de rvores ornamentais que Claire adorava.
     Ainda estava em tempo, pensou quando o padre comeou a falar numa voz calma e clara. Mas no conseguia abrir a boca para impedir o que j estava acontecendo.
     Ela se lembraria dos aromas para sempre. Jasmim e baunilha, e a leve fragrncia de botes de rosa. Porm, no viu as flores, porque seus olhos estavam presos 
aos de Parks. Ele estava repetindo as palavras que o padre dizia, as palavras tradicionais faladas incontveis vezes por incontveis casais. Mas Brooke as ouviu 
como se fossem pronunciadas pela primeira vez.
     Amor, honra, esperana.
     Ela sentiu o anel deslizar em seu dedo. Sentiu. Porm, mais uma vez, no pde ver, porque no era capaz de tirar os olhos de Parks. Dos galhos de uma cerejeira, 
um pssaro comeou a cantar.
     Brooke ouviu sua prpria voz, forte e segura, repetir as mesmas promessas. E sua mo, sem o menor tremor, colocou o smbolo da promessa no dedo de Parks.
     Um voto, uma promessa, uma ddiva. Ento os lbios deles se moveram ao mesmo tempo, selando o pacto.
     Eu ia fugir, ela recordou.
     - Eu teria pego voc - murmurou Parks contra seus lbios.
     Atnita e irritada, Brooke recuou. Ele estava sorrindo, as mos ainda em seus cabelos. Para a confuso das pessoas presentes no jardim tranqilo e fragrante, 
ela praguejou, ento jogou os braos ao redor do pescoo dele e riu.
     -        Ei! - Snyder deu um empurro firme em Parks. - D uma chance a mais algum.
     
     A idia de Claire de uma cerimnia ntima foi o eptome de um eufemismo de produtora. Embora Brooke no tivesse se dado ao trabalho de contar, sabia que havia 
mais de cem "convidados absolutamente essenciais". Descobriu que no se importava. O brilho era seu presente para Claire. Havia uma fonte borbulhante de champanhe, 
um bolo branco e cor-de-rosa de cinco andares, e travessas de prata com comida nas quais, pela primeira vez, Brooke no tinha o menor interesse. O que acabou sendo 
bom, uma vez que passou pelos braos de muitas pessoas, sendo beijada, abraada e congratulada, at que tudo se tornasse uma nuvem de cores e som.
     Conheceu a me de Parks, uma mulher pequena e elegante que lhe beijou o rosto antes de desatar a chorar. O pai dele a abraou apertado e murmurou que agora 
que Parks estava casado, pararia com aquela bobagem e trabalharia na empresa da famlia. Brooke se descobriu herdando uma famlia inteira, uma famlia grande, confusa, 
que no se encaixava exatamente nas fantasias de sua juventude. E, durante tudo isso, via Parks apenas de relance, enquanto ele passava de primo em primo para ser 
avaliado, analisado e discutido como uma nova aquisio fascinante.
     -        Dem um pouco de sossego para a garota. - Uma mulher robusta de cabelos grisalhos afastou os outros de lado com um aceno imperioso da mo. - Estes 
Jones so um bando de tolos. - Ela suspirou, ento estudou Brooke com um longo olhar. - Sou sua tia Lorraine - apresentou-se e estendeu uma das mos.
     Brooke aceitou o aperto de mo, sabendo instintivamente que o gesto era, de alguma maneira, mais sincero e mais ntimo que todos os beijos que recebera. Ento, 
com percepo repentina, ela soube.
     -        O pingente de ouro. Lorraine sorriu, satisfeita.
     -        Ele lhe contou, no ? Bem, Parks  um bom menino... mais ou menos. - Uma sobrancelha reta e sensata se arqueou. - E no vai intimidar voc, vai?
     Com um sorriso, Brooke meneou a cabea.
     -        No, senhora, ele no vai.
     Lorraine assentiu, dando um breve tapinha na mo de Brooke.
     -        timo. Estarei esperando uma visita em seis meses. Tempo necessrio para que um casal resolva as primeiras dificuldades. Agora, se eu fosse voc, pegaria 
o meu marido e fugiria desta multido. - Com o conselho, ela partiu. Brooke teve sua primeira sensao de um parentesco sincero.
     Mesmo assim, pareceu levar horas antes que pudessem escapar. Brooke havia pretendido subir novamente e trocar de roupa, mas Parks encontrara a oportunidade 
certa, puxado-a para fora da casa, colocado-a em seu carro e partido. Agora, parava o carro na garagem da casa dela e suspirava.
     - Conseguimos.
     - Foi rude - murmurou Brooke.
     - Sim.
     - E muito esperto. - Inclinando-se, ela o beijou. - Especialmente a parte de roubar uma garrafa de champanhe no caminho.
     -        Mos rpidas - explicou ele, saindo do carro. Brooke riu, mas sentiu uma onda de nervosismo enquanto andavam at a porta. A mo de Parks estava cobrindo 
a sua. Ela podia sentir a presso pouco familiar de seu anel de casamento contra a pele.
     -        Um problema - comeou, afastando o sentimento. - Voc me tirou de l sem a minha bolsa. - Ela olhou para a porta, ento de volta para Parks. - Sem 
chaves.
     Parks enfiou a mo no bolso e tirou sua prpria chave. Brooke franziu o cenho de leve ao lembrar que agora ele possua uma chave. Uma chave para sua vida. Apesar 
de ter percebido a reao dela, Parks no disse nada. Apenas usou a chave e abriu a porta silenciosamente. Pegou-a nos braos e, com a risada de Brooke, a sutil 
desarmonia foi esquecida.
     - Eu no sabia que voc era to tradicionalista - murmurou ela. - Mas... - Parou de falar ao ouvir o som de um latido alto e agudo. Perplexa, olhou para baixo 
e viu um pequeno cachorro marrom com um focinho preto correndo em volta dos ps de Parks, fazendo mergulhos ocasionais nos tornozelos dele. - O que  isso? - conseguiu 
perguntar.
     - Seu presente de casamento. - Com a ponta do p, ele acariciou o cachorrinho, fazendo-o rolar de costas. - Feio e domstico o bastante?
     Brooke olhou para o rosto enrugado do vira-lata.
     - Oh, Parks - sussurrou, perto das lgrimas. - Seu tolo.
     - EJ. deve ter deixado o co aqui aproximadamente uma hora atrs, se ele no se atrasou. O sujeito na loja de animais pensou que eu fosse louco quando falei 
que queria um cachorro feio e domstico.
     - Oh, eu amo voc! - Brooke lhe apertou o pescoo com fora, ento saiu dos braos dele. Em seu vestido de casamento, ajoelhou-se no cho para brincar com o 
cachorrinho.
     Ela parecia jovem, pensou Parks, muito jovem quando enterrou o rosto nos plos do pequeno co. Por que ele expunha as vulnerabilidades de Brooke constantemente, 
e depois no sabia ao certo como lidar com isso? Havia tanta doura nela... Entretanto, de alguma forma ele se sentia mais confortvel quando ela era dura e irnica. 
Era a mistura, pensou quando se ajoelhou ao seu lado. Era  mistura fascinante que Parks no conseguia resistir.
     - Nosso primeiro filho. - Brooke riu quando o cachorro dormiu exausto no tapete.
     - Ele tem o seu nariz.
     - E os seus ps - retorquiu ela. - Ele vai ser enorme, pelo tamanho das patas.
     - Talvez voc consiga um papel para ele em algumas propagandas de rao - comentou ele enquanto a ajudava a levantar.
     Gentilmente, Parks lhe beijou a face, e seguiu com os lbios pelo queixo e para o outro lado. Sentiu o sbito entrecortar da respirao de Brooke em sua pele.
     -        O champanhe est esquentando - murmurou ele.
     -        No estou com sede.
     Ele a estava conduzindo lentamente em direo  escada, ainda plantando aqueles beijos suaves como plumas em seu rosto durante o caminho, deixando-lhe os lbios 
quentes que procuravam os de Parks sutilmente atormentados. Subiam a escada, sem pressa, enquanto Parks comeava a desabotoar aquela longa fileira de botes minsculos.
     -        Quantos so? - murmurou ele entre beijos.
     -        Dzias - respondeu ela, affouxando-lhe a gravata quando chegaram  metade do caminho.
     Os dedos dele eram geis. Antes que chegassem  porta do quarto, Parks j tinha o vestido frouxo at a cintura. Brooke lhe removeu o palet e, usando os dentes 
para lhe mordiscar o pescoo, puxou-lhe a camisa para fora da cala.
     - Voc vai me beijar em algum momento? - exigiu ela sem flego.
     - Claro. - Mas ele apenas a enlouqueceu, deslizando os lbios sobre os ombros delgados enquanto afastava a seda. Ento, tirou-lhe o vestido, deslizando as mos 
sensualmente sobre o corpo esbelto, at que um amontoado de seda estivesse aos ps de Brooke. Brincou com a lingerie de renda que ela usava, pequena e sexy, perfeita 
para atormentar um homem. E apesar da lingerie atorment-lo, Parks lutou para se manter no controle. Sempre lutava antes de se descobrir perdido nela.
     Os dedos de Brooke percorreram suas costelas nuas para roar sobre o estmago antes de encontrar o fecho da cala dele. Ela ouviu a respirao de Parks acelerar 
antes que as mos msculas se tornassem mais exigentes. Precisando, desejando, Brooke o puxou consigo para a cama.
     Por que deveria haver tanto desespero agora que estavam to seguramente ligados um ao outro? Embora nenhum dos dois entendesse isso, ambos sentiam. A urgncia 
de tocar, de saborear. De possuir. A gentileza foi abandonada enquanto uma paixo sedenta e primitiva tomava seu lugar. Os beijos provocantes foram substitudos 
por beijos ardentes e apaixonados. As mos de Brooke procuravam, to habilmente quanto as dele, por pontos fracos. Cada gemido criava uma nova onda de excitao, 
cada suspiro aumentava o desejo atordoante, at que nenhum dos dois soubesse se os sons eram de prazer ou de desespero. E ambos se recusavam a sucumbir ao fogo.
     Parks encontrou os seios rgidos e firmes. Gananciosamente, os saboreou, causando uma poderosa onda de deleite em Brooke. Enquanto gemia em rendio, as mos 
dela o puxavam para mais perto, o corpo se movimentando sinuosamente sob o dele, at que Parks se viu perdido em Brooke.
     Pele queimava contra pele. O ritmo acelerou. Cada vez mais e mais rpido, at que estavam ofegantes e agarrados, mas ainda no prontos para se render. Brooke 
deslizou as mos pelas costas largas midas, sobre os msculos poderosos que acentuavam a incrvel fora de Parks. Todavia, a fora fsica no significava nada na 
inescapvel areia movedia da paixo. Ambos estavam presos, igualmente incapazes de se libertar.Com uma fora sbita, ela mudou de posio, de modo que ficassem 
abraados, lado a lado. Brooke reinvindicou-lhe a boca, com tanta sede e tanto ardor quanto era capaz, tomando de forma to enlouquecida quanto estava sendo tomada. 
Seus cabelos caam entre os dois, formando uma cortina em seus rostos, de modo que Parks no podia respirar sem respir-la. Se fosse capaz de algum raciocnio, poderia 
ter se imaginado absorvido por Brooke. Mas no havia um pensamento sequer na mente de nenhum dos dois, e o desejo crescera demais para ser refreado.
     Ela se mexeu de bom grado quando Parks a moveu, beijando-a profundamente enquanto a penetrava quase com violncia. Ento houve somente fria, velocidade e calor, 
conduzindo-os para longe de tudo, exceto um do outro.
     - Acha certo eu precisar de voc cada vez mais? - pensou Brooke em voz alta.
     -        Hmm... - Parks no queria se mover ou sair do conforto do corpo dela sob o seu. - S no pare de precisar de mim.
     Era fim de tarde. A luz que entrava pela janela era suave... Logo seria noite. A noite do casamento deles. Entretanto, Brooke ainda se sentia somente uma namorada. 
Como seria se sentir esposa? Erguendo a mo, olhou para o anel em seu dedo. Era incrustado com diamantes e safiras que brilhavam suavemente no crepsculo.
     -        No quero que seja diferente amanh - pensou em voz alta novamente. - No quero que nada mude.
     Parks levantou a cabea.
     -        Tudo muda. Voc vai ficar furiosa se eu usar toda a gua quente no meu banho. Eu ficarei furioso se voc beber a ltima xcara de caf.
     Brooke riu.
     - Voc tem um jeito de simplificar as coisas!
     - Essas so as coisas bsicas de um relacionamento, Sra. Jones -- declarou ele e a beijou.
     Os olhos que tinham comeado a se fechar para o beijo se abriram.
     -        Jones - repetiu ela. - Eu tinha me esquecido dessa parte. - Considerou por um minuto. - Isso me faz pensar em sua me... embora,  claro, ela seja 
muito gentil.
     Parks deu uma risada abafada.
     -        No se preocupe. S se lembre de que ela mora a quinhentos quilmetros de distncia.
     Brooke rolou para ficar deitada em cima dele.
     - Voc tem uma famlia amvel.
     - Sim, e no queremos nos misturar com eles mais do que o necessrio.
     - Bem... - Brooke deitou a cabea no peito largo. - No. Pelo menos no to cedo - acrescentou, pensando na tia dele. Relaxou mais uma vez quando Parks comeou 
a lhe acariciar preguiosamente os cabelos. - Parks?
     - Hmm?
     - Estou feliz por decidirmos vir para c, em vez de viajar.
     - Iremos para Maui por duas semanas perto do Natal. Quero que conhea minha casa l.
     Brooke pensou em seus compromissos se decidisse aceitar a oferta de Claire e dirigir o fdme para a tev a cabo. De um jeito ou de outro, conseguiria duas semanas 
de folga.
     - Eu amo voc.
     A mo dele parou por um momento antes de a pressionar mais junto a seu corpo. Aquelas eram trs palavras que Brooke no dizia com freqncia.
     - Eu lhe disse o quanto voc estava linda no momento em que Billings a empurrou para o jardim?
     Brooke ergueu a cabea.
     - Voc viu isso?
     Sorrindo, Parks lhe percorreu a orelha com a ponta do dedo.
     - Engraado, no imaginei que voc fosse ficar to apavorada quanto eu.
     Ela o olhou por um momento, e um sorriso curvou seus lbios.
     - Voc ficou realmente apavorado?
     - Meia hora antes do casamento, fiz uma lista das razes pelas quais deveramos cancel-lo.
     Brooke arqueou uma sobrancelha.
     - Havia muitas?
     - Perdi a conta - disse ele, ignorando o estreitar dos olhos de Brooke. - S consegui pensar em um bom motivo para seguir com aquilo.
     - Oh, verdade? - Ela ergueu o queixo quando inclinou a cabea. - E qual foi?
     - Eu amo voc.
     Brooke encostou a testa na dele.
     - S isso?
     - Foi a nica razo que me ocorreu. - Ele deslizou uma das mos at o quadril dela. - Embora eu esteja pensando em mais uma ou duas agora...
     - Hmm. Como o fato de estarmos casados poder ser vantajoso para a campanha publicitria? - Ela comeou a roar o nariz atrs da orelha dele.
     -        Oh, claro. Essa est no topo de minha lista.
     -        Parks gemeu quando o primeiro tremor o percorreu. - Seguido de perto pelo fato de ter algum para arrumar minhas meias.
     - Pode esquecer esse - murmurou Brooke, movendo-se para um dos ombros dele. - Mas h sempre o fato de ter acesso privilegiado  diretora quando fizer aquele 
papel na tev a cabo.
     - Ainda no decidi se vou fazer. - As pernas de ambos se entrelaaram quando alteraram as posies.
     -        Voc j?
     -        Ainda no. - Os pensamentos dela comearam a vagar quando Parks lhe segurou um dos seios.
     -        Mas voc deveria fazer.
     -        Por qu?
     Preguiosamente, Brooke abriu os olhos para fit-lo.
     -        Eu no deveria lhe contar.
     Intrigado, ele se apoiou sobre o cotovelo e brincou com os cabelos dela.
     -        Por que no?
     Brooke suspirou e deu de ombros.
     - A ltima coisa de que voc precisa  algum alimentando seu ego.
     - V em frente. - Ele lhe beijou o nariz. - Posso lidar com isso.
     - Ora, Parks. Voc  bom.
     Ele parou no ato de enrolar uma mecha dos cabelos dela em seu dedo e a fitou.
     - O que voc disse?
     Brooke movimentou-se novamente.
     - Bem, no quero dizer que voc sabe representar - murmurou ela. - No comece a se iludir.
     Parks sorriu, apreciando quando ela arqueou a sobrancelha numa expresso irnica.
     -        Ah... Isso faz mais o seu estilo.
     - Voc fica bem na cmera - continuou Brooke.
     - Faz idia de quantos astros tm dificuldade de ficat  vontade diante da cmera? - Parks gemeu, mais interessado na curva do ombro dela. - Voc sabe representar 
a si mesmo. De forma natural, Parks - persistiu, afastando-o por um momento. - E se aceitar alguns papis que combinam com voc, pelo menos por um tempo... bem, 
quando estiver pronto para se aposentar do beisebol, poderia seguir carreira no cinema.
     Ele comeou a rir, mas parou ao ver a expresso nos olhos de Brooke.
     - Voc no est brincando.
     Ela o olhou fixamente, e ento suspirou.
     - Vou detestar a mim mesma quando precisar dirigi-lo em algumas semanas, mas voc  muito, muito bom, e deveria pensar sobre isso. E se ficar com complexo de 
astro quando eu lhe disser para fazer algo diante da cmera uma dzia de vezes, eu vou...
     -        Vai o qu? - desafiou Parks.
     - Fazer alguma coisa - replicou Brooke de forma ameaadora. - Alguma coisa desprezvel.
     Ele lhe deu um sorriso travesso.
     -        Promete?
     Uma vez que Brooke no pde conter a risada, forou-o a rolar o corpo, de modo que estivesse deitado ao seu lado de novo.
     - Sim. E agora vou fazer amor com voc at os seus ossos derreterem.
     - Isso est no meu contrato? - ele quis saber.
     -  melhor acreditar nisso.

     
     
   Captulo Doze
     
     
     Apesar de ser novembro, Los Angeles enfrentava um calor que aquecia o mau humor e derretia a pacincia. Brooke no era exceo. Tivera com Parks dez longos 
dias isolados antes de voltar ao trabalho... mas eles no passaram esse tempo livres de problemas. Nada era livre de problemas, lembrou a si mesma enquanto dava 
um n na faixa de sua blusa abaixo dos seios. Que tola poderia acreditar que uma lua-de-mel seria? Ela havia acreditado, admitiu com tristeza quando a grua foi descarregada. 
Mas, at a, o quanto realmente pensara sobre ajustes, mudanas e, como Parks colocara, o feijo com arroz que fazia um casamento?
     Aceitara o nome dele, e, embora fosse continuar com seu nome de solteira profissionalmente, assinaria como Brooke Jones em todos os documentos legais. Parks 
desistira de seu apartamento e se mudara para a casa dela. Brooke usava o nome dele, e Parks tinha a sua chave. Por que ela sentia estar quase fazendo um balano 
contbil? Frustrada, limpou o suor da testa com o brao.
     O matrimnio era isso, uma srie de conferncias e compensaes?, questionou-se. Com aproximadamente trs semanas de casamento, ela deveria estar se sentindo 
abenoadamente feliz, brilhando. Em vez disso, estava frustrada, irritada e insegura... talvez mais insegura porque sabia que Parks tambm no se sentia abenoadamente 
feliz.
     Meneando a cabea, disse a si mesma para reprimir os pensamentos. Levar problemas pessoais para o trabalho no os solucionaria. Era mais provvel que os tornasse 
ainda piores, uma vez que dirigisse Parks.
     -        Vamos subir, E.J. Quero ver o enquadramento. - Sentando-se na cesta ao lado dele, Brooke gesticulou com a cabea para que o operador da grua os levasse 
para cima.
     Abaixo deles, a praia se estendia em tom dourado. As ondas quebravam em uma espuma branca, pegando o brilho do sol e refletindo suas cores para a cmera. Mesmo 
sem toc-la, conseguia sentir o calor emanar da armao de metal.
     - Certo, vou querer um plano aberto quando ele comear. Ento, feche o quadro, mas no demais. Deste ngulo, conseguiremos um bom perfil do cavalo. O Palomino 
 um bom contraste com o jeans. Ajuste a velocidade. Quero que seja lenta o bastante para ver cada msculo.
     - De Parks ou do cavalo? - E.J. perguntou com um sorriso.
     - Dos dois - respondeu Brooke brevemente, fazendo um gesto de cabea para ser levada de volta ao cho. Batendo as mos na cala, andou at onde Parks esperava. 
Ele no usava nada alm de uma cala jeans de Marco, justa e baixa nos quadris. - Estamos prontos para voc.
     - Tudo bem. - Parks lhe deu um olhar firme e demorado, e enfiou os polegares nos bolsos. No sabia ao certo por que estava insatisfeito, ou por que sentia a 
necessidade de irrit-la. O atrito entre os dois j vinha acontecendo nos ltimos dias, crescendo, ganhando fora, como uma tempestade eltrica. Todavia, no houvera 
o estrondo do trovo, nenhum raio para liberar a presso. - O que voc quer?
     - Voc leu o roteiro - Brooke o relembrou.
     - Voc no vai me dar minha motivao?
     - No faa gracinhas, Parks - disse ela. - Est um calor insuportvel.
     - Eu s queria garantir que estou no clima certo, para voc no me fazer repetir a mesma coisa meia dzia de vezes.
     A raiva brilhou nos olhos de Brooke, e foi reprimida com esforo. No permitiria que ele a provocasse em pblico.
     - Voc vai fazer isso duas dzias de vezes se eu achar necessrio - declarou ela o mais calmamente possvel. - Agora monte, galope reto ao longo da praia pela 
gua rasa. E divirta-se.
     - Isso  uma ordem? - murmurou ele, de maneira enganosamente suave.
     - E uma instruo - retornou Brooke no mesmo tom. - Eu sou a diretora, voc  o talento. Entendeu?
     - Sim, entendi. - Puxando-a para mais perto, ele lhe tomou a boca na sua. Sentiu a umidade da blusa dela sob a mo, a rigidez do corpo e a suavidade dcil dos 
seios. Por que estava zangado?, perguntou-se, enquanto sua irritao aumentava. Por que sentia que a estava trazendo para mais perto e a afastando ao mesmo tempo? 
- Entendeu isso? - perguntou e foi para o cavalo.
     Ela o olhou, um homem seminu montado num cavalo dourado, enquanto ele lhe sorria com a segurana arrogante que Brooke tanto amava quanto detestava. Faz-lo 
pagar por aquela pequena vitria seria um prazer. Virando-se, Brooke andou de volta para a sua equipe.
     -        Tomada um - ordenou. Ento, esperou, com idias de vingana na mente. Pegou o megafone que sua assistente lhe entregou. - Posies! - Parks levou o 
palomino para a gua. Brooke o olhou, forando-se a colocar os sentimentos pessoais de lado enquanto pensava, sentia e via somente como diretora. - Silncio! Rodando. 
E... ao!
     Ele  magnfico, pensou ela com uma onda de orgulho e irritao. Parks conduziu o cavalo num galope fcil, avanando pela gua de modo a faz-la espirrar alto. 
Gotas brilhavam em sua pele, uma pele to bronzeada que ele e o palomino se misturavam numa nica forma dourada. Os cabelos de Parks e os plos do cavalo esvoavam 
ao vento. A fora, a elegncia do movimento e a simplicidade de dois lindos animais. Brooke no precisava de efeitos especiais para imaginar como a cena ficaria 
em cmera lenta.
     - Corta! E.J.?
     - Fantstico - respondeu ele. - As vendas de jeans de Marco acabaram de subir dez por cento.
     - Vamos nos certificar. - Afastando a camisa mida das costas, ela foi para onde Parks esperava, montado no cavalo. Fora fantstico, pensou, mas no perfeito. 
Avistando-a, Parks parou sua conversa com o treinador do palomino.
     - Ento?
     - A cena ficou muito boa. Vamos fazer novamente.
     - Por qu?
     Ignorando a pergunta, ela distraidamente alisou o pescoo do cavalo.
     - Quero que voc olhe para a linha da praia enquanto cavalga... olhe toda a extenso, at o final. - Ela no queria aquela sexualidade vvida e livre de Parks 
desta vez, mas algo distante, o fascnio de um homem solitrio com um tempero sensual que qualquer mulher com mais de 12 anos reconheceria.
     Parks se mexeu na sela, mantendo os olhos fixos nos dela.
     - Por qu?
     - Cavalgue, Parks. Deixe-me vender o jeans.
     Muito devagar, ele desmontou. O treinador rapidamente lembrou que tinha algo a fazer em algum outro lugar. Atrs deles, a equipe ficou instantaneamente muito 
ocupada. Parks segurou as rdeas em uma das mos enquanto ele e Brooke se entreolhavam fixamente.
     - J considerou pedir? - disse ele baixinho.
     - J considerou obedecer  sua diretora? - devolveu ela.
     Parks sentiu a gua salgada secando na pele.
     - Uma pena que voc nunca tenha feito esportes coletivos, Brooke.
     - Isso no  um jogo - retorquiu ela furiosa. - Ns todos temos nossos deveres para cumprir. O seu  obedecer ao que lhe digo para fazer.
     A expresso de raiva nos olhos de Parks combinava com o humor dela. Brooke queria uma briga, uma discusso turbulenta que acabaria com a tenso dos ltimos 
dias. Determinada, preparou-se para atacar e defender.
     - No, no  - murmurou ele subitamente com uma calma to mortal que a colocou em desvantagem. - Meu trabalho  endossar as roupas de Marco.
     - E  o que estou lhe dizendo para fazer. - Brooke se forou a usar o mesmo tom calmo, apesar de querer muito gritar. - Se voc quer ser mimado, espere at 
acabarmos a filmagem. Pegue suas reclamaes e fale com seu empresrio.
     Parks estendeu a mo para lhe segurar o brao antes que ela pudesse sair andando.
     - Estou falando com a minha esposa.
     Com o corao disparado, Brooke olhou para a mo que a segurava.
     - Com a sua diretora - corrigiu friamente, encontrando-lhe os olhos. - Minha equipe est com calor, Parks. Eu gostaria de terminar antes que algum desmaie 
de exausto.
     O aperto dele se intensificou. Mas Parks viu que o rosto dela estava vermelho pelo calor e mido com transpirao.
     - No terminamos esta conversa - disse quando lhe liberou o brao. - Desta vez, voc vai dar uma boa olhada nas regras. - Montando no cavalo, Parks saiu cavalgando 
antes que ela conseguisse pensar numa resposta apropriada.
     Brooke franziu o cenho enquanto voltava para a grua.
     - Tomada dois.
     Parks no teria conseguido dar uma explicao lgica e sucinta para sua raiva. S sabia que estava furioso. Possua somente uma motivao quando seguiu pelos 
corredores at a sala de Brooke... discutir aquilo com ela. No sabia bem o que era aquilo, mas teria discutido no local de filmagem mesmo se Brooke no tivesse 
partido antes que ele se desse conta. A despeito de no se sentir radiante com a idia de resolver a situao dos dois no escritrio dela, tinha muita experincia 
em enfrentar desafios no campo do adversrio. Tudo que isso significava era que ele comearia no ataque.
     Passando pela secretria de Brooke sem uma palavra, abriu a porta da sala. Vazia.
     -        Sinto muito, sr. Jones. - A secretria se apressou em se aproximar, cautelosa pela expresso perigosa nos olhos dele. - A sra. Gordon... a sra. Jones 
no est aqui.
     -        Onde? - Parks exigiu saber.
     -        Eu... Talvez no escritrio da sra. Thorton. Se esperar, vou verificar para o senhor... - Mas ele j estava saindo com passos to determinados que a 
fez roer as unhas. Parecia que Brooke estava com problemas... e que algumas pessoas tinham toda a sorte do mundo, pensou a secretria antes de voltar  mesa.
     Em menos de cinco minutos Parks passava pelas gmeas do lado de fora da sala de Claire e abria a porta sem bater.
     - Onde est Brooke? - perguntou, sem se incomodar em cumprimentar Claire ou seu empresrio.
     - Boa tarde, Parks - disse Claire com tranqilidade. - Ch? - Ela continuou servindo ch para Lee como se no houvesse um homem furioso olhan-do-a naquele momento.
     Parks deu uma olhada breve para o clssico aparelho de ch.
     -        Estou procurando Brooke.
     - Ela j foi embora, lamento. - Claire provou o ch e ofereceu a Lee um prato de biscoito de amndoas. - Brooke esteve aqui meia hora atrs. Gostaria de um 
cookie, Parks?
     - No... - Ele conseguiu se lembrar das boas maneiras. - Obrigado. Para onde ela foi?
     Claire mordeu um biscoito, ento limpou os dedos num guardanapo de linho.
     -        Ela no disse que ia para casa, Lee?
     - Sim. E no estava com um humor melhor que o dele. - Ele enviou um sorriso afvel a seu cliente antes de comer um cookie.
     - No, no estava. - Claire uniu as mos no colo. - Diga-me, querido, vocs dois esto tendo uma desavena?
     - No, no estamos tendo uma desavena - murmurou Parks, incerto do que exatamente estava acontecendo com eles. Ocorreu-lhe de sbito o quo aconchegados seu 
empresrio e sua produtora estavam no sof de dois lugares.
     -        O que vocs dois esto fazendo? - perguntou ele.
     -        Tomando ch. - Claire sorriu secamente.
     - Por que voc no senta e se acalma? - convidou Lee. - Parece que acabou de jogar nove entradas.
     - Estvamos filmando na praia - murmurou Parks. Lee Dutton estava com o brao ao redor de Claire Thorton ou ele estava imaginando coisas?
     - A filmagem foi boa? - questionou Claire, notando a expresso dele e se divertindo com a razo daquilo.
     - Aparentemente Brooke ficou satisfeita.
     - Aparentemente - repetiu Claire. Ento, o olhou com intensidade. -- Quando voc e Brooke vo relaxar e se divertir?
     O olhar especulativo de Parks foi substitudo por uma expresso intrigada.
     - O que quer dizer?
     - Quero dizer que nunca vi duas pessoas passarem tanto tempo se provocando, implicando uma com a outra.
     - E assim que voc chama? - murmurou Parks, enfiando as mos nos bolsos.
     - Por falta de termos melhores. - Claire colocou cuidadosamente a xcara no pires. - Eu percebo,  claro, que o jogo de poder  uma parte importante do relacionamento 
de vocs, e tem seu prprio fascnio, mas voc no acha que  hora de se tornarem uma famlia, assim como oponentes? - Mantendo os olhos nos dele, ela se acomodou 
sobre a curva do brao de Lee.
     Parks a olhou por quase um minuto inteiro. Jogo de poder, repetiu silenciosamente. Sim, aquilo era uma parte intrincada do que eles eram um para o outro. Ambos 
procuravam por fora, desafio, e teriam seguido caminhos opostos se no houvessem encontrado. Mas quanto ao resto... uma famlia... Era isso que lhe estava perturbando?
     No era verdade que no conseguia se resolver com o fato de que estavam morando na casa dela, cercados pelas coisas dela! Ainda se sentia, e isso era bastante 
desconfortvel, como um hspede. Enquanto uma nova irritao crescia, lembrou-se dos dois discutindo uma viagem para Maui. Dissera a Brooke que queria que ela conhecesse 
a casa dele. Mas... mesmo procurando por uma desculpa, sabia que no a encontraria.
     Virando-se, Parks andou at a janela e olhou para fora com uma carranca.
     - No acho que Brooke esteja pronta para um relacionamento familiar. - A resposta breve de Claire o fez se virar, parcialmente divertido. Lee apenas se inclinou 
e pegou um outro cookie.
     - Ela vem procurando por uma famlia durante a vida inteira. Se sabe alguma coisa sobre Brooke, voc sabe disso. - Subitamente zangada, Claire se levantou. 
-  possvel que duas pessoas vivam juntas e no entendam as necessidades um do outro, as mgoas um do outro? O quanto ela lhe contou sobre o passado dela?
     - Quase nada - comeou Parks. - Ela...
     - O quanto voc perguntou? - murmurou Claire. - No me diga que no queria se intrometer - acrescentou rapidamente, interrompendo-o. - Voc  o marido dela. 
 seu papel se intrometer. Voc  capaz de ser civilizado o bastante para respeitar a privacidade de Brooke e jamais tocar nos pontos em que ela realmente precisa 
de voc.
     - Sei que Brooke necessita saber que tem sua prpria casa - replicou ele. - Sei que no faz diferena se  uma xcara lascada ou uma mesa Hepplewhi-te, contanto 
que seja dela.
     - Coisas materiais! - exclamou Claire furiosa. - Sim, Brooke precisa de coisas materiais. Deus sabe que ela nunca as teve quando criana, e a criana em seu 
interior ainda sofre por causa disso. Contudo, as coisas materiais so apenas um smbolo do que Brooke realmente precisa. Ela entrou aqui aos 18 anos, sem mais do 
que alguns dlares no bolso e muita coragem. Algum que acreditara amar lhe havia tirado tudo, fazendo-a resolver nunca mais deixar que isso lhe acontecesse. - A 
boca de Claire se contraiu, os olhos esfriaram com a lembrana. -  seu trabalho mostrar a ela que isso no vai acontecer.
     - No quero tirar nada de Brooke - retorquiu Parks com raiva.
     - Mas quer que ela oferea - disse Claire.
     -  claro que quero. Eu a amo.
     - Ento oua. Brooke se esforou a vida inteira para ter alguma coisa para ela, para ter algum para ela. Ela possui coisas materiais porque as conquistou. 
Se voc quer compartilh-las com ela, compartilhar da vida de Brooke,  melhor que tenha algo muito especial para oferecer em troca. Amor no  o bastante.
     - Ento o que ? - questionou Parks, furioso por receber um sermo de algum da metade de seu tamanho.
     -  melhor voc descobrir.
     Ele a estudou por mais um momento.
     -        Tudo bem - murmurou friamente, e partiu sem mais uma palavra.
     Lee levantou do sof e se aproximou de Claire. A pele delicada dela estava vermelha de raiva, os olhos azuis-claros, gelados.
     - Sabe - murmurou ele enquanto a estudava. - Nunca a vi assim  toda antes.
     - No perco a calma com freqncia. - Claire alisou os cabelos. - Jovens - declarou, como se a palavra explicasse tudo.
     - Sim. - Segurando-lhe os ombros, ele a virou para si. - Eles no reconhecem uma coisa boa quando a encontram. - O rosto arredondado de Lee se enrugou com um 
sorriso. - O que voc acha de passar o resto da vida com um empresrio acima do peso?
     O gelo se derreteu dos olhos de Claire, mas o rubor permaneceu.
     -        Lee, pensei que voc nunca fosse perguntar.
     
     Parks dirigia no trnsito de Los Angeles quando ouviu a primeira notcia do incndio. Sua raiva de Claire, sua frustrao por ela no ter falado nada mais do 
que a verdade, foi instantaneamente esquecida quando pegou o final de um noticirio, reportando um incndio em Liberty Canyon... a menos de uma hora da casa de Brooke. 
No, no havia raiva agora, mas um intenso medo que fazia suas mos transpirarem e escorregarem no volante.
     Brooke tinha ido para casa?, perguntou-se enquanto ultrapassava uma Ferrari. Estaria com a televiso ligada, o rdio, ou estaria em um de seus dias solitrios? 
Depois de um dia quente e enervante em set, ela freqentemente tomava um banho e dormia por uma hora. Recarregando, como ele uma vez dissera de brincadeira. Agora, 
a idia o apavorava.
     Conforme subia a rea montanhosa, comeou a sentir o cheiro de folhas secas queimando. Uma nuvem fraca de fumaa subia no cu ao leste. Trinta minutos, estimou 
Parks, pressionando o p no acelerador. Quarenta, se eles tivessem sorte. Ele levaria quase metade disso para chegar l.
     No havia vento para levar o fogo para longe, lembrou, lutando para manter a calma. Ainda no haviam qualificado como uma tempestade de fogo... no ainda. Brooke 
provavelmente j estava empacotando suas coisas mais importantes... talvez ele at a encontrasse na estrada, no meio do caminho. A qualquer minuto, ela poderia surgir 
em uma das curvas enquanto descia a montanha. Eles iriam para um hotel, conversariam sobre seu relacionamento. Claire estava certa, ele no se aprofundara o bastante. 
Um dia, prometera a si mesmo que a conheceria completamente. J era mais do que hora de cumprir a sua promessa.
     Parks quase podia sentir o gosto da fumaa agora, a fumaa preta e grossa que prenunciava o fogo. Viu alguns animais pequenos, coelhos, guaxinins, uma raposa, 
correrem na estrada do outro lado em sua fuga para as reas mais baixas. Estava perto ento, concluiu, muito petto. Por que, em nome de Deus, Brooke no estava correndo 
com seu carro na estrada, em direo  segurana? Parks percorreu os ltimos 25 quilmetros num borro de velocidade e medo.
     S teve tempo de registrar que o carro de Brooke se encontrava na garagem antes de saltar de seu prprio carro e correr em direo  casa. Ela s podia estar 
dormindo, concluiu, para no saber que o fogo se aproximava. Mesmo sem o rdio ligado, a nuvem de fumaa e o cheiro de queimado levariam a notcia. Ele abriu a porta, 
chamando o nome dela.
     A casa estava silenciosa. No havia qualquer som de movimento apressado, gavetas batendo, nada que indicasse um pnico frentico. Parles estava subindo a escada 
de dois em dois degraus quando escutou o cachorro latindo. Praguejou, mas continuou andando. Esquecera completamente do cachorro em seu medo por Brooke. E o medo 
cresceu novamente quando viu que a cama estava vazia. Comeou a correr para o segundo andar, ainda chamando, quando um movimento do lado de fora da janela lhe chamou 
a ateno.
     Chuva?, pensou, pausando pelo tempo suficiente para olhar. No, gua... mas no chuva. Indo para a janela, ele a viu. O alvio foi imediatamente substitudo 
por irritao, e irritao por fria. O que Brooke estava fazendo, parada no meio do quintal, regando a grama quando a fumaa era grossa o bastante para bloquear 
a viso das rvores ao leste?
     Com um movimento rpido, Parks abriu a janela e gritou atravs da tela.
     -        Brooke, o que voc est fazendo, pelo amor de Deus?
     Ela teve um sobressalto, ento olhou para cima.
     -        Oh, Parks, graas a Deus! Desa e ajude, no h muito tempo. Feche a janela! - gritou. - As fagulhas podem entrar. Corra!
     Ele se moveu, e se moveu rapidamente, pretendendo sacudi-la, depois arrast-la para o carro. Na metade da escada, saltou sobre o corrimo e se dirigiu para 
a porta dos fundos.
     -        O que voc est fazendo? - Parks exigiu saber novamente. Ento, em vez de sacudi-la, descobriu-se abraando Brooke forte o bastante para lhe causar 
dor.
     Se ele no tivesse ouvido o rdio, se ela estivesse dormindo... Se. Uma centena de possibilidades passou por sua mente enquanto a beijava de maneira frentica.
     Foi o sbito barulho do vento que o levou de volta  realidade. Uma onda repentina de terror lhe percorreu a coluna. O vento espalharia o fogo e alimentaria 
as chamas. O incndio logo se transformaria em uma tempestade de fogo.
     -        Temos de sair daqui.
     Parks a arrastara quase um metro antes de perceber que Brooke estava lutando contra ele.
     - No! - Com uma demonstrao de pura fora, ela se afastou e pegou a mangueira que deixara cair.
     - Droga, Brooke, no devemos ter mais do que vinte minutos.
     Ele segurou o brao dela novamente, e mais uma vez ela se desvencilhou.
     -        Sei quanto tempo temos. - Brooke mirou em direo  casa de novo, molhando a madeira. O som foi ouvido acima do barulho crescente do vento.
     Pela primeira vez, Parks notou que ela estava molhada e suja, e usando um roupo. Estava saindo do banho quando a notcia no rdio a avisara da aproximao 
do fogo. Ele olhou para as manchas de sujeira e grama no penhoar de seda, e percebeu o que tinha acontecido. O terreno fora capinado. Brooke o fizera com as prprias 
mos. Ele viu os arranhes e o sangue seco nelas, assim como nas pernas e tornozelos. Agora, com o cozinho a seguindo e latindo freneticamente, estava molhando 
a casa.
     - Voc est louca! - exclamou ele quando a rpida onda de admirao foi substituda por uma nova fria. Parks lhe agarrou o brao novamente, rasgando a costura 
do ombro do penhoar. - Sabe o que  uma tempestade de fogo?
     - Sei. - O cotovelo dela atingiu as costelas de Parks enquanto Brooke lutava para se afastar. - Se no vai ajudar, fique fora do caminho. Metade da casa j 
est molhada.
     - Voc vai sair daqui. - Parks tirou-lhe a mangueira da mo e comeou a arrast-la. - Mesmo que eu precise deix-la inconsciente.
     Brooke chocou aos dois dando um soco slido no maxilar dele. Foi o suficiente para libert-la, fazendo-a tropear para trs, perder o equilbrio e cair de quatro.
     -        Eu disse. Saia do meu caminho! - murmurou ela, antes de engasgar quando a fumaa entrou em seus pulmes.
     Parks a arrastou pelos ps. Seus olhos estavam to selvagens de medo e fria quanto os dela.
     -- Sua estpida! Voc vai combater uma tempestade de fogo com uma mangueira de jardim?  s madeira e vidro! - gritou ele e a sacudiu. - Madeira e vidro! - 
repetiu, tossindo enquanto apontava a casa com uma das mos. - Vale a pena morrer por isso?
     -        Vale a pena lutar por isso! - Brooke gritou de volta contra a fumaa e o vento enquanto as lgrimas comeavam a escorrer. - No vou deix-la para o 
fogo, no vou\ - Ela comeou a lutar contra ele de novo, com mais desespero do que antes.
     - Droga, Brooke, pare com isso! - Parks segurou-lhe os ombros at que as pontas dos dedos enterrassem na pele macia. - No h tempo.
     - O fogo no vai destru-la. No a nossa casa, voc no entende? - O tom da voz dela aumentou, no de maneira histrica, mas com firme determinao. - No a 
nossa casa.
     Parks parou de sacudi-la, mais uma vez descobrindo seus braos a envolvendo para mant-la junto ao corpo. Ento, ele compreendeu, e foi tomado por todas as 
emoes que ele jamais experimentara. Era isso que Claire quisera dizer, perguntou-se, quando falara que amor no era o bastante? Amor era o suficiente para comear, 
mas para sustentar um casamento eram necessrios todos os sentimentos que um ser humano fosse capaz de ter. Nossa casa, Brooke dissera. E, com duas palavras, havia 
consolidado tudo.
     Ele a afastou de si. As lgrimas de Brooke escorriam, a respirao estava ofegante. Os olhos estavam vermelhos, mas firmes. Parks soube que jamais sentira algo 
to intenso por algum, e jamais sentiria. E de repente entendeu que perguntas e respostas no eram necessrias para que a conhecesse completamente. Sem falar, soltou-a 
e pegou a mangueira. Brooke permaneceu onde estava enquanto ele direcionava a gua para a casa. Com o dorso da mo, ela secou as lgrimas do rosto.
     -        Parks...
     Ele se virou, dando seu melhor sorriso de gladiador.
     -        Vale a pena lutar. - Brooke deu um suspiro trmulo quando fechou a mo sobre a dele. - Vamos precisar de toalhas para respirar, e de alguns cobertores. 
V busc-los enquanto molho o resto da casa.
     Pareceu como se horas tivessem passado enquanto trabalhavam juntos, molhando a madeira, molhando um ao outro, o cachorro, repetidas vezes, enquanto a fumaa 
se tornava mais espessa. O vento uivava, ameaando tirar o cobertor que Parks jogara sobre ela. O calor, pensou Brooke. No seria capaz de suportar o calor. Mas 
as chamas ainda estavam afastadas. Havia momentos em que Brooke quase acreditava que o fogo se desviaria, e ento engasgava com a fumaa e usava a mangueira em si 
mesma at voltar a raciocinar. Havia um nico objetivo: salvar a casa que compartilhava com Parks, o smbolo de tudo de que sempre precisara. Lar, famlia, amor.
     Com toalhas pressionadas nos rostos, eles contornaram a casa diversas vezes, molhando o telhado, as laterais, todas as superfcies que o calor parecia secar 
novamente com tanta rapidez. Eles no mais falavam, apenas trabalhavam sistematicamente. Dois pares de braos, dois pares de pernas, trabalhando como uma nica mente. 
Para proteger o que lhes pertencia.
     Parks viu as chamas primeiro, e ficou estupefato demais para se mover. No era uma fogueira, pensou, ou uma fornalha. Era o inferno. E estava vindo na direo 
deles. Torres enormes e famintas de fogo jorravam como lanas. E em meio ao calor insuportvel, ele sentiu o glido suor do medo humano.
     - Chega! - Num movimento rpido, segurou o brao de Brooke e pegou o cachorro no colo.
     - O que voc est fazendo? No podemos partir agora. - Tropeando e engasgando, Brooke lutou para se libertar.
     - Se no partirmos agora, poderemos morrer. - Parks empurrou-a para dentro de seu carro e jogou o cachorro no colo dela. - Que coisa, Brooke, ns fizemos tudo 
que podamos. - As mos dele estavam escorregadias enquanto virava a chave. - No vale a pena morrer por nada que o dinheiro pode comprar.
     - Voc no entende! - Com o dorso da mo, ela limpou sujeira e lgrimas do rosto. -Tudo... tudo que eu tenho est l dentro. No posso deixar o fogo levar tudo... 
tudo que significa alguma coisa para mim.
     - Tudo - repetiu Parks num murmrio. Ento parou o carro e lhe fitou os olhos vermelhos e lacrime-jantes. - Tudo bem, se  assim que voc se sente, vou voltar 
e ver o que posso fazer. - A voz dele estava curiosamente calma e sem emoo. - Mas, por Deus, fique aqui. No posso arriscar voc.
     Antes que Brooke pudesse absorver aquelas palavras ou entender o que ele estava fazendo, Parks desaparecera. Por um momento, a histeria a dominou por completo. 
Ela tremeu, incapaz de se mover ou raciocinar. O fogo levaria sua casa, todas as suas posses. Ficaria sem nada, exatamente como tantas vezes no passado. Como poderia 
enfrentar isso de novo depois de todos aqueles anos de esforo, de trabalho, de determinao?
     O cachorrinho se mexeu em seus braos e choramingou. Inexpressivamente, Brooke o olhou. O que estava fazendo sentada ali quando sua casa estava em perigo? Tinha 
de voltar, voltar e salvar... Parks.
     O medo a congelou por um instante antes de faz-la saltar do carro e correr atravs da fumaa. Ela o mandara de volta... Parks voltara por ela. Pelo qu?, pensou 
com desespero. O que ela estava tentando salvar? Madeira e vidro... fora assim que Parks chamara. A casa era mais do que isso. Era o seu lar, o lar verdadeiro que 
Brooke tinha procurado por toda sua vida. Gritou, chamando-o, soluando enquanto a fumaa bloqueava tudo de sua viso.
     Podia ouvir o fogo... ou o vento. No tinha mais certeza se as duas coisas estavam separadas. Tudo que sabia agora era que, se o perdesse, realmente perderia 
tudo. Ento, gritou o nome de Parks repetidamente, lutando contra a fumaa para alcan-lo.
     Por um instante, Brooke no conseguiu mais respirar, incerta de onde estava ou para onde correr. Uma imagem surgiu em sua mente, uma de si mesma. Uma garotinha 
se aproximando de uma casa de dois andares, onde passaria um ano de sua vida. No conseguia se lembrar do nome das pessoas que seriam seus pais pelos prximos 12 
meses, apenas daquele senso de desorientao e solido. Sempre se sentira to solitria quando entrava num novo lar quanto no momento em que saa. Sempre fora isolada, 
sempre excluda, at conhecer Parks.
     Brooke o viu correndo de volta para ela, parcialmente coberto pela cortina de fumaa. Antes que pudesse separar uma imagem da outra, estava nos braos de seu 
amor.
     - O que houve? - perguntou Parks. - Eu a ouvi gritando, pensei... - Ele enterrou o rosto no pescoo dela por um momento quando o medo diminuiu. - Que coisa, 
Brooke, eu disse para ficar no carro!
     - No sem voc. Por favor, vamos embora. - Ela estava lhe puxando o brao, levando-o de volta para o carro na estrada.
     - A casa...
     - No significa nada - declarou Brooke com firmeza. - Nada faz sentido sem voc. - Antes que Parks pudesse reagir, ela estava se acomodando ao volante. Assim 
que ele se sentou ao seu lado, Brooke acelerou montanha abaixo.
     Aps aproximadamente um quilmetro e meio, a fumaa diminuiu. Foi ento que Brooke sentiu a reao se instalar, com tremores e novas lgrimas. Parando no acostamento, 
apoiou a cabea no volante e soluou.
     - Brooke. - Gentilmente, ele passou uma das mos pelos cabelos molhados e embaraados dela. - Sinto muito. Sei que a casa era importante para voc. No sabemos 
ainda se j foi destruda, ou se existe alguma chance de restaur-la. Ns podemos...
     - Esquea a casa! - Levantando a cabea, ela o fitou com olhos que estavam tanto zangados quanto desolados. - Eu devia estar louca para agir daquela maneira. 
Mandar voc voltar l quando... - Parando, Brooke praguejou e saiu do carro. Lentamente, Parks fez o mesmo e a seguiu.
     - Brooke.
     - Voc  a coisa mais importante da minha vida. - Ela se virou para ele ento, respirando fundo diversas vezes para conter as lgrimas. - No espero que acredite 
nisso depois do jeito como me comportei, mas  verdade. Eu no podia abrir mo da casa, das coisas, porque esperei muito tempo para obt-las. - Como as palavras 
eram dolorosas, Brooke engoliu em seco. - Por muitos anos tudo que eu tinha s era meu durante um tempo, como um emprstimo. Tudo em que consegui pensar foi que, 
se eu no conservasse a casa, os objetos, perderia tudo novamente. No espero que voc entenda...
     -        Vou entender. - Ele lhe segurou o rosto nas mos. - Se voc me contar.
     Ela deu um suspiro longo e trmulo.
     - Nunca pertenci a lugar algum, a ningum. Jamais. Isso deixa uma pessoa com medo de confiar. Sempre disse a mim mesma que haveria um dia em que eu teria minhas 
prprias coisas, minha prpria casa... eu no precisaria compartilh-las, no precisaria pedir. Foi algo que prometi a mim mesma, porque no poderia ter sobrevivido 
sem essa esperana. Esqueci de me libertar disso quando as coisas no precisavam mais ser assim.
     - Talvez. - Parks alisou-lhe o rosto com o polegar. - Ou talvez voc tenha compartilhado sem se dar conta disso. L atrs voc a chamou de nossa casa.
     - Parks. - Ela se aproximou mais para toc-lo. - No me importo se a casa tiver pego fogo, ou mesmo se tiver perdido tudo que h l dentro. Tenho tudo de que 
preciso, tudo que amo, bem aqui em minhas mos.
     Eles estavam molhados, sujos, exaustos. Vivos. Parks observou-lhe o rosto manchado de preto, os cabelos desalinhados, os olhos vermelhos. Brooke jamais lhe 
parecera mais linda. Com a garganta seca pela fumaa, os olhos ardendo, ele a abraou. Juntos, tombaram no gramado. Brooke estava rindo e chorando enquanto ele a 
beijava. Seu rosto estava manchado pela fuligem e coberto de lgrimas, mas os lbios de Parks passeavam loucamente por ele. Paixo encontrou paixo. No sentiram 
suas feridas enquanto se tocavam, e uma necessidade to voltil quanto o fogo que haviam desafiado os consumia. Quando o roupo rasgado de Brooke caiu, as roupas 
ensopadas de Parks se juntaram a ele. Ento se amaram, nus, sobre a grama. Repetidamente, beijaram-se com ardor, absorvendo, um do outro, a fora e a vitria do 
momento, indo alm da fumaa e do fogo que haviam deixado para trs, para um mundo limpo e luminoso.
     Brooke sabia que jamais estivera to consciente, to incrivelmente viva. Seu corpo parecia vibrar em milhares de pulsaes, que se tornavam mais instveis quando 
Parks a tocava. Com os braos apertados ao redor dele, o corpo msculo pressionado contra o seu, ela teve a sensao de absoluta confiana. Parks protegeria, ela 
defenderia, lutariam contra quaisquer foras externas que os ameaassem. Durante o incndio, haviam deixado de ser homem e mulher e se tornado uma unidade. Em algum 
lugar sob a paixo feroz, Brooke sentiu paz. Encontrara a si prpria.
     Fizeram amor enquanto a fumaa se tornava apenas uma neblina sobre suas cabeas. E, quando estavam exaustos e saciados, continuaram abraados, no querendo 
quebrar a unidade to recentemente descoberta.
     - Voc se machucou - murmurou Parks, tocando um arranho no ombro dela.
     - No me sinto machucada. - Brooke enterrou os lbios no pescoo dele e soube que jamais se esqueceria do aroma de fumaa, cinzas e amor. - Eu bati em voc.
     - Sim, eu notei.
     Ouvindo o sorriso na voz dele, Brooke fechou os olhos.
     - Voc s estava pensando em mim. Desculpe.
     - Agora voc est pensando em ns. - Parks pressionou os lbios na testa dela. - Estou feliz.
     - Ns vencemos - sussurrou Brooke.
     Parks ergueu a cabea para observ-la. Usando o polegar, limpou uma mancha de fuligem do rosto dela. Era da cor dos olhos de Brooke, pensou, vendo-a na prpria 
pele.
     - Ns vencemos, Brooke.
     - Tudo.
     Os lbios dele se curvaram num sorriso antes de tocar os de Brooke.
     - Tudo.
     Ela lhe aninhou a cabea em seu ombro, gentilmente lhe acariciando os cabelos. Minsculos pedaos de cinza continuavam a flutuar  volta deles, como memrias.
     - Falei certa vez que no queria que nada mudasse... Eu tinha medo de aceitar a mudana. Estava errada. - Fechando os olhos, Brooke permitiu-se absorver a proximidade 
dele. - Agora no  mais a mesma coisa.
     - Melhor - murmurou Parks. - Isso faz diferena. Sempre far diferena.Ela suspirou, sabendo que o contentamento que sempre buscara estava irrevogavelmente 
ligado a um homem, um amor.
     -        Mas ainda vamos jogar, no vamos?
     Desta vez, quando levantou a cabea, Parks sorriu. Os lbios de Brooke se curvaram em resposta.
     -        Segundo as nossas prprias regras.
